Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal

A propósito do Natal, que se comemora neste Domingo, 25/12, vamos interromper a nossa Série sobre o Fruto do Espírito e vamos conversar um pouquinho hoje sobre esse acontecimento tão importante da religião cristã que é o nascimento de Cristo Jesus - aceito por nós como Filho de Deus – em nosso mundo, como uma criança, assumindo aqui a natureza pecadora do ser humano.

Esse é um assunto inesgotável, que tem maravilhado e intrigado todas as gerações de cristãos ao longo dos séculos. Tem sido tema de milhões, eu diria, bilhões de canções, poemas, livros, sermões, histórias, pinturas, todo tipo de obras de arte, filmes, peças teatrais, estudos e pesquisas, enfim, tem encantado todos os povos e raças, mesmo aqueles que não aceitam o cristianismo com sendo sua religião. E eu diria: tem transformado vidas, tem alterado a cultura e os costumes de pessoas de todas as origens, de todas as classes sociais e econômicas.

É bastante sintomático e significativo, no entanto, que não haja evidências físicas irrefutáveis a respeito desse fato. Não sabemos a data de Seu nascimento ou a data de Sua morte. Não temos evidencias quanto ao local em que Ele de fato nasceu, de casas em que tenha morado ou da Sua sepultura. Não existe nenhuma lasquinha sequer da madeira da cruz em que Ele morreu, ou um dos cravos de Sua coroa de espinhos, nem um prego que tenha traspassado Seus pulsos e pés. Não há retalhos de tecidos de Suas roupas ou calçados que tenha utilizado, ou qualquer artefato doméstico de que tenha feito uso.

Também não sabemos como era Seu rosto, o formato de Seu nariz, se tinha lábios finos ou grossos, qual era a cor exata de Sua pele ou de Seus olhos, qual a Sua altura, se era magro ou gordo, musculoso ou franzino, qual era o tom de Sua voz. Perceberam quanta desinformação básica e elementar a respeito dAquele que consideramos como sendo nosso Mestre, nosso Salvador, nosso Senhor e Rei?

Além disso, Ele não escreveu nenhum livro, nenhuma epístola, nem um Salmo sequer, não compôs nenhuma canção. Nem mesmo fundou uma religião ou estabeleceu organizações formais em torno de Seus ensinamentos. Desde o Seu nascimento não teve berço, quartinho preparado, roupas especiais, não possuiu prata, ouro ou dinheiro, não teve como Seu nem um simples travesseiro onde descansasse a cabeça. Usou casa de amigos para Se hospedar, e para o Seu ministério se valeu de coisas emprestadas, dinheiro de pessoas que O seguiam, locais de reunião, barcos e cavalgaduras para locomoção, também emprestados.

Em vida, Sua própria família O desprezou, não se relacionava com Ele, não entendia Seu ministério. Quando morreu, teve que deixar Sua mãe aos cuidados de um discípulo, foi embalsamado e teve o corpo preparado e envolto com especiarias e lençóis doados. Seu túmulo também foi emprestado. Não deixou bens. Talvez a única coisa realmente Sua tenha sido aquela cruz tosca e pesada que carregou e na qual foi finalmente pregado e pendurado.

Como vimos, uma vida sem nenhum glamour, sem charme, sem nenhuma sofisticação, sem qualquer atrativo, vida sofrida, sem nenhum vestígio de celebridade. Mas, uma vida com um propósito definido, magno e maravilhoso: tirar o pecado do mundo, reconciliando o homem com Deus.

Voltando às evidências de que falei no início, eu mencionei que é significativo que não tenhamos à nossa disposição, em nenhuma igreja do mundo, em nenhum museu ou centro de exposições, qualquer coisa física, tocável, qualquer informação de endereço, qualquer data comprovada, que ateste de forma irrefutável a passagem de Cristo por nosso planeta.

Eu vejo nisso uma providência divina. Houvesse essas evidências físicas, visíveis, tangíveis, comprovadas, da estada de Cristo entre nós, de Seu nascimento, vida, morte e ressurreição, e estaria estabelecido o mais monumental, o mais gigantesco sistema de idolatria, de culto emocional e até irracional, de romarias sem fim, de fanatismo fundamentalista, e, por que não dizer também, de comércio e turismo religioso de que se tem notícia e que se poderia imaginar.

