Postado em: quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Crime e Castigo

Venho acompanhando - assim como todos os brasileiros - já há alguns anos, o desenrolar do julgamento e absolvição ou condenação de pessoas indiciadas e envolvidas com os crimes do chamado "mensalão", que outros chamam de "mentirão", e suas variantes regionais e setorizadas, cada uma com seus nomes de operações distintos. Não vou entrar nesses questionamentos até porque tanto um quanto outro lado se movem muito mais por simpatias pessoais por partidos e políticos do que pelos autos dos processos, aos quais não temos acesso, ou temos acesso a partes que nos são mostradas de forma manipulada por uma mídia e órgãos de imprensa facciosos, que também não cumprem o seu papel apenas informativo e isento, mas, se posicionam como se partidários e militantes fossem.

Como cidadão comum, que luta pra sobreviver a toda a truculência estatal, sinto que preciso acreditar minimamente nas instituições e poderes constituídos. Preciso crer que, mesmo com as inúmeras possibilidades - e são reais - de estarem agindo em muitos casos com injustiça, alguma justiça, de alguma forma, ainda se faça. Se não acreditar nisso, só me resta a alternativa de mudar de país ou, se não puder isso fazer, também entrar para a delinquência pública ou privada, engrossando assim as fileiras daqueles que cinicamente reclamam de tudo, mas também fazem de tudo aquilo contra o que se levantam.

Como cristão, não sou adepto do quanto pior melhor, nunca fui, acho que temos que almejar e buscar, sim, aqui e agora, uma vida menos penosa para nós e nossos filhos, bem como do nosso povo, cuja miséria, nem de longe conhecemos, a não ser que nos internemos por esse país a dentro para conhece-la, longe da euforia do litoral bronzeado e movido a festas, baladas e vantagens efêmeras.

Lamentável, por outro lado, é ver que mesmo a falha, imperfeita e também corrompida justiça humana, ainda que pegue às vezes alguns bagres de bom tamanho, deixa de fora enormes tubarões contra os quais nada se consegue ou se quer fazer, e que continuam nadando, mandando e assustando nos mares da vida pública, das empresas e das instituições, tornando a nossa vida, como sardinhas miúdas que somos, cada vez mais difícil, sofrida e sem esperança. Seria ótimo - se não fosse utópico - que a todo crime contra a pessoa, contra a sociedade e contra a humanidade, correspondesse um castigo de igual teor, de igual peso.

Mas, vamos seguir na luta. Não sejamos tolos de achar que partidos e agremiações políticas são, umas mais sérias e competentes que outras, umas mais bem intencionadas e incorruptíveis que outras. Todas, sem exceção, navegam no mar da impiedade e da iniquidade. A corrupção e a maldade são uma doença que se espalha de forma endêmica por todos os segmentos da vida, em todos os níveis econômicos e sociais, e até mesmo na educação, na religião e na família, que deveriam ser os fiéis da balança de uma sociedade caminhando para a extinção. E isso não é privilégio de nenhum país, embora em alguns a coisa possa se apresentar mais exacerbada e maligna que em outros.

E essa será a nossa penosa rotina até que algo de sobrenatural aconteça na vida desse planeta, porque o natural não mais resolve. Como homem de fé, mantenho a esperança de dias melhores, acreditando que o problema desse mundo não é social, político, financeiro, econômico, mas espiritual. O homem perde dia a dia a fé nas coisas do espírito e nas virtudes pessoais, passando a enxergar apenas o que é material, imediato e vantajoso.

Anseio pelo dia em que olharei pra cima e verei uma nuvenzinha branca, do tamanho da mão de um homem, e que crescerá mostrando ser não exatamente uma nuvem, mas, muito mais que isso: a maior e mais bem-aventurada de todas as nossas esperanças. Alguns podem me tomar por tolo e ingênuo. Espero que estejam errados (rsrs). E como diz um amigo meu aqui da Web, vida que segue. Quem viver, verá.

Mário Jorge Lima – 05/Fev/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 05/Fev/2014.

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