Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Noite do Milagre

NOITE DO MILAGRE

24/12/2014

Hoje, final da tarde, caminho por uma São Paulo quieta, amortecida, quase anestesiada, sem trânsito, lojas fechadas, sem o burburinho e a loucura do dia-a-dia. Nas casas, os últimos preparativos para as ceias de família. Pessoas que chegam e que saem para as confraternizações com parentes e amigos.

Há uma quietude e até uma gostosa solitude na minha alma. Estou longe de duas das minhas filhas queridas. Penso nelas. Penso na minha netinha que está vindo. Como será sua carinha, por quanto tempo ela conviverá comigo? Penso na minha família, o que de melhor eu tenho.

Penso em tempos passados, revejo cenas e cenários, coisas que não vivi, coisas que não mais viverei. E penso que há muita gente sozinha, sofrendo na pele o medo medonho do abandono, da nulidade, neste Natal.

Foi, possivelmente numa noite como essa que se aproxima, que um menino pobre, após haver nascido em algum outro canto de uma hospedaria, foi colocado depois num cocho, onde se alimentavam os animais. Pouco me importa se foi em dezembro, abril ou outubro, o que conta pra mim foi que ali, em meio, provavelmente aos odores característicos dessas estrebarias, segundo cremos, Deus fez-se homem, por um processo sobrenatural que não temos a menor condição de compreender.

Embora o grande momento para a salvação da humanidade não tenha sido aquele, e nem mesmo a morte, mas a ressurreição do Deus-menino, foi ali, entre animais mal-cheirosos e um casal de pais perplexos, que o amor de Deus se materializou e inaugurou o Reino da Graça entre os homens.

Se você tem fones de ouvido, coloque-os, feche os olhos, clique no link abaixo e entre no espírito dessa noite de milagres. Sinta-se livre, e se conseguir, abstraia-se por um momento de seus problemas, anseios e temores, e deixe que o clima que certamente virá desse cântico simples e maravilhoso, sem nenhum arranjo mirabolante ou fantástico, invada sua vida e lhe comunique paz. Tenha uma noite de paz, muita paz, a paz que excede todo entendimento. Mais uma vez quero lhe desejar:

FELIZ NATAL!

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 24/Dezembro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 24/Dez/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Reflexões Sobre a Graça - 13 - A CIÊNCIA DA SALVAÇÃO EM JOSÉ E MARIA

A CIÊNCIA DA SALVAÇÃO EM JOSÉ E MARIA

23/12/2014

Tenho um especial apreço por José e Maria, os pais terrenos de Jesus encarnado, Jesus feito homem entre nós. São figuras da maior importância para a história da redenção, uma vez que foram instrumentos diretamente usados por Deus para implementar Seu plano de graça.

Primeiramente José. Personagem importantíssimo, mas esquecido no meio da história bíblica. Não há dados sobre esse humilde carpinteiro de Nazaré, pai terrestre que recebeu Jesus em sua família, por adoção. Da mesma forma como nós, em Cristo Jesus, somos filhos de Deus também por adoção (Ef. 1:5). Sabemos apenas que José era descendente da casa de Davi. Ele foi o elo de ligação entre o Velho e o Novo Testamentos. Deu um nome a Jesus e O fez descendente do Rei Davi, para que as profecias a esse respeito se cumprissem (Is. 11:1 e Jer. 23:5-6).

José recebeu uma determinação diretamente de Deus através de um sonho, escutou a ordem dos céus na mais absoluta submissão. Não encontramos nos Evangelhos nenhuma palavra pronunciada por José. Ele não discutiu o projeto da Divindade, respeitou o grande mistério de Deus e não possuiu Maria como esposa até que o Salvador nascesse, colocando-se em terceiro ou quarto plano. Foi um cuidadoso guardião de Jesus menino, parece ter sido um esposo atento e fiel. Quando foi necessário exercer a sua autoridade paterna, soube fazê-lo amorosamente, naquele episódio em que Jesus foi esquecido em Jerusalém (Luc. 2:51). E morreu anonimamente, nada se sabe a esse respeito.

A Biblia chama José de justo (Mat. 1:19). Sim, ele foi justificado por sua fé profunda no propósito de Deus. José amou, acreditou, confiou em Deus e no Messias, com toda sua esperança. Submissão completa a Deus, parece ter sido o mote, o propósito da vida de José.

Maria, moça virgem, virtuosa, simples, humilde. Recebeu a maior de todas as missões que um ser humano poderia receber: guardar em seu corpo imperfeito, o perfeito Filho de Deus, encarnado em ser humano, porém, santo e puro.

A Biblia diz que Maria “achou graça diante de Deus” (Luc.1:30). Ela teve dificuldade de compreender porque foi eleita para um papel de tão grande significado pra toda a humanidade, sempre guardando em seu coração aquilo que nao entendia, escolhendo acreditar, escolhendo confiar. E no seu belo cântico (Luc. 1:46-55) ela se reconhece eleita por Deus, e humildemente canta da bem-aventurança que a sua missão representava para toda a humanidade.

A Biblia conta de forma eloquente e até poética, porque ela pôde receber aquela eleição da parte de Deus. E aqui está toda a ciência da Salvação:

“Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; ... Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra.” Luc. 1:34,35,38.

Não sei quantos perceberam mas, aqui está a fórmula completa de Deus para todo o processo de salvação! Não vivem perguntando por aí o que temos que fazer pra sermos salvos? Não há um monte de teorias a respeito disso? Tenho que praticar boas obras? Tenho que conhecer toda a doutrina? Qual é o papel de Deus, e qual é o nosso papel? Está tudo aqui, implícito nesse breve relato, e podemos resumir assim: uma ação de Deus e uma reação do ser humano. É tudo que é preciso. É sempre assim: Deus agindo e o homem reagindo.

Ação de Deus: "Vou dar a você o Meu Espírito, vou cobrir você com a Minha sombra, com o Meu poder, vou justificar você, em seguida vou santificar você, e no futuro quero glorificar você, pra que possa viver para todo o sempre. E isso é de graça. Totalmente de graça."

Reação do ser humano: "Eu creio nisso, Senhor! E eu quero isso! Aqui está o Teu servo. Que se cumpra em mim conforme a Tua palavra!"

Lindo! Simples! Definitivo! Esse é o processo salvífico de Deus, e quando paro pra pensar nisso minha alma fica arrepiada. Que nesse Natal essa seja a postura verdadeira e consciente de todo aquele que se considera um cristão salvo pela maravilhosa graça de Deus! Que a submissão demonstrada por José e Maria nos motivem a deixar que Deus complete em nós a obra que Ele iniciou.

FELIZ NATAL 2014!

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 23/Dezembro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 23/Dez/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: domingo, 21 de dezembro de 2014

Reflexões Sobre a Graça - 12 - UMA HISTÓRIA REAL DE GRAÇA

UMA HISTÓRIA REAL DE GRAÇA

21/12/2014

No apagar das luzes do dia, li essa bela noticia abaixo. Sei que o fato não tem a ver diretamente com o mundo espiritual, mas, vou aproveitá-lo pra identificar na história alguns elementos importantes do processo de Salvação.

Inicialmente, aqui está exemplificada perfeitamente a Graça de Deus. O policial pagou os ovos que ela roubou no mercado, e por isso pôde perdoá-la, adquiriu o direito de perdoá-la, estendo-lhe assim a sua misericórdia ao não prendê-la. Davi já dizia muito apropriadamente que Deus "não nos trata segundo os nossos pecados e nem nos retribui de acordo com as nossas iniquidades." Sal.103:10.

Então, ela não tinha mais dívida com o mercado, pôde ser considerada justa diante da lei. Alguém pagou por ela, já que ela não tinha como pagar. Assim é com os nossos pecados. Dívida paga, devedor pode ser perdoado. Pecado pago, pecador pode ser perdoado. Isso é o "Eu também não te condeno". Isso chama-se Perdão, Justificação.

Mas, não parou aí. Em seguida a notícia diz que ele a fez prometer que nunca mais roubaria. A Graça implica, necessariamente, em mudança de vida, em transformação do indivíduo, em relacionamento com Deus, em submissão à Sua vontade. Isso é o "Vai e não peques mais", Isso chama-se Santificação.

E pra fechar com chave de ouro, semanas depois o policial, juntamente com outros colegas, a presenteia com duas Vans cheias de comida. Isso representa as bênçãos da vida cristã, que além das espirituais podem também ser bênçãos físicas, materiais e emocionais.

Bela e significativa história. Esse guarda fez o serviço completo. Desconfio que ele, além de policial, é também teólogo (rsrs).

Mário Jorge Lima./

https://br.noticias.yahoo.com/blogs/vi-na-internet/policial-se-recusa-a-prender-mulher-que-roubou-142708619.html

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 21/Dezembro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 21/Dez/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Pérolas Esparsas - 02 - SUBMISSÃO A DEUS: CUSTO X BENEFÍCIOS

SUBMISSÃO A DEUS: CUSTO X BENEFÍCIOS

19/12/2014

A Lei de Deus, ou Décalogo, que significa Dez Palavras, tem sido objeto de controvérsia no mundo religioso há vários milênios, e foi o grande muro divisório entre judaísmo e cristianismo, e é assim até mesmo, hoje, entre correntes doutrinárias do mundo cristão. Ela é um conjunto de 8 proibições e 2 ordens, todas simples, diretas, enxutas, lógicas, benéficas, com profundo significado espiritual se examinadas detidamente, que visam um relacionamento equilibrado entre as pessoas, e destas com Deus. A Lei, aparentemente comportamental, é, na verdade, relacional, e foi dada, na forma como a conhecemos, como sendo a vontade de Deus para um homem envolto em transgressões.

Os que pregam sua observância e vigência eterna são normalmente taxados de legalistas, como se legalista fosse algo necessariamente ruim - numa das próximas reflexões conversaremos sobre isso - e considera-se que estes "decaíram da graça" de Deus. Os que entendem que ela se dirigia apenas ao povo judeu, com data de validade estabelecida, e não mais precisa ser observada como vontade expressa do Criador, são chamados de liberalistas e acusados de praticarem uma "graça barata".

Por que será que um assunto de importância e aplicabilidade tão grandes veio a se tornar uma pedra de tropeço ou item sem importância maior para tanta gente, um jugo pesado para outros tantos, mas, também motivo de alegria no Senhor para alguns poucos que a consideram santa, justa e boa, embora nunca consigam guardá-la com perfeição?

Penso que a resposta serena para essa e outras perguntas correlatas passa principalmente pela forma como a Lei é utilizada, o mau uso que se faz dela, pelas funções erradas atribuídas a ela e pelo mal entendimento do papel da obediência no processo de salvação. Fossem esses pontos correta e biblicamente compreendidos, a aceitação das Dez Palavras seria bem mais simples, lógica e prazerosa. A respeito disso, Paulo, o grande herói da fé, ja dizia muito sabiamente:

“Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo.” I Tim. 1:8

Um ponto que pode-se perceber claramente no comportamento de cristãos de todas as épocas, e que tem a ver com essa dificuldade em aceitar a validade da Lei de Deus, é o que eu chamo de "vida cristã dos preços mínimos". Explicarei.: Sempre que vamos à procura de algo que precisamos ou queremos comprar, buscamos o melhor custo x benefícios, certo? Isso significa conseguir o máximo mas, desembolsando o mínimo de dinheiro. Vou usar isso apenas como analogia, e por favor, que ninguém diga que estou ensinando a compra da salvação. E que cada um avalie isso numa análise honesta, sincera, pessoal, arrazoando diretamente com Deus, o autor da Lei.

Via de regra procuramos dar a Deus o mínimo indispensável e queremos obter dele o máximo de bênçãos e de paz. Como se essa fosse uma negociação possível. Queremos ter dEle todas as belezas e bênçãos do Evangelho mas, entregando-Lhe o mínimo. Então ficamos procurando brechas na doutrina e nos ensinamentos bíblicos, pelas quais possamos nos esgueirar e facilitar as coisas para nós. Por exemplo, buscamos nos desobrigar de devolver o que é de Deus, de termos uma alimentação e estilo de vida saudáveis, de termos que mudar nosso comportamento em muitos aspectos da vida cristã, e também, claro, de termos compromisso com a guarda da Lei. E qualquer intenção nesse sentido dizemos que é o legalismo citado no início.