Deus é sábio e desde o início de Seu plano de graça para salvação da humanidade, concedeu o dom da fé como sendo a única atitude a ser tomada pelo ser humano para alcançar a salvação da condenação do pecado e, consequentemente, a vida eterna. Nos dias de Jesus, como Ele mesmo atestou e comentou, muitos, porque viram, creram. No entanto, muito mais bem-aventurados seriam aqueles que, sem ver, apenas pelo testemunho dos que viram e relataram, haveriam de crer nEle.

A religião que devota crença num Deus criador e interessado no ser humano, a ponto de assumir a natureza do mesmo com a intenção de salvá-lo e fazê-lo viver pra sempre, se olhada sem o olhar crédulo da fé, é absurda, irreal, incrível. E o nascimento virginal do filho de Deus, concebido sem relacionamento homem-mulher, é absurdo, irreal, incrível.

Temos que procurar entender nossos irmãos ateístas e agnósticos. Assim como nós, eles estão em busca da coisa verdadeira. Eles se baseiam inteiramente em evidências, em coisas tangíveis, em descobertas e resultados de testes laboratoriais, feitos com análises e instrumentação científicas. É como a ciência existe e trabalha. Na ciência não há fé, só há comprovações, evidências. Quando não há isso, ela não considera verdadeiro e descarta totalmente.

Mas, nas coisas espirituais não acontece assim. Há esse componente difícil de explicar - eu diria, impossível de explicar - que podemos apenas sentir, chamado fé, e que faz toda a diferença, que dá certeza daquilo que não vemos e não tocamos. Sentimos os efeitos da fé em nossa vida, em nosso comportamento, em nossa saúde, em nossos negócios, em nossos relacionamentos, em nossas emoções, e essas são as evidências de que dispomos.

A Bíblia, que pela fé consideramos como sendo a Palavra de Deus, diz coisas do tipo: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe...” (Heb.11:6), “... porque o justo viverá pela fé.” (Gal.3:11), “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé...” (Efe.2:8).

Vou dizer algo que, para quem não crê é um verdadeiro absurdo, mas para quem crê é tudo que ele precisa: a fé dispensa evidências. Ou não seria fé. Se tivéssemos comprovações de todas as coisas espirituais, de todos os fatos relatados nas Escrituras, não haveria lugar para a fé e nem necessidade de desenvolvê-la em nossa vida. E sem essa atitude do homem, que é crer sem ver, não haveria como conceder-lhe a graça divina.

Saindo um pouquinho do tema da fé, há algo no nascimento de Cristo Jesus que eu acho lindo e maravilhoso. Jesus poderia ter vindo a este mundo como um Ser superior, desenvolvido, adulto, maduro, sábio, totalmente pronto para pregar e realizar Seus milagres e curas. Mas, não o fez, e ao invés disso, nasceu aqui como uma criança, foi amamentado, educado, cresceu e Se desenvolveu, cumpriu o processo completo pelo qual todo ser humano passa desde que o mundo é mundo. E eu muitas vezes me perguntei por quê?

É sabido, entendido e aceito por nós cristãos, que Ele veio aqui com o propósito definido nos céus, em tempos imemoriais, não de ser servido “...mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.”. Ele mesmo disse: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.” (Joao 15:13). Então, aí está a razão dEle ter nascido como uma criança e não aparecido como um Ser adulto e desenvolvido. Ninguém morre sem ter nascido. Nem mesmo uma planta. Nem mesmo um trabalho, um pensamento, uma ideia. Pra morrer, tem que primeiramente nascer. Foi por isso que Ele veio e nasceu como criança. Simples. Qualquer criança entende isso.

Agora vamos comentar algumas curiosidades interessantes sobre o nascimento de Jesus. São pequenos detalhes, saborosos, que às vezes nos surpreendem quando atentamos para eles. Vejamos.

Com respeito ao coro de anjos que cantava após o anjo que anunciou o nascimento do menino-Deus aos pastores, acostumamo-nos a ouvir dizer que eles cantavam um cântico dizendo coisas do tipo: “Paz na terra aos homens de boa vontade”. Na verdade, pelo relato bíblico, não foi assim. Lemos que o que eles cantavam dizia: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.” Lucas 2:14.

