Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 22 de julho de 2011

1(1) - Cumprindo a ordem do Mestre em 3 minutos

Enquanto penso na nova Série que começarei a apresentar dentro em breve, provavelmente sobre o FRUTO DO ESPÍIRITO, iremos conversando aqui sobre outros temas espirituais variados, aumentando assim a nossa vivência nas coisas de Deus. É muito bom conversar e extrair reflexões importantesdo Evangelho.

Como cristão, tenho meditado bastante sobre a responsabilidade que Cristo delegou a todos aqueles que O aceitam como Salvador. Estou falando da pregação do Evangelho. Na realidade Jesus não nos pediu nada muito complicado. Às vezes pensamos que temos que ser pastores, evangelistas, missionários em terras estrangeiras, instrutores bíblicos, professores, conhecedores profundos de doutrinas e profecias, para poder atender a ordem do Mestre.

Mas, vejam o que vou lhes dizer: Cristo nos pediu que fizéssemos algo um pouco diferente disso, algo bastante envolvente, e que todos, sem exceção, homens, mulheres, crianças, com ou sem cultura, com ou sem conhecimento bíblico profundo, temos condição de fazer. Vocês tem idéia do mandado que Cristo nos deixou antes de voltar para o Céu? Vamos ver isso em Atos 1:8:

"Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas 'testemunhas' tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.".

Então, o que Cristo nos pede é algo bem definido, e eu vou mostrar que embora pareça simples, é de extrema importância no processo de salvação de almas para o Reino de Deus.

Às vezes pensamos que nosso trabalho missionário como pescadores de homens, envolve termos que conhecer as profecias e doutrinas de forma profunda, significa sermos capazes de tirar qualquer duvida teológica que nos apresentem, significa sairmos pregando efusivamente pelas ruas e de porta em porta. E isso nos leva muitas vezes a dizer: eu não sei ensinar, não sei pregar, não sei dar um estudo bíblico. Pois eu vou dizer a vocês: tudo que Cristo nos pediu foi que fossemos suas Testemunhas. Isso não é pouca coisa!

E qual é o papel de uma testemunha, o que é que uma testemunha faz? Já pararam pra pensar nisso? Uma testemunha, em qualquer processo jurídico, investigatório, criminal, policial, é alguém que diz aquilo que ouviu, aquilo que ele viu, aquilo que ele sabe, a respeito de algum incidente, algum fato, alguma pessoa. E de uma testemunha que se preza como tal, espera-se que diga a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade. Em alguns tribunais ainda existe o hábito de jurar quanto a isso com a mão sobre uma Bíblia.

Podem fazer a analogia com as coisas de Deus. De uma testemunha de Deus, de Cristo Jesus, espera-se então que diga tudo que sabe, tudo que aprendeu, tudo que ouviu a respeito de Cristo Jesus. Isso é o que Cristo espera que você faca pelo Reino de Deus. Com certeza era o que tinha em mente quando disse as palavras mencionadas em Atos.

Saiba de uma coisa: se você conhecer tudo sobre profecias, tudo sobre doutrinas, recitar capítulos inteiros da Bíblia, tiver argumentos prontos na ponta da língua para explicar qualquer coisa que lhe perguntarem, tiver um bom traquejo com versões e traduções, até mesmo com os originais das Escrituras no grego e no hebraico, mas for incapaz de dizer pra alguém, efetivamente, o que Cristo fez em sua vida, o que Ele mudou em você, de que forma sua vida mudou pra melhor a partir do momento em que conheceu o Evangelho, sinto muito, mas toda sua erudição, todo seu conhecimento, não lhe servirá de muita coisa, e não vai impressionar verdadeiramente a quem o ouvir.

Não estou dizendo aqui que esses elementos, tais como o entendimento de profecias, o conhecimento doutrinário, os detalhes que descobriu em pesquisas bíblicas, não tem importância. Claro que tem. Mas isso não é o prato principal do Evangelho que salva e que você é instado a comunicar as pessoas. Nada, nada mesmo, conseguirá impressionar tão poderosamente a quem você estiver procurando alcançar com a mensagem da graça, como o relato real e sincero de uma vida transformada pelo poder do Evangelho de Cristo Jesus. Vejam o que é dito em Isaías 43:9-12:

"Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, o meu servo a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há salvador. Eu anunciei salvação, realizei-a e a fiz ouvir; deus estranho não houve entre vós, pois vos sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR; eu sou Deus.".

Vocês sabem de quanto tempo precisamos para dar um testemunho a respeito disso que estamos falando? É muito pouco tempo. Não é preciso fazer uma preleção ou apresentação de uma hora ou mais. Você só precisa de, pasme, 3 minutos. Não acredita? É isso mesmo que eu disse. Para testemunhar a respeito do que Deus fez por você, não precisará mais que 3 minutos. Não estou dizendo que você só deve falar às pessoas por apenas 3 minutos. Mas, estou dizendo que em 3 minutos você é capaz de dar um testemunho completo. Vou provar isso a você, pela própria Bíblia.

