Postado em: sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

10(10) - O Fruto do Espírito: Domínio Próprio

Finalmente chegamos ao último gomo do Fruto do Espírito de Deus: o Domínio Próprio. Em algumas traduções da Bíblia encontramos o substantivo Temperança. E podemos também chamá-lo de Autocontrole ou até mesmo Equilíbrio.

Todos esses termos acima se referem à capacidade de manter uma postura sóbria, preparada para qualquer tipo de situação, afastando-nos de extremos e situações e atitudes radicais, as quais são altamente prejudiciais. É o ato de controlar nossos próprios desejos e impulsos, nossas tendências desajustadas, nossos gostos pessoais, nosso apetite desregrado, nosso comportamento geral inadequado.

Devemos buscar o ideal de ter sob controle todas as áreas de nossa vida, ou, melhor dizendo, entregar todas as áreas de nossa vida ao controle maior do Espírito de Deus. Por nós mesmos não temos a menor possibilidade de dominar temperamentos, vontades e paixões. Domínio próprio, para o cristão, são a humilde entrega e a submissão a Deus para fazer a Sua vontade.

Algumas religiões e seitas pregam a técnica da meditação, outras a concentração, outras os exercícios de repetição, algumas o jejum e outras o isolamento, para seus adeptos conquistarem o autocontrole. É claro que esses esforços são infrutíferos. Para conseguir essas conquistas no âmbito do corpo ou da mente, na realidade, é necessária uma submissão completa ao Espírito de Deus.

Hoje muitas pessoas agem por impulso, por compulsão, e às vezes, num momento de descontrole, arruínam suas vidas e as vidas de terceiros com atos e palavras impensados. Políticos, artistas, esportistas, empresários, homens públicos, bem como o cidadão comum, todos temos facilidade para perder o controle e agir de forma precipitada e daninha. Essa falta de controle tem destruído relacionamentos conjugais, amizades, empresas, sociedades e até mesmo igrejas e comunidades religiosas.

E qual a maneira de adquirir domínio próprio, agir com temperança e equilíbrio, exercendo o tão desejado autocontrole? Só há um meio: deixar a vida nas mãos de Deus. E deixar a vida nas mãos de Deus significa, na prática, passar pela experiência da conversão, fazer da Bíblia nosso livro de cabeceira e buscar sempre a Deus em oração. Não há nenhum outro caminho conhecido.

Nosso temperamento é um dos maiores obstáculos à obtenção do domínio próprio. Pessoas com comportamento sanguíneo ou colérico, os famosos “pavios-curtos”, tendem a reagir de maneira precipitada, irada e violenta quando se sentem ameaçadas, injuriadas, amedrontadas, afrontadas.

Há pessoas de nosso relacionamento que parecem ser extremamente calmas e ponderadas mas que, num momento de contrariedade se transformam e agem de forma intempestiva, hostil e violenta, como não suspeitaríamos que elas fossem capazes de agir. E muitas delas são cristãs, mas parecem viver um evangelho raivoso, irado. Estou falando teoricamente de terceiras pessoas, mas quero deixar bem claro que isso pode acontecer e acontece conosco, comigo, com você, com qualquer um.

Na Bíblia encontramos vários exemplos de personagens que em algum momento não dominaram seus temperamentos, suas reações e, por isso, passaram experiências desagradáveis. Vamos comentar sobre alguns deles, aliás, dos mais queridos e representativos para quem possui a fé cristã, e como eram antes de se deixarem transformar pela ação do Espírito de Deus.

Moisés, sempre impulsivo e descontrolado, agindo antes de pensar, tornou-se até mesmo réu de um crime por assassinato.

Pedro era intenso em suas emoções, sempre pronto a agir de forma agressiva, e demonstrava isso publicamente, quase como uma criança. Era desinibido e, muito provavelmente, falava demais. Traiu seu Senhor de forma vergonhosa.

João, o chamado discípulo amado, junto com seu irmão Tiago chamado de “filhos do trovão”. Tinha o impulso de destruir a todos que não se ajustassem aos propósitos do Salvador.

Paulo, antes de conhecer Jesus e receber o Espírito Santo demonstrou ser um homem cruel, zangado, hostil e amargurado, insensível, astucioso e prepotente.

Abraão, Jacó, Davi, Salomão, a lista é grande, gente da melhor qualidade espiritual, amigos de Deus, decisivos em seu tempo, mas que tinham dificuldades em lidar com seu temperamento, e por isso, embora tenham todos sido usados por Deus, podem ter certeza, fizeram menos do que poderiam ter feito.

Os temperamentos exercem um papel importante em todos os nossos relacionamentos. São eles que demonstram tanto nossa força interior quanto nossas fraquezas. Precisamos manter uma verdadeira batalha para não deixar o temperamento atrapalhar os nossos relacionamentos. Assim como Davi pedia ao Senhor, temos que também pedir que Deus nos sonde e veja se existe em nós algum caminho mau, pois Ele nos conhece e sabe quais são os nossos pensamentos.

Devemos também entender e reconhecer que os outros não são iguais a nós. É importante não julga-los. "Não espere que eles tenham reações iguais às suas. Não os condene por não agirem da mesma forma que você", diz um psicólogo. Podemos melhorar nosso temperamento, mas é preciso lutar para isso acontecer. E é preciso não ficar colocando a culpa no temperamento. "Você é responsável por suas palavras, atitudes e escolhas. Peça ao Senhor que o ajude a seguir na direção certa", lembra ainda o psicólogo.