Nunca houve e não há homens de boa-vontade. Nenhum homem manifesta, naturalmente, boa-vontade para com as coisas de Deus, de modo que o coro de anjos não poderia ter cantado nada semelhante. O que eles cantaram foi que Deus, sim, quer muito bem aos seres humanos, tanto que deu a eles o que tinha de melhor, Seu único Filho.

A Bíblia também não diz que Maria chegou a Belém montada em um jumento ou animal dessa natureza, como costumamos ver em alguns quadros e pinturas, e nem que chegou no mesmo dia ou na mesma noite em que Jesus nasceu. Essa foi outra tradição que se criou. Diz apenas que José subiu com Maria, de Nazaré para Belém, a fim de se alistar no recenseamento. E estando lá - não sabemos havia quantos dias ou semanas - cumpriu-se o tempo em que daria luz e então Jesus nasceu.

Não há descrição bíblica que assegure que Jesus nasceu num ambiente ou local onde se guardavam animais. A Bíblia diz que Ele nasceu – sem dizer onde - e então Maria o envolveu em panos e o deitou numa manjedoura, uma espécie de tabuleiro onde comem vacas e cavalos. E fez isso porque não havia lugar para eles na estalagem, que era uma espécie de hospedaria ou pensão, ou ainda, quarto de hóspedes. Presume-se, por isso, que os pais de Jesus estariam utilizando a estrebaria para dormir, mas, não há essa narrativa.

Aqueles que vieram do Oriente para adorar a Jesus, e que são chamados tradicionalmente e cantados em prosa, verso e música de Os Três Reis Magos, na verdade não eram reis e nem eram três. Muito provavelmente ficou essa tradição em função dos presentes que eles levaram, que esses, sim, eram de três tipos: ouro, incenso e mirra. E, possivelmente foi isso que originou a troca de presentes que existe até hoje nessa época de Natal. Eles eram sábios estudiosos das profecias, talvez até sacerdotes vindos de alguma região da Pérsia ou de Babilônia. A tradição chegou a lhes dar nomes, Belchior, Baltasar e Gaspar, dizendo inclusive que um deles era negro. Mas, o que a Bíblia diz em Mateus 2:1 é que vieram “uns magos do Oriente a Jerusalém” em busca do menino. Portanto, nem reis e nem três. Aliás, deveriam ser bem mais de três, com comitivas numerosas, pois causaram comoção na cidade, até mesmo Herodes soube deles e quis recebe-los.

Além disso, quando esses magos vieram, muito provavelmente Jesus já tinha em torno de dois anos, pois foi essa a idade que Herodes calculou, depois que eles passaram por Jerusalém, e foi essa a idade limite decretada por ele para que fossem mortas todas as crianças do gênero masculino. E Maria e José, nessa época já moravam numa casa, pelo que diz a Bíblia em Mateus 2:11, e não mais na estalagem: “Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra.”. Muitas vezes essa cena foi retratada como tendo se passado numa estrebaria, mas, certamente, não foi.

E, por fim, a questão da data. Embora não seja impossível, parece improvável que Cristo tenha nascido no mês de Dezembro. A Bíblia não especifica nem dia nem mês. Um problema para que tenha sido Dezembro é que seria fora do comum e bastante difícil que pastores estivessem “pastoreando nos campos” nesse frio período do ano, quando os campos ficavam improdutivos. A prática normal era manter os rebanhos nos campos da Primavera ao Outono. Além disso, o inverno seria um tempo especialmente difícil para Maria viajar grávida pelo longo caminho de Nazaré a Belém (70 milhas). O período mais provável, portanto, seria em fins de Setembro, no tempo da Festa dos Tabernáculos, quando uma viagem como essa era comumente feita.

Sendo assim, a data de 25 de Dezembro foi simplesmente estabelecida pela igreja cristã no quarto século. A comemoração do Natal de Jesus surgiu de um decreto. O Papa Júlio I decretou em 350 que o nascimento de Cristo deveria ser comemorado no dia 25 de Dezembro, substituindo a veneração ao Deus Sol pela adoração ao Salvador Jesus Cristo.

Sabedores disso, e conhecedores da história que o Natal representa, a nós cristãos essa época deve evocar sentimentos bem diferentes daqueles que o mundo de certa forma abraça, longe do comércio gigantesco e sem freios, longe dos enfeites, dos presentes, das comidas e bebidas e da euforia generalizada. Devemos ter em mente que o Natal, mesmo em data errada e comemorado de forma inadequada, fala de um amor sem igual, do Criador pela criatura, do Divino pelo humano, a ponto de morrer para quitar uma dívida impagável.