Fazemos isso até mesmo quando pregamos sobre a graça e não a associamos naturalmente a um processo de transformação, de mudança de vida, de submissão à vontade de Deus. Assim, na maioria das vezes eu quero a salvação gratuitamente oferecida mas, se possível, sem nenhum compromisso da minha parte.

Antes de prosseguir, quero enfatizar aqui que a salvação é inteiramente gratuita sim, nada temos que pagar ou fazer para recebê-la na vida a não ser manifestar e abrir o coração para uma fé genuína. Esse compromisso de submissão falado acima é algo que vem depois do indivíduo ter sido salvo pela graça e justificado pela fé. Ele é resultado, é fruto da salvação.

Voltando à linha de raciocínio, o cristão salvo pela graça, ao contrário do que nossa natureza nos pede para fazer, deveria procurar toda e qualquer ocasião para, alegre e voluntariamente, submeter-se a tudo que represente a vontade de Deus e que contribua para o nosso bem-estar físico, mental, intelectual, emocional e espiritual. E fazer isso sem qualquer intenção de tentar comprar ou pagar pela graça recebida, sem que isso represente moeda de troca com Deus na questão da salvação. Até porque, seria uma tentativa inócua e infrutífera. Ele não conseguiria.

Novamente o herói da fé, Paulo de Tarso, nos ensina:

“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto...” Col. 3:1.

“Porque fostes comprados por bom preço, glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” I Cor. 6:20.

Vejam que há sempre uma reação por parte do homem, ao amor de Deus. Como pontuado por todos os bons teólogos cristãos, primeiro Deus age, antecipadamente, para só depois aguardar minha reação, que deverá ser voluntária, consciente, feliz, ou não terá nenhum valor para Ele, que não vai levá-la em conta.

Portanto, uma vez salvo, estou livre para fazer a vontade de Deus. Sim, porque pra fazer a minha vontade sempre fui livre. Agora sou livre também para agradar a Deus, obedecê-Lo, sem medo de com isso ser legalista, pois não o faço mais para ser salvo ou obter o dom de Sua graça. Essa é uma fase da qual já passei, já fui salvo da condenação do mal e justificado. Esse é o real sentido da liberdade que a Verdade traz. Agora sou livre para me submeter a Ele. Sem medo de ser feliz.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 19/Dezembro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 19/Dez/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Pérolas Esparsas - 01 - UM POVO, UM DEUS, UMA LEI

UM POVO, UM DEUS, UMA LEI

05/12/2014

Mais ou menos dois meses após a saída do Egito, Moisés chegou com o povo à montanha sagrada de Deus, o Horebe, cuja verdadeira localização até hoje é debatida por historiadores e estudiosos. Ali, em torno de uma nova lei, diferente de tudo que se conhecia até então, simples e direta, a um só tempo comportamental e relacional, uma nação tentaria reunir os seus pedaços, resultados de mais de 400 anos de escravidão e de silêncio de Deus.

É bem verdade que, de certa forma, se afastaram das panelas de carne do Egito meio a contra-gosto. Mas estavam lá, e mal sabiam que os 400 quilômetros que os afastavam da terra prometida levariam 40 anos para serem percorridos, e que a maioria deles ficaria pelo deserto.

Eram fugitivos, um povo sem qualquer auto-estima, um povo sem pátria, com quem um Deus Sem Nome, que se apresentava apenas como Eu Sou, iria mais uma vez tentar fazer uma aliança.

Seria um concerto, que embora repetido em diversas oportunidades ao longo da história deles, era e sempre foi um único concerto, de graça e fidelidade voluntária, de ação versus reação, de um Deus que primeiro age e salva pra depois aguardar a resposta do ser humano, que tem que ser espontânea e consequente, ou Ele não a levará em conta.

E aquela lei, que parecia ser apenas deles, dada em função das suas transgressões, era, na verdade, um código que repousava sobre um conceito básico e eterno, que reflete a lei do céu e que continuará a ser a base do Reino de Deus: o Amor, aquilo que os anjos e os seres não caídos mais conhecem.

Uma lei que começaria apresentando primeiro o que Deus tinha feito, ou seja, "tirou o povo da terra do Egito e da casa da servidão", e só depois tentaria expulsar da alma a maior de todas as servidões, aquela que escraviza um ser humano a outros deuses, ou seja, a outros seres humanos e objetos inanimados.

A lei nunca foi e jamais será meio de salvação, não tem poder de mudar a conduta, é um instrumento de condenação dos nossos pecados, mas foi a quebra da mesma que trouxe a graça para a experiência humana. Sem a existência de um código moral e relacional, não existiria a graça, não existiria o perdão, não existiria a justificação, não existiria a santificação, em suma, não existiria a salvação.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 05/Dezembro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 05/Dez/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Reflexões Sobre a Graça - 11 - LDO - O PREÇO DA TRANSGRESSÃO

LDO - O PREÇO DA TRANSGRESSÃO

04/12/2014

A propósito da aprovação da alteração na LDO ontem no Congresso Nacional, na minha meditação matinal hoje cedinho veio-me uma reflexão, que tenho frequentemente mencionado nos meus périplos pelo Brasil, ao pregar sobre a Doutrina da Salvação e da Justificação pela Fé. E, embora tenha colocado LDO no subtítulo, só o fiz para chamar a atenção para o texto. Não me detenho sobre os aspectos políticos que verificamos de ontem para hoje, meu comentário é enfaticamente no plano espiritual, mas nada impede que você faça alusão ao fato político citado.

Só há duas maneiras possíveis de resolver o problema de uma transgressão qualquer, seja ela no plano espiritual, seja ela no plano humano, da vida real, como foi o caso, ontem, em Brasília. Ou paga-se o preço da transgressão, ou, então, muda-se a regra que foi quebrada. Qualquer uma das duas resolve, sendo que apenas uma pode ser considerada correta.

Imagine você avançando o limite de velocidade em uma autoestrada e sendo parado pelo guarda da Polícia Rodoviária. Para resolver o problema causado, que o tornou devedor diante da Lei do Trânsito, ou você paga a dívida ou, então, elimina-se o artigo daquela Lei, sendo que daí pra frente não mais seria errado avançar os limites de velocidade.

Um dia, no Éden, uma regra de convivência pacífica, santa, mutuamente acordada, foi quebrada, voluntária e conscientemente transgredida. A partir daí havia apenas duas maneiras possíveis de corrigir e sanar o problema causado por aquela transgressão: ou pagar-se-ia o preço desse erro, ou se eliminaria a regra que foi quebrada.

Agora pense: Qual seria a solução mais simples, rápida, atraente e menos dolorosa? Qual seria a mais conveniente ao ser humano? Qual reivindicaria o caráter de Deus diante do universo, mostrando-o como justo, mas também revelando Sua face misericordiosa, cheia de graça e amor?

Eliminando-se ou alterando-se a lei, a regra quebrada, não haveria transgressão, o pecado não existiria. Solução rápida e esperta. Mas, a solução ética e justa seria pagar o preço dessa dívida, que era o sangue, sem o que, como diz o texto bíblico, não haveria remissão de pecados.

Pois é, fica bem mais fácil eliminar a regra que foi transgredida e considerá-la passível de ser alterada, não tão necessária, não representativa do caráter do Legislador. A atitude do tipo "dessa vez passa, mas da próxima...", além de daninha e feia, é também deseducadora. Mostra que leis são feitas para serem descumpridas e ajeitadas às nossas conveniências. Isso jamais pode ser chamado de Graça, de Perdão, de Justificação.

Pecado, transgressão, dívida, além de não ter explicação, também não tem perdão. Paga-se. E depois, então, perdoa-se o pecador, o transgressor, o devedor. Deus não perdoa pecados nem justifica nosso viver. Ele perdoa pecadores e justifica pessoas. E pode fazer isso porque não mais existe dívida, plenamente paga, quitada, e ela, sim, a dívida, cravada na cruz do Calvário.

Esse é o procedimento bíblico que faz parte da ciência da Salvação. Sem isso, o que existe é a confusão, a incoerência, a mixórdia espiritual.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 04/Dezembro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 04/Dez/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Reflexões Sobre a Graça - 10 - AINDA A QUESTÃO FÉ x OBRAS

AINDA A QUESTÃO FÉ x OBRAS

12/11/2014

Estava fazendo minhas meditações matinais e cheguei a esta reflexão que compartilho aqui com aqueles amigos que apreciam essa matéria. Mas aconselho que leiam também as duas outras, anteriores a esta, cujos Links estão lá embaixo.

A teologia bíblica correta ensina que o homem não é salvo por Obras, nem por Fé e nem mesmo por uma mistura imprópria de Fé e Obras, mas, sim, pela Graça de Cristo Jesus.

É sabido que o homem entra no processo dinâmico da Salvação pela porta da Justificação. E, biblicamente, essa Justificação se dá sem Obras [da Lei, como salienta Paulo]. No entanto, isso, por sua vez, também biblicamente, resulta necessariamente em Obras [da Fé, como enfatiza Tiago].

Essas Boas Obras que, na prática, podem ser as mesmíssimas ações, são, entretanto, completamente diferentes entre si em suas naturezas e motivações. As primeiras tentam ganhar o favor divino e pagar pela graça, as outras contam com o favor divino e só acontecem pela graça.

Abraão, o mega-exemplo dado por Tiago e também mencionado por Paulo, foi justificado pela Fé, sem Obras [da Lei], pelas experiências que viveu com Deus, relatadas em Gênesis capítulos 12 e 15. Mas como essa Fé produziu frutos poderosos, dele pôde ser dito também que foi justificado por Obras [da Fé], pela experiência que viveu com Deus relatada em Gênesis capítulo 22.

É necessário notar que as Obras da Fé nunca se manifestam antes da Fé justificadora, não só por definição e pela impropriedade de “colocarmos a carroça na frente dos bois”, mas, principalmente, por impossibilidade espiritual. Vejam que as Obras de Abraão se manifestaram claramente várias décadas depois do surgimento da sua Fé, quando ele já era o Pai da Fé, vivendo o processo de Santificação e do caminhar com Deus.

Agradecemos a Deus por nos ter dado esses Seus dois apóstolos queridos, com duas visões distintas, porém não antagônicas entre si, sobre assunto tão fundamental para a vida do crente salvo pela graça. Eles juntos tentam nos salvar tanto do legalismo quanto do liberalismo, ambos daninhos e insalubres.

Resumindo, poderia dizer que Paulo nos diz como o pecador é justificado diante de Deus. Tiago nos mostra como o santo é justificado diante dos homens. A justiça informada por Paulo é a justiça imputada, atribuída, transferida. A justiça apresentada por Tiago é a justiça comunicada, por uma vida cheia de fé viva e genuína.

Mário Jorge Lima./

Anteriores:

1) Fé... Obras... Fé mais Obras?!: https://www.facebook.com/…/reflex%C3%B5e…/10205150259740229…

2) Silogismo entre Graça, Fé e Obras: https://www.facebook.com/mariojorgelima/posts/10205165579603216

São Paulo, 12/Novembro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 12/Nov/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Reflexões Sobre a Graça - 09 - SILOGISMO ENTRE GRAÇA, FÉ E OBRAS

SILOGISMO ENTRE GRAÇA, FÉ E OBRAS

05/11/2014

A propósito da minha última postagem, dois dias atrás, "Reflexões sobre a Graça – 08" em que comento aspectos relacionados com a questão da Salvação por Fé, por Obras, por Fé mais Obras, acrescento mais um comentário.

Às vezes tomamos as expressões SALVAÇÃO e JUSTIFICAÇÃO, e as usamos de forma indiscriminada. A própria Bíblia faz isso. Mas, quando compreendemos como isso funciona, fica bem claro que SALVAÇÃO é algo maior que a JUSTIFICAÇÃO. Na realidade, SALVAÇÃO é o processo dinâmico completo, que compreende as fases de JUSTIFICAÇÃO, SANTIFICAÇÃO e GLORIFICAÇÃO.

Assim, podemos notar uma espécie de silogismo. Vamos ver isso na prática.

1) Sabemos que somos salvos pela GRAÇA, e quanto a isso não fica a menor dúvida. Mas, para nos apossarmos dessa GRAÇA é necessário que manifestemos FÉ, pois de nada adiantaria todo o maravilhoso Plano de Redenção se não crêssemos nele. Logo, é por isso que podemos dizer também que somos salvos pela FÉ. Embora saibamos que a FÉ não tem valor intrínseco para Salvação, o que ela tem é valor funcional, ao se apossar da GRAÇA. O que nos salva é, pois, a GRAÇA.

