Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 27 de maio de 2011

4(9) - Venha o Teu Reino

Prosseguindo com as reflexões sobre a Oração do Senhor, temos agora a terceira frase, VENHA O TEU REINO, ou como se diz no latim, ADVENIAT REGNUM TUUM. Esse vem a ser o mais doce e acalentado desejo de todo cristão. ADVENIAT! VENHA! Expressa o anseio de ver alcançada a realização da nossa mais bem-aventurada esperança: ver Jesus voltar pela segunda vez.

Quando o Evangelho fala em Reino de Deus ou Reino dos Céus, pode estar falando de dois tipos de reino, que são: o Reino da Graça ou o Reino da Glória. Por exemplo: quando Joao Batista, e posteriormente o próprio Cristo, pregavam: "Arrependei-vos e convertei-vos porque é chegado o Reino de Deus" estavam se referindo ao Reino da Graça, personificado por Cristo, ali em carne humana, trazendo aos homens a oportunidade plena de salvação da condenação do pecado.

Já na oração do Senhor, esse "Venha o Teu Reino" se refere ao Reino da Glória, que nos será concedido na vinda de Cristo Jesus, não mais como Salvador e Redentor, mas agora como Rei soberano.

A chegada do Reino da Graça, reino este no qual todos nós que aceitamos a Cristo já vivemos, nos livra da condenação do pecado por um ato de justificação e da influência do pecado por um processo de santificação e mudança de vida. E a chegada do Reino da Glória, que ainda não conhecemos, nos livrará para sempre da presença do pecado.

Acredito que quando Jesus pela primeira vez ensinou essa oração, lá no Sermão da Montanha, já deve ter deixado uma interrogação na cabeça ansiosa e imatura dos Seus discípulos e até mesmo de muitos estudiosos das profecias messiânicas. Como orar pedindo a vinda de um Reino futuro, se Ele se apresentava a todos como sendo o prometido Messias, o Filho de Deus, justamente o que tinha vindo para libertar a todos do jugo e da tirania dos romanos e implantar o tão sonhado reino de Israel, chamado por Ele agora de o Reino dos Céus, ou o Reino de Deus? Tinha alguma coisa que não batia.

Mal sabiam eles que, dali pra frente, iriam todos, paulatinamente, se desencantar, se decepcionar com essa expectativa de um reino terreno, material, físico, um reino emergente e guerreiro como o de Saul, forte e abençoado semelhante ao de Davi e rico e poderoso igual ao de Salomão, para citar apenas os três maiores reis que Israel tivera.

Eu imagino o desencanto deles, convivendo com Cristo no dia-a-dia, vendo ali uma pessoa voltada para relacionar-se com os miseráveis da terra, com ladrões, aleijados, cegos e leprosos, ao invés de se associar com sacerdotes influentes no Sinédrio, ricos e abastados homens de negócio, valentes, guerreiros e atléticos soldados. Estavam vendo então, alguém que, esperavam eles, deveria quebrar a política econômica e opressora de Cesar, mas, ao invés disso, recomendava pagar impostos e se tornava amigo de publicanos, coletores e arrecadadores de taxas pesadas. Alguém que, no campo espiritual, deveria impor a observância da Lei, das ordenanças e de todos os preceitos e tradições de Seu povo, mas em lugar disso perdoava adúlteras e prostitutas.

O que será que entenderam ou pensaram quando O ouviram dizer coisas do tipo: "O Reino de Deus está dentro de vós" (Luc. 17:21), ou então "O Reino de Deus não vem com visível aparência" (Luc. 17:20), ou "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino de Deus" (Mat. 6:3), ou ainda "O meu Reino não é desse mundo" (Joao 18:36)? Pobres discípulos, tão junto do Reino e de Seu Rei, mas tão desfocados e sem entendimento!