Primeiro vamos definir o que temos que falar nesse testemunho. Apenas isso: como era você ou sua vida antes de conhecer a Jesus (1 minuto). Como foi o encontro com Ele, ou o momento em que você conscientemente disse SIM a Ele (1 minuto). E como ficou sua vida depois disso (1 minuto). Pronto. Isso é tudo. Portanto, 3 minutos.

Estou falando do testemunho que todo cristão, independente de sua idade, independente do seu conhecimento bíblico, doutrinário, teológico, independente do tempo que tem de convertido, tem que estar preparado para dar. E isso pode acontecer no ponto do ônibus, na fila do caixa eletrônico, na fila do supermercado, caminhando numa praça ou na praia, se você é estudante, num intervalo das aulas, enfim, em qualquer hora e lugar. Você tem que estar pronto para testemunhar.

Lembre-se: tudo que você tem que fazer é dizer o que aconteceu com você. E isso, ninguém melhor que você tem condição de fazer. Concorda comigo? Só você sabe o que sentiu, o que passou, o que vivenciou, que emoções lhe sobrevieram. Só você sabe falar da alegria que invadiu sua vida, das lutas que venceu e está vencendo, do quanto Cristo Jesus mudou o seu viver ao lhe apresentar o Reino da Graça e lhe falar do Reino da Glória. Só você saberá dizer do quanto foi perdoado, e do quanto perdoou. Só você sabe como tem enfrentado, às vezes fraquejado e vacilado, mas muitas vezes também vencido no poder do Espírito. Isso é testemunhar.

Vou mostrar agora, para terminar, um poderoso testemunho desse tipo, dado por ninguém menos que o príncipe do Evangelho de Cristo Jesus, o Herói da Fe que decodificou toda a questão da graça e da salvação para as igrejas da era cristã. Estou falando do nosso mui amado Paulo de Tarso. Todo o relato esta lá em Atos 26:1-32. Depois leia com calma.

O contexto foi o seguinte. Paulo foi levado perante o Rei Agripa. Este foi um dos quatro Herodes que viveram e foram mencionados na Bíblia. Ele era bisneto de Herodes o Grande, o que mandou matar as criancinhas quando Jesus nasceu. E governou alguns territórios sob a jurisdição de Roma. Paulo não tinha obrigação nenhuma de se apresentar e nem de se defender perante ele, pois já havia apelado para César, em Roma e estava aguardando retorno da sua solicitação. Mas aproveitou a oportunidade para testemunhar ao rei judeu. Tudo que ele queria era isso, testemunhar.

Se você ler aí, depois, esses 32 versículos, sem pressa, vai levar exatamente 3 minutos. E vai ver que Paulo faz exatamente o que eu mencionei há pouco. Ele fala da sua vida anterior, de fariseu raivoso. Depois fala do seu encontro com o seu Senhor, no caminho de Damasco. E então discorre sobre sua vida após isso. Evidentemente que pode ter levado mais que 3 minutos, mas a parte objetiva e clara da conversa tomou apenas 3 minutos.

E aquele testemunho foi tão poderoso, que ao final, o Rei Agripa, profundamente emocionado, disse a Paulo, na presença de todos; "Por pouco tu conseguirias me persuadir a me tornar um cristão!". E saiu dali dizendo que Paulo não tinha feito nada de errado, não tinha nenhuma culpa, e bem poderia ter sido solto se não houvesse apelado para comparecer perante Cesar em Roma.

Finalizando eu lhe diria: mude sua concepção sobre o que deve fazer para alcançar as pessoas. Faça como Paulo, apenas conte, conte, conte o que aconteceu e acontece com você, sem nenhuma preocupação com o resto. O que tiver que vir depois, virá depois. Não é a erudição do seu sermão ou da sua fala, não é a solidez dos seus argumentos, não é a música que você canta, não é a beleza e o conforto do templo em que você congrega, não é nada disso que transforma as pessoas. O que as comove é ver o que o Evangelho de fato fez na sua vida. E não esqueça que quem faz a semente crescer não é quem semeia, é o dono da seara.

