Postado em: sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

8(10) - O Fruto do Espírito: Fidelidade

O sétimo gomo do fruto do Espírito de Deus é a fidelidade, termo que aparece nas versões bíblicas mais atualizadas. Em outras, o termo mais tradicionalmente usado era fé. O sentido que eu quero dar nessa conversa é mais o da qualidade, rara hoje em dia, daquela pessoa em quem se pode confiar inteiramente. Assim como benignidade e bondade estão intimamente associadas, também fé e fidelidade estão. O ser humano que tem fé, busca ser fiel, e isso é extremamente significativo. Ele busca ser fiel a Deus e Seus princípios eternos. É consequência natural da fé. Quem tem fé é fiel. Logo, quem não é fiel é porque não tem fé ou não está desenvolvendo a fé que possui.
Sendo assim, o sentido mais moderno desse gomo do fruto do Espírito é lealdade, honestidade, compromisso. Ser fiel é ser digno de confiança, leal, comprometido, constante. Fiel é quem não duvida de Deus. É dar a Deus total exclusividade na vida.

Lá no Velho Testamento, no livro de Josué, achamos algo sobre isso: “Agora, pois, temei ao Senhor e servi-o com integridade e com fidelidade; deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais dalém do Eufrates e no Egito, e servi ao Senhor. Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” Josué 24.14-15

É este o tipo de fidelidade, no sentido de exclusividade, que Deus espera de nós. É esta a disposição que Deus espera de nós, a de servir somente a Ele, principalmente porque Ele é bom e a sua benignidade dura para sempre. Foi daí que o marketing moderno tirou uma de suas palavras mais usuais em se tratando de comercio de produtos ou de serviços: fidelização. As empresas, as grifes, as indústrias esperam que nós, consumidores, sejamos fiéis às suas marcas, aos seus serviços. Quando mais uma marca conseguir reter a nossa fidelidade, o nosso gosto, o nosso consumo, mais ela valerá. É por isto que a marca acaba até sendo mais importante que a empresa.

A marca universal da Coca Cola, por exemplo, vale mais que o próprio produto. O grande segredo dessa marca, na realidade, não é a fórmula do seu xarope, mas o sucesso em se manter, ao longo de quase um século, como a marca mais conhecida no mundo. No Brasil, a marca Bradesco vale mais que todo o dinheiro depositado nesse banco por seus milhões de correntistas e investidores.

Fidelizar, portanto, é um jargão moderno que significa manter fiel o cliente, fiel no sentido de ser o primeiro na cabeça do consumidor, fiel no sentido de ser considerado o único a satisfazer a necessidade ou o desejo do consumidor. Em termos espirituais, ser fiel, portanto, é ter, na teoria e na prática, no discurso e na ação, Deus e Seu reino como nossa primeira e única escolha.

Agora vamos ver algo muito interessante nessa questão de sermos ou não fiéis a Deus. Elias, no passado, fez a mesma pergunta direta ao povo de Israel. Numa situação de grave crise política e espiritual, ele propôs a Acabe, o ímpio rei daquela época, uma reunião no Monte Carmelo. Diz a Bíblia que Acabe reuniu todo o Israel e mais 850 falsos profetas que cultuavam a Baal e seus ídolos e postes de madeira e pedra.

Então Elias, chamado por Baal de o “perturbador de Israel”, propôs a todo o povo, incluindo o rei e os falsos profetas, uma questão de vital importância, uma questão definitiva. Disse ele: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o.” Está lá em I Reis 18:21.

Até quando vocês vão vacilar? Até quando vocês vão ter dúvidas a respeito de Deus e da salvação que Ele oferece? Até quando vocês vão ter dúvidas sobre o que é certo ou errado no relacionamento com Deus? Até quando vão titubear em abandonar atitudes e hábitos que vocês já entenderam que não são adequados? Até quando vão adiar decisões que vocês têm consciência de que são necessárias e urgentes? Essas são as questões vitais que nos são propostas diariamente.

Nosso Deus é um Deus extraordinário. Ele admite e respeita nosso direito de amá-Lo ou não, de sermos fiéis a Ele ou não. Ele não nos força, apenas chama, oferece, espera.

Mas, voltando ao fato bíblico, a coisa mais impressionante, mais significativa daquele incidente lá no Monte Carmelo, é destacada pela pequena frase que está no final do verso que citei. Diz assim: “Porém o povo nada lhe respondeu.”.