2) Da mesma forma, sabemos que somos justificados pela FÉ, e quanto a isso também não fica a menor dúvida. Mas, a FÉ, para que possa estar viva precisa apresentar OBRAS. Sem isso ela está morta e nem pode ser considerada FÉ. Logo, é por isso que podemos dizer também que somos justificados pelas OBRAS. Embora saibamos que as OBRAS não nos justificam de fato, elas estão acopladas na FÉ, são uma simples comprovação de que a FÉ existe. O que nos justifica é, pois, a FÉ.

OBSERVAÇÃO: Lembrando que, como foi dito na minha postagem anterior, fica muito claro que as Obras mencionadas por Tiago são as Obras da Fé, enquanto as Obras mencionadas por Paulo são as Obras da Lei, virtualmente diferentes. Se quiser saber a distinção entre elas leia a postagem anterior aqui:

https://www.facebook.com/notes/mario-jorge-lima/reflex%C3%B5es-sobre-a-gra%C3%A7a-08/10205150259740229

Espero que tenha conseguido ajudar. Que Deus nos abençoe, inspire, justifique a salve a todos.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 05/Novembro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 03/Nov/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Reflexões Sobre a Graça – 08 - FÉ... OBRAS... FÉ + OBRAS... ???!!!

FÉ... OBRAS... FÉ + OBRAS... ???!!!

Em função da lição da Escola Sabatina, em nossa igreja, essa semana (02 a 08 de Novembro de 2014), vem à tona uma discussão que pode levar tanto a um entendimento claro como também a uma confusão generalizada. Afinal, somos salvos (justificados) apenas pela fé, como diz Paulo exaustivamente em Rom. 3:20, Rom. 3:28, Rom. 5:1, Gal. 2:16 e Gal. 3:24, ou pela fé mais obras como parece destacar Tiago em sua epístola, ao longo do capítulo 2, especialmente no versículo 24?

Será que esses dois amados e consagrados apóstolos discordaram entre si e tiveram visões diferentes a respeito do processo de salvação? Será que graça é contrária à obediência? Será que a fé é contrária às boas obras? Será que o que aconteceu no Éden e no Sinai nada tem a ver com o que aconteceu na cruz do Calvário? Será mesmo que as epístolas de Romanos, Gálatas e Efésios são contrárias, em essência, à epístola de Tiago e aos livros do Êxodo, Salmos e tantos outros?

Partindo do pressuposto de que não há contradição, e de que a Bíblia, se estudada com oração e iluminação do Espírito de Deus, apresenta uma proposta de salvação única, vamos analisar rapidamente do que um e outro estão falando. Eu diria que além desta ser uma das questões mais importantes da doutrina cristã, foi também, de certa forma, a causadora de toda a reforma protestante capitaneada por Martinho Lutero.

Em Paulo fica claro que o ato de Justificação de Deus por nós se dá baseado unicamente na fé manifestada pelo homem, até então, pecador. Deus, que é santo, perfeito, justo e infalível, é o único que pode avaliar, sem a menor possibilidade de erro, a qualidade e genuinidade dessa fé pessoal, e quando o faz, diz ao universo que esse pecador agora é justo.

Evidentemente que essa não é uma fé qualquer, não pode ser uma fé mística, incipiente, mas, uma fé que passa pelo teste das Escrituras. É a mesma fé que manifestou o publicano da parábola com o fariseu e também o ladrão na cruz. Podemos identificar pelo menos três características nessa fé que leva à Justificação:

1) Reconhecimento do senhorio e autoridade de Deus, como Senhor e Pai. "Ó Deus, tem misericórdia de mim..."(publicano). "Senhor, lembra-te de mim..." (ladrão).

2) Reconhecimento da própria situação de pecaminosidade. "... tem misericórdia de mim, pecador." (publicano). "... e nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam..." (ladrão).

3) Anseia e pede por salvação. "... tem misericórdia de mim..." (publicano). "... lembra-te de mim quando entrares no Teu reino." (ladrão).

E Jesus confirmou, tanto no caso do publicano quanto do ladrão na cruz, que eles obtiveram a salvação, foram justificados e cobertos por Sua graça.

Essa fé genuína e verdadeira, que apenas Deus pode atestar, necessariamente produz frutos, ou nem pode ser chamada de fé, pois até os demônios crêem e estremecem, só que eles não apresentam frutos, obras, ou melhor, apresentam obras más. As boas obras de que fala Tiago são as chamadas Obras da Fé, e que são diferentes das Obras da Lei de que fala Paulo. Leiam os textos mencionados lá no início e verão, sem nenhum sofisma, que eles falam de coisas diferentes.

Então, entendemos que Tiago não contradiz Paulo e não está colocando Fé x Obras. O que ele coloca claramente é Fé Viva x Fé Morta. Ele nega qualquer possibilidade de que alguém tenha fé sem produzir, como resultado, como fruto, as boas obras. Aliás, o próprio Paulo, que muitos querem colocar contra Tiago, depois que enfatizou que somos salvos pela graça, por meio da fé, e não por obras, conclui dizendo que somos feitos para as boas obras (Efe. 2:10). Paulo contradiz Paulo? É claro que não. Paulo não contradiz Tiago, e vice-versa. Eles refletem sobre a mesma salvação, apenas enfatizando que a Justificação vem pela fé somente (Paulo), e que a verdadeira e genuína fé da Justificação necessariamente produzirá boas obras (Tiago).

Finalizando, uma rápida abordagem sobre o que são Obras da Lei e o que são Obras da Fé. Inicialmente temos que concordar, e vamos dizer sem medo de errar, que as boas obras são absolutamente desejáveis e esperadas por Deus, em algum momento do processo de salvação. Mat. 5:16 e Efe. 2:10, além de diversos outros textos bíblicos, comprovam isso.

Isto posto, podemos dizer que conseguimos encontrar 2 tipos de Boas Obras: Obras da Lei e Obras da Fé. Uma não agrada a Deus, a outra, sim. A mesmíssima Obra pode ser praticada como Obra da Lei ou como Obra da Fé. Pode ser praticada como meio de Salvação, obtenção de mérito junto a Deus, ou como fruto do Evangelho, consequência do novo nascimento e do processo de Santificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor.

. OBRAS DA LEI: Obediência aos reclamos divinos, prática de boas obras, com o objetivo de ser salvo, de acumular méritos, de ser bem visto e bem considerado pelos outros, de agradar a Deus para melhorar sua posição diante dEle, de cumprir friamente um princípio da Lei de Deus. Um esforço em realizar coisas boas, mas com o objetivo de conquistar a Deus, pagar pelo dom da salvação. É a lei usada de forma não legítima (I Tim. 1:8). Como diz mestre Benedito Muniz em suas explanações sobre esse matéria, isso beira o paganismo, é legalismo puro. Deus vê isso como maldição.

Gál. 3:10: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição...”.

Aqui não tem negociação. Aqui não tem sofisma. É preto no branco. É desse tipo de boas obras que Paulo fala na sua argumentação, basta ler os textos lá do início.

. OBRAS DA FÉ: Obediência aos reclamos divinos, prática das mesmas boas obras, mas como resultado do novo nascimento, do crescimento na graça e do fortalecimento da fé. É o fruto do Espírito, Fruto do Evangelho, crescendo e se reproduzindo. É a maneira como o ser humano responde à ação de Deus em seu favor. É a consequência da Salvação. É a obediência por fé.

Gál. 3:10: “... para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé...”.

Fil. 3:9: “... Para ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, mas a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé;”.

Rom. 1:5: “...por intermédio de quem viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre todos os gentios.”.

Na realidade, o meio cristão tem duas atitudes básicas em relação a isso, ambas espiritualmente insalubres e não-salvíficas, vejam:

. Uma busca desesperadamente encontrar brechas, escapes, ou como dizemos nos processos judiciais, achar “falhas na legislação” para fugir, para se eximir de qualquer compromisso com Deus, de qualquer intenção de submissão à Sua vontade, e tenta provar isso pela Bíblia, dizendo que fora disso é ter “caído da graça”.

. A outra busca fazer de qualquer ato de obediência, moeda de troca com Deus na questão da salvação, meio de salvação, e também tenta provar isso pela Bíblia, e classifica qualquer coisa fora disso como “graça barata”.

Agora é com você. Quer praticar Boas Obras? Ótimo, a Bíblia diz que você deve. Mas, que tipo de Boas Obras você quer praticar? Com que objetivo quer fazer isso? Dentro de que contexto isso acontece em sua vida? Que Deus o abençoe.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 03/Novembro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 03/Nov/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Reflexões Sobre a Graça - 07 - FIM DAS ELEIÇÕES

FIM DAS ELEIÇÕES

Falo aqui como cristão e falo primeiramente a mim e à minha família, como sempre. Vejo com ansiedade o dia 27/Out, o day-after, quando terão passado as eleições e, pelo menos parte de todo esse verdadeiro turbilhão de baixarias, discussões, mentiras, acusações, conchavos, alianças improváveis e inesperadas, crimes eleitorais, enfim, todo o lixo que tomou conta das ruas, da midia e dos corações e mentes ao longo desse período. Com sinceridade, BBB, Carnaval, Novelas, perdem longe para tudo que se viu e ouviu nesses dias.

Às vezes temos a idéia distorcida de que xingar e detratar agressivamente a coisa pública, os homens públicos, os governantes e serviços, uma vez que se mostrem injustos ou opressores, nos é facultado, nos é permitido pelo Evangelho puro de Cristo Jesus. É o mesmo entendimento que também nos leva a achar que podemos sonegar, enganar e fraudar impostos, tributos, bancos e a receita federal, pelo simples fato de que também sejam injustos naquilo que cobram e exigem do cidadão. É a consagração do pensamento de que "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão", ou que roubar o Estado é lícito porque o Estado é injusto e iníquo.

Tenho visto bons cristãos vociferando e praguejando de forma quase alucinada contra atletas, políticos, homens públicos, pastores e homens religiosos, e fico pasmo de perceber que os ânimos e os impulsos que nos levam a esse comportamento agressivo, são os mesmos tanto na competição esportiva quanto nas discussões políticas e também teológicas, ou seja, nos assuntos espirituais. Sem tirar nem por. Eu sou uma pessoa que cuido em extremo de tudo que posto na Web, medindo as minhas palavras e intenções, mas, com frequência me flagro tendo que mudar frases que, embora com redação aparentemente suave, no seu contexto são muitas vezes mais agressivas do que um palavrão.

Estou buscando - e não é fácil - ter em mente sempre o pensamento bíblico de que, na boca daqueles que se preparam para ver e estar com Jesus na eternidade, não será achado engano. E eu diria, nem palavras torpes, ira ou sentimentos raivosos. Adquirir essa condição é um processo lento, que leva a vida toda. Isso não é salvação por méritos ou obras próprias. Isso é deixar medrar e se desenvolver o fruto do Espírito, que tem nove gomos: amor, alegria, paz, longanimidade (paciência), benignidade (amabilidade), bondade, fé (fidelidade), mansidão (humildade) e domínio próprio (auto-controle ou temperança).

É-nos dito que contra essas coisas não há lei. Seguramente, quem está nesse patamar de serviço ao próximo e a Deus, está cumprindo a lei, está em verdadeiro relacionamento com o Altíssimo, a lei não mais o condena, mas o protege.

Espero sinceramente que, passada essa fase eleitoreira, as pessoas se lembrem disso e saiam em busca de restaurar relacionamentos, serenizar os espíritos, reatar amizades estremecidas em função dessa disputa. Vi muitas vezes aqui na web termos grosseiros, violentos, agressivos, deselegantes, xulos, os quais eu não teria coragem de mostrar a crianças, a infantís e juvenís a quem estejamos preparando para ver o Reino de Deus. Nada mais distante do Reino dos Céus do que todo esse palavreado indecoroso. Deixo para nossa meditação as palavras graciosas do Salvador em Joao 15:5:

"Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto...".

Esse fruto é o que citei acima. Aliás, receito a todos nós doses diárias, maciças e sem moderação de João 15 e Romanos 6. Sem isso, podemos conhecer toda a ciência, doutrinas e profecias, ter fé para mover montanhas, dar o corpo para ser queimado por uma boa causa, falar linguas dos homens e dos anjos, mas não veremos ao Senhor. Poderemos estar cheios de razão e lógica humana, mas não teremos amor. E, sem amor...

