Seja bem-vindo(a) ao meu Blog. Sou Mário Jorge Lima, e abaixo estão textos meus, apresentados como sermões, palestras, ou simplesmente frutos de minhas reflexões pessoais.

Sou pai dessas 5 moças ao lado, Mariana, Isabela, Júlia, Laura e Luíza, a quem amo mais que a mim mesmo. Quando escrevo sobre assuntos espirituais, quando apresento palestras ou sermões, é primeiramente para elas e pensando nelas que estou escrevendo e falando.

Esses textos, atualizados sempre que eu os crio, e para isso não tenho uma periodicidade definida, são o legado escrito que deixarei a elas, sem erudição, sem proselitismo, sem "filosofismos". São as coisas em que de fato creio e pelas quais hoje vivo. Se Deus me der o tempo e a chance necessários, ainda pretendo escrever um livro com estas reflexões. Se não conseguir, elas estarão pra sempre aqui nesse Blog.

OBS: As palestras são organizadas com as mais recentes sempre no Topo.

Postado em: sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal

A propósito do Natal, que se comemora neste Domingo, 25/12, vamos interromper a nossa Série sobre o Fruto do Espírito e vamos conversar um pouquinho hoje sobre esse acontecimento tão importante da religião cristã que é o nascimento de Cristo Jesus - aceito por nós como Filho de Deus – em nosso mundo, como uma criança, assumindo aqui a natureza pecadora do ser humano.

Esse é um assunto inesgotável, que tem maravilhado e intrigado todas as gerações de cristãos ao longo dos séculos. Tem sido tema de milhões, eu diria, bilhões de canções, poemas, livros, sermões, histórias, pinturas, todo tipo de obras de arte, filmes, peças teatrais, estudos e pesquisas, enfim, tem encantado todos os povos e raças, mesmo aqueles que não aceitam o cristianismo com sendo sua religião. E eu diria: tem transformado vidas, tem alterado a cultura e os costumes de pessoas de todas as origens, de todas as classes sociais e econômicas.

É bastante sintomático e significativo, no entanto, que não haja evidências físicas irrefutáveis a respeito desse fato. Não sabemos a data de Seu nascimento ou a data de Sua morte. Não temos evidencias quanto ao local em que Ele de fato nasceu, de casas em que tenha morado ou da Sua sepultura. Não existe nenhuma lasquinha sequer da madeira da cruz em que Ele morreu, ou um dos cravos de Sua coroa de espinhos, nem um prego que tenha traspassado Seus pulsos e pés. Não há retalhos de tecidos de Suas roupas ou calçados que tenha utilizado, ou qualquer artefato doméstico de que tenha feito uso.

Também não sabemos como era Seu rosto, o formato de Seu nariz, se tinha lábios finos ou grossos, qual era a cor exata de Sua pele ou de Seus olhos, qual a Sua altura, se era magro ou gordo, musculoso ou franzino, qual era o tom de Sua voz. Perceberam quanta desinformação básica e elementar a respeito dAquele que consideramos como sendo nosso Mestre, nosso Salvador, nosso Senhor e Rei?

Além disso, Ele não escreveu nenhum livro, nenhuma epístola, nem um Salmo sequer, não compôs nenhuma canção. Nem mesmo fundou uma religião ou estabeleceu organizações formais em torno de Seus ensinamentos. Desde o Seu nascimento não teve berço, quartinho preparado, roupas especiais, não possuiu prata, ouro ou dinheiro, não teve como Seu nem um simples travesseiro onde descansasse a cabeça. Usou casa de amigos para Se hospedar, e para o Seu ministério se valeu de coisas emprestadas, dinheiro de pessoas que O seguiam, locais de reunião, barcos e cavalgaduras para locomoção, também emprestados.

Em vida, Sua própria família O desprezou, não se relacionava com Ele, não entendia Seu ministério. Quando morreu, teve que deixar Sua mãe aos cuidados de um discípulo, foi embalsamado e teve o corpo preparado e envolto com especiarias e lençóis doados. Seu túmulo também foi emprestado. Não deixou bens. Talvez a única coisa realmente Sua tenha sido aquela cruz tosca e pesada que carregou e na qual foi finalmente pregado e pendurado.

