Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: quinta-feira, 7 de junho de 2018

OS POBRES, SEMPRE OS TENDES CONVOSCO

OS POBRES, SEMPRE OS TENDES CONVOSCO

07/06/2018

Esse texto bíblico do título sempre me intrigou, desde garoto. Venho de uma família pobre, do interior do Amazonas, e após a morte prematura do meu pai, quando eu tinha apenas 10 anos, minha mãe, sem recursos financeiros ou condições culturais, valentemente nos criou, a mim e minha irmã, então com 6 anos, e isso em meio a muita dificuldade e pobreza.

Nunca nos faltou o que comer, mas sempre pertencemos à chamada classe pobre. Já conhecíamos o Evangelho, e exatamente por isso, me incomodava o porquê de vivermos naquela situação. Afinal, Davi tinha dito há muito tempo, que jamais viu "o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão." E nas minhas reflexões de garoto eu pensava comigo que Davi, vivendo em meio ao fausto, em palácios de uma terra que manava leite e mel, podia não ter visto, mas, eu vi, sim, vários deles, e vejo até hoje. Ou o conceito de justo de Davi era outro, ou o desamparo e a mendicância não eram o que temos hoje no mundo.

Jesus disse aquelas palavras, que encontramos em Mat.26:11, no episódio em que Maria lavou Seus pés em casa de Simão, e os enxugou com seus próprios cabelos. Diante da reprovação de Judas Iscariotes, o Senhor pronunciou essa curta frase, dando conta da existência perene de pobres entre nós.

Na verdade, Jesus ali ecoava um texto bem mais antigo e belo, do Pentateuco, que encontramos em Deut.15:7-11. No último versículo, Jeová diz ao povo:

"Pois nunca deixará de haver pobre na terra; pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra."

Por aí compreendemos, por uma via tortuosa talvez, que há propósitos divinos por trás da pobreza do mundo. O estímulo à liberalidade, ao desprendimento e ao amor entre as pessoas, parecem ser alguns desses propósitos, mesmo porque nos é dito que sem a prática do amor aos pequeninos de Deus, não entraremos em Seu Reino.

E ao longo de toda a Bíblia é possível sentir a preocupação e cuidado constantes de Deus pelos desamparados, pelos órfãos, pelas viúvas, pelos que sofrem todo tipo de mazelas e carências, enfim, pela escória da terra. Isso erradamente tem até levado a compreensões teológicas de que Deus haja feito uma opção preferencial pelos pobres. Mas, não é o caso, Deus não faz acepção de pessoas, somos todos Suas criaturas. Mas Ele evidencia, sim, uma intenção de que nós sejamos a ajuda de que os necessitados tanto precisam.

Portanto, se continua a haver pobres no mundo, muito certamente a falha está em nós, que não cumprimos a orientação mosaica da Torá, de abrirmos nossa mão para eles. E se prestarmos atenção ao que acontece ao nosso redor, veremos que os pobres, principalmente, se ajudam entre si, e ajudam a minorar o sofrimento uns dos outros. Portanto, a existência de pobres serve não apenas ao exercício do amor por parte dos que têm posses, mas, da mesma forma, aos próprios pobres.

É bem verdade que aos ricos deste planeta é reservado um papel preponderante na luta contra a desigualdade entre as pessoas. Há um texto instigante de João, em I João 3:17, que prescreve:

"Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?"

Termino com um pensamento da escritora sacra Ellen White, no livro Conselhos Sobre Saúde, pg. 230:

“Não é plano de Deus que a pobreza desapareça do mundo. As classes sociais jamais deveriam ser igualadas; pois a diversidade de condições que caracteriza nossa raça é um dos meios pelos quais Deus tem pretendido provar e desenvolver o caráter. Muitos têm insistido com grande entusiasmo em que todos os homens devem ter parte igual nas bênçãos temporais de Deus; não era este, porém, o propósito do Criador. Cristo afirmou que sempre teremos conosco os pobres. Os pobres, bem como os ricos, são comprados por seu sangue; e, entre os Seus professos seguidores, na maioria dos casos, os primeiros O servem com singeleza de propósito, enquanto os últimos estão constantemente colocando as suas afeições nos tesouros terrenos, e Cristo é esquecido. Os cuidados desta vida e a ambição das riquezas eclipsam a glória do mundo eterno. Seria a maior desgraça que já sobreveio à humanidade se todos devessem ser colocados em posição de igualdade em possessões terrenas."

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 07/Junho/2018.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 07/Junho/2018.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.