Postado em: sexta-feira, 17 de junho de 2011

6(9) - O pão nosso de cada dia dá-nos hoje

Vamos em frente com nossas reflexões, desta vez abordando a frase O PÃO NOSSO DE CADA DIA, DÁ-NOS HOJE. Na sequência dos desejos e anseios apresentados a Deus por quem ora esta prece, esse é o quarto deles. E vai direto, sem rodeios, a um pedido simples a respeito de algo do qual muito precisamos.

O pão sempre foi a representação genérica do alimento que precisamos para nossa subsistência e manutenção. Costumamos falar em "ganha-pão" quando nos referimos a atividades através das quais obtemos os recursos necessários para sustentar a nós mesmos e à nossa família. Eu diria que pão não se refere apenas ao alimento, mas, a tudo aquilo de que precisamos para viver.

Partir o pão, na refeição em família, orar sobre o pão agradecendo por termos o que comer, dividir o pão com quem tem menos que nós, são expressões que compreendemos bem e conseguimos com facilidade apreender o seu alcance.

Ao analisar esse pedido feito na oração do PAI NOSSO, me ocorrem diversas reflexões. Uma delas, sobre a qual quero me deter hoje, vem do entendimento que podemos ter da frase "pão nosso de cada dia". Significa que o pão é algo que temos que obter e conquistar diariamente, lutar por ele, busca-lo e adquiri-lo numa base diária. Nem sempre será possível acumular pão (ou seja, recursos) nos dias de abundancia e fartura para poder tê-lo disponível quando ele faltar ou ficar escasso.

Sendo assim, temos que orar pelas bênçãos do dia. Não precisamos orar para que Deus nos abençoe na nova semana, no novo mês ou no novo ano. As bênçãos são prometidas numa base diária. São sempre para as próximas 24 horas. Já pensou nisso? E foi nessa base diária que veio a recomendação de Cristo de que não deveríamos nos preocupar com a nossa subsistência, com o que haveríamos de comer, beber, vestir.

Jesus sabia do que estava falando. Sabia que essa seria, como é ate hoje, uma das maiores preocupações do ser humano. Sabia tanto, que repetiu essa admoestação naquele mesmo sermão. Temos que reconhecer que é muito difícil nos desligarmos dessas preocupações que tem a ver com o nosso bem-estar. E aqui se incluem preocupações com tudo aquilo que compõe a nossa vida, o nosso dia-a-dia e de nossa família, ou seja, alimentação, vestuário, moradia, compromissos, contas, negócios, estudos, projetos, saúde, planos e sonhos.

Acreditar que Deus cuida de tudo isso, coisas grandes e muitas delas quase insignificantes no nosso julgamento, é, acima de tudo, uma questão de fé, de muita fé. Descansar, certos de que Deus está vendo todas as nossas lutas, provações, dificuldades, tristezas, ansiedades, é, principalmente, relacionamento com Ele.

No Sermão da Montanha, onde Cristo ensinou essa prece, e falou sobre essas preocupações do dia-a-dia, ele solta outra frase bastante significativa e instigante. Dizendo que Deus sabe tudo que precisamos, e que devemos dar prioridade às coisas espirituais para que Ele nos acrescente tudo o mais, Jesus termina com esse pensamento: "basta a cada dia o seu mal".

Perceberam? Dessa forma, o Mestre admite claramente e afirma que cada dia pode ter, sim, uma cota de coisas ruins, uma carga de eventos desagradáveis, tristes, angustiantes, que Ele chama de mal. Isso é resultado do pecado e do mundo de pecado em que habitamos. Cada dia tem o seu mal, cada dia pode nos trazer aborrecimentos de diversas naturezas. São males do corpo e da alma. Males físicos e emocionais.

É preciso que saibamos disso. Aliás, a Palavra de Deus nunca nos enganou quanto a isso. Desde o Éden, ganhar o pão de cada dia deixou de ser uma atividade apenas de prazer e alegria, executada com recursos poderosos e sem falha, para se transformar em algo que se faz com suor e muitas vezes com lágrimas, sujeito a falhas, imperfeições e fracassos.