Como vimos, uma vida sem nenhum glamour, sem charme, sem nenhuma sofisticação, sem qualquer atrativo, vida sofrida, sem nenhum vestígio de celebridade. Mas, uma vida com um propósito definido, magno e maravilhoso: tirar o pecado do mundo, reconciliando o homem com Deus.

Voltando às evidências de que falei no início, eu mencionei que é significativo que não tenhamos à nossa disposição, em nenhuma igreja do mundo, em nenhum museu ou centro de exposições, qualquer coisa física, tocável, qualquer informação de endereço, qualquer data comprovada, que ateste de forma irrefutável a passagem de Cristo por nosso planeta.

Eu vejo nisso uma providência divina. Houvesse essas evidências físicas, visíveis, tangíveis, comprovadas, da estada de Cristo entre nós, de Seu nascimento, vida, morte e ressurreição, e estaria estabelecido o mais monumental, o mais gigantesco sistema de idolatria, de culto emocional e até irracional, de romarias sem fim, de fanatismo fundamentalista, e, por que não dizer também, de comércio e turismo religioso de que se tem notícia e que se poderia imaginar.

Deus é sábio e desde o início de Seu plano de graça para salvação da humanidade, concedeu o dom da fé como sendo a única atitude a ser tomada pelo ser humano para alcançar a salvação da condenação do pecado e, consequentemente, a vida eterna. Nos dias de Jesus, como Ele mesmo atestou e comentou, muitos, porque viram, creram. No entanto, muito mais bem-aventurados seriam aqueles que, sem ver, apenas pelo testemunho dos que viram e relataram, haveriam de crer nEle.

A religião que devota crença num Deus criador e interessado no ser humano, a ponto de assumir a natureza do mesmo com a intenção de salvá-lo e fazê-lo viver pra sempre, se olhada sem o olhar crédulo da fé, é absurda, irreal, incrível. E o nascimento virginal do filho de Deus, concebido sem relacionamento homem-mulher, é absurdo, irreal, incrível.

Temos que procurar entender nossos irmãos ateístas e agnósticos. Assim como nós, eles estão em busca da coisa verdadeira. Eles se baseiam inteiramente em evidências, em coisas tangíveis, em descobertas e resultados de testes laboratoriais, feitos com análises e instrumentação científicas. É como a ciência existe e trabalha. Na ciência não há fé, só há comprovações, evidências. Quando não há isso, ela não considera verdadeiro e descarta totalmente.

Mas, nas coisas espirituais não acontece assim. Há esse componente difícil de explicar - eu diria, impossível de explicar - que podemos apenas sentir, chamado fé, e que faz toda a diferença, que dá certeza daquilo que não vemos e não tocamos. Sentimos os efeitos da fé em nossa vida, em nosso comportamento, em nossa saúde, em nossos negócios, em nossos relacionamentos, em nossas emoções, e essas são as evidências de que dispomos.

A Bíblia, que pela fé consideramos como sendo a Palavra de Deus, diz coisas do tipo: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe...” (Heb.11:6), “... porque o justo viverá pela fé.” (Gal.3:11), “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé...” (Efe.2:8).

Vou dizer algo que, para quem não crê é um verdadeiro absurdo, mas para quem crê é tudo que ele precisa: a fé dispensa evidências. Ou não seria fé. Se tivéssemos comprovações de todas as coisas espirituais, de todos os fatos relatados nas Escrituras, não haveria lugar para a fé e nem necessidade de desenvolvê-la em nossa vida. E sem essa atitude do homem, que é crer sem ver, não haveria como conceder-lhe a graça divina.

Saindo um pouquinho do tema da fé, há algo no nascimento de Cristo Jesus que eu acho lindo e maravilhoso. Jesus poderia ter vindo a este mundo como um Ser superior, desenvolvido, adulto, maduro, sábio, totalmente pronto para pregar e realizar Seus milagres e curas. Mas, não o fez, e ao invés disso, nasceu aqui como uma criança, foi amamentado, educado, cresceu e Se desenvolveu, cumpriu o processo completo pelo qual todo ser humano passa desde que o mundo é mundo. E eu muitas vezes me perguntei por quê?

