Postado em: sexta-feira, 15 de julho de 2011

1(1) - Escolho Acreditar

Na sexta-feira passada nós terminamos aqui uma série de 9 programas, 9 conversas, nas quais procuramos entender um pouquinho mais cada frase, cada expressão da Oração do Senhor, o nosso querido e amado PAI NOSSO. Espero que tenha acrescentado alguma coisa à sua experiência pessoal com essa prece tão querida e inspiradora.

Estou ainda meditando e pedindo a Deus sabedoria para empreender a próxima série, que pretendo que seja sobre o FRUTO DO ESPÍRITO. Enquanto isso não acontece, vamos tratando aqui de outros variados assuntos do Evangelho, que são temas inesgotáveis, sempre com ensinamentos profundos para nossa vida.

Gosto muito de ler sobre as parábolas de Jesus, bem como sobre os milagres que Ele praticou. Isso é uma inspiração constante pra minha vida. E essas também deverão ser duas séries que abordarei futuramente. Aliás, os 4 Evangelhos e as Epístolas dos apóstolos de Cristo tem constituído já há algum tempo a minha principal fonte de interesse e leitura em se tratando de Bíblia. Sabemos que toda a Escritura foi inspirada por Deus, mas, é claro que cada um de nós tem seus textos preferidos, seus Salmos preferidos, bem como seus livros prediletos, com os quais mais nos identificamos, dentro dos 66 que a Bíblia possui.

Estava lendo hoje cedo no meu escritório, o incidente que se encontra em Marcos 1:40-45. Relata a cura que Cristo fez de um leproso. A lepra, nos tempos bíblicos, além de ser uma chaga maligna, destruidora e incurável, sendo um estigma social que bania a pessoa do meio em que ela vivia, da sua família e amigos, também carregava um significado espiritual, uma marca, sendo quase que um sinônimo de pecado e de maldição, de abandono total por parte de Deus.

Alguns escritores judeus chegaram a estabelecer que a lepra sempre teria por causa aquelas 6 ou 7 abominações que aborreciam tremendamente ao Senhor, e que estão relatadas em Provérbios 6:16. Relembrando: o olhar orgulhoso, a língua mentirosa, mãos que matam gente inocente, a mente que faz planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que diz mentiras e a pessoa que provoca brigas entre amigos. E por toda e qualquer análise que se faca, aquele homem que veio a Jesus era uma pessoa absolutamente miserável e condenada a uma sobrevida penosa e desgraçada.

O leproso era um segregado, a própria família tinha vergonha de admitir que tivesse um leproso na família. O sistema então vigente empurrava os leprosos para os desertos, não podiam entrar nas cidades, eles mesmos eram obrigados a andar gritando "sou leproso", "sou impuro", para que outros não se aproximassem deles. Era um procedimento cruel, contra tudo que hoje entendemos por civilidade, politicamente correto. E, além disso, a aparência era horrível, repulsiva. Quem, por infortúnio, tocasse um leproso, estaria automaticamente tão imundo quanto ele.

Vamos ler o texto completo que está em Marcos (é pequeno) para nos inteirarmos da história toda. Esse Evangelho é o menor dos quatro, o mais objetivo, e provavelmente o mais antigo, apesar de ser o segundo que consta no Novo Testamento. É um Evangelho meio que anônimo, não ha nele uma indicação clara de quem o escreveu, mas há um grande consenso entre os historiadores e os chamados "pais da igreja" de que foi escrito por João Marcos. Ele não fez parte dos 12 discípulos de Jesus, mas era próximo de Pedro e foi aquele companheiro problemático de Paulo e Barnabé em sua primeira viagem missionária.

"Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me. Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo! No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo. Fazendo-lhe, então, veemente advertência, logo o despediu e lhe disse: Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo. Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas coisas e a divulgar a notícia, a ponto de não mais poder Jesus entrar publicamente em qualquer cidade, mas permanecia fora, em lugares ermos; e de toda parte vinham ter com ele."

Há várias reflexões úteis e profundas a se tirar desse incidente bíblico, mas hoje eu quero me ater a uma que nem sempre é abordada quando se fala sobre a cura daquele leproso.