Podemos obter muita realização pessoal, profissional, material a partir daquilo que estudamos, que sabemos fazer, do nosso trabalho, da nossa profissão e dos nossos negócios. Deus nos abençoa diariamente nisso. Mas não nos enganemos: cada dia tem o seu mal. E temos que conviver com isso, aprender a lidar com isso, tirar lições disso, sabendo que Deus está no controle, e tanto quanto possível, temos que descansar, conscientes de que Deus nos dará o pão que precisamos.

Prestem atenção no que vou lhes dizer: Quando Cristo nos chama para nos fazer discípulos Seus, jamais promete uma vida sem dificuldades, sem tristezas, sem momentos ruins. Ele ate deixa-nos antever que esses momentos desagradáveis irão ocorrer, quando nos chama para "carregar uma cruz". A rigor, esse é o chamado do Evangelho. Um dia eu vou conversar aqui com vocês sobre o que eu penso que seja essa cruz que somos convidados a carregar.

Então, o que Ele nos promete é a assistência divina, o cuidado divino, o carinho divino, nos ajudando e ensinando a viver. A nossa MPB às vezes nos surpreende, e encontramos pequenas pérolas nela. Essa aqui, vejam só, de Roberto e Erasmo Carlos, gravada também pelos Titãs, e da qual eu gosto muito, dizia assim:

Quem espera que a vida seja feita de ilusão
Pode ate ficar maluco ou morrer na solidão
E preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra do caminho você pode retirar
Numa flor que tem espinhos você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem você pode escolher
É preciso saber viver

Ao orarmos pelo PÃO NOSSO DE CADA DIA, vamos considerar e saber de antemão que pode ser muito duro ganha-lo. Há pedras no caminho, o bem e o mal claramente existem e são antagônicos, e essa luta entre eles afeta profundamente a nossa vida. Mas, podemos escolher descansar no Senhor, temos que saber viver, acreditando que Ele tem interesse em nós.

Vejam esse pequeno Salmo de Davi, de número 131, que eu muito amo, que é muito confortador, e diz assim: "Senhor, o meu coração não é soberbo, nem os meus olhos são altivos; não me ocupo de assuntos grandes e maravilhosos demais para mim. Pelo contrário, tenho feito acalmar e sossegar a minha alma; qual criança desmamada sobre o seio de sua mãe, qual criança desmamada está a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no Senhor, desde agora e para sempre."

Jesus é o Pão da Vida. Quando oramos pelo pão nosso de cada dia, em última analise, também estamos orando para que Cristo esteja presente em nossa vida, em nosso lar, em nosso trabalho e seja nosso a cada dia, a cada momento. E temos que renovar esse estoque de Jesus na vida, diariamente. Não há alimento melhor para a alma.

Provavelmente vários dos que me leem vivem hoje com muita ansiedade, muito medo, muita apreensão em relação à sua vida material, familiar, seus relacionamentos, finanças, carreira, projetos, enfim, todas aquelas coisas que, conforme falei, também podemos incluir na expressão "pão nosso de cada dia". Eu vivo esse momento. Essa ansiedade tira a nossa paz. Pode parecer estranho dizer isso, mas não é fácil deixar que o Deus que cuida dos lírios do campo e das aves do céu, cuide também de nos. Queremos dar sempre as nossas próprias soluções. Somos impacientes e imediatistas. Eu sei do que estou falando.

Mas, faça o seguinte agora: feche os seus olhos, se quiser, apague a luz do seu quarto ou do seu escritório, eleve o pensamento a Deus, e pela fé, penetre na sala do trono de Deus. Sinta-se diante do trono de Deus e diante do Cordeiro, envolto pela influência santa do Seu Espirito.

Que Deus nos abençoe a todos, e nos leve a orar pelo pão de cada dia, sabendo que embora seja difícil ganhá-lo, se repousarmos tranquilos nos braços do Pai, podemos ter a certeza de que a cada momento Ele sabe o que precisamos. Ele nos guia e nos dá o seu favor, sabe o que é melhor para nós e alcançaremos misericórdia no momento oportuno.

Autor: Mário Jorge Lima

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