É sabido, entendido e aceito por nós cristãos, que Ele veio aqui com o propósito definido nos céus, em tempos imemoriais, não de ser servido “...mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.”. Ele mesmo disse: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.” (Joao 15:13). Então, aí está a razão dEle ter nascido como uma criança e não aparecido como um Ser adulto e desenvolvido. Ninguém morre sem ter nascido. Nem mesmo uma planta. Nem mesmo um trabalho, um pensamento, uma ideia. Pra morrer, tem que primeiramente nascer. Foi por isso que Ele veio e nasceu como criança. Simples. Qualquer criança entende isso.

Agora vamos comentar algumas curiosidades interessantes sobre o nascimento de Jesus. São pequenos detalhes, saborosos, que às vezes nos surpreendem quando atentamos para eles. Vejamos.

Com respeito ao coro de anjos que cantava após o anjo que anunciou o nascimento do menino-Deus aos pastores, acostumamo-nos a ouvir dizer que eles cantavam um cântico dizendo coisas do tipo: “Paz na terra aos homens de boa vontade”. Na verdade, pelo relato bíblico, não foi assim. Lemos que o que eles cantavam dizia: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.” Lucas 2:14.

Nunca houve e não há homens de boa-vontade. Nenhum homem manifesta, naturalmente, boa-vontade para com as coisas de Deus, de modo que o coro de anjos não poderia ter cantado nada semelhante. O que eles cantaram foi que Deus, sim, quer muito bem aos seres humanos, tanto que deu a eles o que tinha de melhor, Seu único Filho.

A Bíblia também não diz que Maria chegou a Belém montada em um jumento ou animal dessa natureza, como costumamos ver em alguns quadros e pinturas, e nem que chegou no mesmo dia ou na mesma noite em que Jesus nasceu. Essa foi outra tradição que se criou. Diz apenas que José subiu com Maria, de Nazaré para Belém, a fim de se alistar no recenseamento. E estando lá - não sabemos havia quantos dias ou semanas - cumpriu-se o tempo em que daria luz e então Jesus nasceu.

Não há descrição bíblica que assegure que Jesus nasceu num ambiente ou local onde se guardavam animais. A Bíblia diz que Ele nasceu – sem dizer onde - e então Maria o envolveu em panos e o deitou numa manjedoura, uma espécie de tabuleiro onde comem vacas e cavalos. E fez isso porque não havia lugar para eles na estalagem, que era uma espécie de hospedaria ou pensão, ou ainda, quarto de hóspedes. Presume-se, por isso, que os pais de Jesus estariam utilizando a estrebaria para dormir, mas, não há essa narrativa.

Aqueles que vieram do Oriente para adorar a Jesus, e que são chamados tradicionalmente e cantados em prosa, verso e música de Os Três Reis Magos, na verdade não eram reis e nem eram três. Muito provavelmente ficou essa tradição em função dos presentes que eles levaram, que esses, sim, eram de três tipos: ouro, incenso e mirra. E, possivelmente foi isso que originou a troca de presentes que existe até hoje nessa época de Natal. Eles eram sábios estudiosos das profecias, talvez até sacerdotes vindos de alguma região da Pérsia ou de Babilônia. A tradição chegou a lhes dar nomes, Belchior, Baltasar e Gaspar, dizendo inclusive que um deles era negro. Mas, o que a Bíblia diz em Mateus 2:1 é que vieram “uns magos do Oriente a Jerusalém” em busca do menino. Portanto, nem reis e nem três. Aliás, deveriam ser bem mais de três, com comitivas numerosas, pois causaram comoção na cidade, até mesmo Herodes soube deles e quis recebe-los.

Além disso, quando esses magos vieram, muito provavelmente Jesus já tinha em torno de dois anos, pois foi essa a idade que Herodes calculou, depois que eles passaram por Jerusalém, e foi essa a idade limite decretada por ele para que fossem mortas todas as crianças do gênero masculino. E Maria e José, nessa época já moravam numa casa, pelo que diz a Bíblia em Mateus 2:11, e não mais na estalagem: “Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra.”. Muitas vezes essa cena foi retratada como tendo se passado numa estrebaria, mas, certamente, não foi.

