Postado em: sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

7(10) - O Fruto do Espírito: Bondade

Vamos agora para o sexto gomo do nosso fruto do Espírito de Deus, a bondade. Da vez passada falamos de um fruto parecido que é a benignidade, e isso já nos levou a fazer comentários que também são pertinentes à bondade. Aliás, eu quase discuti os dois gomos naquela mesma reflexão, pois, de fato eles são bem semelhantes. Mas, destacamos na benignidade qualidades mais próximas de gentileza, cortesia, amabilidade, carinho.

Uma maneira de também entender as diferenças entre benignidade e bondade seria considerarmos o contrário deles. O contrário da benignidade é a malignidade. O contrário da bondade é a maldade. Parece-nos que benignidade e malignidade têm mais a ver com o nosso caráter, com o nosso interior, com a emoção que nos move. Já a bondade e a maldade têm mais a ver com as nossas ações, com aquilo que nós praticamos.

Assim, benignidade é a nossa disposição interior para sermos bons, é a nossa vontade e atitude para sermos bondosos para com o nosso próximo, não julgando as pessoas e sempre procurando pensar o bem a respeito delas, enxergando o que cada uma tem de positivo. Enquanto a bondade é a ação gentil praticada, é a benignidade colocada em execução. A bondade, pois, é a benignidade posta em prática.

Dessa forma, podemos entender que toda pessoa benigna é por consequência e necessariamente também bondosa. Mas, eu acredito que uma pessoa possa ser bondosa sem, no entanto, manifestar as qualidades de tratamento e empatia da benignidade.

A bondade sobre a qual estou discorrendo hoje é aquela que é resultado natural do Espírito de Deus agindo em nós. Isso significa que podemos praticar atos de bondade, mas, pelos interesses mais diversos e até por interesses pouco nobres, escusos mesmo. E essa é uma grande diferença da benignidade. Uma atitude boa não significa sempre um sentimento benigno. Eu posso fazer uma boa ação apenas para satisfazer um interesse pessoal.

Então, já que a bondade praticada pode ter outras motivações, para sermos considerados benignos de fato, necessariamente temos que estar motivados pela vontade de ajudar o próximo. Embora, para a pessoa que recebe o ato, como eu já disse, isso às vezes não faça a menor diferença.

Jesus em Sua vida aqui na terra praticava todo o tempo atos de bondade, vivi a fazendo o bem. A bondade se revelava em boas obras, atos práticos de ajuda ao próximo. E Ele era benigno.

Aliás, em relação à essa postura de quem é benigno, de sempre pensar o bem a respeito das pessoas, que eu citei há pouco, e ver o que os outros têm de positivo, há uma pequena historieta, certamente inventada à guisa de ilustração, sobre a benignidade de Cristo Jesus. Eu deveria ter comentado isso no gomo da vez passada, mas só lembrei agora. Dizem que os discípulos caminhavam com Ele, e conversavam entre si sobre essa disposição de Jesus de ver sempre o melhor nas pessoas e nas coisas e situações. A não ser quando Ele estava em confronto direto com o mal ou com seus representantes, quando então era extremamente firme e incisivo. E queriam, então, testá-lo quanto a isso.

Viram eles uma carcaça de cachorro morto, uma visão desagradável, e então se entreolharam e disseram a Jesus: “Mestre, veja que coisa horrível, desprezível, nojenta, esses restos mortais de um cachorro morto.” Jesus então olhando compassivamente para aquele animal, disse: “É verdade, é uma visão até repugnante, mas, vejam, esse cãozinho possuía uma bela arcada dentária, seus dentes eram perfeitos.”

Deus é bom. Vejam algumas passagens bíblicas, nos Salmos, falando sobre a bondade do nosso Deus:

“Provai e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia.” Salmos 34.8.

“Porque o SENHOR é bom, a sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a sua fidelidade.” Salmos 100:5.

"Rendam graças ao Senhor por sua bondade, e por suas mara¬vilhas para com os filhos dos homens." Salmos 107.21.

“O SENHOR é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras.” Salmos 145:9.

Davi era, por certo, fascinado por Deus e por Sua bondade. Deus é essencialmente bondoso. Quando Moisés pediu a Deus para ver a Sua glória, Deus lhe respondeu: "Farei passar toda a minha bondade diante de ti." Êxodo 33.19. E esse Deus bondoso quer gerar filhos também bondosos! Que extraordinário seria se as pessoas pudessem nos olhar, e, pensando espiritualmente, dizer: "tal Pai, tal filho". As qualidades vistas no caráter do Pai são as qualidades nas quais nós filhos devemos crescer.

A bondade, assim, é ou pelo menos deveria ser, uma qualidade distintiva dos filhos de Deus, ou seja, é o distintivo da família de Deus, pela simples razão de que o Pai é um ser bondoso e nos¬so irmão maior, Jesus, expressou a mais autêntica bondade quando deu Sua vida por nós.

A igreja cristã primitiva, logo após a ascensão de Cristo aos céus, conforme está lá em Atos dos Apóstolos, chegou a reproduzir fielmente, em seu viver, muito da bondade de Deus e de Jesus. Vejamos este texto:

"Todos os que creram esta¬vam juntos, e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade." At 2.44,45.

Era um modo extraordinário aquele, de viver imersos em bondade. Aquela vida era totalmente diferente da vida do mundo desconhecedor da bon¬dade. E podemos dizer, infelizmente, que a igreja cristã de hoje, em grande parte, desconhece a bondade. A bondade que estava em cada coração ali, era o elemento chave que caracterizava a vida daqueles primeiros cristãos. O que um possuía pertencia a todos; ninguém se apegava ao que era seu como uma propriedade privada. Não haviam estabelecido normas ou regulamentos que os forçasse a viver assim; simplesmente eram as¬sim. Entre eles ninguém pretendia ser superior, nem ninguém se ressentia por ser interior.

Eram assim, porque estavam deixando crescer o fruto do Espírito, claro. Isso só aconteceu depois do Pentecostes. Ou seja, aqui está retratada a bondade como fruto direto da ação do Espírito de Deus. Só assim ela tem valor para Deus.

E, finalizando nossa reflexão, não devemos esquecer que nem sempre a nossa bondade terá reciprocidade. Nada do que Jesus fez por Judas, o Iscariotes, fez com que ele desistisse de traí-lo. Todos os atos de bondade de Deus para com Israel não foram suficientes para realizar Seus ¬propósitos através deles. Mesmo hoje a bondade de Deus não é correspondida por nós. Nem sempre somos reconhecidos e agradecidos a Ele, mas Ele continua a ser bondoso para conosco, continua a nos dar sol e chuva, continua a nos amar.

Peçamos a Deus que coloque em nosso coração o desejo de ser bondosos. Isso não é natural em nós, jamais será, até que tenhamos sido transformados e glorificados. O intento do coração do homem é continuamente mau, segundo a Bíblia. A prática da bondade não ganha um milímetro sequer da nossa caminhada para o céu, mas certamente mostra que estamos andando na direção certa. Como diz uma intrigante propaganda que um dia ví, “Keep Walking”. Sigamos caminhando. Estamos quase lá.

Autor: Mário Jorge Lima

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