Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Pérolas Esparsas - 16 - PERFEIÇÃO

PERFEIÇÃO

21/08/2015

"Portanto, sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está no céu." Mateus 5:48.

"Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai que está nos céus." Lucas 6:36.

Às vezes acompanho discussões via web a respeito desse assunto. Tenho observado curiosamente algumas características nas argumentações e posturas entre os que são tidos como "perfeccionistas" e os "não-perfeccionistas", aliás, como se esses fossem rótulos relevantes na vida cristã. E me refiro aqui a cristãos de diversos matizes. Assim, tenho notado o seguinte:

1) Nos tidos como "perfeccionistas":

a) Nunca, em momento algum, estes admitem que são adeptos do perfeccionismo, embora seus argumentos deixem isso bem claro.

b) Se se perguntar a eles se, como crêem com convicção que é possível viver nessa vida sem absolutamente pecado algum, já se consideram perfeitos, todos, sem exceção dirão que não, que eles "ainda" não são perfeitos, e que "ainda" pecam. E se perguntarmos se pelo menos conhecem alguém que já viva sem pecar, nunca conhecem.

c) Com alguns minutos de conversa, argumentações e contra-argumentações, eles perdem a paciência, mostram intolerância, usam palavras um pouco mais duras e irônicas contra os opositores, e assim, demonstram cabalmente que estão longe da perfeição.

2) Nos tidos como "não-perfeccionistas":

Basicamente, nesses nota-se uma aversão sistemática, inflexível e inexplicável contra a busca da perfeição, contra o desejo de que – como o apóstolo João pontuava - se possa viver sem pecar e alcançar vitória sobre o pecado.

3) Em ambos, "perfeccionistas" e "não-perfeccionistas":

a) Pode-se verificar uma certa confusão, ou pelo menos, mal-entendimento, entre perfeição e santificação, entre perfeição e vitória em Cristo Jesus.

b) Buscam textos, muitas vezes fora de contexto, tanto da Bíblia quanto de outros escritos de literatura denominacional, às vezes sempre os mesmos textos, para justificar suas posições conflitantes.

c) Fatalmente resvalam para outros temas, como natureza de Cristo Jesus, pré ou pós lapsarianismo, carne santa, e coisas correlatas. Como se estes fossem assuntos sobre os quais temos condição plena de discutir, ou deles dependa a nossa salvação.

d) Compreendem de forma distinta vários textos sobre pecado, perfeição e vida sem pecado, principalmente Romanos 6, bem como o que significa ser perfeito para Deus.

e) Acusações fluem e fruem de lado a lado.

Para o crente em Cristo Jesus, salvo pela graça, a perfeição deve ser um anseio. Na realidade, não há nada de errado em querermos ser perfeitos, não há nenhum absurdo em querermos afastar o pecado de nossas vidas, em desejarmos obter vitória em Cristo Jesus e crescimento na graça. A Bíblia nos estimula a isso.

Por outro lado, nenhum crente em Cristo Jesus, salvo pela graça, consciente de sua justificação já recebida, da sua santificação em processo e de sua futura glorificação, usará o fato de ter natureza pecaminosa, caída, como alforria para viver da maneira que quiser. Muitos são acusados disso, mas essa acusação acaba sendo mais um indício de que ninguém é perfeito. O cristão, muito pelo contrário, usa o fato de ser imperfeito – e vai ser até Jesus voltar – como estímulo para correr resolutamente “para o alvo, para o prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus”, que é adquirir perfeição completa na Sua volta.

O que não devemos - se é que um dia queremos ser perfeitos - é, a pretexto de chamar o pecado pelo nome e viver vida santificada, usar a busca da perfeição como sistema de salvação e como postura de patrulhamento da vida dos nossos irmãos, como moeda de troca com Deus na questão da salvação, para nos sentirmos melhor que nossos semelhantes que fazem o que não fazemos ou não fazem o que fazemos, ou para acalmarmos nossa consciência de crentes. Nesse processo, muitas vezes damos nosso estilo de vida, nosso regime alimentar, nossa concepção de moda, de música, de culto, de lazer, e tantas outras coisas, como modelos de verdade completa e absoluta. E isso pode ser consciente ou até mesmo inconsciente.

“Quando vier o que é perfeito, tudo aquilo que é imperfeito desaparecerá”, já nos ensinava Paulo, o grande Herói da Fé, em I Cor. 13:10. Aliás, na versão Almeida Revista e Corrigida, está de uma forma que nos ajuda a compreender algo muito peculiar. Lá diz assim: “Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.”

Isso nos leva a compreender que até pode haver um nível de perfeição, muito pequeno, diga-se de passagem, parcial, que podemos e devemos atingir na vida cristã. Mas, até isso, que não representa nada, será aniquilado, quando recebermos a perfeição completa em Cristo Jesus.

Nunca é demais lembrar que a vida eterna, a corrida da fé, não pode ser tida como uma questão de posicionamento, de chegada, de em que lugar nos encontramos, mas de direção, de alvo, já que sabemos em Quem temos crido.

Mário Jorge Lima./ /
São Paulo, 21/Agosto/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 21/Agosto/2015.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Pérolas Esparsas - 15 - LEI E GRAÇA

LEI E GRAÇA

07/08/2015

Há na mente do crente, de modo geral, um pensamento distorcido a respeito de Lei e Graça, que considera essas duas coisas como sendo absolutamente antagônicas e incompatíveis entre si. A Lei, assim, é considerada como algo que me impede de fazer as coisas que eu gosto de fazer, enquanto a Graça é aquela bênção que me torna livre pra fazer tudo que eu quero fazer.

Dessa forma, a Lei é considerada como algo que me reprime e me deprime, e isso é viver debaixo da Lei. Já a Graça me liberta desse jugo ingrato e me faz feliz, e isso é viver debaixo da Graça. Nada mais longe da verdade. Começa que ambas as coisas foram dadas pelo mesmo Deus, ambas foram originadas por um Pai de amor sem limites, que tem uma vontade estabelecida desde tempos imemoriais, a Lei do Amor, na qual anjos e habitantes de mundo sem pecado vivem, e que é a norma do Seu Reino.

A Lei de Deus, na forma como a conhecemos, foi-nos dada como resultado das nossas transgressões, e tem o papel precípuo de identificar essas transgressões, mas, não de corrigi-las, não é meio de salvação, não muda nossa conduta, nos mostra Cristo Jesus, conduzindo-nos a Ele. A Graça, tem o papel de resolver essa pendência moral, e tem um papel não apenas justificador, mas, necessariamente, transformador. Ela sim, gera a fé que nos justifica e sustenta-nos no processo de santificação, sem a qual ninguém verá a Deus. Ambas, a Lei e a Graça, se encontram na cruz do Calvário.

O Evangelho jamais liberou o crente da necessidade de obedecer à Leis de Deus como estilo de vida, como ato de ética cristã. Mas, com certeza ele ensina que o crente está livre do peso da Lei como sistema de salvação. O Filho nos libertou não para fazermos nossa própria vontade, porque livres para isso nós sempre fomos, mas, para fazermos a vontade de Deus, para nos submetermos a ela voluntariamente e com alegria. Essa nossa obediência não tem nenhum papel salvífico, até porque a obediência só acontece depois que o homem foi justificado e salvo da condenação do pecado.

Mário Jorge Lima./ /
São Paulo, 07/Agosto/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 07/Agosto/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.