Postado em: segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Reflexões Sobre a Graça – 08 - FÉ... OBRAS... FÉ + OBRAS... ???!!!

FÉ... OBRAS... FÉ + OBRAS... ???!!!

Em função da lição da Escola Sabatina, em nossa igreja, essa semana (02 a 08 de Novembro de 2014), vem à tona uma discussão que pode levar tanto a um entendimento claro como também a uma confusão generalizada. Afinal, somos salvos (justificados) apenas pela fé, como diz Paulo exaustivamente em Rom. 3:20, Rom. 3:28, Rom. 5:1, Gal. 2:16 e Gal. 3:24, ou pela fé mais obras como parece destacar Tiago em sua epístola, ao longo do capítulo 2, especialmente no versículo 24?

Será que esses dois amados e consagrados apóstolos discordaram entre si e tiveram visões diferentes a respeito do processo de salvação? Será que graça é contrária à obediência? Será que a fé é contrária às boas obras? Será que o que aconteceu no Éden e no Sinai nada tem a ver com o que aconteceu na cruz do Calvário? Será mesmo que as epístolas de Romanos, Gálatas e Efésios são contrárias, em essência, à epístola de Tiago e aos livros do Êxodo, Salmos e tantos outros?

Partindo do pressuposto de que não há contradição, e de que a Bíblia, se estudada com oração e iluminação do Espírito de Deus, apresenta uma proposta de salvação única, vamos analisar rapidamente do que um e outro estão falando. Eu diria que além desta ser uma das questões mais importantes da doutrina cristã, foi também, de certa forma, a causadora de toda a reforma protestante capitaneada por Martinho Lutero.

Em Paulo fica claro que o ato de Justificação de Deus por nós se dá baseado unicamente na fé manifestada pelo homem, até então, pecador. Deus, que é santo, perfeito, justo e infalível, é o único que pode avaliar, sem a menor possibilidade de erro, a qualidade e genuinidade dessa fé pessoal, e quando o faz, diz ao universo que esse pecador agora é justo.

Evidentemente que essa não é uma fé qualquer, não pode ser uma fé mística, incipiente, mas, uma fé que passa pelo teste das Escrituras. É a mesma fé que manifestou o publicano da parábola com o fariseu e também o ladrão na cruz. Podemos identificar pelo menos três características nessa fé que leva à Justificação:

1) Reconhecimento do senhorio e autoridade de Deus, como Senhor e Pai. "Ó Deus, tem misericórdia de mim..."(publicano). "Senhor, lembra-te de mim..." (ladrão).

2) Reconhecimento da própria situação de pecaminosidade. "... tem misericórdia de mim, pecador." (publicano). "... e nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam..." (ladrão).

3) Anseia e pede por salvação. "... tem misericórdia de mim..." (publicano). "... lembra-te de mim quando entrares no Teu reino." (ladrão).

E Jesus confirmou, tanto no caso do publicano quanto do ladrão na cruz, que eles obtiveram a salvação, foram justificados e cobertos por Sua graça.

Essa fé genuína e verdadeira, que apenas Deus pode atestar, necessariamente produz frutos, ou nem pode ser chamada de fé, pois até os demônios crêem e estremecem, só que eles não apresentam frutos, obras, ou melhor, apresentam obras más. As boas obras de que fala Tiago são as chamadas Obras da Fé, e que são diferentes das Obras da Lei de que fala Paulo. Leiam os textos mencionados lá no início e verão, sem nenhum sofisma, que eles falam de coisas diferentes.

Então, entendemos que Tiago não contradiz Paulo e não está colocando Fé x Obras. O que ele coloca claramente é Fé Viva x Fé Morta. Ele nega qualquer possibilidade de que alguém tenha fé sem produzir, como resultado, como fruto, as boas obras. Aliás, o próprio Paulo, que muitos querem colocar contra Tiago, depois que enfatizou que somos salvos pela graça, por meio da fé, e não por obras, conclui dizendo que somos feitos para as boas obras (Efe. 2:10). Paulo contradiz Paulo? É claro que não. Paulo não contradiz Tiago, e vice-versa. Eles refletem sobre a mesma salvação, apenas enfatizando que a Justificação vem pela fé somente (Paulo), e que a verdadeira e genuína fé da Justificação necessariamente produzirá boas obras (Tiago).

Finalizando, uma rápida abordagem sobre o que são Obras da Lei e o que são Obras da Fé. Inicialmente temos que concordar, e vamos dizer sem medo de errar, que as boas obras são absolutamente desejáveis e esperadas por Deus, em algum momento do processo de salvação. Mat. 5:16 e Efe. 2:10, além de diversos outros textos bíblicos, comprovam isso.

Isto posto, podemos dizer que conseguimos encontrar 2 tipos de Boas Obras: Obras da Lei e Obras da Fé. Uma não agrada a Deus, a outra, sim. A mesmíssima Obra pode ser praticada como Obra da Lei ou como Obra da Fé. Pode ser praticada como meio de Salvação, obtenção de mérito junto a Deus, ou como fruto do Evangelho, consequência do novo nascimento e do processo de Santificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor.

. OBRAS DA LEI: Obediência aos reclamos divinos, prática de boas obras, com o objetivo de ser salvo, de acumular méritos, de ser bem visto e bem considerado pelos outros, de agradar a Deus para melhorar sua posição diante dEle, de cumprir friamente um princípio da Lei de Deus. Um esforço em realizar coisas boas, mas com o objetivo de conquistar a Deus, pagar pelo dom da salvação. É a lei usada de forma não legítima (I Tim. 1:8). Como diz mestre Benedito Muniz em suas explanações sobre esse matéria, isso beira o paganismo, é legalismo puro. Deus vê isso como maldição.

Gál. 3:10: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição...”.

Aqui não tem negociação. Aqui não tem sofisma. É preto no branco. É desse tipo de boas obras que Paulo fala na sua argumentação, basta ler os textos lá do início.

. OBRAS DA FÉ: Obediência aos reclamos divinos, prática das mesmas boas obras, mas como resultado do novo nascimento, do crescimento na graça e do fortalecimento da fé. É o fruto do Espírito, Fruto do Evangelho, crescendo e se reproduzindo. É a maneira como o ser humano responde à ação de Deus em seu favor. É a consequência da Salvação. É a obediência por fé.

Gál. 3:10: “... para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé...”.

Fil. 3:9: “... Para ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, mas a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé;”.

Rom. 1:5: “...por intermédio de quem viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre todos os gentios.”.

Na realidade, o meio cristão tem duas atitudes básicas em relação a isso, ambas espiritualmente insalubres e não-salvíficas, vejam:

. Uma busca desesperadamente encontrar brechas, escapes, ou como dizemos nos processos judiciais, achar “falhas na legislação” para fugir, para se eximir de qualquer compromisso com Deus, de qualquer intenção de submissão à Sua vontade, e tenta provar isso pela Bíblia, dizendo que fora disso é ter “caído da graça”.

. A outra busca fazer de qualquer ato de obediência, moeda de troca com Deus na questão da salvação, meio de salvação, e também tenta provar isso pela Bíblia, e classifica qualquer coisa fora disso como “graça barata”.

Agora é com você. Quer praticar Boas Obras? Ótimo, a Bíblia diz que você deve. Mas, que tipo de Boas Obras você quer praticar? Com que objetivo quer fazer isso? Dentro de que contexto isso acontece em sua vida? Que Deus o abençoe.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 03/Novembro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 03/Nov/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

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