VENHA O TEU REINO! Orar essas palavras de forma consciente implica num comprometimento com Deus de que muito pouco nos apercebemos. Querer e pedir com sinceridade que o Reino da Glória de Deus logo venha e seja estabelecido entre nós, requer uma tomada de posição, clara, definida e definitiva, sem deixar dúvidas sobre de que lado nós estamos.

Constitui perigosa leviandade da nossa parte, orar essa frase sem pensar no real significado daquilo que estamos pedindo. Isso significa que temos que nos preparar para receber uma nova ordem de coisas, esse império universal, esse reino que durará para sempre, que restaurará tudo de bom que um dia perdemos ou nunca tivemos, que eliminará o mal e trará com sua implantação a vida eterna. Não faz sentido pedir por um estado de coisas, por uma mudança radical e definitiva nos negócios deste mundo, mas sem nenhuma preparação para recebê-lo, entrar e viver nele.

Estou escrevendo e falando aqui pra mim mesmo. Compromisso. Envolvimento. Atitude. Escolha. Mudança de Vida. Tudo isso está envolvido no desejo de que logo venha o Reino de Deus. Em Cristo Jesus, adotados por Deus como filhos, somos herdeiros desse Reino. Na verdade, ninguém conseguirá ficar neutro em relação à chegada desse Reino da Glória. Ou estaremos dentro ou estaremos fora. Não ha uma posição intermediária.

Agora cabe aqui uma pergunta incômoda: por que eu deveria desejar esse Reino? Por que eu deveria querer morar nele? Minha vida aqui pode estar indo bem. Eu sei que muita gente sofre e passa pela vida de forma penosa. Mas, pode ser que eu ou você não sejamos um desses e estejamos em franca ascensão pessoal, profissional, social, econômico-financeira, tendo bons relacionamentos, desenvolvendo projetos interessantes e importantes. Por que deveríamos desejar o Reino dos Céus?

Eu vou dizer apenas duas coisas que talvez ajudem a refletir sobre essa questão. A primeira delas tem a ver com nossa consciência social, com nosso papel de cidadãos, de pai ou de mãe, a maneira como nos importamos com os outros, o que pensamos a respeito de justiça social. É o tipo de coisa que ou temos ou não, isso não se aprende na escola. É um dom. Enquanto tudo pode estar indo bem comigo, com você, imagine que mais de um bilhão de pessoas, como eu e você, que também têm sonhos e desejos, sofrem a mais negra fome e privação de tudo aquilo que é básico pra viver.

Você pode talvez, acordar cedo, tomar banho em água quente e com muitos cosméticos e cremes à sua disposição, vestir sua roupa de grife, tomar uma primeira refeição saudavelmente balanceada, pegar seu I-pad e seu I-phone, seus cartões de credito, descer de seu apartamento duplex, por um elevador panorâmico, até sua garagem suspensa, e sair às ruas dirigindo seu carrão importado, sem sentir calor nem frio, ouvindo uma ótima seleção de músicas num som perfeitamente equalizado. Maravilha! Nada disso é errado, nada disso é pecado. Você pode ter conquistado tudo isso de forma honesta e competente. Faça bom uso.

Mas, há um outro lado. Não vou descrever aqui a situação diametralmente oposta, mas existem multidões que sofrem privações, dificuldades, medo, culpa e falta total de horizontes. Há quem vive nas ruas. Há quem dorme e acorda ouvindo o explodir de tiros e bombas. Tem quem não come há dias. Quem se contorce em dores terríveis provenientes de males incuráveis ou padece de males emocionais, de dor da alma.

A segunda coisa é a seguinte: como já foi dito por alguém, não há mal que dure pra sempre, não há bem que nunca acabe. Há um fato inevitável no viver, que torna iguais o abastado e o miserável, o culto e o ignorante, o crente e o ateu, o governante e o governado, o chique e o brega, iguala o luxo com o lixo: todos vamos morrer. Enquanto nada de extraordinário e sobrenatural acontecer na vida desse planeta, todos vamos morrer. Essa finitude, essa limitação, na qual pouco pensamos, deveria, por si só, nos levar a viver com outra consciência, com outra atitude.