Que Deus nos dê verdadeiras overdoses de Sua maravilhosa graça. Que, no processo de salvação não estacionemos no nível do perdão e da justificação. Salvação é mais que isso. É também transformação e mudança de vida. Pregação de graça biblicamente correta tem que envolver, necessariamente, essa transformação, ajustando e submetendo nossos impulsos, pensamenteo e palavras à vontade estabelecida por Deus. Sem isso, é uma pregação incompleta, não conta a história toda. Deus nos salva não para que continuemos vivendo como sempre fizemos, mas, para nos tornar melhores criaturas, melhores pais, filhos, irmaos, amigos, cidadãos.

Mário Jorge Lima./
São Paulo, 16/Outubro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 16/Out/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: domingo, 12 de outubro de 2014

Reflexões Sobre a Graça - 06 - NOSSOS FILHOS E A GRAÇA

NOSSOS FILHOS E A GRAÇA DE DEUS

“Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, de modo algum entrará nele.” Marcos 10:15.

Nesse Dia das Crianças, quero dizer que tenho cinco filhas, a quem amo mais que a mim mesmo, e daria a minha vida por qualquer uma delas sem pestanejar por um segundo sequer. Como pai cristão tenho desenvolvido frequentemente a reflexão de que, abaixo de Cristo Jesus, o verdadeiro dom de Deus, nossos filhos são o top das bênçãos que recebemos do céu. E, a despeito das dificuldades e angústias da paternidade - que não são poucas - continuo e quero continuar pensando e sentindo assim.

Mas, quando essas criaturinhas fofas e gostosas começam a passar da idade da inocência para a idade da razão - e isso acontece por volta dos 7 anos de idade – elas nos mostram claramente que pensam, sentem, têm vontades, têm razões próprias, merecem respeito e têm direitos legítimos. E, então, muitas vezes sentimos saudade dos tempos em que simplesmente dávamos ordens que eram imediatamente obedecidas e, pasmem, sentimos falta até mesmo das noites passadas em claro cuidando de seus choros, suas febres, dos vômitos, das suas sujeiras e algazarra.

Mas a vida é assim, criamos filhos para o mundo, não para nós, e falhamos miseravelmente quando não nos damos conta disso e não lhes passamos os valores, os princípios, os conceitos de vida, a educação de alma que deveríamos.

Da minha parte, valho-me todo o tempo do perdão e da misericórdia de Deus para apaziguar o meu coração e tornar sereno o meu espírito sempre que penso nas minhas falhas e imperfeições como pai, que são muitas. Embora elas me digam algumas vezes que sou o “melhor pai do mundo”, não me iludo, tenho consciência absoluta de que não sou, sei que é o amor delas por mim que não deixa que se fixem nos meus erros e nas minhas deficiências. E sei também que é a graça de Deus que as leva a assim procederem.

Estou chegando à conclusão, talvez intempestiva, de que filhos(as) que consideramos difíceis, que são contestadores, que fogem do padrão de atitudes tidas como normais, que nos colocam “contra a parede” com suas argumentações diretas e nem sempre polidas ou amáveis, que não seguem sequer uma orientação nossa sem antes discuti-la, que nos falam o que pensam do jeito que pensam, são, na verdade, uma bênção e graça de Deus.

São esses(as) filhos(as) que nos ajudam a exercitar nossa inteligência, nossa tolerância, nosso desprendimento, enfim, são eles(as) que aprovam ou não a nossa paternidade. Em última análise, são esses (as) que provam quão verdadeiro, forte, autêntico e pleno é o nosso amor. Reconheço que às vezes gostaríamos de ter sempre filhos dóceis, que executassem todas as nossas ordens e orientações sem replicá-las, como máquinas programadas para apenas obedecer. Mas, como já disse Alberto Cury, “... São os filhos complicados que testam a grandeza do nosso amor."

Minha oração, nesse Dia das Crianças, é essa:

“Muito obrigado Pai, por Mariana, Isabela, Julia, Laura e Luiza, e por elas serem como são. Na maioria das vezes não as compreendo e me exaspero. Perdoa-me por isso, Senhor. Então, penso na minha relação contigo, que não deve ser nada fácil também, mesmo para o Teu amor sem limites. Elas são as minhas crianças, sempre serão. E quero cada vez mais me tornar como elas, ou seja, uma criança, para poder, unicamente pela Graça, entrar um dia no Teu reino de glória. Amém!

Mário Jorge Lima./
Goiânia, 12/Outubro/2014.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 12/Out/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Reflexões Sobre a Graça - 05 - CONTRASTES

CONTRASTE

Quando, com honestidade, reconheço quem eu sou é que começo, por contraste, a entender Quem é Deus. Toda a medida da minha malignidade mostra apenas o começo da bondade de Deus. É o meu estado miserável de imperfeição que me mostra quão imensa é a Sua graça. Louvado seja Deus!

Mário Jorge Lima./

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 25/Ago/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Reflexões Sobre a Graça - 04 - A CONSTRUÇÃO

A CONSTRUÇÃO - Inocente, não sabe de nada!

Atrás da casa onde moro há uma construção, já há dois anos, que levanta mais um grande edifício de apartamentos. Tenho sofrido na pele, nos olhos, nos ouvidos, na sujeira e poeira constante, todos os transtornos causados por essa obra, desde as fundações até onde ela se encontra hoje, já nos seus pisos mais elevados. É o crescimento vertiginoso da cidade de São Paulo, onde quase já não há mais bairros que tenham somente casas baixas.

De manhã cedinho, ainda escuro, estou pronto a levar minhas filhas às escolas onde elas estudam, fico no portão de casa esperando por elas, e vejo os trabalhadores que chegam para essa obra. São muitos, quase todos, aparentemente, de origem humilde, provavelmente vindos de bairros muito distantes, dos quais saem ainda de madrugada. Chegam com suas mochilas, onde marmitas e sanduiches, talvez feitos às pressas, sem muito esmero ou variedades, estão guardadinhos esperando pela hora do almoço.

Eles vêm em pequenos grupos, conversando, dando risadas, alguns cantam pela rua, fazem algazarra talvez para espantar o frio, enquanto outros são mais solitários e calados. As faixas etárias deles são variadas, muitos são jovens e fortes, andam rapidamente, outros mais idosos, de aparência já cansada, andam devagar, e alguns até mostram sequelas físicas, talvez decorrentes de acidentes de trabalho. Vão surgindo na esquina e caminhando para o local da construção. São pontuais, não se atrasam, já conheço vários deles, de vista e pelos rápidos cumprimentos que trocamos.

Ali entre eles, provavelmente há alguns com pouca ou nenhuma experiência, com maior ou menor habilidade em suas atividades, diferentes níveis de profissionalização enquanto outros têm experiências de muitas obras e tipos de construções e obras públicas das quais participaram. São pedreiros, carpinteiros, ladrilheiros, encanadores, eletricistas, aplicadores de pisos e carpetes, viradores de massa e concretagem, enfim, uma gama variadíssima de aptidões.

E o prédio cresce a olhos vistos, imponente, bonito, às vezes até assustador. Eu vejo aqueles homens rijos e rudes, a chamada “peãozada”, feios de aparência e toscos no vestir e em seus modos, e olho a bela construção que surge como resultado do seu trabalho, e penso: é certo que há os arquitetos, engenheiros, mestres de obra, encarregados, mas são esses trabalhadores humildes que, de fato, levantam a construção, são eles que constroem e dão vida a mais uma bela torre de apartamentos ou escritórios, é a partir daquelas mãos calejadas e doloridas que tudo acontece. E nutro uma grande admiração por essa massa anônima, mal paga, desprezada e sofrida.

E, nesses momentos penso que uma construção talvez seja uma das melhores metáforas do que vem a ser a igreja de Deus. Nela, pessoas das mais variadas habilidades, ou até mesmo, com nenhuma aptidão, com ou sem experiência, jovens, velhos, ágeis ou cansados, homens, mulheres e crianças, erguem dia a dia uma comunidade de crentes, um prédio espiritual que possa ser morada do Deus Altíssimo.

É certo que há os administradores, os ministros e pastores, os obreiros, as lideranças chamadas leigas, os professores, instrutores e oficiais, com seus variados graus de importância, mas é a “peãozada” que levanta a igreja. É a irmandade humilde e até mesmo anônima, são os que ralam os joelhos em oração, os visitadores, os que participam de ministérios menores e menos conhecidos e divulgados, os serviçais da igreja, aqueles que quase nunca vão à frente da congregação ou são reconhecidos, não fazem parte das comissões de igreja, não tocam, não cantam, não pregam, não coordenam uma lição da escola bíblica, não dirigem grandes departamentos, não participam de grandes promoções e eventos, raramente são notados.

Paulo, o grande herói da fé, assim escreveu em Efésios 2:19-22:

“Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.”.

Todos, independentemente de nossas funções, responsabilidades e privilégios, temos o mesmo grau de importância para Deus. Apenas Jesus, a pedra angular, é relevante e proeminente. Sabemos cantar, tocar, pregar, ensinar, administrar, somos ou achamos que somos conhecedores profundos da doutrina bíblica, temos as melhores idéias e a visão mais clara sobre tudo, temos as soluções mais inteligentes e criativas, somos cristãos cultos e elegantes? Que ótimo, amém por isso! Mas, vejamos o que disse Paulo em II Cor. 4:7:

“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.” Portanto, não nos iludamos. Todos, em todos os níveis, não passamos de simples e toscos vasos de barro. Somos absolutamente carentes da graça de Deus, salvos por ela e não por qualquer qualificação que tenhamos ou venhamos a ter. E usando uma frase tola, muito vista na Internet, poder-se-ia dizer a respeito de qualquer de nós, se pensarmos que somos mais que isso: “Inocente, não sabe de nada.”

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 20/Ago/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sábado, 9 de agosto de 2014

Reflexões Sobre a Graça - 03 - JUSTIFICADO

JUSTIFICADO

Hoje cedinho, como faço todo dia útil, levei minhas filhas aos seus Colégios. E como sempre, também, parei numa ruazinha perto do Colégio Adventista do Brooklin-SP, num lugarzinho costumeiro, para falar com Deus. São momentos breves de que desfruto com frequência. É ali que faço minha segunda recarga diária das baterias espirituais. A primeira ocorre assim que acordo, antes de me levantar, e a terceira, logo que chego ao escritório, ainda sem atividades de trabalho.

Hoje senti Deus bem presente, ali ao meu lado, sentado no banco do passageiro, ouvindo meus pedidos, agradecimentos, bem como meu silencioso pensamento de louvor. Nesses momentos me sinto, ao mesmo tempo, bem fraquinho e bem forte, é uma sensação única. Chorei um pouquinho, orei por minhas filhas, por toda minha família, por amigos e irmãos. Não fosse a terrível barreira de ruídos espirituais que me cerca, queria muito ouvir a voz de Deus, ainda que num pequeno sussuro, a me dizer algo do tipo: "Não temas, chamei-te pelo teu nome, tu és meu!" Quem sabe, num dia desses qualquer, eu a ouça.

Durante boa parte da minha vida religiosa estudei doutrinas e profecias, li muito e ouvi muito sermões. Hoje, tudo que eu mais quero é apenas colocar em prática uma ínfima parte que seja, do muito que ouvi, do pouco que apreendi. Meu objetivo final de vida é me tornar, cada vez mais, como uma criança, no sentido de voltar a ter o coração aberto e me livrar das culpas. E isso não é pouca coisa. Eu quero entrar no Reino dos Céus, pois, como dizia Davi, "a minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo".

Há pouco tempo, fiz uma nova letra, para música do maestro Lineu Soares, que já está sendo cantada pelo Grupo Novo Tom, chamada JUSTIFICADO, veja a primeira apresentação dela no UNASP-EC, no link que disponibilizaram abaixo. Que me ouçam, anjos e demônios, sou um adorador do verdadeiro Deus, fui justificado por meio da fé, e tenho paz, doce paz com meu Deus. A graça multiforme de Deus me alcançou, e está disponível, salvadora, para todos os homens.

Não quero e não vou perder o trem expresso da justificação pela fé e da doutrina da salvação, coisa que já aconteceu no passado dessa igreja. Que o espírito de adoração, presente nas mensagens angelicais de Deus, faça sentido pra mim e pra todo que quiser.

