Postado em: quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Felicidade

Fim de tarde. Feriado se aproximando. Estou aqui no escritório, sozinho, pensando, antes de empreender uma tarefa que vai me deixar acordado até de madrugada. Não estou cofiando o bigode ou a barba porque não os tenho, mas estou coçando a imaginação, ouvindo música que me agrada e que resolvi compartilhar com vocês. Antes, um pouco do que estou pensando.

Todos, via de regra, tentam ser felizes, seja o que for que a felicidade signifique pra cada um. Na maioria das vezes pensamos em criar nossos filhos para que sejam felizes. Deveríamos também considerar ensiná-los a lidar com a infelicidade, com os desencontros, com as perdas. Afinal, esses elementos do viver estão aí à nossa volta, talvez para nos lembrar quão efêmeros somos.

Há muitos anos, quando minhas filhas, que hoje são adultas e casadas, eram crianças, eu frequentava a IASD Central do Rio de Janeiro. E lá conheci Haroldo Pereira de Castro Lobo, o irmão Haroldo, homem já idoso, de imensa cultura e saber, na época um dos vice-presidentes da Sociedade Bíblica do Brasil. Ficamos amigos, e eu lembro que ele levava para mim com frequência, aos sábados, caixinhas de papel, tampinhas coloridas de garrafas, figuras recortadas de revistas, e outras miudezas, e me dizia: “São para suas filhinhas, Mário, criança fica feliz com isso, não gosta de brinquedos caros.”.

Estava certo. Sabedoria pura, simples e verdadeira. Naquele tempo, início dos anos 80, trocávamos máximas e mínimas do Barão de Itararé, de quem ele era admirador. Grande figura, o irmão Haroldo Lobo. Chamei uma de minhas filhas de Júlia, em parte como homenagem à sua amável esposa, irmã Júlia Lobo. Ambos já descansam e nos esperam para o grande encontro. Pois é, lembrei dele agora porque ser feliz talvez seja ver a vida como as crianças veem. Elas parecem ter o segredo da felicidade.

Crianças não têm nada delas, tudo lhes é dado, portanto não têm essa preocupação de posses pessoais. Crianças não têm passado, não sabem o que é futuro, só vivem o presente, ficando assim livres de culpas por um lado e de ansiedades por outro, vivem um dia de cada vez. Crianças aceitam as pessoas como são, não lhes importa a cor, as origens, os bens, nada, portanto estão livres da discriminação e do preconceito. Crianças perdoam e esquecem com facilidade, não guardam mágoas e rancores “ad eternum”. Crianças acreditam no que lhes dizemos, são, portanto, crédulas e sinceras. Crianças tem o coração aberto para aprender, sem ideias pré-concebidas. Crianças gostam de histórias e de aconchego, tem coisa melhor?

Crianças são perfeitas? Claro que não. E quem está falando de perfeição? Crianças são egoístas, ciumentas, encrenqueiras. Mas, isso talvez seja o tempero necessário, o equilíbrio a conquistar, a coisa humana a vencer, que mostra que se não somos perfeitos, somos viáveis. Se guardássemos essas características delas, à medida que passássemos da idade da inocência para a idade da razão, sem deixar que se acumulassem sobre nós camadas espessas de dissimulação, intolerância, vaidade e arrogância, não sei se seríamos felizes da forma como compreendemos a felicidade, mas, com certeza, viveríamos mais e melhor.

A propósito de ser feliz, nesse final de semana carnavalesco que está chegando muitos procurarão encontrar a felicidade em alguns litros de cerveja e um samba vertiginoso nos pés. Não os censuro e não os julgo, à sua moda estão em busca de felicidade, de uma catarse que os livre de tantas coisas ruins. O Deus gracioso e misericordioso no qual eu creio haverá de interagir com aqueles que quiserem e deixarem que Ele se aproxime. Que de alguma forma encontrem, e fiquem na paz.

Sou acordado diariamente, bem cedinho, pelo meu celular com essa bela canção da tradição cristã, cujo link está abaixo. Coloquem um fone de ouvido, fechem os olhos, recostem confortavelmente a cabeça e ouçam essa belezura de piano, sem arroubos e firulas pianísticas, mas com belos acordes, introspectivos e límpidos, e pensem na letra que diz: Quão Feliz eu Sou em Cristo! ou em outra versão, Que Prazer é Ser de Cristo!

Num dos versos da letra, esse velho hino diz: Oh, quão bom é crer em Cristo | Ter certeza do perdão! | Receber de Cristo mesmo | Vida, paz e salvação.

Certeza do perdão! Tem tudo a ver com cura. Cura tem tudo a ver com felicidade, real e duradoura, aqui e agora, tem a ver com paz que excede todo o entendimento. Curtam essa reflexão teológica.

Só peço aos polemistas de plantão que não estraguem o momento de sensibilidade e prazer dessa postagem, inferindo daí que essa é a música do céu. Não sei qual é a música do céu, saberei isso quando chegar lá. Essa é apenas uma música que me dá prazer, que fortalece a minha fé, que me traz recordações de um tempo em que, na meninice, aprendi dos meus pais as sagradas letras, e quando, com certeza, eu era feliz e não sabia.

E àqueles meus amigos que não possuem a fé cristã, peço que ouçam a melodia sentindo paz interior e deixem que esses acordes impregnem suas estruturas de pensamento e, quem sabe, assim sintam-se um pouco mais felizes em meio a tanta infelicidade à nossa volta.

EXCELENTE FERIADÃO! SEJAM FELIZES!

http://www.multisites.com.br/dl/tissosweettotrustinjesus.mp3

Mário Jorge Lima – 27/Fev/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 27/Fev/2014.

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