Alguém dirá que não deveriam ser essas condições ruins e sofredoras, as melhores e mais adequadas ou nobres razões pra se desejar uma mudança, ou querer que o Reino de Deus logo venha. Posso concordar, mas ter outros motivos mais sublimes só acontece se você tiver uma fé desenvolvida, se você crer firmemente nas coisas espirituais. Fé seria de fato a melhor maneira de lidar com essa finitude e querer uma mudança. Mas, o homem comum, a maioria da humanidade em seu estado natural, não tem fé.

Ouça, não importam as razões que o levem a desejar ou a pedir a chegada do Reino da Glória. Não importa se é a vida penosa que levamos, e que não aguentamos mais, ou se é o desejo ardente de viver com Deus e com Cristo para sempre. Nossos motivos nunca serão os melhores ou os mais corretos. É Deus quem santifica os nossos motivos. O importante é que você abra o coração e se disponha a querer viver nesse Reino, que espero, esteja chegando.

Salomão diz em Eclesiastes 3:11: "Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem..." Esse é um anseio que parece que existe no nosso DNA, na nossa célula: querer viver pra sempre. O que eu desejo a você hoje é que, ao orar VENHA O TEU REINO, você interiormente possa responder como no Apocalipse de João; "Amém. Ora vem, Senhor Jesus!".
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Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 13 de maio de 2011

3(9) - Santificado Seja o Teu Nome

Continuamos hoje com as nossas reflexões sobre a Oração do Senhor, nosso mundialmente conhecido e amado PAI NOSSO.

A segunda frase dessa oração, SANTIFICADO SEJA O TEU NOME, é uma expressão de louvor, de adoração. Ela diz da nossa crença de que o nome de Deus é santo, e mostra que o desejo de quem ora é que esse nome seja apreciado, honrado, glorificado, ou seja, levado na devida conta.

Talvez pensemos que um nome próprio, nome de uma pessoa, não é nada assim tão importante. Mas, vejam, nos tempos bíblicos - e até mesmo em tempos modernos - o nome de uma pessoa tendia a ser uma expressão daquilo que ela era ou que se esperava que ela fosse. Antigamente os pais, ao darem nomes a seus filhos, o faziam dentro dessa ideia, não escolhiam apenas pela sonoridade, ou por modismo, mas expressavam aquilo que queriam que eles fossem na vida.

E foram vários os casos na Bíblia em que, quando as vidas dessas pessoas foram, de alguma forma, modificadas ou impactadas por algum incidente, os seus nomes foram alterados em função daquele fato. Assim, Abrão virou Abraão, que significa "Pai de uma Multidão". Sarai foi mudado para Sara, que significa "Dama ou Princesa". Jacó virou Israel, que significa "O que reina com Deus". Simão virou Pedro, que significa "Pedra, Rocha". Saulo virou Paulo, que significava "Baixa estatura". Moisés recebeu esse nome por significar "Salvo das águas". E o nosso amado Jesus significa "Deus é salvação".

A oração do Senhor diz que o nome de Deus é santo. Não apenas Deus é santo, mas o nome de Deus é santo. Nosso mundo hoje é um mundo transgressor, que de forma irreverente quebra regras, afronta conceitos, derruba estruturas solidamente estabelecidas, zomba do passado. Esse mundo, assim, em seu estado natural, não tem nenhum respeito por Deus e pelas coisas espirituais. E mesmo nós cristãos, que cremos num Deus único, criador, perfeito, infalível, onipresente, onisciente e onipotente, muitas vezes pronunciamos Seu nome de forma descuidada, e não damos a devida honra e reverência ao nome desse Deus no qual dizemos crer.

O povo usa expressões chulas, irreverentes, escandalosas mesmo, utilizando o nome do nosso Deus. Havia há pouco tempo um slogan muito em voga entre jovens cristãos evangélicos, que dizia "Deus é Dez". E isso era dito de forma escrachada, descuidada. Outros, para parecerem populares, moderninhos e engraçados, se referem ao Criador em músicas e em conversas como "o cara lá de cima".