JUSTIFICADO
Mário Jorge Lima / Lineu Soares

Justificado é ser declarado Justo, embora eu não seja.
Justificado é ser colocado no nível de Cristo Jesus.
Eu, por Sua graça recebo de graça
Seus méritos, Sua justiça,
E Deus me ama como ama Seu Filho,
Pois, nEle eu fui morto na cruz.

Justificado, por meio da fé,
Tenho paz, doce paz com meu Deus,
Nada mais me condena, Sua vontade é a minha:
Vida Eterna no Reino dos céus.

Justificado é não ser centrado nas coisas que eu devo fazer.
Justificado é ter o meu foco naquilo que Deus fez por mim.
E então depois que eu creio e recebo
Essa obra do Filho de Deus,
Nasce o bom fruto do Espírito Santo
E eu cresço na graça sem fim.

www.youtube.com/watch?v=xFNXlIaeM_4

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 21/Jun/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Reflexões Sobre a Graça - 02 - NADA POSSO

NADA POSSO

Quanto mais eu percebo e admito no dia-a-dia minhas falhas, manias, dissimulações e fraquezas, mais compreendo porque a Graça é trabalho inteiramente de Deus. Da mesma maneira pela qual fui criado, sou também salvo por Deus, ou seja, obra 100% dEle. Meu único papel é aceitar e deixar que isso me transforme. E até pra isso dependo dEle.

A possibilidade de com minha própria condição ser melhor que o meu semelhante é ZERO! Ao observar com honestidade qualquer ser humano, principalmente a mim mesmo, em minhas ações, reações, palavras e pensamentos, só posso chegar a essa conclusão. Resta-me orar a prece do publicano. Feliz Sábado!

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 21/Jun/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: segunda-feira, 14 de julho de 2014

Rescaldo

Estava aqui fazendo minha meditação matinal, e pensando no final dessa Copa do Mundo de futebol, fazendo um rescaldo do que foi esse "incêndio". E fiquei tentando imaginar se, ao invés de alijado da competição de forma tão melancólica, o Brasil estivesse agora comemorando o dia-seguinte da conquista do Hexa-campeonato, provavelmente depois de uma noite de badernas, comemorações, excessos de todo tipo, a partir do apito final da partida de ontem.

As vidas dos jogadores, sem dúvida, estariam sendo diretamente afetadas por esse feito, pelo menos comercial e financeiramente. Novos salários, novos contratos de publicidade, transferências para novos clubes, muita badalação a nível internacional, fama, bens e fortunas.

Mas, e nós? Sem nenhum resquício de farisaísmo, sem querer apontar dedo pra ninguém, apenas pra mim mesmo, vieram-me algumas interrogações simples e lógicas, as quais me faço agora e nas quais muita gente deve estar pensando também.

Em que estaria melhor a minha vida, como ser humano, chefe de família, cidadão, trabalhador? O que significaria de fato pra mim haver uma estrela a mais no escudo oficial do futebol brasileiro? Que boas perspectivas, benefícios, vantagens reais isso estaria acrescentando à minha vida? Será que meus labores, projetos, estudos, relacionamentos, saúde, teriam sido positivamente afetados por uma vitória brasileira como campeões mundiais de uma modalidade esportiva?

Será que teriam valido a pena angústias, gritos, histerias, exageros, agressões, inimizades, grosserias, acidentes nos quais eu houvesse eventualmente me envolvido ao longo desses últimos 30 dias, em função desses jogos? Até onde é racional ou irracional minha disposição e orgulho em tripudiar sobre adversários vencidos? Aliás, essas questões são válidas em qualquer tipo de disputa.

E no plano espiritual, será que com isso teria eu crescido na graça, obtido mais conhecimento das coisas de Deus, minha fé teria sido aperfeiçoada, tornando-me melhor pessoa, pai, avô (estou feliz, soube que vou ser - rsrs), cônjuge, irmão, amigo, cidadão, cristão? Minha perspectiva de viver uma vida eterna teria melhorado, e minha esperança por um mundo melhor estaria fortalecida? São questões relevantes que sinto que Deus me deu hoje cedo. Não fiz essas perguntas pensando em ninguém, estou pensando na minha própria vida e da minha família.

Outra reflexão: ao longo dessa Copa perdi um amigo ceifado pela morte. Tenho amigos desenganados ou em fase terminal, com expectativas limitadíssimas de vida. Entrei nesse dia de hoje da mesma forma como entrei na vida: sem a menor indicação do que haverá, do que enfrentarei e do que me acontecerá no minuto seguinte. Coisa séria, não?

Quero já deixar claro que penso ser perfeitamente válido, até saudável, que eu aprecie qualquer modalidade esportiva, pratique, vibre com um bom lance, uma jogada perfeita. É prazeroso apreciar a arte de uma música executada com maestria, de uma dança esteticamente harmoniosa e bela, de um quadro com pinceladas geniais e inovadoras. Quem, que aprecie futebol, não gosta de ver um gol como o do xará Mario Götze, ontem? Todo dom, toda aptidão, todo talento, vem do "Pai das luzes". A unica reflexão adicional que faço pra mim, é até onde permito que isso afete meu comportamento e meus relacionamentos, com Deus e com meus semelhantes.

Quero deixar para mim e para todos aqueles que crêem na existência de um mundo espiritual uma reflexão conhecida das Escrituras:

"Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens." I Cor. 15:19.

Boa semana a todos. Parabéns aos nossos amigos alemães, e é claro, também, aos nossos "hermanos" argentinos. E vamos com Deus.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 14/Jul/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: terça-feira, 10 de junho de 2014

Reflexões sobre a Graça - 01 - TENSÕES

TENSÕES

Como cristãos, no dia a dia - falo principalmente por mim - vivenciamos situações, nossas ou alheias, que mostram muito claramente como uma coisa é falar e outra completamente distinta é fazer.

Em um incidente no trânsito caótico das cidades, na demora em uma fila de banco ou supermercado, no contato difícil com um vendedor de loja ou prestador de serviços, na nossa participação agressiva, desamorosa e muitas vezes parcial nas redes sociais, no destempero das nossas palavras, no desgosto de ver um plano prejudicado ou desfeito, numa contrariedade na família, no trabalho, na escola, na igreja, com vizinhos ou amigos, no comportamento impaciente, hostil e mal humorado que frequentemente manifestamos em nossos relacionamentos, na postura dissimulada ou omissa frente às situações da vida, no menosprezo e desrespeito que mostramos por quem pensa, vive e crê de forma diferente de nós, vemos quão difícil é transformar nossa pregação em ações de fato.

Passar da teoria para a prática da vida real, da apologética arrogante para a humildade da verdadeira ética cristã, do enunciado erudito de doutrinas para a simples aplicação delas na vida, do discurso para a realização, mostra sempre quão longe estamos do ideal de Deus e quão falhos somos como pretensos guardadores de Sua Lei.

Quando reflito sobre isso compreendo perfeitamente o grito angustiado de Paulo: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo dessa morte?” Rom.7:24.

O grande apóstolo padecia dessas mesmas idiossincrasias, via em sua vida as mesmas distorções do comportamento, as mesmas contradições, sentia o mesmo sincero desapontamento com as tensões e a distância entre o que deveria fazer e o que de fato fazia.

Se qualquer de nós parar para pensar com honestidade, com sincero mea-culpa, verá que só nos resta clamar, também como Paulo fez na continuação do texto mencionado acima: “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor.” Rom.7:25.

Ir a Cristo diariamente e fazer uso de Seus méritos, justiça, obediência, todos perfeitos e irreparáveis, em suma, de Sua graça maravilhosa e salvífica, é nossa única chance, não apenas de bem viver a vida cristã, mas principalmente, nossa única esperança e garantia de salvação. Sem Ele e essa graça transformadora, não seremos nada mais que poeira cósmica.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 10/Jun/2014.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso [a salvação pela graça] não vem de vós; é dom de Deus.” Ef. 2:8.

Postado em: quinta-feira, 17 de abril de 2014

Nossa Páscoa e a Graça

A Páscoa vivenciada pelo Cristianismo hoje, nós sabemos, tem pouca conexão com a Páscoa judaica ou com a que foi praticada por Cristo Jesus. Hoje temos a Páscoa do peru assado, do bacalhau e do chocolate, com apenas algumas referências à libertação da escravidão ou à história da cruz. Aliás, o Cristianismo, como um todo, europeizou-se, americanizou-se, ou seja, ocidentalizou-se, de tal forma que nossas formas de cultos, liturgias, cerimônias, festas, e até mesmo nosso entendimento e diversas crenças têm referências vindas do paganismo e das missas medievais. É só pesquisar um pouco e descobriremos, há literatura sobre isso na web.

Mas, não sou purista e nem chato (rsrs), isso foi apenas uma reflexão, nenhuma intenção de ficar deblaterando contra esses aspectos formais da religião e nem usar isso para acusar de forma farisaica a quem quer que seja, até porque tenho que começar me acusando. Que cada um considere isso da forma que preferir, ou melhor, da forma que o Espírito de Deus lhe mostrar. Então, escolho não perder a oportunidade dessa semana, chamada Santa, para pensar no amor de Deus.

O Plano de Salvação, como costumamos chamar toda essa obra de engenharia espiritual e salvífica, na qual nós cristãos cremos, trouxe a este mundo, vítima de uma guerra cósmica entre Cristo e satanás, a Graça, que é a contrapartida para toda essa situação de injustiça e horror na qual estamos inseridos há seis milênios. Se por um lado, pela Lei veio o conhecimento do pecado, pela Graça veio o conhecimento do perdão e da liberdade em Deus.

Deixo com vocês a lembrança do episódio em que Cristo, logo após a tentação, e no início do Seu ministério, proclamou ao mundo a Sua missão:

"O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele. Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir. Todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de Graça que lhe saíam dos lábios..." Lucas 4:18-22.

Tenho feito da Graça a minha pregação, e farei isso enquanto forças e oportunidades tiver. E procuro que seja menos como doutrina ou discurso apologético e teológico - pois disso sei muito pouco - mas, muito mais no plano pessoal, como experiência vivencial, como objeto do amor de Deus - pois disso eu tenho experiência na própria pele. De nada me adianta saber tudo que eu possa saber sobre esse dom de Deus (e esse tudo é praticamente nada), e não viver na Graça, não viver a Graça, não distribuir na horizontal o mesmo fluxo de Graça, aceitação, tolerância e perdão, que recebemos de Deus na vertical, na pessoa de Cristo Jesus. Se assim fizer, coloco-me na situação daquele credor incompassivo que foi perdoado, mas não perdoou.

Nesse fim-de-semana emblemático, desejo que eu e você, que um dia abrimos o coração para a fé bíblica, possamos nos desligar um pouco das comidas e bebidas festivas e nos ligar naquela missão proclamada por Cristo na sinagoga de Nazaré, que é nossa missão também. Assim nos conectaremos ao mundo espiritual e ao sobrenatural, que nos mostrará um Deus, o qual, entre relevar um erro sem pagá-lo ou matar o errante pecador, escolheu morrer por ele.

E a você que não participa dessa crença, desejo muita paz interior, saúde, equilíbrio emocional, momentos de reflexão, amizade e amor fraternal.

FELIZ PÁSCOA! CHAG PESSACH SAMEACH.

Mário Jorge Lima – 17/Abr/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 17/Abr/2014.

Postado em: sexta-feira, 21 de março de 2014

Você tem um Amigo

Costumamos dizer que temos muitos amigos nas Redes Sociais, chamando de amigos pessoas que nem conhecemos. E muitos delas são ou vêm a se tornar, de fato, bons amigos. Ser ou ter amigos é das melhores experiências por que passa um ser humano.

Tenho muitos amigos, alguns deles são como família, do mesmo sangue, tenho por eles, além da consideração especial, também preocupação e mesmo um certo carinho e cuidado. E o mais interessante é que não preciso estar em contato diuturno com eles, nem nos visitarmos ou telefonarmos com frequência para que a amizade permaneça ao longo de anos, décadas. Nós sabemos que o amigo verdadeiro está sempre lá, onde deveria estar, disponível e solícito.

Com esses amigos não preciso escolher palavras, nem ficar preocupado em não melindrá-los, em não decepcioná-los, “pisar em ovos”. Quando me fazem um bem, sei que não esperam qualquer agradecimento especial ou efusivo. Se eventualmente digo ou faço algo que os desagrada – quem não faz? - eles têm certeza de que essa não foi a minha intenção. Quem iria, em sã consciência, querer machucar um amigo? Com esses posso dizer as minhas besteiras, explicitar meus desencantos, dúvidas e questionamentos, sem medo de ser recriminado ou censurado. E, é bom que se diga, essa é uma estrada de mão dupla.

