Postado em: sexta-feira, 8 de julho de 2011

9(9) - Livra-nos do mal, porque Teu é o Reino...

Chegamos ao final da Oração do Senhor, a oração modelo ensinada por Cristo Jesus no Sermão da Montanha. E temos aqui duas frases bem conhecidas, que encerram essa simples e bela oração.

LIVRA-NOS DO MAL, é a primeira. Vamos então refletir sobre o que é o Mal. Lá em tempos imemoriais, segundo sabemos pela Bíblia, quando começou todo esse grande conflito cósmico no qual estamos envolvidos, Lúcifer, aquele belo e maravilhoso anjo de luz, obra prima da criação de Deus, se rebelou contra o Criador. A descrição das Escrituras diz assim, em Ezequiel 28:15: "Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade [mal] em ti."

Ao que parece então, a iniquidade, ou seja, o mal, o pecado, a injustiça (todos são sinônimos entre si) era algo maior que o próprio Lúcifer, pois foi uma condição na qual ele se achou em um determinado momento de sua existência celeste, e que tomou posse do seu coração, dominou sua mente, transtornou sua existência. Vocês querem saber que condição foi essa que assumiu o controle sobre a vida de Lúcifer, e que é, de igual modo, o que também acontece com cada um de nós? Chama-se: afastamento de Deus. Na realidade, o mal tomou forma e passou a existir porque Lúcifer se afastou do Bem, se afastou do Criador e de Seus propósitos, para se concentrar em si próprio, querendo ser semelhante ao Deus Altíssimo.

Vamos juntar esse pensamento com a melhor e mais simples definição do que seja o mal: é o oposto do Bem. Se perto de Deus você esta perto do Bem, por consequência, longe de Deus você esta perto do Mal. Quando Jesus disse as palavras: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida..." Ele estava dizendo: "Eu sou o Bem", ou, usando uma expressão muito em voga hoje no meio jovem, "Eu sou tudo de bom".

Ora, se Cristo é a personificação do Bem, ou seja, de tudo aquilo que é bom, obviamente que o Mal, ou tudo aquilo que é ruim, desde a rebelião de Lúcifer nos céus, passou a tomar forma na pessoa dele, que se tornou então, Satanás. Assim como o Bem é uma pessoa, o Mal também passou a ser, dali pra frente, uma pessoa.

Dessa maneira, podemos entender esse pedido final da Oração do Senhor assim: "Livra-nos do maligno", "Livra-nos de Satanás", ou então: "Livra-nos do Mau", mas com "u", daquele que é mau. Na língua inglesa dá pra sentir isso bem, na ótima versão bíblica American Standard Version, quando ela diz: "Deliver us from the evil one", isto é, "Livra-nos da pessoa do mal". Significativo e objetivo pedido. Assim, pois, esse derradeiro pedido na Oração do Senhor se faz no sentido de que Ele nos livre do próprio Satanás.

E terminando a Oração do Senhor encontramos as expressões finais que dizem: "PORQUE TEU É O REINO, O PODER E A GLÓRIA, PARA SEMPRE, AMÉM!". E nós, toda a cristandade, concordamos e dizemos um forte AMÉM!

Apenas como informação: toda essa frase, incluindo o "Amém", também não fazia parte dos escritos originais do Evangelho de Mateus, vindos do grego. Em algumas versões da Bíblia, como por exemplo, em português, a ARA (Almeida Revista e Atualizada), as expressões ou palavras que não faziam parte dos textos originais vêm entre colchetes, aquele sinalzinho gráfico que parece um parêntese retilíneo. O mais provável é que esses apêndices tenham sido colocados como notas dos tradutores ou copistas. Damos graças a Deus que pelos originais existentes sabemos disso. Aliás, no Evangelho de Lucas 11:4 essa expressão não consta.

De qualquer forma, essa é uma espécie de Doxologia que encerra a Oração do Senhor. Doxologia significa literalmente "palavra de glória", e quando aplicada a Deus é uma forma de louvor, de adoração, de reconhecimento de tudo que Ele é. Há na Bíblia diversos textos que são pura Doxologia, notadamente em alguns Salmos de Davi, textos de Paulo e também de Judas. O contexto é sempre de louvor, de adoração, da criatura maravilhada diante da santidade e dos dons do Criador.

Portanto, esse "acréscimo", se é que podemos dizer assim, feito na Oração do Senhor, devidamente notado, anotado e conhecido, embora não faça parte do relato original inspirado de Mateus, acaba se encaixando no espírito geral dessa oração. Podemos orar essa frase sem susto, sabendo que estamos dizendo coisas corretas, que se ajustam ao caráter de Deus. E da mesma forma, se alguém não quiser orar assim, para ficar de acordo com o texto original, também não há nenhum problema com isso.

Encerramos hoje a nossa série de reflexões sobre essa bela, simples e direta oração, ensinada por Jesus aos Seus discípulos no Sermão da Montanha, e depois repetida por Ele em outra ocasião, quando O encontraram orando e Lhe pediram que os ensinasse a orar.

Você não precisa e nem deve repetir mecanicamente essa oração, como uma ladainha, como um recitativo inconsciente, como uma liturgia fria, cumprindo um ritual. Ela é um modelo, que você pode usar sempre que quiser e precisar. Lembre-se que todo contato seu com Deus deve ser pleno de consciência, racional, com espírito de humildade e submissão, receptivo à vontade de Deus, de forma que se ajuste cada vez mais a essa vontade, e possa assim sentir aquela paz e conforto que só sentem os que colocam toda a sua confiança no Criador. Mas, deve refletir o seu momento, a sua relação com Ele.

Ainda voltaremos ao tema da oração em conversas futuras, esse é um assunto inesgotável, que muitas vezes não compreendemos, e até ficamos perplexos diante de certas indagações, do tipo:

. Se Deus já sabe tudo, é onisciente, por que então dizer a Ele o que quero ou preciso?

. Se Ele já é a expressão maior do amor e da bondade e misericórdia, por que então tenho de orar a fim de, de certa forma, persuadi-Lo a fazer alguma coisa por mim?

. Por que tentar mudar o plano, o propósito de Deus, a respeito de determinado assunto?

. Por que os milagres, como respostas às nossas orações, parecem ser poucos hoje em dia? Será que não estaríamos orando o bastante? Ou será que nossa fé é muito pouca e por isso Deus não nos ouve? Será que mais pessoas orando consigam mover a vontade de Deus?

Perguntas importantes, talvez não tenhamos respostas objetivas e claras para elas. Uma coisa é verdadeira: orar não é uma prática opcional. Orar é um mandamento. Temos que orar, e tanto quanto possível, orar sem cessar.

Há quem diga: pouca oração, pouco poder; muita oração, muito poder; nenhuma oração, nenhum poder. Eu prefiro dizer assim: pouca oração, pouca comunhão; muita oração, muita comunhão; nenhuma oração, nenhuma comunhão. Traduza-se aqui comunhão por relacionamento, intimidade com Deus. A oração frequente vai nos colocar, sem nenhuma dúvida, em sintonia cada vez maior com o nosso Deus.

Autor: Mário Jorge Lima

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