Eu gosto muito de pensar na encarnação de Cristo Jesus, Deus feito homem, pela analogia de peixinhos num aquário. Um homem tem um aquário cheio de peixes. Trata-os com o maior carinho, dá-lhes diariamente comida, troca sua água, limpa a sujeira, enfim, faz tudo que os peixes precisam para viver. Mas sempre que ele se aproxima do aquário, ou tenta colocar a mão ou dedos na água, os peixinhos se assustam, fogem, debatem-se apavorados. Jamais se acostumarão com a presença ou contato físico do homem.

A única maneira disso ser possível, seria o homem transformar-se em peixe, como eles, e entrar no aquário. E foi o que Jesus fez, assumindo a natureza do ser humano, para sempre, e vindo morar entre os homens, para sentir na pele as suas necessidades, as suas mazelas, as suas dores, a sua angústia, e poder assim ser seu necessário e suficiente Salvador.

Desejo a vocês um Feliz Natal, cercados de festa e alegria, mas conscientes de que essa festa é agridoce, tem componentes de tristeza e de alegria, tem as dores de um parto divino, daqueles bem difíceis, mas tem também a felicidade do nascimento de uma criança dada como dom de Deus ao mundo, para salvá-lo e lhe conceder vida eterna.
Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

8(10) - O Fruto do Espírito: Fidelidade

O sétimo gomo do fruto do Espírito de Deus é a fidelidade, termo que aparece nas versões bíblicas mais atualizadas. Em outras, o termo mais tradicionalmente usado era fé. O sentido que eu quero dar nessa conversa é mais o da qualidade, rara hoje em dia, daquela pessoa em quem se pode confiar inteiramente. Assim como benignidade e bondade estão intimamente associadas, também fé e fidelidade estão. O ser humano que tem fé, busca ser fiel, e isso é extremamente significativo. Ele busca ser fiel a Deus e Seus princípios eternos. É consequência natural da fé. Quem tem fé é fiel. Logo, quem não é fiel é porque não tem fé ou não está desenvolvendo a fé que possui.
Sendo assim, o sentido mais moderno desse gomo do fruto do Espírito é lealdade, honestidade, compromisso. Ser fiel é ser digno de confiança, leal, comprometido, constante. Fiel é quem não duvida de Deus. É dar a Deus total exclusividade na vida.

Lá no Velho Testamento, no livro de Josué, achamos algo sobre isso: “Agora, pois, temei ao Senhor e servi-o com integridade e com fidelidade; deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais dalém do Eufrates e no Egito, e servi ao Senhor. Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” Josué 24.14-15

É este o tipo de fidelidade, no sentido de exclusividade, que Deus espera de nós. É esta a disposição que Deus espera de nós, a de servir somente a Ele, principalmente porque Ele é bom e a sua benignidade dura para sempre. Foi daí que o marketing moderno tirou uma de suas palavras mais usuais em se tratando de comercio de produtos ou de serviços: fidelização. As empresas, as grifes, as indústrias esperam que nós, consumidores, sejamos fiéis às suas marcas, aos seus serviços. Quando mais uma marca conseguir reter a nossa fidelidade, o nosso gosto, o nosso consumo, mais ela valerá. É por isto que a marca acaba até sendo mais importante que a empresa.

A marca universal da Coca Cola, por exemplo, vale mais que o próprio produto. O grande segredo dessa marca, na realidade, não é a fórmula do seu xarope, mas o sucesso em se manter, ao longo de quase um século, como a marca mais conhecida no mundo. No Brasil, a marca Bradesco vale mais que todo o dinheiro depositado nesse banco por seus milhões de correntistas e investidores.

Fidelizar, portanto, é um jargão moderno que significa manter fiel o cliente, fiel no sentido de ser o primeiro na cabeça do consumidor, fiel no sentido de ser considerado o único a satisfazer a necessidade ou o desejo do consumidor. Em termos espirituais, ser fiel, portanto, é ter, na teoria e na prática, no discurso e na ação, Deus e Seu reino como nossa primeira e única escolha.

