Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: domingo, 30 de dezembro de 2012

JESUS ou BARRABÁS: a Salvação é de graça?

Pilatos, o medíocre, limitado e pusilânime Pilatos, juntamente com o povo enlouquecido, jamais poderiam imaginar que na opção de escolha entre soltar Jesus ou Barrabás, estivessem dando ao mundo o maior exemplo, oferecendo a exame a melhor e mais perfeita ilustração do que significa ser perdoado, aceito e salvo pela maravilhosa, plena, soberana e justa graça de Deus.

Fala-se muito hoje em dia em “graça barata”, um termo que eu de fato não gosto e não uso porque não acredito em graça sem preço, isso não existe. Pode-se chamar isso de qualquer outra coisa, menos graça. Além disso, quem fala em “graça barata” normalmente está se referindo à experiência alheia com a graça, à experiência do outro, não à sua própria, pois esta é sempre plena, perfeita.

Citei isso porque queria efetiva e explicitamente dizer que não existe graça sem preço. Não existe liberdade sem preço. Não existe perdão sem preço. Não estou discutindo aqui quem paga esse preço, estou apenas dizendo que não existe perdão sem pagamento, aliás, não existe nada na vida sem preço ou pagamento.

Em maio deste ano de 2012 estava eu no aeroporto americano de Chicago aguardando um voo para Richmond, quando vi faixas que davam boas vindas a algumas tropas americanas que voltavam do Iraque. E em uma dessas faixas havia uma frase perfeita, um trocadilho na língua inglesa: “Freedom is not Free!”, que numa boa tradução significa “Liberdade não é de graça!”. Com efeito, nada é de graça. Você pode não pagar por uma festa, um jantar, uma viagem, um bem que agora é seu, um serviço prestado, mas tenha a mais absoluta certeza de que alguém pagou por você.

Assim é com a salvação. Se alguém disse a você algum dia que ela é de graça, e parou nessa assertiva, certamente não lhe contou a história toda. A salvação não é de graça. Ela sai de graça pra você porque Alguém pagou. De fato, você nada pode, deve ou tem que fazer a não ser aceita-la, até porque, seja você um Bill Gates ou um Ike Batista, seja você uma Madre Tereza ou um Martinho Lutero, jamais teria como pagar pela ínfima parte que fosse desse dom do céu.

Já disse um poeta e compositor que “pecado não se explica, pecado se paga”, e isso está correto. Mas indo mais além, podemos dizer também, sem medo de errar, que “pecado não se perdoa, pecado se paga”. Dívida não se perdoa, dívida se paga. Para que um devedor seja de fato perdoado, a dívida tem que ser paga. Perdoar uma dívida sem pagamento significa ir contra o que foi estabelecido e aceito pelas partes, e é dizer que a dívida não existia. No plano espiritual, perdoar um pecado sem pagar por ele, significa que o erro não era erro, que a transgressão não era transgressão, que o pecado não era pecado. Enfim, uma perfeita perfídia, como gosto de dizer, um sofisma.

E onde entram aqui Jesus versus Barrabás como exemplo da graça correta, plena e justa? Eu explico de forma bem simples: a graça é Jesus, a desgraça é Barrabás. Simplesmente soltar Barrabás, de modo inconsequente, evidenciou o entendimento muito comum hoje em dia entre os cristãos de que ele poderia ser solto sem pagar a pena que muito justamente merecia. Isso é o que todo preso condenado pela justiça gostaria de conseguir: livrar-se da prisão ou da pena sem ter que pagar pelo que fez de errado e criminoso.

No entanto, por um propósito divino, por uma clarividência celestial, o pragmático Pilatos, sem saber o que estava fazendo, soltou Barrabás, mas – posso dizer com segurança – felizmente reteve Cristo e o levou finalmente a morrer na cruz. Houvesse ele soltado os dois e não se evidenciaria nem teríamos a compreensão correta de toda essa questão salvífica. Barrabás teria saído incólume, livre, leve e solto, e a sociedade a quem ele ferira e cujas leis afrontara, ficaria no prejuízo.

Quando, porém, Pilatos conservou Jesus para morrer a pedido da plebe rude – que, aliás, também não sabia o que fazia, por isso mesmo Jesus perdoou a todos – estava confirmando diante de todo o universo criado, que pecado se paga, perdão se oferece e é aceito e então se vive a salvação, agora sim, gratuita e plena. Essa é a mecânica celeste.

Deus, o inefável criador e mantenedor do universo, Pai das luzes e da graça, só pode nos perdoar porque Ele pagou, adquiriu esse direito na cruz. Como Ele pagou, a salvação sai de graça pra você, mas, na verdade, o preço dela foi alto, muito alto. Considere isso com seriedade, porque a graça que recebemos, que foi cara, absurdamente cara, não pode ser um manto para acobertar uma vida acomodada que não quer mudar.