SANTIFICADO SEJA O TEU NOME! O nome de Deus é santo, assim como santa é Sua pessoa. Quando Moisés foi enviado a falar com Faraó, para tentar a libertação do povo hebreu, perguntou a Deus quem ele, Moisés, deveria dizer ao povo que o havia enviado. Vamos ver a resposta de Deus em Ex. 3:13-14:

"Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós."
Vejam em que conta Moisés levava a questão do nome. Ele achava que essa seria uma das principais preocupações do povo, e de fato era: saber o nome de quem o havia enviado e lhe dado aquela missão, ou seja, com que autoridade Moisés chegava até eles.

Agora percebam que coisa interessante! Esse nome, que em hebraico se diz: EHYEH, EU SOU (verbo ser, na primeira pessoa), foi o nome pelo qual Deus disse a Moisés que Ele, Deus, deveria ser anunciado ao Seu povo. Mas quando foi a Faraó, e esse fez a mesma pergunta, Moisés respondeu de forma diferente. Está lá em Êxodo 5:2,3:

"Mas Faraó disse: Quem é o SENHOR, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? Não conheço o SENHOR, nem tampouco deixarei ir Israel. E eles disseram: O Deus dos hebreus nos encontrou; portanto deixa-nos agora ir caminho de três dias ao deserto, para que ofereçamos sacrifícios ao SENHOR nosso Deus...”.

Sabem o que isso significa? Um tremendo privilégio! Deus só se apresenta como EU SOU para o Seu povo. Para quem não crê nEle e não O conhece, não faz sentido Ele chegar como o grande EU SOU. Nesse caso Ele é o Deus de Abraão, de Isaque e Jacó, ou o Deus dos hebreus, ou o meu e o seu Deus. Vocês já tinham notado e pensado nisso? Que privilégio temos nós como crentes em um Deus verdadeiro e criador!

Olhem que outra coisa extraordinária: Jesus, nosso EMANUEL, que quer dizer DEUS CONOSCO, teve atribuídas a Ele várias designações, todas utilizando essa expressão EU SOU. Eu sou o pão da vida. Eu sou a ressurreição e a vida. Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Eu sou o bom pastor. Eu sou a luz do mundo. Eu sou o Alfa e o Ômega. Eu sou a estrela da manhã. Eu sou a Rosa de Saron. Eu sou o Lírio do Vale. Já tinham percebido isso também? Deus é o único que pode dizer plenamente EU SOU.

Uma expressão muito comum em nossos dias, diz assim de pessoas que têm alguma habilidade, aptidão ou talento especial: "ele é o cara", "esse é o cara". Como se aquela pessoa se bastasse, fosse o suprassumo naquilo em que ela se sai bem ou se sai melhor que outros. No entanto, nós humanos, por maior excelência que tenhamos em qualquer área do conhecimento ou de atividade, somos na verdade resultado de criação, estudo, talentos naturais que herdamos ou cultivamos, exemplos de nossos pais e pessoas que admiramos. Ou seja, não somos apenas produto de nós mesmos. Nossa pessoa, nossa personalidade, foram profundamente influenciadas por outras pessoas. Portanto, jamais poderíamos definir ou nomear a nós mesmos, definitivamente, como EU SOU.

Deus é o único que pode dizer dEle mesmo, EU SOU. Ele Se basta, Ele é único, sempre existiu, ninguém O criou, ninguém O educou, ninguém O fez, ninguém O influenciou, ELE É, por isso Seu principal nome é EU SOU. O apóstolo Paulo já perguntava, maravilhado, na sua mais celebre doxologia, em Romanos 11:33-36:

"Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amem."

