Postado em: sábado, 3 de janeiro de 2015

Pérolas Esparsas - 03 - O PRISMA DA LEI

O PRISMA DA LEI

03/01/2015

Tenho lido bastante a respeito de Lei e Graça, preparando novos sermoes e também uma nova Série na sequência da Série Maravilhosa Graça, e tenho encontrado e também feito reflexões interessantes sobre esse assunto inesgotável. Algumas dessas reflexões, que farão parte de futuros sermões em preparo, venho dividindo com vocês nesse grupo de pequenos artigos a que dei o título de Pérolas Esparsas. Aliás, nome que tomei emprestado de um prazeroso livro da CPB, que não tenho mais, e que continha histórias saborosas, que li e reli há mais de meio século, quando criança.

Se olharmos a Lei de Deus, considerando-se todo o conjunto de ordenanças legado a partir do Sinai por meio de Moisés, servo de Deus, através de um prisma redutor que simplifique o seu entendimento, mas, sem afetar a sua eficácia, teremos uma visão preciosa e muito interessante quanto aos preceitos divinos.

Foi um rabino chamado Simlai, que viveu no terceiro século na terra de Israel, quem compilou 613 mandamentos que se espalham por todo o conjunto da Torá, ou Pentateuco, ou, simplesmente, Livro da Lei. Esse é o manuscrito sagrado que representa toda a vontade e sabedoria de Deus para o povo Judeu. O Rabi ensinava que eram 365 ordenanças negativas, como os dias do ano, e 248 positivas, como os ossos do corpo humano. Nessas 613 ordenanças estava incluído o Decálogo, ou Dez Palavras.

Davi, o maior rei de Israel, no seu Salmo 15 deu uma nova visão, compilando 11 mandamentos, que deveriam nortear a vida de quem aspirasse a morar no tabernáculo de Deus e habitar no Seu santo monte. Conte-os e confira: viver com integridade, praticar a justiça, falar a verdade, não difamar, não fazer mal ao próximo, não lançar injúria contra o vizinho, desprezar o perverso, honrar os que temem ao Senhor, jurar com dano próprio sem mudar, não emprestar dinheiro com usura e não aceitar suborno. Lindo, não?

Vem, então Isaías, e no seu capítulo 33 resume em 6 mandamentos a serem seguidos por quem quiser vencer o fogo devorador, a saber: andar em justiça, falar o que é reto, desprezar o ganho da opressão, recusar suborno, não ter interesse nos homicídios e não desejar ver o mal.

O Profeta Miquéias, no capítulo 6 do seu livro, faz mais uma redução e resume em 3 simples preceitos o que é bom e a forma como Deus espera que reajamos ao Seu amor: praticar a justiça, amar a beneficência e andar humildemente diante de Deus. Vejam que praticar a justiça e recusar o suborno foram ações explicitamente mencionadas por Davi, Isaías e Miquéias. Parece que estavam vendo os nossos dias. Fantástico!

Então, chega Jesus e resume tudo de forma extraordinariamente sintética, em apenas dois perfeitos mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Palavras do Salvador.

Agora é Paulo quem, de forma moderna, e eu diria também pós-moderna, atualíssima, em Romanos 1:17, resume toda a Lei, todos os seus preceitos e normas, em uma única postura cristã, que nos dá a medida exata de justiça a ser seguida por aquele que quiser estar na eternidade: viver pela fé, a fé genuína, a fé justificadora, a fé viva, que segundo Tiago, necessariamente se traduz em boas obras, que não salvam, apenas demonstram submissão à vontade de Deus.

Vejam que, a cada redução, a cada sumo extraído de todo aquele cipoal de ordenanças e regras, nada se perdeu. De 613 regras chegamos a apenas uma, e todo o espírito da Lei original foi mantido intato.

Que conforme o grande apóstolo Paulo nos prescreve em I Tim. 1:8, possamos entender a exata função da Lei de Deus, a forma correta como devemos nos relacionar com ela e a questão da obediência, pois só assim ela se tornará boa e legítima em nosso viver.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 03/Janeiro/2015.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 03/Jan/2015.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

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