Vou deixar pra você refletir – discorde, se quiser - um pensamento que tem feito parte dos sermões que apresento dentro da série Maravilhosa Graça (de onde extraí as reflexões acima):

“Salvação é mais do que perdão, é mais do que justificação; salvação é também transformação e mudança de vida”.

Que nesse ano novo de 2013 deixemos todos essa metanoia, essa mudança de mente, acontecer em nossa vida. Sabendo que isso de modo algum nos compra ou garante a salvação – essa nós já recebemos – e de modo algum nos faz melhores do que aqueles que não pensam ou creem como nós.

A salvação saiu de graça pra você porque Alguém pagou caro por ela. E a consequente mudança de vida, transformação, obediência aos reclamos de Deus que acontecem naturalmente ao longo de sua vida, não são o centro do evangelho, mas apenas seus frutos.
Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Porque Moisés Não Entrou na Terra Prometida?

Quarenta anos antes, logo após a saída do povo de Israel do Egito, em Horebe, faltou água (Êxodo 17). O povo contendeu com Moisés e com Deus, Moisés feriu a rocha e dela brotou água límpida e salutar. Agora, às portas de Canaã, em Cades, novamente o Senhor testou a confiança daquela nova geração – seus pais tinham perecido no deserto – e eles falharam fragorosamente ao contenderem com Deus e Moisés, da mesma forma que seus pais.

Moisés, com 120 anos, sendo que 40 deles suportando a ingratidão e estupidez daquele povo rebelde, feriu a rocha, ao invés de apenas falar-lhe, como mandara o Senhor. Ainda assim, a água brotou, transbordante e salvadora, mas, Moisés sofreu a perda do direito de entrar com o povo na Canaã prometida.

Cristo, simbolizado pela rocha, morreu apenas uma vez pelos pecados do mundo, e Moisés não deveria tê-lo ferido segunda vez, contrariando o plano e a orientação de Deus. Sua graça já estava estendida e disponível, bastando apenas aceita-la, toma-la, apossar-se dela pela fé.

Muitos sermões já foram feitos e matérias escritas sobre esse episódio, todos enfatizando o entendimento acima, muito pertinente e adequado. Mas há uma outra reflexão também, simples e tocante, que se pode fazer de tudo aquilo.

Moisés, o grande libertador, tipificando o papel de Cristo Jesus, deixou de entrar na terra, mas milhares de outras pessoas entraram. Destaque-se que aquela geração era tão má e impenitente quanto seus pais, não eram em nada melhores que eles. A grande diferença é que seus pais não fizeram uso da graça estendida desde a saída das pocilgas do Egito, mas nesses agora, Deus identificou de alguma forma, que fizeram uso da graça ao beber a água, tanto que a Bíblia diz, desse segundo episódio: “...e o Senhor Se santificou neles”. Num. 20:13.

Como veio a dizer Caifás tempos depois de forma inspirada, a respeito de Jesus, “convém que morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação.” (João 11:50), não entrando na Canaã terrestre, livrando-se da morte como queria, Moisés mais uma vez simbolizava a Cristo Jesus, cumprindo ali o mesmo papel substituto de morrer para que outros vivessem e obtivessem graça plena.

Interessante notar que, da mesma forma que seu antítipo, Cristo, morreu fora das portas de Jerusalém, Moisés morreu fora dos limites da terra prometida. De igual modo, também foi chamado da morte por Deus (Judas 1:9) para que adentrasse os portais eternos e visse assim o que o seu papel simbólico de libertador e substituto ensinou de forma clara para o entendimento da graça soberana de Deus pelo homem pecador.

Maravilhosa graça!
Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Dia das Crianças

Esse mês, passamos pela Semana da Criança, como é conhecida a semana em que, no dia 12 de Outubro, comemora-se o Dia das Crianças. Como se elas, a rigor, precisassem de um dia. Das crianças são todos os dias, pois ninguém, melhor que elas, sabe viver o presente de forma tão intensa, simples, plena e feliz. Elas preenchem, se apossam, dominam todos os dias, todas as horas, minutos e segundos que têm no viver.

E nesse dia, ou melhor dizendo, nessa semana, ocorre um fenômeno interessante e significativo. Nós adultos, que há muito deixamos a idade da inocência passando à idade da razão, nos pilhamos procurando nostálgica e avidamente em nossos baús, álbuns, gavetas e armários, aquelas fotos, vídeos, recortes, ou seja, as provas documentais de uma época em que achamos que também fomos felizes, leves e soltos. Como as crianças.