SANTIFICADO SEJA O TEU NOME! Esse nome é maravilhoso. Lembram-se daquele episódio do anúncio do nascimento de Sansão? O Anjo do Senhor, que seria o próprio Cristo Jesus em pessoa, conversava com Manoá e sua mulher a respeito do nascimento do menino. Em determinado momento Manoá pergunta o nome do mensageiro celeste. Então ele responde:

"Por que perguntas assim pelo meu nome, que é maravilhoso?" Juízes 13:18.. A palavra original no hebraico para esse termo, "maravilhoso", significa algo que não se pode compreender, inefável, ou seja, impossível de traduzir em palavras. Foi como se Cristo dissesse a Manoá: "Por que você pergunta pelo meu nome, Ele é incompreensível pra você.".

Isso não lembra a você o texto de Isaias 9:6 que descreve os nomes designados para Jesus? "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.".

No Judaísmo a reverência pelo nome de Deus é única, inigualada por qualquer outra religião, mesmo o Cristianismo. O venerado tetragrama, formado pelas letras YHWH, que se pode pronunciar YAWEH, e que deu origem a JEOVAH, formam o nome mais sagrado da Divindade. Devido ao terceiro mandamento da Lei, de não pronunciar o nome do Criador em vão, desenvolveu-se entre os judeus um profundo sentimento de reverência para com esta palavra. Assim, ao encontrá-la nos textos sagrados o judeu religioso não a pronuncia, pois não se considera digno de sequer dizer o nome inefável de Deus. Em seu lugar eles dizem ADONAI, que significa SENHOR. E ao escrevê-la, mesmo em português, costumam colocar uma apóstrofe ou um hífen em uma das vogais (D-us, D’us), de forma que o nome sagrado de Deus não seja profanado por estar escrito em material comum, perecível.

Prezado ouvinte, o nome de Deus é santo. No livro dos Salmos 111:9, encontramos: "Enviou ao Seu povo a redenção, estabeleceu para sempre a Sua aliança. Santo e tremendo é o seu nome.". É um erro, constitui um pecado, pronunciar o nome de Deus, frequentemente e de forma leviana e desatenta. Mesmo em nossos hinos e cânticos espirituais, ao pronunciá-lo, devemos fazê-lo conscientemente e com contrição.

O nome de uma pessoa é tão importante e significativo que, ao sermos transformados e glorificados pela volta de Jesus e pelo recebimento da vida eterna, uma das primeiras coisas que receberemos será um novo nome.
"Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.". Apocalipse 2:17.

Por Sua autonegação e obediência perfeita, Cristo conquistou a soberania sobre todos os povos e coisas. Vejam esse texto do apóstolo Paulo em Filipenses 2:9-11:

“Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai."

Quando orarmos a Oração do Senhor, ao dizer essa segunda frase, pensemos naquilo que estamos falando. Sabemos pela Bíblia que os anjos no céu, seres perfeitos, que nunca pecaram, reverenciam o nome de Deus e ao pronunciá-lo cobrem o rosto. Vamos lembrar-nos disso ao dizer esse nome sagrado, afinal, somos bem inferiores aos santos anjos.
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Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 6 de maio de 2011

2(9) - Pai Nosso que Estás no Céu

Estamos começando hoje uma nova série de programas, nesse momento ainda não sei quantos serão, provavelmente uns 8 programas, ao longo, portanto, de 2 meses, sobre a Oração do Senhor, o mundialmente conhecido e amado PAI NOSSO. A cada sexta-feira vamos nos deter num trecho dessa oração e vamos tentar extrair dali reflexões confortadoras e conscientes. Cada um dos itens preciosos dessa oração possibilita uma série de sermões.

Essa não é uma oração a ser proferida de maneira recitativa, sem envolvimento emocional. Na verdade ela serve como um modelo objetivo e simples, de uma das formas que nossas preces podem e devem tomar para atingir em cheio o coração de Deus. E suas palavras vieram da mente poderosa do Salvador.