Ser amigo é também uma arte, em que nos equilibramos entre a necessidade de apenas ouvir e ser solidários e a oportunidade de manifestar uma posição ou convicção. E há momentos em que até se faz necessária uma ação efetiva no sentido de prevenir um desatino, uma besteira, uma decisão impensada. Exagerando, quem iria dizer a um amigo que está em vias de se matar, “OK, faça o que você achar melhor, não estou aqui para reprova-lo”? Ao invés disso, chame um médico, os bombeiros, a polícia, agarre-o, faça você mesmo alguma coisa.

Mas, mesmo pra explicitar posições e convicções, ou para exercer ações específicas e firmes, há que o verdadeiro amigo ser doce, terno, respeitoso, solidário e até com algum nível de cumplicidade. Muitas vezes, usando a ideia de que “amigo é quem diz o que o outro precisa e não o que ele quer ouvir”, apenas dissimulamos uma enorme e sempre presente grosseria e disposição para mostrar nosso saber, nossa posição e visão acertadas, que temos a razão ou a verdade sobre aquele assunto ou situação.

Dentre as muitas figuras de relacionamento humano das quase Jesus se serviu, uma das mais doces é exatamente a do amigo:

“Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.” João 15:15.

Uma coisa peço a Deus: que Ele me dê serenidade, discernimento, tolerância, respeitosa aproximação, inteligência emocional, palavras ternas e de conforto, sem lixa-zero na língua, sem ironias e desfaçatez, para que possa ser um bom amigo de todos que se acercarem de mim, seja na vida real, seja na vida cibernética das redes sociais. Não tenho que ter razão, não tenho que estar certo, não tenho que ser “o cara”, não preciso entender de tudo ou ter resposta para tudo, mas quero ser amigo, compassivo, perdoador, paciente e, principalmente, disponível. Não é coisa simples isso que estou pedindo.

Uma balada americana sempre me emocionou, sua letra é simples e ao mesmo tempo profunda. Composição de James Taylor. Muita gente gravou isso, mas a versão dele mesmo com seu violão é imbatível. É daquelas músicas inesquecíveis e que subsistirão enquanto durar a humanidade e enquanto pessoas buscarem e necessitarem ter amigos. Não tenho a menor dúvida de que isso é inspiração pura.

Coloquei uma gravação que tem a tradução e vou lhe fazer um desafio: coloque um fone de ouvido, ouça essa música e pense nos seus amigos, os que ainda estão por aqui e os que já se foram. Tente visualizar seus rostos e pensar em suas vidas. Duvido que chegue ao final sem derramar uma única lágrima. E ao final, curta, compartilhe entre todos aqueles que você considera amigos.

Com isso, desejo um Feliz Sábado, com bênçãos de todo tipo, físicas, materiais, emocionais, espirituais, e um fim-de-semana de muita paz a todos os meus amigos.

You'Ve Got a Friend:
www.youtube.com/watch?v=qSxK4kGyZIA

Mário Jorge Lima – 21/Mar/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 21/Mar/2014.

Postado em: domingo, 16 de março de 2014

65 Anos

Viver é um pouco morrer. A cada dia. Jamais me imaginei com essa idade. Quando menino esses números não me assustavam. Agora, vejo-me a apenas 5 anos da marca inicial estabelecida por Moisés no seu Salmo para delimitar os anos da canseira e do enfado.

Minha infância foi feliz e absolutamente normal. Joguei bola, soltei pipa, rodei pião, li muito gibi, subi em árvores e no telhado de casa - de onde caí duas vezes e quebrei os dois braços - roubei manga e jaca no quintal do vizinho, briguei na rua - e apanhei, era pequeno e franzino - quebrei vidraças, fui mordido por cachorro por faze-lo de cavalo, impliquei muito com minha irmã, apanhei de cinto e chinelo inúmeras vezes.

Tive pai e mãe abençoados. Perdi meu pai aos 9 anos, mas foi o suficiente para guardar dele a melhor imagem e ter tido experiências espirituais e culturais marcantes. Dele herdei algum refinamento e o prazer pela leitura, prosa e poesia. Li coisas ótimas e coisas que não prestavam. Mas, meu pai me dava dicionários para ler, e foi daí que me ficou uma certa habilidade com as palavras e o prazer por descobrir o significado das mesmas.

Na vida e morte do meu pai eu comecei, em tenra idade, a perceber o que era sofrer uma religião que não manifestava graça. Deus tinha que ser mais que justiça. Acabei descobrindo que Ele é. Um dia eu conto aqui. Nunca o esquecerei, Raymundo de Souza Lima, falecido aos 34 anos. Vai ser insólito reencontrá-lo, paizinho, tendo talvez mais que o dobro da sua idade.

Minha mãe foi mãe e pai, e consolidou em mim o amor pelas coisas de Deus, a fé e a dependência dEle. Vivenciei sua luta para criar-me e à minha irmã querida, Rubenita, com seu trabalho de costureira e depois de obreira bíblica. Quero revê-la em breve, D. Mariazinha Lima, cristã da melhor qualidade, salva pela graça, falecida aos 76 anos.

Apaixonei-me pela primeira vez aos 7 anos. Cedo? Que nada! Heloísa, era o nome dela, a menininha mais linda da segunda série do antigo Primário. Diga-se de passagem, paixão correspondida por bilhetinhos pueris, inocentes. Em seguida veio a paixão pela professora, claro, D. Consuelo.

Trabalhei cedo, empregado em banco aos 14 anos. Considero ter sido adolescente e jovem feliz. Ouvi Beatles, Birds e Rolling Stones, curti muito toda a música romântica italiana, francesa e americana dos anos 60/70, e amei a bossa nova e parte da jovem guarda. No início do tropicalismo desinteressei-me pela MPB, nem sei se ela ainda existe.

Vi jogar Pelé, Garrincha e Reinaldo, talvez por isso até hoje minha simpatia e torcida por Santos-SP, Botafogo-RJ e Atlético-MG. E no mesmo Maracanã assisti os inesquecíveis shows de Francis Albert Sinatra e Sir James Paul McCartney.

Cedo abri o coração para a fé, e aprendi desde então sobre a graça salvadora. Sei que não fosse por ela, eu já seria poeira cósmica. Conheço o Deus da segunda chance, justificador, restaurador, santificador. Só me falta a nuance do Deus glorificador, a Quem quero contemplar face-a-face.

Deus me deu muitas e boas oportunidades, não tendo eu aproveitado tudo que podia e devia. Fiz boas e más escolhas. Como todo ser humano. Arquei com consequências, claro, embora tenha consciência de que Deus nunca me tratou "segundo as minhas iniquidades, pois Ele sabe que sou pó". Ao contrário, livrou-me da morte várias vezes e deu-me sobrevida sem preço.

Ele me proporcionou a maior de todas as bênçãos: ter gerado 5 filhas. Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luiza, amo vocês, mais do que a mim mesmo. Obrigado Arminda, obrigado Helena. Vocês todas são as mulheres da minha vida. Daria essa vida por qualquer uma de vocês sem pestanejar.

Tenho uma grande e preciosa família, tios, primos e afins. Tenho também "um milhão de amigos", muitos deles são como irmãos de sangue, na eternidade quero te-los sempre por perto, vamos "aprontar" muito por esse mundão de Deus, e dessa vez com mentes transformadas e corpos glorificados.

Obrigado Pai Eterno, obrigado por Teu perdão e por teres pago minha dívida impagável. Obrigado por acalmares o meu interior em relação às minhas dúvidas e questionamentos, dando-me confiança de que um dia terei todas as respostas. Obrigado pela experiência enriquecedora que foi viver esses 65 anos. A senda estreita se afunila, eu sei, mas, não tenho medo. Descobri na semana passada esse texto significativo:

"Por isso, o Senhor Deus diz: Estou colocando em Sião uma pedra, uma pedra preciosa que eu escolhi, para ser a pedra principal do alicerce. Nela está escrito isto: Quem tem fé não tem medo." Isaías 28:16 (BLH). Essa última frase, em outras duas traduções diz: "Aquele que crer não foge." (ARA) ou "Aquele que crer não se apresse." (ARC).

Não tenho medo, não há razão pra fugir, e não estou com a menor pressa. Pra que? Apenas aguardo.

Mário Jorge Lima – 17/Mar/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 17/Mar/2014.

Postado em: quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Felicidade

Fim de tarde. Feriado se aproximando. Estou aqui no escritório, sozinho, pensando, antes de empreender uma tarefa que vai me deixar acordado até de madrugada. Não estou cofiando o bigode ou a barba porque não os tenho, mas estou coçando a imaginação, ouvindo música que me agrada e que resolvi compartilhar com vocês. Antes, um pouco do que estou pensando.

Todos, via de regra, tentam ser felizes, seja o que for que a felicidade signifique pra cada um. Na maioria das vezes pensamos em criar nossos filhos para que sejam felizes. Deveríamos também considerar ensiná-los a lidar com a infelicidade, com os desencontros, com as perdas. Afinal, esses elementos do viver estão aí à nossa volta, talvez para nos lembrar quão efêmeros somos.

Há muitos anos, quando minhas filhas, que hoje são adultas e casadas, eram crianças, eu frequentava a IASD Central do Rio de Janeiro. E lá conheci Haroldo Pereira de Castro Lobo, o irmão Haroldo, homem já idoso, de imensa cultura e saber, na época um dos vice-presidentes da Sociedade Bíblica do Brasil. Ficamos amigos, e eu lembro que ele levava para mim com frequência, aos sábados, caixinhas de papel, tampinhas coloridas de garrafas, figuras recortadas de revistas, e outras miudezas, e me dizia: “São para suas filhinhas, Mário, criança fica feliz com isso, não gosta de brinquedos caros.”.

Estava certo. Sabedoria pura, simples e verdadeira. Naquele tempo, início dos anos 80, trocávamos máximas e mínimas do Barão de Itararé, de quem ele era admirador. Grande figura, o irmão Haroldo Lobo. Chamei uma de minhas filhas de Júlia, em parte como homenagem à sua amável esposa, irmã Júlia Lobo. Ambos já descansam e nos esperam para o grande encontro. Pois é, lembrei dele agora porque ser feliz talvez seja ver a vida como as crianças veem. Elas parecem ter o segredo da felicidade.

Crianças não têm nada delas, tudo lhes é dado, portanto não têm essa preocupação de posses pessoais. Crianças não têm passado, não sabem o que é futuro, só vivem o presente, ficando assim livres de culpas por um lado e de ansiedades por outro, vivem um dia de cada vez. Crianças aceitam as pessoas como são, não lhes importa a cor, as origens, os bens, nada, portanto estão livres da discriminação e do preconceito. Crianças perdoam e esquecem com facilidade, não guardam mágoas e rancores “ad eternum”. Crianças acreditam no que lhes dizemos, são, portanto, crédulas e sinceras. Crianças tem o coração aberto para aprender, sem ideias pré-concebidas. Crianças gostam de histórias e de aconchego, tem coisa melhor?

Crianças são perfeitas? Claro que não. E quem está falando de perfeição? Crianças são egoístas, ciumentas, encrenqueiras. Mas, isso talvez seja o tempero necessário, o equilíbrio a conquistar, a coisa humana a vencer, que mostra que se não somos perfeitos, somos viáveis. Se guardássemos essas características delas, à medida que passássemos da idade da inocência para a idade da razão, sem deixar que se acumulassem sobre nós camadas espessas de dissimulação, intolerância, vaidade e arrogância, não sei se seríamos felizes da forma como compreendemos a felicidade, mas, com certeza, viveríamos mais e melhor.

A propósito de ser feliz, nesse final de semana carnavalesco que está chegando muitos procurarão encontrar a felicidade em alguns litros de cerveja e um samba vertiginoso nos pés. Não os censuro e não os julgo, à sua moda estão em busca de felicidade, de uma catarse que os livre de tantas coisas ruins. O Deus gracioso e misericordioso no qual eu creio haverá de interagir com aqueles que quiserem e deixarem que Ele se aproxime. Que de alguma forma encontrem, e fiquem na paz.

Sou acordado diariamente, bem cedinho, pelo meu celular com essa bela canção da tradição cristã, cujo link está abaixo. Coloquem um fone de ouvido, fechem os olhos, recostem confortavelmente a cabeça e ouçam essa belezura de piano, sem arroubos e firulas pianísticas, mas com belos acordes, introspectivos e límpidos, e pensem na letra que diz: Quão Feliz eu Sou em Cristo! ou em outra versão, Que Prazer é Ser de Cristo!