Naquela época, segundo sentimos hoje, éramos despreocupados e absolutamente normais. Mas depois, fomos crescendo, e a vida estendeu sobre nós camadas espessas de dissimulação, vaidades, frustrações e arrogância, e em muitos casos até de coisas boas como realizações pessoais, cultura, saber e recursos que não tínhamos então. Mas, tristemente isso encobriu, enterrou - em muitos casos sem chance de redescoberta - a criança simples e de coração aberto que nascemos para ser.

Criança, ao contrário de nós adultos pretensiosos e tristes, via de regra, não carrega culpa. Se isso ocorre, ou ela está adoecida emocionalmente ou alguém está lhe fazendo muito mal. E porque, em condições normais não carrega culpa, ela é livre. E porque é livre, é feliz. E eis aí talvez uma receita simples para a felicidade e o bem-estar.

Tenho visto crianças portadoras de doenças terminais, crianças sem lar, sem escola, crianças sem nada pela frente que se pareça com um horizonte ou futuro decente e feliz, e em nenhuma delas jamais percebi falta de vontade de viver, falta de sonhos ou de esperança. Se perguntadas, todas dizem: “quando eu crescer...” mesmo sem ter a menor noção do que isso signifique ou possa implicar. Elas não vivem um dia de cada vez, elas vivem todas as horas, minutos e segundos, um de cada vez, intensamente, extraindo de todos eles a beleza do momento único.

Para aqueles que consideram as coisas espirituais, são referências as diversas citações no Evangelho, das palavras ditas por Jesus Cristo a respeito das crianças, a ponto de dá-las como modelo para quem almeja um dia estar da eternidade do Reino de Deus, seja o que for que isso signifique para a fé ou a forma de ver a vida de cada um que me lê. Nunca deu como exemplo qualquer dos figurões bíblicos, qualquer dos grandes personagens com estofo moral e virtuoso, mas uma criança. E isso numa época em que era mínima a consideração que se tinha por crianças.

Infelizmente, ainda e mesmo no mundo contemporâneo em que vivemos, da pós-modernidade e da ciência, temos um cenário hediondo, de um mundo que mata suas crianças. Não há uma semana sequer em que não vejamos na mídia, notícias de crianças - de bebês a adolescentes - sendo torturadas, violentadas, agredidas e mortas, e em grande parte das vezes, por aqueles que deveriam ser seus protetores e deveriam ama-las mais que tudo: seus pais e responsáveis. Isso sem falar nas condições de vida sem alimentação, sem escola, sem teto, sem aconchego, jogadas ao encontro das drogas, criminalidade e prostituição.

Uma antiga campanha publicitária, nos anos 70, dizia “Uma criança salvou o mundo, você pode salvar uma criança”. O que desejo, a mim, adulto idoso, já trilhando o caminho de volta pra casa, já voltando a ser criança, e a todos vocês, é que efetivamente façamos algo pela infância desamparada e excluída dos nossos dias. Que se, por qualquer razão que não cabe discutir aqui, não fizermos pelos de fora, que façamos pelo menos por nossas próprias crianças, nossos filhos e netos, e por aquelas que estão dentro do nosso raio de ação.

E o melhor que podemos fazer por elas, tão importante quanto prover-lhes o sustento, educação e lazer, é um tripé de ações muito lógicas, e que ainda dignificam a raça humana: dar-lhes amor incondicional, respeitá-las em seus direitos, e ser coerentes em nosso exemplo, em nossas palavras e atitudes.

E também, quem sabe, experimentar voltar a ser como elas. De que forma? Vencendo as nossas culpas pelo poder do perdão, aceitando as pessoas como elas são, acreditando nelas, não guardando ressentimentos, vivendo um dia de cada vez, sempre de coração aberto, sempre pronto a aprender. Quem sabe, sem mérito próprio nenhum, ainda assim, aumentaremos as nossas chances de um dia estar no Reino dos Céus - repito aqui - seja o que for que isso represente pra você. No mínimo, viveremos melhor.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 22 de junho de 2012

Portal Viva Senior

Há alguns meses fui convidado para escrever uma coluna periódica num novo Portal de serviços, chamado Viva Senior, voltado para o público, como costumamos dizer, da melhor idade.

O desafio seria ter que fazer reflexões curtas sobre coisas, fatos, vivências, etc., mas sem resvalar para a questão religiosa, uma vez que esse não é um Portal religioso, e sim de serviços para todo tipo de público, o qual deve ser respeitado tanto em sua diversidade de crenças como também na eventual não-crença.

Escrever totalmente sem cunho espiritual é difícil pra mim, senão impossível. Mas, espero estar conseguindo alguma coisa. Se quiser ver todos os artigos que já escreví, veja aqui:

www.vivasenior.com.br/viva-reflexao

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sábado, 31 de março de 2012

O Evangelho Segundo Isaías

Já faz algumas semanas que não atualizo as postagens desse Blog, o que pode passar a idéia errada de que o mesmo está abandonado. Mas, não está. Como é sabido, todas essas postagens aqui são frutos das palestras que apresento às sextas-feiras na Web, no programa Ponto de Encontro da Rádio Moema ao vivo, onde mantenho um quadro chamado Instantâneos do Reino, advindo daí o nome do Blog.