Sabem, eu acho que em nossas igrejas talvez tenhamos falação demais, louvor de menos, e não temos nenhum testemunho. Raramente temos um testemunho, e quando isso acontece, é com tempo contadinho. Uma boa parte das programações dos nossos principais Cultos, que são nos Sábados, ou nos Domingos dos nossos irmãos evangélicos, deviam ser tomados para testemunhar, para mostrar e contar o que Deus fez e faz por cada um de nós. É isso que faz a religião valer a pena. Não sendo isso, não havendo resultado em ser cristão, não havendo amostra dos frutos e das conseqüências benéficas de se andar ao lado de Cristo, quem vai se impressionar com a nossa pregação?
Termino por aqui, mas antes quero deixar uma pergunta: nessa questão de testemunhar, e de fazer isso em tempo curto, vocês sabiam que podemos pregar o Evangelho de Cristo Jesus, com todas as suas principais nuances, num único versículo? Esse será o tema da nossa próxima conversa. Que versículo sera esse? Penso que temos mais de um, são textos curtos e inspirados, que conseguem passar toda a beleza da salvação em Cristo Jesus em poucas palavras.
Que Deus o abençoe e faça de você uma eficaz e verdadeira testemunha de Seu Reino.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 15 de julho de 2011

1(1) - Escolho Acreditar

Na sexta-feira passada nós terminamos aqui uma série de 9 programas, 9 conversas, nas quais procuramos entender um pouquinho mais cada frase, cada expressão da Oração do Senhor, o nosso querido e amado PAI NOSSO. Espero que tenha acrescentado alguma coisa à sua experiência pessoal com essa prece tão querida e inspiradora.

Estou ainda meditando e pedindo a Deus sabedoria para empreender a próxima série, que pretendo que seja sobre o FRUTO DO ESPÍRITO. Enquanto isso não acontece, vamos tratando aqui de outros variados assuntos do Evangelho, que são temas inesgotáveis, sempre com ensinamentos profundos para nossa vida.

Gosto muito de ler sobre as parábolas de Jesus, bem como sobre os milagres que Ele praticou. Isso é uma inspiração constante pra minha vida. E essas também deverão ser duas séries que abordarei futuramente. Aliás, os 4 Evangelhos e as Epístolas dos apóstolos de Cristo tem constituído já há algum tempo a minha principal fonte de interesse e leitura em se tratando de Bíblia. Sabemos que toda a Escritura foi inspirada por Deus, mas, é claro que cada um de nós tem seus textos preferidos, seus Salmos preferidos, bem como seus livros prediletos, com os quais mais nos identificamos, dentro dos 66 que a Bíblia possui.

Estava lendo hoje cedo no meu escritório, o incidente que se encontra em Marcos 1:40-45. Relata a cura que Cristo fez de um leproso. A lepra, nos tempos bíblicos, além de ser uma chaga maligna, destruidora e incurável, sendo um estigma social que bania a pessoa do meio em que ela vivia, da sua família e amigos, também carregava um significado espiritual, uma marca, sendo quase que um sinônimo de pecado e de maldição, de abandono total por parte de Deus.

Alguns escritores judeus chegaram a estabelecer que a lepra sempre teria por causa aquelas 6 ou 7 abominações que aborreciam tremendamente ao Senhor, e que estão relatadas em Provérbios 6:16. Relembrando: o olhar orgulhoso, a língua mentirosa, mãos que matam gente inocente, a mente que faz planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que diz mentiras e a pessoa que provoca brigas entre amigos. E por toda e qualquer análise que se faca, aquele homem que veio a Jesus era uma pessoa absolutamente miserável e condenada a uma sobrevida penosa e desgraçada.

O leproso era um segregado, a própria família tinha vergonha de admitir que tivesse um leproso na família. O sistema então vigente empurrava os leprosos para os desertos, não podiam entrar nas cidades, eles mesmos eram obrigados a andar gritando "sou leproso", "sou impuro", para que outros não se aproximassem deles. Era um procedimento cruel, contra tudo que hoje entendemos por civilidade, politicamente correto. E, além disso, a aparência era horrível, repulsiva. Quem, por infortúnio, tocasse um leproso, estaria automaticamente tão imundo quanto ele.

Vamos ler o texto completo que está em Marcos (é pequeno) para nos inteirarmos da história toda. Esse Evangelho é o menor dos quatro, o mais objetivo, e provavelmente o mais antigo, apesar de ser o segundo que consta no Novo Testamento. É um Evangelho meio que anônimo, não ha nele uma indicação clara de quem o escreveu, mas há um grande consenso entre os historiadores e os chamados "pais da igreja" de que foi escrito por João Marcos. Ele não fez parte dos 12 discípulos de Jesus, mas era próximo de Pedro e foi aquele companheiro problemático de Paulo e Barnabé em sua primeira viagem missionária.

"Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me. Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo! No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo. Fazendo-lhe, então, veemente advertência, logo o despediu e lhe disse: Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo. Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas coisas e a divulgar a notícia, a ponto de não mais poder Jesus entrar publicamente em qualquer cidade, mas permanecia fora, em lugares ermos; e de toda parte vinham ter com ele."

Há várias reflexões úteis e profundas a se tirar desse incidente bíblico, mas hoje eu quero me ater a uma que nem sempre é abordada quando se fala sobre a cura daquele leproso.