Num dos versos da letra, esse velho hino diz: Oh, quão bom é crer em Cristo | Ter certeza do perdão! | Receber de Cristo mesmo | Vida, paz e salvação.

Certeza do perdão! Tem tudo a ver com cura. Cura tem tudo a ver com felicidade, real e duradoura, aqui e agora, tem a ver com paz que excede todo o entendimento. Curtam essa reflexão teológica.

Só peço aos polemistas de plantão que não estraguem o momento de sensibilidade e prazer dessa postagem, inferindo daí que essa é a música do céu. Não sei qual é a música do céu, saberei isso quando chegar lá. Essa é apenas uma música que me dá prazer, que fortalece a minha fé, que me traz recordações de um tempo em que, na meninice, aprendi dos meus pais as sagradas letras, e quando, com certeza, eu era feliz e não sabia.

E àqueles meus amigos que não possuem a fé cristã, peço que ouçam a melodia sentindo paz interior e deixem que esses acordes impregnem suas estruturas de pensamento e, quem sabe, assim sintam-se um pouco mais felizes em meio a tanta infelicidade à nossa volta.

EXCELENTE FERIADÃO! SEJAM FELIZES!

http://www.multisites.com.br/dl/tissosweettotrustinjesus.mp3

Mário Jorge Lima – 27/Fev/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 27/Fev/2014.

Postado em: quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Vitória Sobre o Pecado

Vitória sobre o pecado é obtida numa base diária, respondendo ao amor de Deus, deixando-se transformar pelo relacionamento e pela submissão à Sua vontade, interagindo com Ele no processo de santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.

Vitória sobre o pecado não significa não mais pecar, considerando-se ações, atitudes, palavras e pensamentos. Até porque aquele que diz não cometer pecados torna-se mentiroso. (I Joao 1:8-10). Fomos justificados - considerados justos - por Deus quando abrimos o coração para a fé genuína, e assim passamos a ser considerados e chamados santos, separados. Mas infelizmente, somos santos que, miseravelmente, ainda pecam. Para isso nosso advogado diante de Deus provê e torna disponível a dádiva incondicional do perdão, a qual só temos que aceitar.

Vitória sobre o pecado, portanto, significa não ter mais o pecado reinando na vida (Rom. 6), não tê-lo mais como a força determinante de nossas ações, não ser escravo dele, não ser dominado por ele, não mais viver nele. (I Joao 5:18), crescer na graça, seguindo a vereda do justo. Essa é a vitória que podemos obter em Deus, mesmo tendo natureza caída, imperfeita e ainda mortal. É uma vitória pessoal, mas, insuficiente, que só tem valor diante de Deus porque Cristo Jesus venceu essa luta de forma total e completa e em âmbito maior e cósmico, e Sua vitória se torna nossa vitória quando O aceitamos pela fé.

Essa é uma situação de alegria em Deus, de religião não-raivosa, que se traduz em aprender da Palavra, orar e servir ao próximo. Fomos salvos da condenação do mal, sem nenhum mérito nosso, por um simples ato de fé, estamos em outra casa, sob nova direção. Apesar de todas as dificuldades e agruras do cotidiano de nossas vidas, tem coisa melhor?

Por outro lado, somos responsáveis por todo conhecimento que venhamos a obter. Que ninguém se deixe levar por displicência e relaxamento espirituais, pensando que “assim é muito fácil” e que poderá enganar ao Senhor, e de forma dissimulada conseguirá viver a santificação sem compromisso e sem mudança de vida. Em Deus é fácil, sim, mas sem Sua graça restauradora é impossível, por duas simples razões:

. Primeiro, porque Quem identifica os impulsos, julga os motivos e administra todo esse processo dinâmico de salvação é Alguém que não erra, é o Senhor de toda a terra, que é misericordioso, justo, santo e infalível.

. E, segundo, porque a graça e o amor de Deus são forças, necessariamente, transformadoras.

Mário Jorge Lima – 12/Fev/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 12/Fev/2014.

Postado em: quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Crime e Castigo

Venho acompanhando - assim como todos os brasileiros - já há alguns anos, o desenrolar do julgamento e absolvição ou condenação de pessoas indiciadas e envolvidas com os crimes do chamado "mensalão", que outros chamam de "mentirão", e suas variantes regionais e setorizadas, cada uma com seus nomes de operações distintos. Não vou entrar nesses questionamentos até porque tanto um quanto outro lado se movem muito mais por simpatias pessoais por partidos e políticos do que pelos autos dos processos, aos quais não temos acesso, ou temos acesso a partes que nos são mostradas de forma manipulada por uma mídia e órgãos de imprensa facciosos, que também não cumprem o seu papel apenas informativo e isento, mas, se posicionam como se partidários e militantes fossem.

Como cidadão comum, que luta pra sobreviver a toda a truculência estatal, sinto que preciso acreditar minimamente nas instituições e poderes constituídos. Preciso crer que, mesmo com as inúmeras possibilidades - e são reais - de estarem agindo em muitos casos com injustiça, alguma justiça, de alguma forma, ainda se faça. Se não acreditar nisso, só me resta a alternativa de mudar de país ou, se não puder isso fazer, também entrar para a delinquência pública ou privada, engrossando assim as fileiras daqueles que cinicamente reclamam de tudo, mas também fazem de tudo aquilo contra o que se levantam.

Como cristão, não sou adepto do quanto pior melhor, nunca fui, acho que temos que almejar e buscar, sim, aqui e agora, uma vida menos penosa para nós e nossos filhos, bem como do nosso povo, cuja miséria, nem de longe conhecemos, a não ser que nos internemos por esse país a dentro para conhece-la, longe da euforia do litoral bronzeado e movido a festas, baladas e vantagens efêmeras.

Lamentável, por outro lado, é ver que mesmo a falha, imperfeita e também corrompida justiça humana, ainda que pegue às vezes alguns bagres de bom tamanho, deixa de fora enormes tubarões contra os quais nada se consegue ou se quer fazer, e que continuam nadando, mandando e assustando nos mares da vida pública, das empresas e das instituições, tornando a nossa vida, como sardinhas miúdas que somos, cada vez mais difícil, sofrida e sem esperança. Seria ótimo - se não fosse utópico - que a todo crime contra a pessoa, contra a sociedade e contra a humanidade, correspondesse um castigo de igual teor, de igual peso.

Mas, vamos seguir na luta. Não sejamos tolos de achar que partidos e agremiações políticas são, umas mais sérias e competentes que outras, umas mais bem intencionadas e incorruptíveis que outras. Todas, sem exceção, navegam no mar da impiedade e da iniquidade. A corrupção e a maldade são uma doença que se espalha de forma endêmica por todos os segmentos da vida, em todos os níveis econômicos e sociais, e até mesmo na educação, na religião e na família, que deveriam ser os fiéis da balança de uma sociedade caminhando para a extinção. E isso não é privilégio de nenhum país, embora em alguns a coisa possa se apresentar mais exacerbada e maligna que em outros.

E essa será a nossa penosa rotina até que algo de sobrenatural aconteça na vida desse planeta, porque o natural não mais resolve. Como homem de fé, mantenho a esperança de dias melhores, acreditando que o problema desse mundo não é social, político, financeiro, econômico, mas espiritual. O homem perde dia a dia a fé nas coisas do espírito e nas virtudes pessoais, passando a enxergar apenas o que é material, imediato e vantajoso.

Anseio pelo dia em que olharei pra cima e verei uma nuvenzinha branca, do tamanho da mão de um homem, e que crescerá mostrando ser não exatamente uma nuvem, mas, muito mais que isso: a maior e mais bem-aventurada de todas as nossas esperanças. Alguns podem me tomar por tolo e ingênuo. Espero que estejam errados (rsrs). E como diz um amigo meu aqui da Web, vida que segue. Quem viver, verá.

Mário Jorge Lima – 05/Fev/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 05/Fev/2014.

Postado em: sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Que Vos Ameis Uns Aos Outros

Tenho cotidianamente pensado nisso, principalmente naqueles momentos em que se torna bem difícil aplicar esse conceito de vida, e que é ao mesmo tempo um mandamento. Seja no trabalho, na rua, na igreja, na escola, ou até mesmo no melhor ambiente da nossa vida, que é o nosso lar, nem sempre estamos abertos e dispostos a manifestar esse belo, perfeito e maior de todos os dons. Digo por experiência própria, isso bate em minha hipocrisia e mordo a própria língua todo dia.

Interessante notar que, em todos os comandos neo testamentários em que isso é dito, se procurarmos no grego transliterado (acha-se na web), veremos que o amor referenciado é sempre o amor ágape, que é o amor mais próximo do amor de Deus, o amor filial, de pai e mãe, o amor incondicional e mais puro, um amor também espiritual, que se preciso dá a vida pelo outro. Não é pouca coisa o que se pede daquele que ousa, que se atreve a amar o semelhante.

Esse sentimento foi a tônica da vida, das palavras, das ações, da guarda da lei e da pregação e ministério de Cristo Jesus. Alguns anos mais tarde, um ex-fariseu, da tribo de Benjamin, captou essa nuance e disse que sem esse dom maior, nada que eu faça, nada que eu seja, nada que eu diga tem qualquer valor ou significado; não passará de ação vazia, fria. No passado, ele praticara uma religião raivosa, disposta a colocar em prisões e a matar quem não “rezasse” pela sua cartilha, mas, depois de passar pelo discipulado do amor, foi capaz de morrer pela mesma cartilha e pelos seus irmãos.

Falamos muito de graça, e isso é bom e necessário, por ser ela a real e única garantia da nossa salvação da condenação, do poder e finalmente da presença do pecado e do mal. Mas, como no dito popular, “falar é fácil”. Realmente é fácil, é bacana, é prazeroso, é inteligente, é até mesmo “cult” cantar, ensinar, pregar sobre a graça. O difícil e necessário, é viver na graça, é viver a graça no dia-a-dia, nos nossos relacionamentos, nas nossas atitudes, nas nossas palavras.

Tenho visto, e me envergonhado, diariamente, como me falta esse dom, como sou deficiente nesse aspecto! Ao corrigir minhas filhas, ao ensiná-las, ao dirigir minha família, ao conduzir meu trabalho e até mesmo ao defender o que me parece certo e justo, em questões seculares ou espirituais, sinto que falta esse tempero, que é a prova de discipulado, que é o que será requerido pelo Rei naquela cena antológica de separação entre bodes e ovelhas.

E não estou falando aqui em salvação por obras próprias, aliás, nem estou falando de salvação. Estou falando de vida cristã, de bem-viver, de fruto do espírito, no qual pelo menos cinco dos nove gomos tem a ver diretamente com esse dom: amor, paciência, benignidade, bondade e mansidão. Muito significativo, não?

A religião verdadeira de Cristo Jesus e o processo de salvação têm vários elementos, tais como a fé, a obediência, o conhecimento, o perdão e diversos outros. Todos são importantes e requeridos, cada um com sua função, cada um no seu momento, não como meio de salvação, mas, como frutos do evangelho. No entanto, nenhum deles é superior ao dom do amor ou prescinde da manifestação e aceitação da graça de Deus na vida.

A própria lei de Deus, na eternidade, que estará escrita nos nossos corações e mentes, terá a forma de um código de amor e será a base e a norma do Reino de Deus, como sempre foi no universo pré-lapsariano.

Deixo com vocês, para esse final de semana, um texto dos mais significativos e profundos:

“A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei.” Romanos 13:8.

É perfeitamente possível, pois, guardar a lei, cumprir reclamos divinos e não possuir amor. Nesse caso, já sabemos que não há qualquer valor ou propósito nisso. Mas, é virtualmente impossível possuir verdadeiro amor e não ter cumprido a lei, a vontade de Deus. Feliz Sábado. Shabat Shalom!

Mário Jorge Lima – 31/Jan/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 31/Jan/2014.

Postado em: sábado, 25 de janeiro de 2014

Aniversário de São Paulo

Hoje é o aniversário de uma cidade da qual nunca na vida imaginei gostar. Como bom carioca, eu era naturalmente anti-São Paulo. E nem tinha razoes pra isso. Mas, sempre que vinha aqui, fosse a trabalho, fosse para cursos rápidos, fosse por compromissos musicais, voltava correndo tão logo terminava o que tinha vindo fazer.