Acontece que, ultimamente, por força de outros projetos de evangelismo e viagens, não tenho comparecido ao programa. Muito provavelmente, este ano, minha participação no programa será mais rarefeita, talvez no máximo uma vez por mês. Mas, sempre que comparecer ao mesmo, como agora, a postagem será atualizada aqui no Blog.

As minhas falas, e consequentemente as postagens, a partir de agora também serão mais curtas, compactas, dando oportunidade a uma reflexão mais fácil de digerir e de reter na memória.

Estamos nos aproximando novamente da Semana dita Santa, ou seja, daquele período do ano em que normalmente, por tradição, comemos muito chocolate, principalmente na forma de ovos, nas refeições os pratos são mais à base de frutos do mar, peixes, bacalhau, carnes de ave, evitando-se, por tradição a ingestão das chamadas carnes vermelhas.

São todas tradições do cristianismo primitivo que, por sua vez vêm dos festivais pagãos da Primavera europeia. Os ovos, por exemplo, são símbolos da fertilidade e do renascimento, dessa forma, imagens associadas à ressurreição.

Para aqueles que querem viver um cristianismo mais consciente e prazeroso, essa época evoca principalmente o amor de Deus pelo homem pecador, a ponto de, segundo cremos pelo relato bíblico, subverter a Sua própria natureza, de Divina em humana, tornando-Se igual a nós. Arriscou-Se a sofrer todas as dores da humanidade, sendo feito pecado por nós, pagando diante do universo uma dívida que não tínhamos como pagar, morrendo uma morte que não tínhamos como morrer, e nos oferecendo isso como um presente de salvação.

Sendo assim, a Semana Santa, que basicamente se centraliza em seus dias principais, chamados Sexta-feira da Paixão, Sábado de Aleluia e Domingo de Páscoa, é acima de tudo um símbolo de Graça, Graça imensa e plena, Graça restauradora, que é capaz de declarar justo um homem pecador, que sabidamente não é justo.

Como gosto de fazer nessa época do ano, leio o livro do profeta Isaías. Ele foi o mais messiânico de todos os profetas do Velho Testamento. Viveu aproximadamente 750 anos antes de Cristo Jesus, era de família de classe alta, e tinha certa proeminência espiritual em seu tempo, no reino de Judá, o reino menor, das duas tribos. Segundo a tradição ele foi martirizado, tendo sido serrado ao meio no reinado do ímpio Manassés.

O livro de Isaias, que às vezes constitui uma leitura difícil e densa, é o mais evangélico de todos os escritos antigos. Aliás, ele é até mesmo uma representação simbólica de toda a Bíblia. Tem 66 capítulos, assim como a Bíblia tem 66 livros. Podemos dividi-lo em duas partes, onde a primeira tem exatamente 39 capítulos assim como o Velho Testamento tem 39 livros. Nesses 39 capítulos iniciais ele fala de julgamento, são textos bem sombrios.
Mas nos últimos 27 capítulos, ou seja, do 40 ao 66, ele fala de eventos novos e desconhecidos no Velho Testamento ate então, apresenta o programa divino para a paz e a restauração plena do reino de Israel, da mesma forma que o Novo Testamento. E mostra que isso tudo depende do sofrimento de uma pessoa especial: o servo sofredor, Jesus Cristo, homem de dores, nosso substituto, o Cordeiro de Deus.

Assim, o capitulo 53 de Isaias pode muito apropriadamente ser chamado de "o coração evangélico do Velho Testamento", talvez até o ponto culminante de toda a Escritura Sagrada antiga. Ele apresenta o mais completo retrato de Cristo Jesus e de seu trabalho redentor, vicário. Já foi dito que só Deus sabe quantos judeus já se enterneceram e vão ainda se converter no momento certo, pela leitura desse capítulo de Isaias. A escritora sacra Ellen White diz que esse capítulo 53 de Isaias deveria ser memorizado por todo cristão salvo pela graça.

Sendo assim, eu queria pausadamente transcrever pra vocês todo o capítulo 53 desse Evangelho segundo Isaías, são apenas 12 versículos. Meditar nessa obra poética e profundamente cristo-cêntrica, tem tudo a ver com esse período da Semana Santa e da Páscoa cristã.

Evangelho Segundo Isaías, 53:1-12.

“Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do SENHOR?

Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha parecer
nem formosura; e, olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos.

Era desprezado e o mais indigno entre os homens, homem de dores, experimentado nos trabalhos e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido.

Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados.

Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.

Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.

Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes e pela transgressão do meu povo foi ele atingido.

E puseram a sua sepultura com os ímpios e com o rico, na sua morte; porquanto nunca fez injustiça, nem houve engano na sua boca.

Todavia, ao SENHOR agradou o moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os dias, e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão.

O trabalho da sua alma ele verá e ficará satisfeito; com o seu conhecimento, o meu servo, o justo, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si.

Pelo que lhe darei a parte de muitos, e, com os poderosos, repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.”

Que esse belíssimo texto das Escrituras Sagradas inspire você. Ele fala de intercessão, de justificação, de substituição. Desejo a você uma Feliz Páscoa, cheia da graça de Deus, um Deus perdoador, justo e compassivo.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

10(10) - O Fruto do Espírito: Domínio Próprio

Finalmente chegamos ao último gomo do Fruto do Espírito de Deus: o Domínio Próprio. Em algumas traduções da Bíblia encontramos o substantivo Temperança. E podemos também chamá-lo de Autocontrole ou até mesmo Equilíbrio.

Todos esses termos acima se referem à capacidade de manter uma postura sóbria, preparada para qualquer tipo de situação, afastando-nos de extremos e situações e atitudes radicais, as quais são altamente prejudiciais. É o ato de controlar nossos próprios desejos e impulsos, nossas tendências desajustadas, nossos gostos pessoais, nosso apetite desregrado, nosso comportamento geral inadequado.

Devemos buscar o ideal de ter sob controle todas as áreas de nossa vida, ou, melhor dizendo, entregar todas as áreas de nossa vida ao controle maior do Espírito de Deus. Por nós mesmos não temos a menor possibilidade de dominar temperamentos, vontades e paixões. Domínio próprio, para o cristão, são a humilde entrega e a submissão a Deus para fazer a Sua vontade.

Algumas religiões e seitas pregam a técnica da meditação, outras a concentração, outras os exercícios de repetição, algumas o jejum e outras o isolamento, para seus adeptos conquistarem o autocontrole. É claro que esses esforços são infrutíferos. Para conseguir essas conquistas no âmbito do corpo ou da mente, na realidade, é necessária uma submissão completa ao Espírito de Deus.

Hoje muitas pessoas agem por impulso, por compulsão, e às vezes, num momento de descontrole, arruínam suas vidas e as vidas de terceiros com atos e palavras impensados. Políticos, artistas, esportistas, empresários, homens públicos, bem como o cidadão comum, todos temos facilidade para perder o controle e agir de forma precipitada e daninha. Essa falta de controle tem destruído relacionamentos conjugais, amizades, empresas, sociedades e até mesmo igrejas e comunidades religiosas.

E qual a maneira de adquirir domínio próprio, agir com temperança e equilíbrio, exercendo o tão desejado autocontrole? Só há um meio: deixar a vida nas mãos de Deus. E deixar a vida nas mãos de Deus significa, na prática, passar pela experiência da conversão, fazer da Bíblia nosso livro de cabeceira e buscar sempre a Deus em oração. Não há nenhum outro caminho conhecido.

Nosso temperamento é um dos maiores obstáculos à obtenção do domínio próprio. Pessoas com comportamento sanguíneo ou colérico, os famosos “pavios-curtos”, tendem a reagir de maneira precipitada, irada e violenta quando se sentem ameaçadas, injuriadas, amedrontadas, afrontadas.

Há pessoas de nosso relacionamento que parecem ser extremamente calmas e ponderadas mas que, num momento de contrariedade se transformam e agem de forma intempestiva, hostil e violenta, como não suspeitaríamos que elas fossem capazes de agir. E muitas delas são cristãs, mas parecem viver um evangelho raivoso, irado. Estou falando teoricamente de terceiras pessoas, mas quero deixar bem claro que isso pode acontecer e acontece conosco, comigo, com você, com qualquer um.

Na Bíblia encontramos vários exemplos de personagens que em algum momento não dominaram seus temperamentos, suas reações e, por isso, passaram experiências desagradáveis. Vamos comentar sobre alguns deles, aliás, dos mais queridos e representativos para quem possui a fé cristã, e como eram antes de se deixarem transformar pela ação do Espírito de Deus.

Moisés, sempre impulsivo e descontrolado, agindo antes de pensar, tornou-se até mesmo réu de um crime por assassinato.

Pedro era intenso em suas emoções, sempre pronto a agir de forma agressiva, e demonstrava isso publicamente, quase como uma criança. Era desinibido e, muito provavelmente, falava demais. Traiu seu Senhor de forma vergonhosa.

João, o chamado discípulo amado, junto com seu irmão Tiago chamado de “filhos do trovão”. Tinha o impulso de destruir a todos que não se ajustassem aos propósitos do Salvador.