Jesus estava no começo do seu ministério. Tinha havia pouco chamado os seus primeiros discípulos. Sua fama começava a correr, e ele quase não podia entrar nas cidades, tal era o acumulo de gente à sua procura, buscando um milagre ou buscando ouvi-Lo. Após aquela cura, surpreendentemente Jesus deu ao homem uma orientação no mínimo estranha: uma ordem para que ele fosse embora, não dissesse a ninguém pela rua o que lhe tinha acontecido, e ao invés disso, primeiro fosse ao templo cumprir um ritual de acordo com a lei de Moises, não como retribuição, nem mesmo como agradecimento, mas para que servisse de testemunho aos outros. Para que os sacerdotes atestassem que ele estava realmente curado.

E o pior, o homem fez exatamente o contrario do que Cristo mandara. Saiu dali, e, claro, inteiramente tomado por uma alegria e felicidade incontidas, contou a todos o que Jesus tinha feito. A tal ponto, que começou a prejudicar ate a logística do ministério de Jesus, que não podia mais ir a qualquer lugar publico, como acontece hoje, por outros motivos, com as celebridades do nosso tempo.

Já ouvi muitas explicações para o fato de haver Jesus dado aquela ordem. Já ouvi dizer que Jesus não queria aparecer ou não queria atrair pessoas apenas pelos Seus milagres (mas aquele era apenas um dos primeiros). Também já ouvi que Jesus queria que os sacerdotes já começassem a compreender que Ele era o Filho de Deus. Ouvi também que Jesus não queria muito burburinho, muita publicidade pra não atrair a ira dos sacerdotes e escribas. Outros dizem que Jesus mostrou ali a importância de se cumprir os procedimentos da lei cerimonial então vigente, e Jesus não queria descumprir nada.

Explicações, explicações, e eu diria, especulações demais. E é nesse aspecto pouco comentado que eu quero hoje me deter, pegando esse pequeno detalhe da historia para levantar uma questão bem maior. A nossa mania de, ao invés de simplesmente aceitar, de acatar as recomendações, diretrizes e comandos do Evangelho, ficarmos no nível da discussão, das explicações desnecessárias, de querer primeiro entender para só depois considerar.

Antes que me interpretem mal, eu quero dizer que não acredito que Deus espera de nós obediência cega e burra, mas sim que Ele quer de nós uma obediência racional e confiante. Se Ele disse que não era para contar aquele fato publicamente, não tenho que discutir as razões, tenho que acreditar que o Rei do Universo sabe o que esta fazendo bem mais do que eu. Se Ele disse para que eu me apresente ao sacerdote para que este comprove minha cura, quem sou eu para discutir esse comando? Ele me deu uma cura maravilhosa, salvou a minha vida, mudou completamente o meu horizonte e as minhas possibilidades, pra que então discutir com um Ser desses?

Na maior parte das vezes, não vamos entender as razoes de Deus. Não vamos compreender nessa vida os porquês das situações que presenciamos e das quais tomamos conhecimento. Conheço um homem, um patriarca, um homem de Deus, o único considerado justo em seu tempo, que também não entendeu um dia as razoes de Deus. Alias, nem ele, e nem eu. Estou falando de Jó. Pra nos é ate mais fácil, porque nos conhecemos o contexto em que tudo aquilo aconteceu. Mas e ele? O pobre Jó morreu sem saber o que tinha acontecido com ele. Só saberá disso na eternidade.

O livro de Jó, depois de toda a desgraca que sucedera a ele, passa então a ser uma tremenda troca de discursos, polemicas e acusações, entre ele, sua mulher e seus três amigos, além do jovem e afoito Eliú, um quarto personagem, que presenciou toda a discussão e no final também se revoltou contra Jó e quis ridiculariza-lo. E, após mais de 30 capítulos de intensa discussão, de desespero e lamentação, chega então o próprio Deus no meio de uma tempestade.

