Postado em: quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Reflexões Sobre a Graça - 16 - PENA DE MORTE: A BÍBLIA É CON

PENA DE MORTE: A BÍBLIA É CONTRA?

22/01/2015

Esse já está se tornando um assunto requentado, e eu havia escrito isso na semana passada, então, resolvi publicá-lo essa semana, na sequência das minhas Reflexões Sobre a Graça.

As execuções na Indonésia excitaram esse assunto nas Redes Sociais ao extremo. Pessoalmente, sou contra a pena de morte. Sempre fui, e acho que sempre vou ser, não faz parte da minha índole. Não critico quem seja favorável, as pessoas são livres pra se posicionar da forma que quiserem, mas não atingi patamares emocionais a partir dos quais eu possa ver essa questão com a simplicidade com que muitos cristãos, incluindo pastores e líderes religiosos, vêem e aceitam.

A questao posta acima é objetiva, dura, e exige uma resposta objetiva e que pode também ser dura, à qual não vou me furtar. A Bíblia não apoia que um indivíduo mate o seu semelhante, e contra isso a Lei de Deus é bem clara e taxativa: Não matarás! Mas ela, de certa forma, dá suporte, sim, a políticas de Estado que imponham a pena de morte, principalmente contra crimes que atentem contra a vida humana, um dom divino. Em Deuteronômio 7, em I Samuel 15 e em várias outras ocasiões na história do povo de Israel, assim como em episódios protagonizados por figuras como Davi e o profeta Samuel, encontramos essas situações absolutamente estranhas para nós. A própria ocorrência do Dilúvio, da matança dos primogênitos no Egito e o vindouro juízo final (contra a opinião dos universalistas), mostram que esses momentos absurdamente dramáticos ocorreram e ocorrerão.

Muitos cristãos que são favoráveis à pena de morte, para fundamentar a sua forma de pensar, usam aqueles exemplos bíblicos do passado, em que havia ordens divinas claras para exterminar povos inteiros que, no critério de Deus, já haviam excedido a medida da sua malignidade. Mas, costumam ignorar que entre essas ordens duras havia também uma clara e explícita, e que não fazia parte de nenhuma lei cerimonial, para eliminar aqueles que transgredissem o Sábado (Ex. 31:13-14), ordem essa que pelo menos em um incidente conhecido foi cumprida (Num. 15:32-36). E hoje ninguém, nem mesmo o judeu mais ortodoxo e radical, consideraria sequer a idéia de que isso seja válido. Certamente, devemos entender que havia circunstâncias que eram temporárias e não deveriam se perpetuar.

A pena de morte, pois, é uma questão de Estado. A igreja, como instituição religiosa, não tem que se meter em definir essa posição, e penso que o melhor mesmo é fazer como muitas, incluindo a minha, fazem: não têm posição oficial sobre esse assunto. Até porque as opiniões são muito divididas e somos livres para assumir qualquer posição. Isso pode ser tomado como ficar "em cima do muro". Pode ser, mas, a igreja não tem que legislar sobre assuntos dessa natureza, assim como também não deve condenar ou censurar quem pense de uma forma ou de outra.

Pessoalmente - e esta é a opinião apenas minha, que não tem muito valor para outrém a não ser para minha própria família (assim espero - rsrsrs) - prefiro ver essa questão sob a ótica de tempos mais graciosos e plenos de misericórdia. Assim como a graça me permite auferir benefícios aos quais não tenho o menor direito e não mereço, a misericórdia me livra de ser tratado na medida exata dos meus erros e de receber o castigo que mereço.

Davi, um dos maiores beneficiários da graça de Deus de que se tem notícia, já cantara no seu Salmo 103:

"[Deus] Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades. Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. ... Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó."

Isso é graça. E agora, parodiando a frase do momento, digo aqui sem constrangimentos: JE SUIS DAVI. Se Deus nos tratasse na razão direta dos nossos erros não subsistiríamos, viraríamos poeira cósmica.

Penso aqui naquele episódio de Deus anunciando a Abraão a pena de morte para Sodoma e Gomorra. Mesmo em meio àquele anúncio, negociando com Seu amigo, Ele estava disposto a aceitar o arrependimento e conceder o perdão a quantos, não importava a quantidade, genuinamente se voltassem dos seus maus caminhos. Isso era graça, se manifestando mesmo em tempos tão pecaminosos, sanguinários e cruéis.

Embora Deus não mude Seus propósitos, Seu caráter, Suas Leis, eu creio que os métodos e estratégias de Deus para alcançar o homem claramente se modificaram ao longo do tempo. Basta ver, por exemplo, que, no Velho Testamento, se alguém encostasse a mão na arca, morria. Se tocasse a montanha quando Deus estava lá, morria. Se o sacerdote não se paramentasse devidamente ao penetrar no lugar santíssimo, morria. Se alguém transgredisse o Sábado, morria. O judeu sequer pronunciava o nome inefável de Deus, substituindo o tetragrama sagrado YHWH por Adonai. Mas, nos tempos do Novo Testamento, se alguém tocasse o Salvador, era curado. Se tocasse Suas vestes, era curado. Podia deitar a cabeça no seu colo e ouvir o tum-tum-tum do coração do criador do universo. Podia até mesmo bater e cuspir em Seu rosto e furar o Seu lado com uma lança sem cair fulminado. E hoje somos estimulados a chamá-lo, coloquial e carinhosamente, Abba, Paizinho.

Finalizando, como cristão, e apenas como cristão (já que quem não é, não crê em Deus), não tenho que discutir os atos de Deus e nem que aprovar ou desaprovar Seus atos e ordens, mas sim, me submeter a Ele, já que não posso compreendê-Lo. Sua mente é espiritual e eu sou carnal.

Digo e repito, sou contra a pena de morte, mas entendo que não é correto dizer que a Bíblia seja incondicionalmente contra essa prática, que não é uma prerrogativa do indivíduo, mas, do Estado, ao qual devo me submeter, também pelo que diz a própria Bíblia, desde que não atente contra a vontade de Deus. E nós em breve teremos como vivenciar o que isso significa, ninguém perde por esperar.

Há na web vários textos e videos sobre esse assunto, inclusive na Novo Tempo. Pesquisem, consultem e firmem suas conviccões. Às vezes o texto bíblico contraria aquilo que nós apreciaríamos que fosse de uma forma, mas ele mostra que pode ser de outra.

Sem tentar fazer qualquer exercício de interpretação, pois nesses casos acho desnecessário, deixo com vocês os textos abaixo, cheios de graça salvadora, que são um bálsamo e falam muito forte ao meu coração sedento e carente de aceitação e misericórdia, e que espero que confortem também a você, principalmente nesses tempos de cólera e selvageria.

"... A misericórdia triunfa sobre o juízo.". Tiago 2:13.

"Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia." Miq. 7.18

"Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? — diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?" Eze. 18:23

"Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei." Eze. 18:32

"Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que haveis de morrer, ó casa de Israel?" Eze. 33:11.

"O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade." I Tim. 2:4.

"Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum homem pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento." II Ped. 3:9.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 22/Janeiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 22/Jan/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

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