Jesus estava no começo do seu ministério. Tinha havia pouco chamado os seus primeiros discípulos. Sua fama começava a correr, e ele quase não podia entrar nas cidades, tal era o acumulo de gente à sua procura, buscando um milagre ou buscando ouvi-Lo. Após aquela cura, surpreendentemente Jesus deu ao homem uma orientação no mínimo estranha: uma ordem para que ele fosse embora, não dissesse a ninguém pela rua o que lhe tinha acontecido, e ao invés disso, primeiro fosse ao templo cumprir um ritual de acordo com a lei de Moises, não como retribuição, nem mesmo como agradecimento, mas para que servisse de testemunho aos outros. Para que os sacerdotes atestassem que ele estava realmente curado.

E o pior, o homem fez exatamente o contrario do que Cristo mandara. Saiu dali, e, claro, inteiramente tomado por uma alegria e felicidade incontidas, contou a todos o que Jesus tinha feito. A tal ponto, que começou a prejudicar ate a logística do ministério de Jesus, que não podia mais ir a qualquer lugar publico, como acontece hoje, por outros motivos, com as celebridades do nosso tempo.

Já ouvi muitas explicações para o fato de haver Jesus dado aquela ordem. Já ouvi dizer que Jesus não queria aparecer ou não queria atrair pessoas apenas pelos Seus milagres (mas aquele era apenas um dos primeiros). Também já ouvi que Jesus queria que os sacerdotes já começassem a compreender que Ele era o Filho de Deus. Ouvi também que Jesus não queria muito burburinho, muita publicidade pra não atrair a ira dos sacerdotes e escribas. Outros dizem que Jesus mostrou ali a importância de se cumprir os procedimentos da lei cerimonial então vigente, e Jesus não queria descumprir nada.

Explicações, explicações, e eu diria, especulações demais. E é nesse aspecto pouco comentado que eu quero hoje me deter, pegando esse pequeno detalhe da historia para levantar uma questão bem maior. A nossa mania de, ao invés de simplesmente aceitar, de acatar as recomendações, diretrizes e comandos do Evangelho, ficarmos no nível da discussão, das explicações desnecessárias, de querer primeiro entender para só depois considerar.

Antes que me interpretem mal, eu quero dizer que não acredito que Deus espera de nós obediência cega e burra, mas sim que Ele quer de nós uma obediência racional e confiante. Se Ele disse que não era para contar aquele fato publicamente, não tenho que discutir as razões, tenho que acreditar que o Rei do Universo sabe o que esta fazendo bem mais do que eu. Se Ele disse para que eu me apresente ao sacerdote para que este comprove minha cura, quem sou eu para discutir esse comando? Ele me deu uma cura maravilhosa, salvou a minha vida, mudou completamente o meu horizonte e as minhas possibilidades, pra que então discutir com um Ser desses?

Na maior parte das vezes, não vamos entender as razoes de Deus. Não vamos compreender nessa vida os porquês das situações que presenciamos e das quais tomamos conhecimento. Conheço um homem, um patriarca, um homem de Deus, o único considerado justo em seu tempo, que também não entendeu um dia as razoes de Deus. Alias, nem ele, e nem eu. Estou falando de Jó. Pra nos é ate mais fácil, porque nos conhecemos o contexto em que tudo aquilo aconteceu. Mas e ele? O pobre Jó morreu sem saber o que tinha acontecido com ele. Só saberá disso na eternidade.

O livro de Jó, depois de toda a desgraca que sucedera a ele, passa então a ser uma tremenda troca de discursos, polemicas e acusações, entre ele, sua mulher e seus três amigos, além do jovem e afoito Eliú, um quarto personagem, que presenciou toda a discussão e no final também se revoltou contra Jó e quis ridiculariza-lo. E, após mais de 30 capítulos de intensa discussão, de desespero e lamentação, chega então o próprio Deus no meio de uma tempestade.

Parecia que agora todas as questões levantadas por Jó, sua mulher e aqueles quatro homens, iriam finalmente ser respondidas. E vocês sabem, de todas as muitas e variadas questões apresentadas ao longo do livro, quantas Deus respondeu e explicou? NENHUMA. Ao contrário, Deus passou a fazer as Suas próprias considerações, as Suas próprias perguntas, a tal nível, que só ai, então, "caiu a ficha" de Jó. Ele finalmente se envergonha, reconhece a sua pequenez e diz Deus textualmente: "Na verdade, falei de coisas de que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.". Disse mais: "Sou indigno, ponho a mão na minha boca, o que te responderia eu?". Está tudo lá a partir do capitulo 40.

Temos que parar de discutir as orientações divinas, as coisas que Deus encaminha em nossa vida, as soluções que Ele nos apresenta, e até mesmo as provações e duras lutas que nos afrontam, com a Sua permissão, claro. Isso só é admissível em quem não conhece a Deus, quem não sabe Quem Ele é, quem não teve qualquer experiência com Ele. O cristão, que já tem conhecimento de Deus, e relacionamento com Ele, precisa desenvolver uma fé confiante (parece uma expressão pleonástica, redundante, mas não é). A fé que precisamos ter é aquela que, mesmo não compreendendo a situação (e na maioria das vezes não vamos compreender), ainda assim escolhe confiar, acreditar.

