Postado em: sábado, 25 de janeiro de 2014

Aniversário de São Paulo

Hoje é o aniversário de uma cidade da qual nunca na vida imaginei gostar. Como bom carioca, eu era naturalmente anti-São Paulo. E nem tinha razoes pra isso. Mas, sempre que vinha aqui, fosse a trabalho, fosse para cursos rápidos, fosse por compromissos musicais, voltava correndo tão logo terminava o que tinha vindo fazer.

"Quis o destino" (rsrs), como diriam alguns, que, por injunções sociais, por escolhas, eu um dia viesse pra cá, não mais para uma estada rápida, mas para morar. E não apenas morar, mas, tentar me acostumar a essas novas circunstâncias da minha vida, e - mal sabia eu - para constituir mais uma família, com sogra, cunhados, sobrinhos emprestados, tudo a que se tem direito, e gerar mais três filhas, desta vez paulistanas - já tenho duas cariocas.

Lembro-me do dia em que, tristonho, pela última vez como morador do Rio de Janeiro, peguei um avião no aeroporto Santos Dumont, na companhia solidária da minha falecida mãe, dona Mariazinha Lima, e desci em Congonhas, não mais sob um sol azul e brilhante, mas cinzento e poluído. Minha mudança viria de caminhão da Granero, e cá estava eu, onde teria que morar, sozinho. Escolhas.

Hoje, transcorridos 22 anos, posso dizer que me afeiçoei, sim, a essa cidade, que me recebeu com muitos novos amigos, tão queridos como os que eu deixei na romântica Rio de Janeiro, que me traz recordações e memórias de todo tipo. Posso também dizer, com segurança, que esse carioca da gema hoje ama São Paulo. Acho que, tanto quanto o Rio. Amo tudo que a Cidade Maravilhosa me deu, mais que a mim mesmo, mas também amo São Paulo e tudo que ela me proporcionou.

Nesse final de 2013, indo ao Rio de Janeiro com a minha família paulistana, para passar o Ano Novo, lembrei-me de uma significativa passagem bíblica. Jacó voltava para sua terra de origem, vindo de Padã-Arã, onde vivera também por cerca de 22 anos. Assim como eu, ele tinha ido para lá, sozinho, fugindo das situações difíceis que criara em sua terra natal. Agora voltava com uma enorme multidão. E então, ao se defrontar com o vau do rio Jaboque, falando com Deus, entre outras coisas disse:

"... sou indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo; pois com apenas o meu cajado atravessei este Jordão; já agora sou dois bandos." Gênesis 32:10.

Assim me sentia eu, tendo vindo pra São Paulo, sozinho, apenas com meu cajado, e agora voltando ao Rio, ainda que a passeio, mas com um bando, uma família. A única grande diferença é que Jacó, no seu retorno, era um homem rico (rsrs).

Sou agradecido a Deus, Ele me permitiu aqui passar por experiências felizes, outras duras, mas todas, sem dúvidas, enriquecedoras. Perdi minha querida mãe, mas ganhei uma família. Mantive, e em alguns casos, restaurei todos os antigos laços familiares e de amizade que eu tinha. Aqui eu conheci melhor a graça redentora e restauradora de Deus, e nela tenho crescido. Sou imensamente grato a Ele por Sua misericórdia por mim, um ser humano imperfeito, cheio de atos falhos, mas, sem dúvida, objeto de Seu amor e Seu perdão, algo que não compreendo, mas, aceito.

Obrigado São Paulo! Viva São Paulo!

Mário Jorge Lima – 25/Jan/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 25/Jan/2014.

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