Imobilidade, indecisão, falta de atitude, falta de vontade, falta de disposição pra se posicionar diante de uma questão tão vital, proposta pelo próprio Deus. Talvez ali Israel tenha pensado em fazer uma composição, uma negociata, um conchavo com o próprio Deus. Podem ter pensado: “Quem sabe, se não dissermos nada, Ele poderá achar que concordamos, sem que de fato tenhamos que tomar uma posição definida, sem que tenhamos que assumir um compromisso com Ele agora.”

Mas, é impossível servir a dois Senhores. É impossível ser fiéis a duas soberanias opostas uma à outra. Quem destacou isso foi Jesus, tempos depois. Vamos sempre agradar a um e desagradar ao outro, ou vice-versa. Esse tipo de atitude, essa “jogada esperta” não funciona com Deus, é de alto risco. Isso para Ele é infidelidade.

A Bíblia está cheia de recomendações e apelos para que sejamos fiéis. Toda a fidelidade humana aos reclamos divinos, se apresentada como fruto do Espírito de Deus e não como obra de justificação própria, não como moeda de troca com Deus na questão da salvação, será aprovada e recompensada por Ele. Fidelidade é uma virtude ética, que brota e cresce em nós pelo relacionamento diário com Deus.

Nos dias em que vivemos, quando as pessoas recebem punhaladas pelas costas por parte de pessoas em quem elas pensavam poder confiar, são enganadas nos negócios e transações comerciais, são roubadas e corrompidas pelas práticas normais do dia a dia, esta qualidade se faz realmente necessária. Podemos tornar nossa a constatação do Salmista:
“Salva-nos, ó SENHOR Deus, pois já não há mais pessoas de confiança, e os que são fiéis a ti desapareceram da terra. Todos dizem mentiras uns aos outros; um engana o outro com bajulações.” Salmo 12:1-2 – BLH.
Mas, nosso Deus é fiel, é nosso exemplo único e maior. Deus é fiel e cumpre Suas promessas. Deus é fiel mesmo que nós não sejamos. Quando estudamos as histórias dos diversos Concertos ou Alianças feitas entre Deus e Seu povo ao longo da história, vemos o quanto isso é verdade.

Os Concertos, ao contrário do que pensamos, não foram apenas dois, creio ser essa uma questão retórica e didática para compreendermos a estratégia divina. A partir de Adão antes do pecado, eles foram pelo menos sete, embora, em essência, sejam apenas um, sendo todos os demais confirmações, repetições, adequações feitas por Deus às diversas situações criadas pelos desvios do homem.

Mas o que eu quero destacar aqui, já finalizando nossa conversa de hoje, é que todas as diversas propostas feitas por Deus:

a) Sempre foram iniciativa dEle, nunca foram propostas feitas pelo ser humano. Deus foi Quem sempre ofereceu Sua graça e salvação, antes que homem pudesse sequer tentar apresentar algo dele mesmo, sem esperar pelo nosso DE ACORDO.

b) Sempre foram cumpridas pelo Senhor, que sempre foi fiel aos seus propósitos, sempre cumpriu e tem cumprido Suas promessas. Além de cumprir a Sua parte nesses tratos, Deus é Quem nos ajuda a cumprir nossa parte, que é simplesmente aceitar a proposta e viver com a consciência de alguém que foi salvo pela graça.

Fidelidade, integridade, lealdade, honestidade, compromisso. Fruto do Espírito de Deus. Pensemos agora no seguinte: muitas vezes agimos erradamente com nossos filhos, por exigir deles atitudes e comportamentos que nós, da nossa parte, não apresentamos. Ou seja, falhamos em nosso exemplo, somos incoerentes com aquilo que ensinamos a eles. Exigimos que eles produzam frutos que nós não produzimos. Como diz uma de minhas filhinhas, de apenas 9 anos: “Coisa feia”.

Peçamos a Deus que nos faça mais fiéis e coerentes, nos faça viver sabendo que estamos na presença de um Deus santo e perfeito, que quer desenvolver em nós atitudes, hábitos, caráter e personalidade como frutos do relacionamento com Ele. Aliás, é bom que se frise aqui: atitudes, hábitos, caráter que não nos fazem melhores que nossos semelhantes nem compram nossa salvação, mas com certeza vão nos fazer viver melhor e mais felizes.

Autor: Mário Jorge Lima

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