Paulo, antes de conhecer Jesus e receber o Espírito Santo demonstrou ser um homem cruel, zangado, hostil e amargurado, insensível, astucioso e prepotente.

Abraão, Jacó, Davi, Salomão, a lista é grande, gente da melhor qualidade espiritual, amigos de Deus, decisivos em seu tempo, mas que tinham dificuldades em lidar com seu temperamento, e por isso, embora tenham todos sido usados por Deus, podem ter certeza, fizeram menos do que poderiam ter feito.

Os temperamentos exercem um papel importante em todos os nossos relacionamentos. São eles que demonstram tanto nossa força interior quanto nossas fraquezas. Precisamos manter uma verdadeira batalha para não deixar o temperamento atrapalhar os nossos relacionamentos. Assim como Davi pedia ao Senhor, temos que também pedir que Deus nos sonde e veja se existe em nós algum caminho mau, pois Ele nos conhece e sabe quais são os nossos pensamentos.

Devemos também entender e reconhecer que os outros não são iguais a nós. É importante não julga-los. "Não espere que eles tenham reações iguais às suas. Não os condene por não agirem da mesma forma que você", diz um psicólogo. Podemos melhorar nosso temperamento, mas é preciso lutar para isso acontecer. E é preciso não ficar colocando a culpa no temperamento. "Você é responsável por suas palavras, atitudes e escolhas. Peça ao Senhor que o ajude a seguir na direção certa", lembra ainda o psicólogo.

Eu disse que uma outra forma pela qual esse gomo do Fruto do Espírito é chamado é Temperança. Isso nos dá uma ideia melhor de equilíbrio, moderação. O cristão que procura viver no Espírito precisa exercer moderação em muitas áreas da sua vida, para que possa viver melhor. Eu vou citar sem detalhar, algumas dessas áreas, todas elas boas áreas e bons segmentos de nossa vida, mas sobre as quais temos que exercer controle para viver bem. Nesse momento, estou falando para mim mesmo, pois preciso pessoalmente modificar muita coisa na minha vida. Vejam:

O apetite e alimentação, o desejo e a libido sexual, as horas de sono, as horas dedicadas ao trabalho, o tempo para os estudos e para nossos projetos pessoais, o lazer e divertimento, o uso do dinheiro e dos recursos que temos. Enfim, são muitos aspectos de nossa vida e do dia-a-dia, e você com certeza irá acrescentar diversos outros mais.

E quando se fala em ter temperança ou equilíbrio a ideia correta é: nem demais nem de menos. Ou seja, em nenhuma dessas atividades ou áreas de nossa vida devemos passar dos limites, seja para mais seja para menos. Por exemplo, não se pode comer, dormir ou trabalhar demais, mas nem de menos também.

Quero dizer que só há uma maneira de corrigir as áreas de nossa vida em que temos falhado e estamos ainda falhando, seja nessa questão do domínio próprio ou em qualquer outra que precise de reparos. Não será por esforço próprio unicamente, também não será por um passe de mágica ou fruto apenas do tempo. Estou falando a pessoas que tem fé em um Deus que se interessa por nós e por nossa vida. A única maneira de vencer nossas falhas e corrigir as nossas deficiências é depositar diariamente nossa vontade nas mãos desse Deus de amor no qual temos a ventura de crer.

Ainda quero colocar duas situações, uma muito ruim e outra maravilhosamente boa e inacreditável. A ruim é essa, confessada com a maior honestidade por Paulo, o mais ilustre dos apóstolos de Cristo Jesus, em Romanos 7:18-25:

“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. ... Desventurado [miserável] homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”

Eis uma situação de caos espiritual vislumbrada por Paulo, ao se referir a ele mesmo. E com certeza isso é verdadeiro para cada ser humano consciente de sua própria situação. E agora? Vamos nos desesperar? Estamos irremediavelmente perdidos?

Graças a Deus, não! O próprio apóstolo Paulo nos dá a certeza de solução para esse problema. Em I Corintios 6:9-10 ele descreve aquelas pessoas, com todo tipo de falhas e pecados, que não tem a menor condição de herdar o Reino de Deus. Mas no versículo 11 ele diz:

“E, no entanto, isso [tudo de ruim descrito por ele] é o que fostes alguns de vós. Mas vós fostes lavados, mas vós fostes santificados, mas vós fostes declarados justos no nome de nosso Senhor Jesus Cristo e com o espírito de nosso Deus.”

Isso é o que o Evangelho faz por nós. Ao fazer nascer e crescer em nós o Fruto do Espírito, sobre o qual discorremos aqui ao longo de 10 palestras, vamos nos tornando mais e mais semelhantes a Jesus. Um processo contínuo que dura a vida inteira, décadas de um viver, que pode ter quedas e altos e baixos, mas segue sempre na direção ascendente, rumo a perfeição em Cristo Jesus.