Essa oração tem todos os principais elementos, que de forma natural, devem constar das nossas conversas com Deus. Começa com a adoração e o reconhecimento de que temos um Deus e Pai; prossegue com submissão à Sua vontade; dirige a Deus nossas petições e termina com uma expressão de louvor, uma Doxologia, que parece não ter feito parte da oração original ensinada por Jesus, mas que ao longo dos séculos acabou sendo incorporada para finalizar essa bela oração.

Ela está relatada em Mateus cap. 6, dentro do que é conhecido como Sermão do Monte, o mais longo e belo dos 5 grandes discursos de Cristo Jesus. O evangelista Lucas relata também uma cena em que os discípulos pediram que Cristo os ensinasse a orar, mas, essa provavelmente foi uma outra ocasião em que Cristo novamente proferiu essa oração.

Lá no Sermão da Montanha Jesus expôs à multidão diversos e variados ensinamentos de vida correta e plena, em contraste com os conceitos antigos dos escribas e fariseus, ensinando a todos o que era o espírito da Lei e explicando detalhadamente questões ligadas ao arrependimento e perdão de pecados. Aquele foi um sermão profundo, mas simples, como tudo que Jesus falava, e que atingia tanto aos cultos homens do Sinédrio como aos oprimidos e leprosos das ruas de Jerusalém.

Nesse contexto, Ele lhes dizia sobre como não orar: não fazer de nossas orações uma ladainha repetitiva e cansativa, lembrar que Deus sabe tudo a nosso respeito e sobre quais são nossas reais necessidades, não usar a oração para aparecer e fazer cena diante dos homens. E então aproveitou para ensinar a todos uma pequena, objetiva e bela oração, que todo cristão, não importa sua denominação religiosa, tem orado, ou como dizem alguns, rezado ao longo dos séculos.

Sua primeira frase é um verdadeiro emblema: PAI NOSSO QUE ESTÁS NO CÉU. Aqui, entre outras coisas, Jesus mostra-nos, de forma clara e inequívoca, a Quem devem ser dirigidas nossas orações. Deus, e somente Deus o Pai, deve ser o destinatário de todas as nossas preces, de todas as nossas súplicas, de todas as nossas ações de graça.

Temos nos acostumado a uma prática, que não digo que seja errada, mas que não é, biblicamente, a forma mais adequada de buscarmos o trono da graça em oração. Refiro-me ao costume que temos de dirigir nossas orações a Cristo Jesus, e também, como é muito comum hoje em dia, ao Espírito Santo de Deus.

Sem entrar em considerações sobre Divindade / Trindade, que não é objetivo dessa conversa, vejamos alguns textos do Evangelho e dos escritos apostólicos, que não deixam dúvidas sobre como e a Quem devemos endereçar nossas orações.

"Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo." Efésios 5:20

"E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai." Colossenses 3:17

"Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda." João 15:16

" Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome." João 16:23

Portanto, o que fica bem claro é que nossas orações, nossas súplicas, nossas ações de graças, devem sempre ser dirigidas a Deus o Pai, mas, em nome de Cristo Jesus. Por exemplo, se queremos pedir uma unção especial do Espírito Santo, devemos orar a Deus, em nome de Cristo Jesus, pedindo a benção, a atuação e o conforto do Espírito de Deus.

Não quero ter isso como uma regra rígida ou pregação enfática, nem dizer, por exemplo, que se orarmos a Cristo Jesus, Deus não nos ouvirá. Mas, se sabemos qual é a forma correta, apresentada por Cristo e pelos Seus apóstolos, por que não fazer assim?

É o nome de Cristo Jesus a única credencial dada entre os homens, para abrir diante daqueles que se achegam ao trono da Graça, todas as belezas do amor, misericórdia e cuidado divinos. Iniciar uma oração consciente e sincera a Deus, em nome de Jesus Cristo, coloca-nos imediatamente na sala do trono de Deus. Por amor a Seu Filho, Jesus, Deus o Pai se mostra propenso a nos dar, de acordo com Seu propósito, tudo aquilo que contribui para o nosso bem.