Com a nossa mente, nosso intelecto degenerescido por milênios de pecado, de regressão, de perversão, não temos a menor condição de compreender os desígnios, os propósitos divinos, que se discernem espiritualmente, porque Deus é Espirito. Nunca peço a Deus que me ajude a compreendê-Lo, pois estaria pedindo o impossível. Peço sim, que me ajude a perceber e identificar qual é a Sua vontade - isso me basta - e que eu possa me submeter a ela, se possível, com alegria. Compreendê-la, só na eternidade, com corpo glorificado e mente transformada.

Maria, mãe do Salvador, não compreendia toda a profundidade, toda a dimensão da missão de seu Filho. Ela ficou certamente perplexa em muitos momentos de sua convivência com Jesus. Mas em todos eles, a Bíblia diz assim: “E Maria, não compreendendo o que dizia, guardava aquelas coisas em seu coração.” Ou seja, ela escolhia acreditar, esperar.

Lembram-se daquele final, com Cristo já no final do Seu ministério, dando as ultimas instruções aos discípulos, preparando a todos para o que haveria de vir, de repente Ele diz essa: "Ainda tenho muito a lhes dizer, mas vocês não iriam suportar agora". Joao 16:12. Outra versão diz: "vocês não iriam entender agora.".

Quando você identificar que Deus dirige sua vida em determinada direção, de modo inexplicável, incompreensível num primeiro momento, estranho até, ajoelhe-se e diga: “Pai, não estou entendendo nada, não sei o que Tu estás fazendo, o que estás preparando pra mim, mas não vou fazer perguntas, escolho humildemente confiar em Ti. Ajuda-me, tão somente a perceber qual é a Tua vontade. Quero seguir por ela, certo de que será o melhor pra mim. Escolho Acreditar.”.

Que Deus abençoe você, sua família e toda sua vida.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 8 de julho de 2011

9(9) - Livra-nos do mal, porque Teu é o Reino...

Chegamos ao final da Oração do Senhor, a oração modelo ensinada por Cristo Jesus no Sermão da Montanha. E temos aqui duas frases bem conhecidas, que encerram essa simples e bela oração.

LIVRA-NOS DO MAL, é a primeira. Vamos então refletir sobre o que é o Mal. Lá em tempos imemoriais, segundo sabemos pela Bíblia, quando começou todo esse grande conflito cósmico no qual estamos envolvidos, Lúcifer, aquele belo e maravilhoso anjo de luz, obra prima da criação de Deus, se rebelou contra o Criador. A descrição das Escrituras diz assim, em Ezequiel 28:15: "Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade [mal] em ti."

Ao que parece então, a iniquidade, ou seja, o mal, o pecado, a injustiça (todos são sinônimos entre si) era algo maior que o próprio Lúcifer, pois foi uma condição na qual ele se achou em um determinado momento de sua existência celeste, e que tomou posse do seu coração, dominou sua mente, transtornou sua existência. Vocês querem saber que condição foi essa que assumiu o controle sobre a vida de Lúcifer, e que é, de igual modo, o que também acontece com cada um de nós? Chama-se: afastamento de Deus. Na realidade, o mal tomou forma e passou a existir porque Lúcifer se afastou do Bem, se afastou do Criador e de Seus propósitos, para se concentrar em si próprio, querendo ser semelhante ao Deus Altíssimo.

Vamos juntar esse pensamento com a melhor e mais simples definição do que seja o mal: é o oposto do Bem. Se perto de Deus você esta perto do Bem, por consequência, longe de Deus você esta perto do Mal. Quando Jesus disse as palavras: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida..." Ele estava dizendo: "Eu sou o Bem", ou, usando uma expressão muito em voga hoje no meio jovem, "Eu sou tudo de bom".

Ora, se Cristo é a personificação do Bem, ou seja, de tudo aquilo que é bom, obviamente que o Mal, ou tudo aquilo que é ruim, desde a rebelião de Lúcifer nos céus, passou a tomar forma na pessoa dele, que se tornou então, Satanás. Assim como o Bem é uma pessoa, o Mal também passou a ser, dali pra frente, uma pessoa.

Dessa maneira, podemos entender esse pedido final da Oração do Senhor assim: "Livra-nos do maligno", "Livra-nos de Satanás", ou então: "Livra-nos do Mau", mas com "u", daquele que é mau. Na língua inglesa dá pra sentir isso bem, na ótima versão bíblica American Standard Version, quando ela diz: "Deliver us from the evil one", isto é, "Livra-nos da pessoa do mal". Significativo e objetivo pedido. Assim, pois, esse derradeiro pedido na Oração do Senhor se faz no sentido de que Ele nos livre do próprio Satanás.