Agora vamos ver algo muito interessante nessa questão de sermos ou não fiéis a Deus. Elias, no passado, fez a mesma pergunta direta ao povo de Israel. Numa situação de grave crise política e espiritual, ele propôs a Acabe, o ímpio rei daquela época, uma reunião no Monte Carmelo. Diz a Bíblia que Acabe reuniu todo o Israel e mais 850 falsos profetas que cultuavam a Baal e seus ídolos e postes de madeira e pedra.

Então Elias, chamado por Baal de o “perturbador de Israel”, propôs a todo o povo, incluindo o rei e os falsos profetas, uma questão de vital importância, uma questão definitiva. Disse ele: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o.” Está lá em I Reis 18:21.

Até quando vocês vão vacilar? Até quando vocês vão ter dúvidas a respeito de Deus e da salvação que Ele oferece? Até quando vocês vão ter dúvidas sobre o que é certo ou errado no relacionamento com Deus? Até quando vão titubear em abandonar atitudes e hábitos que vocês já entenderam que não são adequados? Até quando vão adiar decisões que vocês têm consciência de que são necessárias e urgentes? Essas são as questões vitais que nos são propostas diariamente.

Nosso Deus é um Deus extraordinário. Ele admite e respeita nosso direito de amá-Lo ou não, de sermos fiéis a Ele ou não. Ele não nos força, apenas chama, oferece, espera.

Mas, voltando ao fato bíblico, a coisa mais impressionante, mais significativa daquele incidente lá no Monte Carmelo, é destacada pela pequena frase que está no final do verso que citei. Diz assim: “Porém o povo nada lhe respondeu.”.

Imobilidade, indecisão, falta de atitude, falta de vontade, falta de disposição pra se posicionar diante de uma questão tão vital, proposta pelo próprio Deus. Talvez ali Israel tenha pensado em fazer uma composição, uma negociata, um conchavo com o próprio Deus. Podem ter pensado: “Quem sabe, se não dissermos nada, Ele poderá achar que concordamos, sem que de fato tenhamos que tomar uma posição definida, sem que tenhamos que assumir um compromisso com Ele agora.”

Mas, é impossível servir a dois Senhores. É impossível ser fiéis a duas soberanias opostas uma à outra. Quem destacou isso foi Jesus, tempos depois. Vamos sempre agradar a um e desagradar ao outro, ou vice-versa. Esse tipo de atitude, essa “jogada esperta” não funciona com Deus, é de alto risco. Isso para Ele é infidelidade.

A Bíblia está cheia de recomendações e apelos para que sejamos fiéis. Toda a fidelidade humana aos reclamos divinos, se apresentada como fruto do Espírito de Deus e não como obra de justificação própria, não como moeda de troca com Deus na questão da salvação, será aprovada e recompensada por Ele. Fidelidade é uma virtude ética, que brota e cresce em nós pelo relacionamento diário com Deus.

Nos dias em que vivemos, quando as pessoas recebem punhaladas pelas costas por parte de pessoas em quem elas pensavam poder confiar, são enganadas nos negócios e transações comerciais, são roubadas e corrompidas pelas práticas normais do dia a dia, esta qualidade se faz realmente necessária. Podemos tornar nossa a constatação do Salmista:
“Salva-nos, ó SENHOR Deus, pois já não há mais pessoas de confiança, e os que são fiéis a ti desapareceram da terra. Todos dizem mentiras uns aos outros; um engana o outro com bajulações.” Salmo 12:1-2 – BLH.
Mas, nosso Deus é fiel, é nosso exemplo único e maior. Deus é fiel e cumpre Suas promessas. Deus é fiel mesmo que nós não sejamos. Quando estudamos as histórias dos diversos Concertos ou Alianças feitas entre Deus e Seu povo ao longo da história, vemos o quanto isso é verdade.

Os Concertos, ao contrário do que pensamos, não foram apenas dois, creio ser essa uma questão retórica e didática para compreendermos a estratégia divina. A partir de Adão antes do pecado, eles foram pelo menos sete, embora, em essência, sejam apenas um, sendo todos os demais confirmações, repetições, adequações feitas por Deus às diversas situações criadas pelos desvios do homem.

