Postado em: sexta-feira, 16 de setembro de 2011

1(1) - Ela Entregou Tudo que Possuía

No domingo passado estive participando de um programa de evangelismo na igreja adventista do Capão Redondo, aqui em São Paulo. Num dos intervalos da programação uma senhora da igreja, chamada Laura, me procurou e perguntou se eu era o Mário Jorge da Rádio Moema. Quando confirmei, ela, com muita alegria me contou o seguinte: sua mãezinha, Sra. Ilka, já idosa e com dificuldade de se locomover, não conseguia mais ir à igreja em função desse problema, e ouvia toda a programação da Radio Moema, incluindo a programação ao vivo das sextas-feiras à noite. E ela havia colocado no coração o desejo de ajudar o ministério da Radio Moema, reservando uma pequena parte dos seus ganhos para dedicar ao nosso trabalho. Pediu-me então os dados de conta bancária para fazer os depósitos.

Aquilo me comoveu muito, e eu lhe disse que posteriormente entraríamos em contato com ela para conversar com sua mãe e conhecê-las melhor. Já passei essa informação aqui para o pessoal da equipe, vários dos oficiais da igreja se emocionaram e se motivaram com o gesto daquelas irmãs lá do Capão Redondo. E esse fato imediatamente me deu o mote que eu precisava para definir sobre o que conversaríamos aqui.

Veio-me à mente, naquele momento, de forma instantânea, o que se encontra relatado no Evangelho de João 21:1-4: "Estando Jesus a observar, viu os ricos lançarem suas ofertas no gazofilácio. Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Verdadeiramente, vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza, deu tudo o que possuía, todo o seu sustento."

Aquelas moedas da viúva eram as menores moedas em uso naquele tempo, feitas de cobre, e valiam muito pouco. No entanto, pelo desprendimento e liberalidade demonstrados de forma humilde e sem alarde, na apreciação e avaliação do Mestre, sem dúvida, para Deus, aquela oferta carregava o maior valor.

Eu não sei a situação daquela irmã que me procurou na igreja, não sei o quanto ela pretende doar e também não sei o quanto representa para ela o valor que ela decidiu dedicar a Deus através do nosso trabalho. Mas essa cena bíblica, que não foi uma parábola, foi um fato real presenciado por Jesus e os discípulos, foi a primeira coisa em que pensei. E duas coisas me emocionaram e chamaram minha atenção no ato daquela senhora no domingo passado.

A primeira, é claro, foi a sua disposição de ajudar por se sentir abençoada ao ouvir a nossa programação radiofônica. Por isso, então, ela quis contribuir, ainda que com pouco, para um trabalho que, possivelmente, também beneficia a outras pessoas. Percebam um detalhe pequeno, mas muito significativo: o ato daquela nossa irmã foi uma resposta, uma reação ao nosso ato de produzir e oferecer uma programação radiofônica espiritual. Ou seja, ela não doou para comprar ou para gerar uma programação que a beneficiasse. Ao contrário, porque primeiro se sentiu beneficiada, ardeu nela o desejo de participar, de colaborar. Portanto, ela reagiu à nossa ação. Nós agimos, e ela reagiu.

E é assim que funciona o Evangelho puro de Cristo Jesus quando atinge nossa vida, essa é a mecânica correta. Assim devem ser as boas obras que praticamos, a obediência que demonstramos, e também a adoração que prestamos a Deus. Nossa religião deve ser uma religião de reação. Deus age, e o homem reage, não o contrário. Em outros cultos, notadamente os cultos do paganismo, a crença é que a divindade fica aguardando ser bajulada, beatificada, recebe sacrifícios, para só então se mover e atender aos seus súditos. Ou seja, o homem age para que sua divindade reaja em seu favor.

Mas, como disse, no culto cristão é Deus quem sai na frente. Deus nunca nos pede nada sem antes fazer algo por nós. I João 4:19 diz isso claramente: "Nos amamos porque Ele nos amou primeiro." Primeiro Deus faz, e faz tudo que é necessário, depois, então, Ele aguarda nossa reação ao que Ele já fez por nós, uma reação que seja natural, consequente, racional. Reação, diga-se de passagem, que pode acontecer ou não. Se não acontecer, nem por isso Deus deixará de fazer. Não, Ele continuará fazendo.