E terminando a Oração do Senhor encontramos as expressões finais que dizem: "PORQUE TEU É O REINO, O PODER E A GLÓRIA, PARA SEMPRE, AMÉM!". E nós, toda a cristandade, concordamos e dizemos um forte AMÉM!

Apenas como informação: toda essa frase, incluindo o "Amém", também não fazia parte dos escritos originais do Evangelho de Mateus, vindos do grego. Em algumas versões da Bíblia, como por exemplo, em português, a ARA (Almeida Revista e Atualizada), as expressões ou palavras que não faziam parte dos textos originais vêm entre colchetes, aquele sinalzinho gráfico que parece um parêntese retilíneo. O mais provável é que esses apêndices tenham sido colocados como notas dos tradutores ou copistas. Damos graças a Deus que pelos originais existentes sabemos disso. Aliás, no Evangelho de Lucas 11:4 essa expressão não consta.

De qualquer forma, essa é uma espécie de Doxologia que encerra a Oração do Senhor. Doxologia significa literalmente "palavra de glória", e quando aplicada a Deus é uma forma de louvor, de adoração, de reconhecimento de tudo que Ele é. Há na Bíblia diversos textos que são pura Doxologia, notadamente em alguns Salmos de Davi, textos de Paulo e também de Judas. O contexto é sempre de louvor, de adoração, da criatura maravilhada diante da santidade e dos dons do Criador.

Portanto, esse "acréscimo", se é que podemos dizer assim, feito na Oração do Senhor, devidamente notado, anotado e conhecido, embora não faça parte do relato original inspirado de Mateus, acaba se encaixando no espírito geral dessa oração. Podemos orar essa frase sem susto, sabendo que estamos dizendo coisas corretas, que se ajustam ao caráter de Deus. E da mesma forma, se alguém não quiser orar assim, para ficar de acordo com o texto original, também não há nenhum problema com isso.

Encerramos hoje a nossa série de reflexões sobre essa bela, simples e direta oração, ensinada por Jesus aos Seus discípulos no Sermão da Montanha, e depois repetida por Ele em outra ocasião, quando O encontraram orando e Lhe pediram que os ensinasse a orar.

Você não precisa e nem deve repetir mecanicamente essa oração, como uma ladainha, como um recitativo inconsciente, como uma liturgia fria, cumprindo um ritual. Ela é um modelo, que você pode usar sempre que quiser e precisar. Lembre-se que todo contato seu com Deus deve ser pleno de consciência, racional, com espírito de humildade e submissão, receptivo à vontade de Deus, de forma que se ajuste cada vez mais a essa vontade, e possa assim sentir aquela paz e conforto que só sentem os que colocam toda a sua confiança no Criador. Mas, deve refletir o seu momento, a sua relação com Ele.

Ainda voltaremos ao tema da oração em conversas futuras, esse é um assunto inesgotável, que muitas vezes não compreendemos, e até ficamos perplexos diante de certas indagações, do tipo:

. Se Deus já sabe tudo, é onisciente, por que então dizer a Ele o que quero ou preciso?

. Se Ele já é a expressão maior do amor e da bondade e misericórdia, por que então tenho de orar a fim de, de certa forma, persuadi-Lo a fazer alguma coisa por mim?

. Por que tentar mudar o plano, o propósito de Deus, a respeito de determinado assunto?

. Por que os milagres, como respostas às nossas orações, parecem ser poucos hoje em dia? Será que não estaríamos orando o bastante? Ou será que nossa fé é muito pouca e por isso Deus não nos ouve? Será que mais pessoas orando consigam mover a vontade de Deus?

Perguntas importantes, talvez não tenhamos respostas objetivas e claras para elas. Uma coisa é verdadeira: orar não é uma prática opcional. Orar é um mandamento. Temos que orar, e tanto quanto possível, orar sem cessar.

Há quem diga: pouca oração, pouco poder; muita oração, muito poder; nenhuma oração, nenhum poder. Eu prefiro dizer assim: pouca oração, pouca comunhão; muita oração, muita comunhão; nenhuma oração, nenhuma comunhão. Traduza-se aqui comunhão por relacionamento, intimidade com Deus. A oração frequente vai nos colocar, sem nenhuma dúvida, em sintonia cada vez maior com o nosso Deus.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 1 de julho de 2011

8(9) - Não nos induzas à tentação

Estamos quase no final da nossa tão amada e apreciada oração modelo, a ORAÇÃO DO SENHOR. E chegamos também à parte que talvez seja a mais complicada, mais difícil de compreender e que tem intrigado teólogos e estudiosos da Bíblia ao longo de todos os séculos, desde que o Salvador pronunciou essas frases finais.