Portanto, se você quer orar da forma ensinada por Cristo e por seus apóstolos, faça sempre assim: ore a Deus, em nome de Cristo Jesus, o nome que abre todas as portas da graça plena de Deus. Mas se você quiser continuar orando a Cristo Jesus, penso que não ha problema, pode ter certeza de que Deus vai ouvi-lo, afinal, Ele e o Filho são um, em natureza, em propósito, em caráter, em poder, em vida. E Jesus, por certo, estará intercedendo por você, ali bem juntinho, à direita de Deus.

A frase inicial dessa oração chama Deus de nosso PAI. Essa é uma relação indestrutível, confortadora, prazerosa, confiante. Um filho que busca a ajuda e a companhia do seu pai. Somos colocados na posição de filhos do Deus Criador, somos filhos de Deus por adoção, por meio de Jesus Cristo, como disse o apóstolo Paulo em Efésios 1:5. Então, somos irmãos de Cristo Jesus, e, portanto, herdeiros do reino dos Céus. Já pensaram nisso?

E se somos filhos de um Rei, herdeiros de Seu reino, como sempre digo, somos príncipes e princesas. Eu por exemplo, sou o príncipe Mário Jorge Lima. E você, príncipe ou princesa de Deus, qual é o seu nome?

Não estou brincando ou fazendo graça. Se tivermos a consciência dessa realeza espiritual e do reino que nos espera, talvez mudemos muitas de nossas atitudes no dia-a-dia. Atitudes que não são dignas de um príncipe. Vamos juntos pensar nas coisas que dizemos e fazemos e veremos se não tenho razão. Ou mudamos de atitude ou vamos renunciar a nossa condição de príncipes.

Conta-se a história de que um soldado das tropas de Alexandre o Grande vivia uma vida completamente desregrada, devassa, andava bêbado, era brigão, irresponsável ao extremo. Alexandre o teria chamado e antes da reprimenda e do possível castigo, perguntou o seu nome. Ele respondeu: Alexandre. Então o imperador, surpreso e indignado ao mesmo tempo, teria dito: "Ou você muda de vida, de atitude, ou muda de nome." Essa é uma escolha que temos que fazer diariamente.

Na oração é dito que esse nosso PAI se encontra no Céu. Não temos a compreensão exata do que vem a ser esse Céu. Pense num lugar muito longe daqui, inalcançável por qualquer tecnologia existente ou que venha a ser desenvolvida, um lugar que não creio que seja metafísico, eu creio firmemente que ele existe, muito além do céu que enxergamos, muito além de tudo que podemos imaginar. É de lá, provavelmente, que Deus controla todo o universo criado, todo o universo em expansão, toda uma imensidão que não podemos compreender.

Mas é de lá também, dessa distância cósmica inalcançável, que Ele nos vê, preocupa-Se conosco, ouve as nossas orações, envia Seus anjos mensageiros para nos proteger e nos guardar, administra nossa vida errante, nos dá o Seu perdão, concede toda a influência benigna e incompreensível de seu Santo Espírito para nos convencer de nossos erros, para nos explicar Sua justiça e para nos preparar para o dia do juízo.

Ha muitas lições a extrair dessa simples e bela oração. Grandes e inspiradores sermões tem sido construídos ao longo dos séculos em torno dessa prece salvífica. PAI NOSSO QUE ESTÁS NO CÉU! Quando orarmos essa pequena frase, pensemos nessas rápidas reflexões que Deus me concedeu trazer a vocês. Ore da forma correta e bíblica, ou seja, a Deus em nome de Jesus, sinta-se na condição de filho do Rei, portanto, de príncipe ou princesa do reino de Deus, e creia que existe um Céu, um lugar que Ele preparou para nos receber em Seu Reino um dia, que parece estar cada vez mais próximo. Continuaremos com reflexões sobre a Oração do Senhor no próximo programa.

Autor: Mário Jorge Lima