Mas o que eu quero destacar aqui, já finalizando nossa conversa de hoje, é que todas as diversas propostas feitas por Deus:

a) Sempre foram iniciativa dEle, nunca foram propostas feitas pelo ser humano. Deus foi Quem sempre ofereceu Sua graça e salvação, antes que homem pudesse sequer tentar apresentar algo dele mesmo, sem esperar pelo nosso DE ACORDO.

b) Sempre foram cumpridas pelo Senhor, que sempre foi fiel aos seus propósitos, sempre cumpriu e tem cumprido Suas promessas. Além de cumprir a Sua parte nesses tratos, Deus é Quem nos ajuda a cumprir nossa parte, que é simplesmente aceitar a proposta e viver com a consciência de alguém que foi salvo pela graça.

Fidelidade, integridade, lealdade, honestidade, compromisso. Fruto do Espírito de Deus. Pensemos agora no seguinte: muitas vezes agimos erradamente com nossos filhos, por exigir deles atitudes e comportamentos que nós, da nossa parte, não apresentamos. Ou seja, falhamos em nosso exemplo, somos incoerentes com aquilo que ensinamos a eles. Exigimos que eles produzam frutos que nós não produzimos. Como diz uma de minhas filhinhas, de apenas 9 anos: “Coisa feia”.

Peçamos a Deus que nos faça mais fiéis e coerentes, nos faça viver sabendo que estamos na presença de um Deus santo e perfeito, que quer desenvolver em nós atitudes, hábitos, caráter e personalidade como frutos do relacionamento com Ele. Aliás, é bom que se frise aqui: atitudes, hábitos, caráter que não nos fazem melhores que nossos semelhantes nem compram nossa salvação, mas com certeza vão nos fazer viver melhor e mais felizes.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

7(10) - O Fruto do Espírito: Bondade

Vamos agora para o sexto gomo do nosso fruto do Espírito de Deus, a bondade. Da vez passada falamos de um fruto parecido que é a benignidade, e isso já nos levou a fazer comentários que também são pertinentes à bondade. Aliás, eu quase discuti os dois gomos naquela mesma reflexão, pois, de fato eles são bem semelhantes. Mas, destacamos na benignidade qualidades mais próximas de gentileza, cortesia, amabilidade, carinho.

Uma maneira de também entender as diferenças entre benignidade e bondade seria considerarmos o contrário deles. O contrário da benignidade é a malignidade. O contrário da bondade é a maldade. Parece-nos que benignidade e malignidade têm mais a ver com o nosso caráter, com o nosso interior, com a emoção que nos move. Já a bondade e a maldade têm mais a ver com as nossas ações, com aquilo que nós praticamos.

Assim, benignidade é a nossa disposição interior para sermos bons, é a nossa vontade e atitude para sermos bondosos para com o nosso próximo, não julgando as pessoas e sempre procurando pensar o bem a respeito delas, enxergando o que cada uma tem de positivo. Enquanto a bondade é a ação gentil praticada, é a benignidade colocada em execução. A bondade, pois, é a benignidade posta em prática.

Dessa forma, podemos entender que toda pessoa benigna é por consequência e necessariamente também bondosa. Mas, eu acredito que uma pessoa possa ser bondosa sem, no entanto, manifestar as qualidades de tratamento e empatia da benignidade.

A bondade sobre a qual estou discorrendo hoje é aquela que é resultado natural do Espírito de Deus agindo em nós. Isso significa que podemos praticar atos de bondade, mas, pelos interesses mais diversos e até por interesses pouco nobres, escusos mesmo. E essa é uma grande diferença da benignidade. Uma atitude boa não significa sempre um sentimento benigno. Eu posso fazer uma boa ação apenas para satisfazer um interesse pessoal.

Então, já que a bondade praticada pode ter outras motivações, para sermos considerados benignos de fato, necessariamente temos que estar motivados pela vontade de ajudar o próximo. Embora, para a pessoa que recebe o ato, como eu já disse, isso às vezes não faça a menor diferença.

Jesus em Sua vida aqui na terra praticava todo o tempo atos de bondade, vivi a fazendo o bem. A bondade se revelava em boas obras, atos práticos de ajuda ao próximo. E Ele era benigno.

Aliás, em relação à essa postura de quem é benigno, de sempre pensar o bem a respeito das pessoas, que eu citei há pouco, e ver o que os outros têm de positivo, há uma pequena historieta, certamente inventada à guisa de ilustração, sobre a benignidade de Cristo Jesus. Eu deveria ter comentado isso no gomo da vez passada, mas só lembrei agora. Dizem que os discípulos caminhavam com Ele, e conversavam entre si sobre essa disposição de Jesus de ver sempre o melhor nas pessoas e nas coisas e situações. A não ser quando Ele estava em confronto direto com o mal ou com seus representantes, quando então era extremamente firme e incisivo. E queriam, então, testá-lo quanto a isso.