Vejam que eu enunciei o titulo da Palestra usando a frase "Não nos induzas a tentação". É possível que alguns de vocês esteja aí pensando e dizendo que eu devo estar equivocado ou talvez usando uma tradução da Bíblia não muito adequada, pois o correto seria "Não nos deixes cair em tentação".

Pois eu lamento desapontá-los e informo que não estou errado, que a frase correta dos originais gregos do Novo Testamento é exatamente essa que eu enunciei: "Não nos induzas à tentação". Ao sentar para preparar essa matéria para hoje eu pedi a Deus que me desse as melhores palavras para transmitir a vocês uma ideia clara sobre esse assunto, de acordo com a Sua vontade.

Eu confesso que sempre tive e ainda tenho dificuldade de digerir essa frase da Oração do Senhor, desde criança, e sempre optei por orar a outra, mais conhecida, bem mais tranquila - segundo o meu entendimento - que diz "Não dos deixes cair em tentação". Causa verdadeira perplexidade pensar que Deus nos induza à tentação, ou seja, nos tente, nos leve a pecar, a fraquejar e a nos afastarmos dEle. Como o Pai das luzes iria agora me empurrar para o meio das trevas? Isso contraria tudo que conhecemos pela Bíblia a respeito de Deus e Seu caráter.

Excepcionalmente, talvez tenhamos hoje que abordar, bem rapidamente, alguns aspectos técnicos das traduções, apenas para entender mais claramente essa aparente contradição. Eu venho empreendendo, já há algum tempo, uma pesquisa razoável a respeito desse assunto, em livros, em diversas versões da Bíblia e também em bons sites da Internet.

Há algo que vamos desde o início estabelecer: pelo que se encontra nas Escrituras, Deus não tenta a ninguém, no sentido de incitar a pecar, de levar a praticar o mal. Tiago deixa isso bem claro no texto que se encontra no capítulo 1:13 de sua epistola: "Ninguém, sendo tentado, diga: 'de Deus sou tentado'; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta". Que isso, portanto, fique bem dito, respire fundo aí e sinta-se aliviado quanto a esse aspecto. Não, o nosso Deus não nos leva a pecar, e de modo algum nos tenta. Essa é uma blasfêmia na qual não vamos incorrer.

Mas, por outro lado, a frase "Não nos deixes cair em tentação" não é fiel ao original, não se encontra em nenhum dos manuscritos gregos que foram utilizados pelos reformadores para fazer suas traduções da Bíblia, notadamente a versão alemã feita por Lutero ou a King James em inglês, bem como a nossa Almeida Revista e Corrigida (ARC), feita por João Ferreira de Almeida, uma das mais coerentes e corretas versões da Bíblia em português. Essa frase, muito seguramente, foi utilizada por tradutores, que ao invés de simplesmente traduzirem, resolveram interpretar o que Jesus dissera, provavelmente preocupados e com a melhor das intenções, ou seja, de não chocar as pessoas. E ela, de fato, parece ser bem mais razoável, mais bonita, e traz uma solução cômoda para esse problema.

Não vou entrar aqui em debates eruditos nem me posicionar a respeito dos originais chamados Textus Receptus x Texto Critico, ou comparar as chamadas Bíblias Alexandrinas, não tão exatas com os textos gregos (como a Almeida Revista e Atualizada, a Bíblia na Linguagem de Hoje, a Bíblia Viva, a Nova Versão Internacional, a Bíblia de Jerusalém) contra as chamadas Bíblias da Reforma, mais alinhadas com os textos gregos (como a Almeida Revista e Corrigida, ou Almeida Corrigida e Fiel, entre outras poucas). Isso é coisa pra teólogos e linguistas e é bastante complicada pra nossa cabeça de cristãos leigos nessas matérias.

Aliás, eu vou dizer a vocês uma coisa: onde o homem põe a mão, não tem jeito, resulta confusão. É um verdadeiro milagre que o pensamento divino, a mensagem básica e primordial de salvação de Deus ao homem tenha sido preservada desde que foi dada aos profetas e apóstolos e tenha chegado aos nossos dias razoavelmente limpa e compreensível, apesar de todas as tentativas de Satanás para influir e influenciar tradutores, copistas, publicadores, clero, igrejas ao longo dos séculos. Nós sabemos que o inspirado não são as palavras da linguagem humana, nem o meio, o papel a matéria física. O inspirado foi o pensamento que chegou à mente dos escritores bíblicos e os moveu a escrever ou falar. Mas a partir do momento em que eles se dispuseram a escrever e falar, é logico que já estavam sujeitos aos erros e falhas do instrumento humano, com natureza pecadora e caída. Nós somos de fato um problema, onde pomos a mão trazemos a corrupção.