"Quis o destino" (rsrs), como diriam alguns, que, por injunções sociais, por escolhas, eu um dia viesse pra cá, não mais para uma estada rápida, mas para morar. E não apenas morar, mas, tentar me acostumar a essas novas circunstâncias da minha vida, e - mal sabia eu - para constituir mais uma família, com sogra, cunhados, sobrinhos emprestados, tudo a que se tem direito, e gerar mais três filhas, desta vez paulistanas - já tenho duas cariocas.

Lembro-me do dia em que, tristonho, pela última vez como morador do Rio de Janeiro, peguei um avião no aeroporto Santos Dumont, na companhia solidária da minha falecida mãe, dona Mariazinha Lima, e desci em Congonhas, não mais sob um sol azul e brilhante, mas cinzento e poluído. Minha mudança viria de caminhão da Granero, e cá estava eu, onde teria que morar, sozinho. Escolhas.

Hoje, transcorridos 22 anos, posso dizer que me afeiçoei, sim, a essa cidade, que me recebeu com muitos novos amigos, tão queridos como os que eu deixei na romântica Rio de Janeiro, que me traz recordações e memórias de todo tipo. Posso também dizer, com segurança, que esse carioca da gema hoje ama São Paulo. Acho que, tanto quanto o Rio. Amo tudo que a Cidade Maravilhosa me deu, mais que a mim mesmo, mas também amo São Paulo e tudo que ela me proporcionou.

Nesse final de 2013, indo ao Rio de Janeiro com a minha família paulistana, para passar o Ano Novo, lembrei-me de uma significativa passagem bíblica. Jacó voltava para sua terra de origem, vindo de Padã-Arã, onde vivera também por cerca de 22 anos. Assim como eu, ele tinha ido para lá, sozinho, fugindo das situações difíceis que criara em sua terra natal. Agora voltava com uma enorme multidão. E então, ao se defrontar com o vau do rio Jaboque, falando com Deus, entre outras coisas disse:

"... sou indigno de todas as misericórdias e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo; pois com apenas o meu cajado atravessei este Jordão; já agora sou dois bandos." Gênesis 32:10.

Assim me sentia eu, tendo vindo pra São Paulo, sozinho, apenas com meu cajado, e agora voltando ao Rio, ainda que a passeio, mas com um bando, uma família. A única grande diferença é que Jacó, no seu retorno, era um homem rico (rsrs).

Sou agradecido a Deus, Ele me permitiu aqui passar por experiências felizes, outras duras, mas todas, sem dúvidas, enriquecedoras. Perdi minha querida mãe, mas ganhei uma família. Mantive, e em alguns casos, restaurei todos os antigos laços familiares e de amizade que eu tinha. Aqui eu conheci melhor a graça redentora e restauradora de Deus, e nela tenho crescido. Sou imensamente grato a Ele por Sua misericórdia por mim, um ser humano imperfeito, cheio de atos falhos, mas, sem dúvida, objeto de Seu amor e Seu perdão, algo que não compreendo, mas, aceito.

Obrigado São Paulo! Viva São Paulo!

Mário Jorge Lima – 25/Jan/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 25/Jan/2014.

Postado em: segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

No Espelho

Eu moro em um bairro aqui em São Paulo, chamado Vila Clementino, que já foi, quando vim pra ca há alguns anos, o que o Grajaú e a Tijuca foram no Rio de Janeiro nos anos 60/70, um mar de tranquilidade. Hoje já não é, mas não é dos piores, ainda tem muitas casas e até ruas de paralepípedos, com árvores que recebem revoadas de pássaros de todo tipo, e eu gosto muito das calopsitas, pelo barulho que fazem.

Uma das minhas tarefas em casa, cedinho, antes até de levar minhas filhas ao colégio, é sair pra comprar pão fresquinho. E gosto quando estou com tempo e posso ir a pé. É um dos raros momentos do dia em que caminho, deveria fazer muito mais, até pelos meus problemas coronarianos.

Por estranho que possa parecer, esse é um dos momentos em que eu falo e gosto de falar com Deus. Olhando as pessoas nas ruas, cumprimentando idosos como eu, vendo os que correm para o trabalho, os que saem com seus cachorros, o trânsito começando a enlouquecer, sinto claramente a influência de Seu Espírito nessas horas, atuando sobre o meu lobo frontal, que alguns cientistas chamam ponto-Deus. Não poucas vezes, como hoje, voltei dessas caminhadas com idéias novas para textos, poemas, letras e projetos espirituais. Não poucas vezes reconsiderei atitudes minhas e coisas que fiz e falei. Não poucas vezes sentei-me na mureta de alguma casa ainda fechada, numa rua tranquila, pra orar. Algumas vezes pra chorar. Se alguém já prestou atenção em mim nesses momentos deve ter pensado: esse aí tem Alzheimer (rsrs).

Hoje cedo estava pensando na capacidade que Jesus tinha de ler corações (mentes). Não que Ele vivesse como um fiscal severo e atento a cada erro dos Seus discípulos e do povo em volta, mas sempre que o Mestre identificava uma oportunidade de intervir numa situação qualquer, com Seus conselhos amoráveis ou Sua ação corretiva, Ele o fazia, e essa característica de saber o que pensavam ou falavam às escondidas Lhe dava possibilidade de ir direto ao ponto, com sabedoria e sem margem a erros de interpretação. Capacidade essa - é bom anotar - que nós não temos.

Lendo os Evangelhos também podemos perceber que Ele era especialmente duro com aqueles que, a serviço do reino das trevas, executavam ações mesquinhas, diretamente sob as ordens e os planos de satanás, para O apanharem em armadilhas ou atrapalhar Seu projeto de tirar o pecado do mundo. Com esses não havia negociação, provavelmente já eram casos perdidos. Mas, com os miseráveis, os doentes, com a escória da terra, com as prostitutas e pecadores de todo tipo, com aqueles que tinham sinceras dúvidas e questionamentos, sendo assim todos vítimas dessa guerra cósmica entre Ele e satanás, Jesus era suave, doce, restaurador, não condenava, apenas estendia Seus braços de amor e olhava-os com misericórdia. Podia julgá-los, mas não julgava. Seu coração se compadecia, pois sabia que eram como ovelhas que não tinham pastor. Não raro, chorava.

E nas Suas avaliações, como já disse, não havia qualquer possibilidade de erro. Jesus nunca usou seus poderes divinos em benefício próprio, mas certamente os usava em benefício da humanidade que viera salvar. E como era o Filho de Deus e lia as intenções e motivações mais escondidas dos corações, era o único que podia fazer as abordagens necessárias e condizentes com cada caso. Jesus era o único que podia tirar o cisco do olho alheio sem se preocupar primeiro em tirar a trave do próprio olho. Jesus era o único que podia fazer o bem com a mão direita sem se preocupar com esquerda. Jesus era o único que não precisava pedir perdão.

Fiquei emocionado enquanto caminhava e pensava nisso e confesso que meus olhos ficaram turvos com algumas lágrimas teimosas. Até agora mesmo, ao escrever esse texto, elas insistem em aparecer. Não tenho essa capacidade de Cristo e nem de longe possuo o Seu amor imenso. Puxa, como eu falho nas minhas avaliações! Faço isso com as criaturas que mais amo, minhas próprias filhas e minha família! Faço também com meus amigos, com meus vizinhos, com os não-crentes, com os que não vivem, pensam ou creem como eu, com os irmãos da minha própria fé! Quantas vezes esqueci que "chamar o pecado pelo nome" significa necessariamente começar chamando assim os meus próprios erros! Até Deus mesmo fez isso quando numa profecia profilática e radical a Ezequiel, mandou começar pelo Seu santuário. Minha vida e meu corpo são um santuário para Deus, portanto, qualquer ação corretiva ou admoestadora da minha parte, deve necessariamente começar por mim mesmo.

Pedi e peço a Deus então, que nesse dia, e em todos os outros daqui pra frente, eu faça assim. Como que olhando num espelho (não é sem razão que Sua lei é comparada a um) eu fale pra mim, tente apreender em meu próprio olhar se ele é sincero e amoroso, cheio de misericórdia e graça com deveria ser. Que eu dê o "sonido certo à trombeta", mas com a abertura dessa trombeta voltada inicialmente e sempre para minha própria vida. E então saberei que, se chegar a admoestar alguém, seja uma filha minha, seja um amigo, seja um irmão de fé, eu já estou em paz interior com meu Deus, já tirei os empecilhos todos que poderiam atrapalhar a ação de Seu Espírito através de mim. E o amor, verdadeira prova de discipulado, e que apaga uma multidão de pecados, será a única coisa determinante das minhas palavras e das minhas atitudes. Amém!

Mário Jorge Lima – 13/Jan/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 13/Jan/2014.

Postado em: domingo, 5 de janeiro de 2014

Ano Novo. Vida Nova?

Estava aqui, hoje, domingo 05/01/2014, cedo, tomando tempo para a que está sendo, de fato, minha primeira reflexão matinal nesse novo ano. E pensei que todos temos o conhecidíssimo costume de em algumas ocasiões especiais tomar novos propósitos, nos enchermos de brios e de disposição para desempoeirar resoluções passadas, ativar procedimentos e comportamentos que há tempos temos olvidado, e de fato mudar de vida em diversos aspectos que consideramos importantes e necessários. Ainda que não verbalizemos – não queremos nos comprometer – costumamos pensar nessas coisas.

E, infelizmente, todos temos também o costume de esquecer em pouquíssimo tempo aquilo que tínhamos decidido mudar. Percebi que alguns posicionamentos que eu tinha mentalizado e decidido interiormente, há poucos dias, já não os estava cumprindo ou executando. E isso deve ser realidade com cada um que me lê.

Na verdade, qualquer resolução que se tome, qualquer mudança de comportamento ou atitude, só tem alguma chance de se tornar efetiva se feita numa base diária. Somos por demais pusilânimes para levar a cabo essas mudanças e nossa memória é muito curta e falha para que sequer nos lembremos que decidimos mudar, quando o prazo dentro do qual aferimos essas mudanças é superior a 24 horas. Portanto, temos que reduzir drasticamente o período de tempo em que queremos empreender essas melhorias no nosso viver, de maneira que consigamos executar as ações e fazer as checagens e verificações necessárias. Se não fizermos isso, como diz a gente jovem, "não vai rolar".

O Evangelho é sábio quando nos aconselha a não levarmos nossas preocupações e não mentalizarmos nossas dificuldades em período superior a um dia. Não temos acuidade mental e nem visão e determinação suficientes para muito mais que isso. Nossa natureza caída perdeu essa capacidade, e temos que nos ater a essa dimensão de tempo. E já será muito bom e extremamente eficiente se conseguirmos bem administrar nossas vidas por 24 horas. Na verdade é até menos que isso, porque uma boa parte dessas horas passamos dormindo. E sabemos que dormindo não empreendemos, não realizamos, não aprendemos nada, não acontecemos, nada produzimos e nem crescemos na graça. Felizmente, também não erramos, nada ocorre de bom ou ruim, por isso a morte é comparada a um sono.

Mas, não há razão para desânimo. Para empreender mudanças no viver, não preciso de uma virada de ano, de uma data de aniversário, e, sendo cristão, nem mesmo esperar pelos resultados de um evento espiritual festivo, semana de oração ou mês de reavivamento. Só preciso manter relacionamento real com Deus e, é claro, ter atitude, no dia-a-dia. Não consegui? Ainda não foi desta vez? Não tem problema, tento novamente. Sempre numa base diária.

Poderia me estender por linhas e mais linhas falando e sendo redundante sobre esse tema, mas, uma das coisas em que resolvi mudar (risos) foi falar menos e ouvir mais, ser mais conciso e objetivo. Quero pensar no que falei acima, não mentalizar o ano, o mês, a semana, mas, sim, o dia. E eu diria que em muitos casos podemos reduzir ainda mais e pensar em termos de hora, de minuto, até de segundo.

Deixo pra quem me lê um texto bíblico bem sugestivo, pinçado de um Salmo de Moisés, alguém que teve muitos dias para refletir sobre a brevidade dos mesmos:

“Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos coração sábio.” Salmos 90:12.

Mário Jorge Lima – 05/Jan/2014
“Livre pensar é só pensar” – Millor Fernandes.

Autor: Mário Jorge Lima
São Paulo, 05/Jan/2014.