Postado em: quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Reflexões Sobre a Graça - 07 - FIM DAS ELEIÇÕES

FIM DAS ELEIÇÕES

Falo aqui como cristão e falo primeiramente a mim e à minha família, como sempre. Vejo com ansiedade o dia 27/Out, o day-after, quando terão passado as eleições e, pelo menos parte de todo esse verdadeiro turbilhão de baixarias, discussões, mentiras, acusações, conchavos, alianças improváveis e inesperadas, crimes eleitorais, enfim, todo o lixo que tomou conta das ruas, da midia e dos corações e mentes ao longo desse período. Com sinceridade, BBB, Carnaval, Novelas, perdem longe para tudo que se viu e ouviu nesses dias.

Às vezes temos a idéia distorcida de que xingar e detratar agressivamente a coisa pública, os homens públicos, os governantes e serviços, uma vez que se mostrem injustos ou opressores, nos é facultado, nos é permitido pelo Evangelho puro de Cristo Jesus. É o mesmo entendimento que também nos leva a achar que podemos sonegar, enganar e fraudar impostos, tributos, bancos e a receita federal, pelo simples fato de que também sejam injustos naquilo que cobram e exigem do cidadão. É a consagração do pensamento de que "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão", ou que roubar o Estado é lícito porque o Estado é injusto e iníquo.

Tenho visto bons cristãos vociferando e praguejando de forma quase alucinada contra atletas, políticos, homens públicos, pastores e homens religiosos, e fico pasmo de perceber que os ânimos e os impulsos que nos levam a esse comportamento agressivo, são os mesmos tanto na competição esportiva quanto nas discussões políticas e também teológicas, ou seja, nos assuntos espirituais. Sem tirar nem por. Eu sou uma pessoa que cuido em extremo de tudo que posto na Web, medindo as minhas palavras e intenções, mas, com frequência me flagro tendo que mudar frases que, embora com redação aparentemente suave, no seu contexto são muitas vezes mais agressivas do que um palavrão.

Estou buscando - e não é fácil - ter em mente sempre o pensamento bíblico de que, na boca daqueles que se preparam para ver e estar com Jesus na eternidade, não será achado engano. E eu diria, nem palavras torpes, ira ou sentimentos raivosos. Adquirir essa condição é um processo lento, que leva a vida toda. Isso não é salvação por méritos ou obras próprias. Isso é deixar medrar e se desenvolver o fruto do Espírito, que tem nove gomos: amor, alegria, paz, longanimidade (paciência), benignidade (amabilidade), bondade, fé (fidelidade), mansidão (humildade) e domínio próprio (auto-controle ou temperança).

É-nos dito que contra essas coisas não há lei. Seguramente, quem está nesse patamar de serviço ao próximo e a Deus, está cumprindo a lei, está em verdadeiro relacionamento com o Altíssimo, a lei não mais o condena, mas o protege.

Espero sinceramente que, passada essa fase eleitoreira, as pessoas se lembrem disso e saiam em busca de restaurar relacionamentos, serenizar os espíritos, reatar amizades estremecidas em função dessa disputa. Vi muitas vezes aqui na web termos grosseiros, violentos, agressivos, deselegantes, xulos, os quais eu não teria coragem de mostrar a crianças, a infantís e juvenís a quem estejamos preparando para ver o Reino de Deus. Nada mais distante do Reino dos Céus do que todo esse palavreado indecoroso. Deixo para nossa meditação as palavras graciosas do Salvador em Joao 15:5:

"Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto...".

Esse fruto é o que citei acima. Aliás, receito a todos nós doses diárias, maciças e sem moderação de João 15 e Romanos 6. Sem isso, podemos conhecer toda a ciência, doutrinas e profecias, ter fé para mover montanhas, dar o corpo para ser queimado por uma boa causa, falar linguas dos homens e dos anjos, mas não veremos ao Senhor. Poderemos estar cheios de razão e lógica humana, mas não teremos amor. E, sem amor...

Que Deus nos dê verdadeiras overdoses de Sua maravilhosa graça. Que, no processo de salvação não estacionemos no nível do perdão e da justificação. Salvação é mais que isso. É também transformação e mudança de vida. Pregação de graça biblicamente correta tem que envolver, necessariamente, essa transformação, ajustando e submetendo nossos impulsos, pensamenteo e palavras à vontade estabelecida por Deus. Sem isso, é uma pregação incompleta, não conta a história toda. Deus nos salva não para que continuemos vivendo como sempre fizemos, mas, para nos tornar melhores criaturas, melhores pais, filhos, irmaos, amigos, cidadãos.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 16/Outubro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 16/Out/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

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