Se não me engano, o pastor Morris Venden, em um de seus livros, comenta o seguinte, que eu também já li de outros teólogos cristãos. Existe algo que vamos chamar de Indicativos de Deus (o que Ele já fez por nós), e algo que vamos chamar de Imperativos de Deus (o comando dEle, o que Ele quer e espera de nós). Deus jamais nos apresenta um Imperativo sem primeiro mostrar o Indicativo. Ou seja, Deus sempre faz antecipadamente e só depois pede. Vou dar um exemplo clássico do Velho Testamento.

A Lei dada por Deus a Moisés, ou seja, a Lei dos Dez Mandamentos, começa assim: "Eu sou o Senhor Teu Deus que te tirei da terra do Egito e da casa da servidão [Indicativo]. Não terás outros deuses diante de Mim [Imperativo]." E há inúmeros outros exemplos dessa forma de aproximação de Deus. O apóstolo Paulo mostra isso em diversos de seus textos.

O Indicativo de Deus para aquela senhora do Capão Redondo foi o bem que ela recebeu ao ouvir e ser confortada por uma programação radiofônica de conteúdo espiritual. O Imperativo para ela se tornou o desejo de contribuir com esse trabalho. Essa foi sua reação, natural, consciente.

E a segunda coisa que me impressionou quando sua filha veio falar comigo, foi a alegria dela. Aquela irmã sorria e demonstrava uma alegria imensa por ter-me descoberto e poder assim atender ao desejo de sua mãe. A Bíblia diz em II Coríntios 9:7 que "... Deus ama a quem dá com alegria.". Essa é uma característica que deve revestir qualquer coisa que façamos para Deus: a alegria. É o mínimo que podemos sentir ao tributar, ao dedicar qualquer coisa ao serviço de Deus.

Lembremos sempre que a alegria é um dos gomos do Fruto do Espirito. Ela vem logo depois do amor e antes da paz. Pode significar que ela é gerada pelo amor de Deus. Não é uma euforia, não necessariamente ela precisa ser ruidosa e extravagante. E conduz a momentos de paz, paz interior, paz que o mundo não dá, paz que excede todo o nosso entendimento.

De alguma maneira já falei sobre isso aqui, e vou rotineiramente repetir conceitos e ideias já mencionados em outras palestras. Na última conversa que tivemos aqui, um ouvinte mencionou que eu já havia falado alguma coisa que estava falando novamente naquele momento, e provavelmente já tinha mesmo. Que bom que ele lembrou, essa é a forma bíblica de gravar e firmar o pensamento, a repetição, é a maneira consciente e metódica de ensinar os nossos filhos, é a forma de aprendermos de Deus, firmando e retendo tudo aquilo que é bom.

Que Deus abençoe a nossa irmã Laura, a sua mãezinha, irmã Ilka, sua neta, toda sua família, por sua liberalidade e desprendimento, trazendo-lhes não apenas bênçãos espirituais, mas também bênçãos materiais, cura física e emocional, cura das dores da alma, graça e paz.

E desejo a vocês que me ouvem, e também a mim mesmo e minha família, que sempre reajamos, no sentido de responder as ações de Deus. A maior ação de Deus em favor do ser humano foi Ele mesmo Se dar em nosso lugar e pagar a nossa dívida, a dívida que a raça humana contraíra com o bem, com aquilo que é correto e verdadeiro. Em função dessa ação maior e primeira de Deus, tudo que viermos a fazer, que não seja troca, que não seja tentativa de comprar o favor de Deus, que não seja para que nos tornemos melhores que nosso semelhante, pois assim nos frustraremos e nada conseguiremos, sem a menor sombra de dúvida. Mas que seja resposta natural e verdadeira às ações de Deus em nosso favor, portanto, fruto do Evangelho.

Autor: Mário Jorge Lima

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