Viram eles uma carcaça de cachorro morto, uma visão desagradável, e então se entreolharam e disseram a Jesus: “Mestre, veja que coisa horrível, desprezível, nojenta, esses restos mortais de um cachorro morto.” Jesus então olhando compassivamente para aquele animal, disse: “É verdade, é uma visão até repugnante, mas, vejam, esse cãozinho possuía uma bela arcada dentária, seus dentes eram perfeitos.”

Deus é bom. Vejam algumas passagens bíblicas, nos Salmos, falando sobre a bondade do nosso Deus:

“Provai e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia.” Salmos 34.8.

“Porque o SENHOR é bom, a sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a sua fidelidade.” Salmos 100:5.

"Rendam graças ao Senhor por sua bondade, e por suas mara¬vilhas para com os filhos dos homens." Salmos 107.21.

“O SENHOR é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras.” Salmos 145:9.

Davi era, por certo, fascinado por Deus e por Sua bondade. Deus é essencialmente bondoso. Quando Moisés pediu a Deus para ver a Sua glória, Deus lhe respondeu: "Farei passar toda a minha bondade diante de ti." Êxodo 33.19. E esse Deus bondoso quer gerar filhos também bondosos! Que extraordinário seria se as pessoas pudessem nos olhar, e, pensando espiritualmente, dizer: "tal Pai, tal filho". As qualidades vistas no caráter do Pai são as qualidades nas quais nós filhos devemos crescer.

A bondade, assim, é ou pelo menos deveria ser, uma qualidade distintiva dos filhos de Deus, ou seja, é o distintivo da família de Deus, pela simples razão de que o Pai é um ser bondoso e nos¬so irmão maior, Jesus, expressou a mais autêntica bondade quando deu Sua vida por nós.

A igreja cristã primitiva, logo após a ascensão de Cristo aos céus, conforme está lá em Atos dos Apóstolos, chegou a reproduzir fielmente, em seu viver, muito da bondade de Deus e de Jesus. Vejamos este texto:

"Todos os que creram esta¬vam juntos, e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade." At 2.44,45.

Era um modo extraordinário aquele, de viver imersos em bondade. Aquela vida era totalmente diferente da vida do mundo desconhecedor da bon¬dade. E podemos dizer, infelizmente, que a igreja cristã de hoje, em grande parte, desconhece a bondade. A bondade que estava em cada coração ali, era o elemento chave que caracterizava a vida daqueles primeiros cristãos. O que um possuía pertencia a todos; ninguém se apegava ao que era seu como uma propriedade privada. Não haviam estabelecido normas ou regulamentos que os forçasse a viver assim; simplesmente eram as¬sim. Entre eles ninguém pretendia ser superior, nem ninguém se ressentia por ser interior.

Eram assim, porque estavam deixando crescer o fruto do Espírito, claro. Isso só aconteceu depois do Pentecostes. Ou seja, aqui está retratada a bondade como fruto direto da ação do Espírito de Deus. Só assim ela tem valor para Deus.

E, finalizando nossa reflexão, não devemos esquecer que nem sempre a nossa bondade terá reciprocidade. Nada do que Jesus fez por Judas, o Iscariotes, fez com que ele desistisse de traí-lo. Todos os atos de bondade de Deus para com Israel não foram suficientes para realizar Seus ¬propósitos através deles. Mesmo hoje a bondade de Deus não é correspondida por nós. Nem sempre somos reconhecidos e agradecidos a Ele, mas Ele continua a ser bondoso para conosco, continua a nos dar sol e chuva, continua a nos amar.

Peçamos a Deus que coloque em nosso coração o desejo de ser bondosos. Isso não é natural em nós, jamais será, até que tenhamos sido transformados e glorificados. O intento do coração do homem é continuamente mau, segundo a Bíblia. A prática da bondade não ganha um milímetro sequer da nossa caminhada para o céu, mas certamente mostra que estamos andando na direção certa. Como diz uma intrigante propaganda que um dia ví, “Keep Walking”. Sigamos caminhando. Estamos quase lá.

Autor: Mário Jorge Lima