Espero que essas palestras tenham acrescentado algum tipo novo de compreensão a você sobre o que é o Fruto do Espírito. Vejam, se é fruto, é consequência, é resultado do Evangelho. Portanto, mesmo sendo maravilhoso, o Fruto do Espírito não tem nenhum papel na obtenção da nossa Salvação. Esta, ocorre tão somente pela graça. Mas é certo que todo aquele que aceita a salvação pela graça, através do braço da fé, muda de vida. Você vem para Deus como está, mas jamais fica como está.

Vamos repetir aqui, para sua fixação, os nove gomos do fruto do espírito, lendo o texto de Gálatas 5:22-23:

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade [paciência], benignidade [delicadeza], bondade, fé [fidelidade], mansidão [humildade], temperança [equilíbrio, domínio próprio, auto-controle]. Contra essas coisas não há lei.”

Isso significa que, se esse fruto maravilhoso nascer e se desenvolver em sua vida, a lei de Deus, ou seja, a lei do amor, já estará, há muito, escrita em seu coração. Ela não mais o condena, apenas o protege.
Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

9(10) - O Fruto do Espírito: Humildade

O penúltimo gomo do fruto do Espírito de Deus é a mansidão. Em algumas versões ele é traduzido como humildade. Na realidade são dois termos estreitamente interligados, e aqui na nossa conversa vou usar, preferencialmente, a palavra humildade. São duas das inúmeras qualidades do próprio Cristo Jesus. Numa das expressões de chamamento mais doces de todo o Evangelho, o Salvador proclama:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” Mat. 11:28-30.

Manso e humilde. Mansidão e humildade. Fruto do Espírito. Ser humilde nesse contexto significa deixar que o Espírito de Deus dirija nossa vida e nossas atitudes, o que nos fará também bondosos, pacientes, benignos. Assim, o mundo verá que quem controla nossa vida não somos nós e sim Cristo Jesus.

A humildade é difícil de ser percebida em alguém. Isso porque quando falamos em humildade logo pensamos em coisas do tipo: rebaixamento, menosprezo, diminuição. Mas, Jesus, o Senhor, era humilde, e como imitadores dEle devemos nos tornar pessoas humildes também, mesmo que isso possa incomodar outras pessoas. O humilde, ao final, receberá a justa consideração. A Bíblia diz: "Quem teme o SENHOR está aprendendo a ser sábio; quem é humilde é respeitado." Prov. 15.33.

As necessidades e os interesses dos outros devem ser tão importantes como os nossos. Em Filipenses 2 está dito que devemos ser humildes, “considerando os outros superiores a nós mesmos”. Nós não somos nada diante de Deus, e se tivermos esta noção, nos tornaremos naturalmente humildes aqui, pois saberemos que é só Deus Quem faz as coisas através de nós e é só dEle todo louvor.

Humildade é, portanto, reconhecer de um lado a grandeza, majestade e soberania de Deus, e de outro a nossa própria pequenez e inteira dependência dEle. Salomão, em toda a sua magnificência, soube perceber isso, e disse:

“Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos… Não sejas sábio aos teus próprios olhos…” Prov. 3:7. Mais adiante, ele acrescentou: “O Senhor… dá graça aos humildes.” Prov. 3:34.

Vejam que texto interessante do apóstolo Paulo:

"... eu digo a todos vocês que não se achem melhores do que realmente são. Pelo contrário, pensem com humildade a respeito de vocês mesmos, e cada um julgue a si mesmo conforme a fé que Deus lhe deu." Romanos 12.3 - BLH

E tem um aspecto sutil em relação à humildade. Corremos às vezes o risco de nos orgulharmos de nossa humildade. Parece um contrassenso, certo? Quem se gaba da sua humildade mostra claramente que não a tem. A bem da verdade, não podemos nos gabar de nada de bom que façamos ou sejamos, e é isso que aprendemos com a humildade.

A humildade é uma virtude inteligente, lúcida, coerente, é a virtude da pessoa que sabe que não é o máximo, mesmo que tenha de fato talentos e aptidões naturais bem desenvolvidas. Assim, a humildade é uma virtude também dos sábios. E como tal é uma virtude que está vinculada ao amor à verdade, ou seja, ser humilde é amar a verdade mais que a nós mesmos. Por isso, Jesus disse que os humildes são pessoas felizes, bem-aventuradas, pois têm plena consciência de quem são e, por isso, receberão as promessas de Deus. Mateus 5.5.

A verdadeira humildade não é fruto de educação ou de condicionamento cultural, não é uma atitude planejada, não pode ter segundas intenções e objetivos. Não pode surgir por conveniência de alguém ou de alguma situação. Ela é o resultado simples, despojado, permanente, da operação maravilhosa do Espírito de Deus no coração humano.

