Postado em: sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Pérolas Esparsas - 01 - UM POVO, UM DEUS, UMA LEI

UM POVO, UM DEUS, UMA LEI

05/12/2014

Mais ou menos dois meses após a saída do Egito, Moisés chegou com o povo à montanha sagrada de Deus, o Horebe, cuja verdadeira localização até hoje é debatida por historiadores e estudiosos. Ali, em torno de uma nova lei, diferente de tudo que se conhecia até então, simples e direta, a um só tempo comportamental e relacional, uma nação tentaria reunir os seus pedaços, resultados de mais de 400 anos de escravidão e de silêncio de Deus.

É bem verdade que, de certa forma, se afastaram das panelas de carne do Egito meio a contra-gosto. Mas estavam lá, e mal sabiam que os 400 quilômetros que os afastavam da terra prometida levariam 40 anos para serem percorridos, e que a maioria deles ficaria pelo deserto.

Eram fugitivos, um povo sem qualquer auto-estima, um povo sem pátria, com quem um Deus Sem Nome, que se apresentava apenas como Eu Sou, iria mais uma vez tentar fazer uma aliança.

Seria um concerto, que embora repetido em diversas oportunidades ao longo da história deles, era e sempre foi um único concerto, de graça e fidelidade voluntária, de ação versus reação, de um Deus que primeiro age e salva pra depois aguardar a resposta do ser humano, que tem que ser espontânea e consequente, ou Ele não a levará em conta.

E aquela lei, que parecia ser apenas deles, dada em função das suas transgressões, era, na verdade, um código que repousava sobre um conceito básico e eterno, que reflete a lei do céu e que continuará a ser a base do Reino de Deus: o Amor, aquilo que os anjos e os seres não caídos mais conhecem.

Uma lei que começaria apresentando primeiro o que Deus tinha feito, ou seja, "tirou o povo da terra do Egito e da casa da servidão", e só depois tentaria expulsar da alma a maior de todas as servidões, aquela que escraviza um ser humano a outros deuses, ou seja, a outros seres humanos e objetos inanimados.

A lei nunca foi e jamais será meio de salvação, não tem poder de mudar a conduta, é um instrumento de condenação dos nossos pecados, mas foi a quebra da mesma que trouxe a graça para a experiência humana. Sem a existência de um código moral e relacional, não existiria a graça, não existiria o perdão, não existiria a justificação, não existiria a santificação, em suma, não existiria a salvação.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 05/Dezembro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 05/Dez/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

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