Postado em: sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Pérolas Esparsas - 04 - LEI PERFEITA DA LIBERDADE?

LEI PERFEITA DA LIBERDADE?

16/01/2015

"Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito." Tiago. 1:25.

Ao invés de decidir se eu sou Charlie ou não, escolhi, em meio ao enorme choque causado pelos acontecimentos brutais em Paris e à estranhamente pouca repulsa quanto à chacina na Nigéria, meditar sobre as questões abaixo, principalmente no campo espiritual, já que os campos político e social estão minados.

Toda lei é restritiva. Toda lei poda, limita a liberdade pessoal. Toda lei coloca obstáculos às ações e iniciativas humanas. Isso é verdadeiro até mesmo com a Lei de Deus. Há um tensão permanente entre lei e liberdade, entre submissão e autonomia, entre sujeição e independência, entre obediência e livre arbítrio. E no campo eclesiástico, entre legalismo e liberalismo.

Não poder andar sem roupas pelas ruas de uma cidade qualquer, atende aos requisitos coletivos de civilidade e convivência urbana, mas, na verdade, limita o meu direito de ir-e-vir e de viver do jeito que eu quiser. Não poder apropriar-me de uma casa que pertence a outro, obedece e respeita a conquista da propriedade mas, na realidade, restringe meu direito à terra, já que ela é um bem de todos.

Por isso posso afirmar sem medo de errar: ninguém é plenamente livre. Ninguém pode fazer tudo aquilo que quer ou que lhe dê na cabeça. Ninguém pode fazer total abstração de regras, normas e leis. Sem regras não há jogo possível. No mais sanguinário dos esportes, a luta livre, há regras. Além disso, o direito e a liberdade de um cessa ou se ajusta ao direito e à liberdade do outro. Liberdade completa, tal como utopicamente idealizamos, só é praticável e possível na selva ou na criminalidade, onde não há constrangimento de qualquer tipo, onde não há lei, apenas o medo e a luta pela sobrevivência do mais forte.

Mas, será que toda restrição é, de fato, negativa? Será que toda limitação de nossas ações é realmente ruim? Por outro lado, será que liberdade de ação total, geral e irrestrita é benéfica? Será que o pensamento completamente livre vai sempre me levar a praticar aquilo que é bom? É de fato proibido proibir, como dizia o, então jovem, Caetano Veloso? Como premissa básica, é preciso admitir que liberdade, responsabilidade e risco constituem um tripé de equilíbrio onde não podem jamais ser dissociados um do outro sem gerar uma crise ou tragédia. E há que se ter discernimento.

Toda lei, portanto, restringe a nossa atuação e aponta os desvios de comportamento. Falando na Lei de Deus, como entender que ela possa ser chamada de Lei Perfeita da Liberdade, sendo que ela limita a liberdade de ação do cristão? E, não nascemos para ser livres?

Na verdade, a minha vontade, a minha consciência e o meu desejo é que são livres. Mas, nem tudo que quero, penso e desejo, é realizável. Liberdade não é a possibilidade absoluta de se fazer o que se quer, mas, o respeito absoluto pela diversidade entre as pessoas. Ser livre implica, necessariamente, em buscar a harmonia, e, obrigatoriamente, em fazer escolhas. Se possível, boas escolhas.

Cito aqui o Pr. Dr. Roberto Badenas, especialista em hermenêutica e exegese do Novo Testamento pela Universidade Andrews: "Lei e liberdade são duas realidades paralelas na existência do homem. A vida funciona entre dois polos contrários, mas ambos necessários: responsabilidade e liberdade, ou autonomia. A Lei é uma força que tende a sujeitar, enquanto que a liberdade é uma força que tende a livrar-se de toda sujeição. O pêndulo da História oscila sempre entre estes dois extremos, raramente encontrando o equilíbrio." Aliás, é o que estamos vendo nos últimos acontecimentos na Europa.

Concluindo, se a Lei de Deus é chamada pelo apóstolo Tiago como a Lei Perfeita da Liberdade, e se toda lei tem um aspecto restritivo, em última instância, ao observá-la, somos livres ou escravos?

Escravo é quem obedece contra a vontade. Ser livre, pois, é cumprir a Lei porque se deseja fazê-lo. Assim, o que define se somos escravos ou livres é se fazemos a vontade de Deus por dever ou por querer. A verdadeira liberdade é a realização do bem pelo bem, por atitude voluntária e consciente. A Lei de Deus só será para nós a Lei Perfeita da Liberdade quando a obedecermos lendo seus preceitos a partir do nosso coração, onde ela deverá estar escrita, sem querer, nem de longe, fazer disso moeda de troca com Deus na questão da Salvação. Quando fizermos isso única e exclusivamente por amor.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 16/Janeiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, xx16/Jan/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

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