Parecia que agora todas as questões levantadas por Jó, sua mulher e aqueles quatro homens, iriam finalmente ser respondidas. E vocês sabem, de todas as muitas e variadas questões apresentadas ao longo do livro, quantas Deus respondeu e explicou? NENHUMA. Ao contrário, Deus passou a fazer as Suas próprias considerações, as Suas próprias perguntas, a tal nível, que só ai, então, "caiu a ficha" de Jó. Ele finalmente se envergonha, reconhece a sua pequenez e diz Deus textualmente: "Na verdade, falei de coisas de que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.". Disse mais: "Sou indigno, ponho a mão na minha boca, o que te responderia eu?". Está tudo lá a partir do capitulo 40.

Temos que parar de discutir as orientações divinas, as coisas que Deus encaminha em nossa vida, as soluções que Ele nos apresenta, e até mesmo as provações e duras lutas que nos afrontam, com a Sua permissão, claro. Isso só é admissível em quem não conhece a Deus, quem não sabe Quem Ele é, quem não teve qualquer experiência com Ele. O cristão, que já tem conhecimento de Deus, e relacionamento com Ele, precisa desenvolver uma fé confiante (parece uma expressão pleonástica, redundante, mas não é). A fé que precisamos ter é aquela que, mesmo não compreendendo a situação (e na maioria das vezes não vamos compreender), ainda assim escolhe confiar, acreditar.

Com a nossa mente, nosso intelecto degenerescido por milênios de pecado, de regressão, de perversão, não temos a menor condição de compreender os desígnios, os propósitos divinos, que se discernem espiritualmente, porque Deus é Espirito. Nunca peço a Deus que me ajude a compreendê-Lo, pois estaria pedindo o impossível. Peço sim, que me ajude a perceber e identificar qual é a Sua vontade - isso me basta - e que eu possa me submeter a ela, se possível, com alegria. Compreendê-la, só na eternidade, com corpo glorificado e mente transformada.

Maria, mãe do Salvador, não compreendia toda a profundidade, toda a dimensão da missão de seu Filho. Ela ficou certamente perplexa em muitos momentos de sua convivência com Jesus. Mas em todos eles, a Bíblia diz assim: “E Maria, não compreendendo o que dizia, guardava aquelas coisas em seu coração.” Ou seja, ela escolhia acreditar, esperar.

Lembram-se daquele final, com Cristo já no final do Seu ministério, dando as ultimas instruções aos discípulos, preparando a todos para o que haveria de vir, de repente Ele diz essa: "Ainda tenho muito a lhes dizer, mas vocês não iriam suportar agora". Joao 16:12. Outra versão diz: "vocês não iriam entender agora.".

Quando você identificar que Deus dirige sua vida em determinada direção, de modo inexplicável, incompreensível num primeiro momento, estranho até, ajoelhe-se e diga: “Pai, não estou entendendo nada, não sei o que Tu estás fazendo, o que estás preparando pra mim, mas não vou fazer perguntas, escolho humildemente confiar em Ti. Ajuda-me, tão somente a perceber qual é a Tua vontade. Quero seguir por ela, certo de que será o melhor pra mim. Escolho Acreditar.”.

Que Deus abençoe você, sua família e toda sua vida.

Autor: Mário Jorge Lima

1 comentários:

Olá Mario Jorge,

Bom dia!

Escrevo para dizer de minha alegria ao encontrar esse Blog.
Já o ouvi algumas vezes e sabe quando fica aquele gostinho de quero mais? Pois é, sempre me senti assim depois de ouvir seus sermões e agora eis que encontro aqui tantas riquezas compartilhadas. Serei seguidora assídua, conte com isso.
A poucos dias pedi que me aceitasses como amiga no Face, na esperança justamente de encontrar algo assim. Agradeço por me aceitar e ainda por compartilhar
(maravilhosamente bem) de seus conhecimentos sobre o nosso querido Deus. Que Ele o abençoe e guarde e continue dando-lhe muita sabedoria e disposição para continuar na caminhada rumo às mansões celestiais.
Sempre que se lembrar ore por mim tá? orarei por você também!

Receba meu abraço com apreço e admiração!

Fátima Oliveira - (me inscrevi aqui com o nome do meu blog: Ideias Práticas para Sala de Aula se quiser dar uma passada por lá, esteja à vontade)

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