Mas, grande é a misericórdia do Senhor! Voltando ao nosso texto final da Oração do Pai Nosso, a melhor solução talvez seja buscar entender isso dentro da própria Bíblia. Lucas, nosso amado médico-evangelista, o único escritor da Bíblia que não era judeu, homem culto e inspirado, tem ajudado a solucionar e compreender melhor algumas coisas ditas por Mateus. Aqui ele nos dá uma boa ajuda ao enunciar a mesma oração, em Lucas 11:4, da seguinte forma: "E não nos conduzas em tentação, mas livra-nos do mal".

O verbo “conduzir” já dá uma ideia um pouco diferente do verbo “induzir”, ajuda-nos a compreender melhor. Conduzir não força, apenas leva, acompanha, ao contrário de induzir, que passa a ideia de empurrar, pressionar, seduzir. Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado. Abraão foi conduzido por Deus ao Monte Moriá para ser provado.

E aqui também entra em cena um novo componente linguístico: eu usei o verbo “tentar” e também o verbo “provar”. Na realidade, segundo vi no Novo Testamento no grego transliterado, em vários textos, a palavra é exatamente a mesma para “tentação” e “provação”: peirasmon. O que determina se é algo positivo (para nos testar, experimentar) ou algo negativo (para nos derrubar e enganar) é o contexto em que é usada e de quem isso vem. Se vem de Deus, podemos entender que é provação, tem um bom propósito, num contexto de nos polir, nos depurar, nos fazer crescer na graça. Mas, se vem de Satanás podemos entender como tentação, tem um mau propósito, no contexto de nos degradar e fazer afundar no pecado e na desgraça.

E é claro, todo cristão sabe por experiência própria, que Deus usa as provações do viver, até mesmo permite situações amargas para puxar o brilho espiritual que quer ver em cada um de nós. Infelizmente, muitos de nós precisamos disso, talvez seja a única forma de aprendermos de Deus. O apóstolo Tiago, irmão de Jesus, que sabia muito a esse respeito (leiam sua epístola com atenção), também disse no capitulo 1:2-3: "Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em varias tentações [provações - peraismois]; sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência.".

Portanto, após essas rápidas considerações sobre induzir / conduzir e tentação / provação, uma tradução da frase dita na Oração do Senhor, mais de acordo com todo o conteúdo bíblico a respeito de Deus e Seu caráter, e que nos ajuda a compreender o que Jesus ensinou, seria: "Não nos conduzas em provação".

E nesse caso ainda fica uma ultima questão: se ser conduzido por Deus em provação, logicamente com o objetivo de ser experimentado, provado, depurado e ter a fé fortalecida e aumentada, é, em essência, uma coisa positiva e até mesmo desejável, por que então pedir que Ele não nos leve a essa situação e nos livre dela?

Quero dizer, sem medo de errar: não se assuste, esse é um pedido inteiramente válido. Não fosse assim e Jesus não nos teria ensinado a orar dessa forma. É perfeitamente compreensível que o ser humano não queira passar por uma provação dura e queira ficar livre dela, e mais ainda, que ore e peça isso a Deus, mesmo sabendo que aquilo é de alguma forma, necessário. Foi o que o próprio Jesus orou no Getsêmani. Ele sabia quão benéfico, e mais que isso, quão indispensável seria para toda a humanidade que Ele morresse morte eterna, uma morte que o homem não poderia morrer. Mas ainda assim pediu: "Se possível, Pai, passa de mim esse cálice sem que eu o beba".

E você há de dizer: mas, Ele acrescentou "faça-se a Tua vontade e não a minha". Sim, é verdade. E a Oração do Senhor já começa dizendo exatamente isso: "Seja feita a Tua vontade". Então, fique tranquilo, está tudo certo, não há nada de errado ai, ore a Deus sem susto com as palavras originais, sem constrangimento, sem medo de estar blasfemando, sem medo de estar errado, não precisa dar voltas, não precisa usar outras frases para suavizar o que o Mestre ensinou: "Não nos conduzas em provação". Esse é o sentido exato de "Não nos induzas a tentação".

Porém, se ainda assim você se sentir constrangido e não quiser repetir as palavras originais desta oração, e preferir orar da forma mais conhecida, "não nos deixes cair em tentação", faça isso, não tem problema algum. Não é porque não está no original grego como sendo a frase exata narrada pelos evangelistas, que seja errado pedir isso a Deus. Converse com Ele da forma em que você se sentir melhor, enuncie seus anseios da maneira que o seu coração pedir, Ele saberá entende-lo. Ele quer que você se aproxime dEle. E daqui pra frente, não censure e nem ache que está errado ou blasfemando quem orar: "Não nos induzas a tentação", até porque agora você já sabe o que isso significa. E lembre-se, esse é apenas um modelo de oração.

No próximo programa nós vamos encerrar as reflexões sobre a Oração do Senhor. Ainda há algumas coisas muito interessantes a considerar nesse finalzinho dela.

Autor: Mário Jorge Lima