Mas, é preciso compreender, por outro lado, que ser humildes não significa depreciar a nós mesmos de modo servil e sem qualquer autoestima. Não é isso que Deus pede de nós. Ser humildes não é ignorar as coisas boas que Deus nos concede que sejamos e façamos, mas sim considerar aquilo que nós não somos e ter sempre isso em mente. Ser humildes é reconhecer, diante de Deus, que não temos méritos próprios, mas que temos, sim, valor quando nos apropriamos dos méritos de Cristo, os quais Ele coloca à nossa disposição.

Há diversos exemplos de humildade na Bíblia, e alguns dos mais notáveis são Moisés, João Batista, e os pais de Jesus, José e Maria. Mas, vamos falar do maior exemplo de humildade que o mundo já teve e que jamais terá outro igual. O Rei de todo o universo deixando no Céu a Sua glória e majestade inefáveis, indescritíveis, vindo aqui pra servir e pra dar a Sua vida em resgate de muitos. Jesus, pois, é o nosso grande exemplo na questão da humildade.

Vocês lembram aquela cena da última ceia dEle com Seus discípulos, tão pintada e cantada em prosa e verso? Há um quadro famoso que todos conhecem, reproduzido no mundo inteiro, de Leonardo da Vinci que retrata essa cena. Essa obra de arte se encontra hoje num Convento em Milão na Itália.

Essa cena originou liturgias, eucaristias e sacramentos em todas as igrejas cristãs do mundo, e foi a última refeição que o Mestre tomou com os discípulos, na véspera de Sua prisão e morte. Na seqüência veio o lava-pés, que costumamos chamar de cerimônia da humildade. E lembrem-se de que ali se incluía Judas Iscariotes, o traidor, já pago por sua traição e com a sacolinha das 30 moedas pesando no bolso de sua túnica. Jesus sabia disso, mas não lhe negou a comunhão da ceia, não lhe negou o privilégio do lava-pés, e isso deveria nos levar a profundas reflexões.

Após a ceia eles se prepararam então para esse momento do lava-pés, ocasião muito comum e de grande cortesia oferecida pelas pessoas que recebiam alguém em suas casas. Normalmente quem lavava os pés dos viajantes e hóspedes era um serviçal da residência, um empregado doméstico. Mas, naquele dia não havia nenhum, o local e tudo que estavam usando tinha sido cedido por empréstimo. Imagino o constrangimento, ninguém sabia quem faria esse papel. Deve ter havido alguns momentos de hesitação e silêncio, olhando uns para os outros, quando então aconteceu isso:

“... levantou-se [Jesus] da ceia, tirou as vestes e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois, pôs água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido.” João 13:4-5.

Houve aquele incidente com Pedro, que inicialmente não quis que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois acabou por consentir que o Mestre assim o fizesse. E, então, prossegue o texto bíblico:
“Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Compreendeis o que eu vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Se sabeis essas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.” João 13:12-15,17.

Eu quero enfatizar hoje, especificamente, a pergunta feita por Jesus: “Compreendeis o que eu vos fiz?” Em outras palavras, “Vocês entenderam o que aconteceu aqui hoje?”, ou “Vocês tem alguma idéia do significado disso que eu fiz a vocês aqui nessa sala?”

Quem dera jamais tirássemos de nossas mentes essa cena inspiradora, solene e profundamente significativa. Se eu tivesse que resumir aquela cena numa única palavra, essa palavra seria: GRAÇA! Uma cena transbordando da mais plena e salvadora Graça de Cristo Jesus.

Vamos terminar essa conversa de hoje com uma profecia messiânica de Isaías, que já dizia algo lindo a respeito de Jesus, e do qual vamos ler aqui uma parte, pois além de profunda e tocante, é uma dos mais belos e poéticos textos das Escrituras. Concentre-se agora, pois você vai ler uma das mais belas profecias a respeito de Cristo Jesus. Está em Isaías 53, do qual extrai estas porções:

“Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos. Era desprezado e o mais indigno entre os homens, homem de dores, experimentado nos trabalhos e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados.

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca.

... Porquanto foi cortado da terra dos viventes e pela transgressão do meu povo foi ele atingido. E puseram a sua sepultura com os ímpios e com o rico, na sua morte; porquanto nunca fez injustiça, nem houve engano na sua boca. Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; ... o justo, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si. ... porquanto derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.”

Que bela, incrível e exata predição! Deus nos abençoe a todos e nos faça humildes, não como jogo de cena, não como atitude premeditada e estudada, mas como fruto real do Espírito de Deus agindo em nós, fazendo crescer mais e mais esse gomo maravilhoso que, embora não nos faça melhores que nossos semelhantes e nem tenha papel e poder de salvação, com certeza nos tornará mais semelhantes a Jesus.
Autor: Mário Jorge Lima