Eu disse que uma outra forma pela qual esse gomo do Fruto do Espírito é chamado é Temperança. Isso nos dá uma ideia melhor de equilíbrio, moderação. O cristão que procura viver no Espírito precisa exercer moderação em muitas áreas da sua vida, para que possa viver melhor. Eu vou citar sem detalhar, algumas dessas áreas, todas elas boas áreas e bons segmentos de nossa vida, mas sobre as quais temos que exercer controle para viver bem. Nesse momento, estou falando para mim mesmo, pois preciso pessoalmente modificar muita coisa na minha vida. Vejam:

O apetite e alimentação, o desejo e a libido sexual, as horas de sono, as horas dedicadas ao trabalho, o tempo para os estudos e para nossos projetos pessoais, o lazer e divertimento, o uso do dinheiro e dos recursos que temos. Enfim, são muitos aspectos de nossa vida e do dia-a-dia, e você com certeza irá acrescentar diversos outros mais.

E quando se fala em ter temperança ou equilíbrio a ideia correta é: nem demais nem de menos. Ou seja, em nenhuma dessas atividades ou áreas de nossa vida devemos passar dos limites, seja para mais seja para menos. Por exemplo, não se pode comer, dormir ou trabalhar demais, mas nem de menos também.

Quero dizer que só há uma maneira de corrigir as áreas de nossa vida em que temos falhado e estamos ainda falhando, seja nessa questão do domínio próprio ou em qualquer outra que precise de reparos. Não será por esforço próprio unicamente, também não será por um passe de mágica ou fruto apenas do tempo. Estou falando a pessoas que tem fé em um Deus que se interessa por nós e por nossa vida. A única maneira de vencer nossas falhas e corrigir as nossas deficiências é depositar diariamente nossa vontade nas mãos desse Deus de amor no qual temos a ventura de crer.

Ainda quero colocar duas situações, uma muito ruim e outra maravilhosamente boa e inacreditável. A ruim é essa, confessada com a maior honestidade por Paulo, o mais ilustre dos apóstolos de Cristo Jesus, em Romanos 7:18-25:

“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. ... Desventurado [miserável] homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”

Eis uma situação de caos espiritual vislumbrada por Paulo, ao se referir a ele mesmo. E com certeza isso é verdadeiro para cada ser humano consciente de sua própria situação. E agora? Vamos nos desesperar? Estamos irremediavelmente perdidos?

Graças a Deus, não! O próprio apóstolo Paulo nos dá a certeza de solução para esse problema. Em I Corintios 6:9-10 ele descreve aquelas pessoas, com todo tipo de falhas e pecados, que não tem a menor condição de herdar o Reino de Deus. Mas no versículo 11 ele diz:

“E, no entanto, isso [tudo de ruim descrito por ele] é o que fostes alguns de vós. Mas vós fostes lavados, mas vós fostes santificados, mas vós fostes declarados justos no nome de nosso Senhor Jesus Cristo e com o espírito de nosso Deus.”

Isso é o que o Evangelho faz por nós. Ao fazer nascer e crescer em nós o Fruto do Espírito, sobre o qual discorremos aqui ao longo de 10 palestras, vamos nos tornando mais e mais semelhantes a Jesus. Um processo contínuo que dura a vida inteira, décadas de um viver, que pode ter quedas e altos e baixos, mas segue sempre na direção ascendente, rumo a perfeição em Cristo Jesus.

Espero que essas palestras tenham acrescentado algum tipo novo de compreensão a você sobre o que é o Fruto do Espírito. Vejam, se é fruto, é consequência, é resultado do Evangelho. Portanto, mesmo sendo maravilhoso, o Fruto do Espírito não tem nenhum papel na obtenção da nossa Salvação. Esta, ocorre tão somente pela graça. Mas é certo que todo aquele que aceita a salvação pela graça, através do braço da fé, muda de vida. Você vem para Deus como está, mas jamais fica como está.

Vamos repetir aqui, para sua fixação, os nove gomos do fruto do espírito, lendo o texto de Gálatas 5:22-23:

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade [paciência], benignidade [delicadeza], bondade, fé [fidelidade], mansidão [humildade], temperança [equilíbrio, domínio próprio, auto-controle]. Contra essas coisas não há lei.”

Isso significa que, se esse fruto maravilhoso nascer e se desenvolver em sua vida, a lei de Deus, ou seja, a lei do amor, já estará, há muito, escrita em seu coração. Ela não mais o condena, apenas o protege.
Autor: Mário Jorge Lima

1 comentários:

"Podemos perder a vida toda, com toda a bagagem de religião e doutrina que tivermos, simplesmente por não sabermos e não conseguirmos amar. O conhecimento não salva; o que salva é a graça de Cristo, manifesta em atitudes de amor e misericórdia."
"Isso significa que, se esse fruto maravilhoso nascer e se desenvolver em sua vida, a lei de Deus, ou seja, a lei do amor, já estará, há muito, escrita em seu coração. Ela não mais o condena, apenas o protege."
Autor: Mário Jorge Lima

Palavras sábias, de certo fruto de um relacionamento estreito com o nosso Deus. Os dois artigos, incluindo "Dizem que Nossa Igreja é a Única que Atira nos Seus Feridos" tocaram fundo no meu coração. Vou repetir a leitura pedindo ao Pai Eterno que o Santo Espírito me dê discernimento para entender na sua plenitude, como exercer a prática do Fruto do Espírito, principalmente no que tange ao Domínio Próprio, o que tenho muita dificuldade em praticar plenamente.
Rogo pela misericórdia do meu Deus o perdão pelas minhas fraquezas e o fortalecimento da minha fé´, pois "sem ela é impossível agradar-Lhe".

Em Cristo,

Lamartine Lyra Cruz
lamartine.l.cruz@gmail.com
30/08/2013

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