E, por fim, a questão da data. Embora não seja impossível, parece improvável que Cristo tenha nascido no mês de Dezembro. A Bíblia não especifica nem dia nem mês. Um problema para que tenha sido Dezembro é que seria fora do comum e bastante difícil que pastores estivessem “pastoreando nos campos” nesse frio período do ano, quando os campos ficavam improdutivos. A prática normal era manter os rebanhos nos campos da Primavera ao Outono. Além disso, o inverno seria um tempo especialmente difícil para Maria viajar grávida pelo longo caminho de Nazaré a Belém (70 milhas). O período mais provável, portanto, seria em fins de Setembro, no tempo da Festa dos Tabernáculos, quando uma viagem como essa era comumente feita.

Sendo assim, a data de 25 de Dezembro foi simplesmente estabelecida pela igreja cristã no quarto século. A comemoração do Natal de Jesus surgiu de um decreto. O Papa Júlio I decretou em 350 que o nascimento de Cristo deveria ser comemorado no dia 25 de Dezembro, substituindo a veneração ao Deus Sol pela adoração ao Salvador Jesus Cristo.

Sabedores disso, e conhecedores da história que o Natal representa, a nós cristãos essa época deve evocar sentimentos bem diferentes daqueles que o mundo de certa forma abraça, longe do comércio gigantesco e sem freios, longe dos enfeites, dos presentes, das comidas e bebidas e da euforia generalizada. Devemos ter em mente que o Natal, mesmo em data errada e comemorado de forma inadequada, fala de um amor sem igual, do Criador pela criatura, do Divino pelo humano, a ponto de morrer para quitar uma dívida impagável.

Eu gosto muito de pensar na encarnação de Cristo Jesus, Deus feito homem, pela analogia de peixinhos num aquário. Um homem tem um aquário cheio de peixes. Trata-os com o maior carinho, dá-lhes diariamente comida, troca sua água, limpa a sujeira, enfim, faz tudo que os peixes precisam para viver. Mas sempre que ele se aproxima do aquário, ou tenta colocar a mão ou dedos na água, os peixinhos se assustam, fogem, debatem-se apavorados. Jamais se acostumarão com a presença ou contato físico do homem.

A única maneira disso ser possível, seria o homem transformar-se em peixe, como eles, e entrar no aquário. E foi o que Jesus fez, assumindo a natureza do ser humano, para sempre, e vindo morar entre os homens, para sentir na pele as suas necessidades, as suas mazelas, as suas dores, a sua angústia, e poder assim ser seu necessário e suficiente Salvador.

Desejo a vocês um Feliz Natal, cercados de festa e alegria, mas conscientes de que essa festa é agridoce, tem componentes de tristeza e de alegria, tem as dores de um parto divino, daqueles bem difíceis, mas tem também a felicidade do nascimento de uma criança dada como dom de Deus ao mundo, para salvá-lo e lhe conceder vida eterna.
Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

8(10) - O Fruto do Espírito: Fidelidade

O sétimo gomo do fruto do Espírito de Deus é a fidelidade, termo que aparece nas versões bíblicas mais atualizadas. Em outras, o termo mais tradicionalmente usado era fé. O sentido que eu quero dar nessa conversa é mais o da qualidade, rara hoje em dia, daquela pessoa em quem se pode confiar inteiramente. Assim como benignidade e bondade estão intimamente associadas, também fé e fidelidade estão. O ser humano que tem fé, busca ser fiel, e isso é extremamente significativo. Ele busca ser fiel a Deus e Seus princípios eternos. É consequência natural da fé. Quem tem fé é fiel. Logo, quem não é fiel é porque não tem fé ou não está desenvolvendo a fé que possui.
Sendo assim, o sentido mais moderno desse gomo do fruto do Espírito é lealdade, honestidade, compromisso. Ser fiel é ser digno de confiança, leal, comprometido, constante. Fiel é quem não duvida de Deus. É dar a Deus total exclusividade na vida.

Lá no Velho Testamento, no livro de Josué, achamos algo sobre isso: “Agora, pois, temei ao Senhor e servi-o com integridade e com fidelidade; deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais dalém do Eufrates e no Egito, e servi ao Senhor. Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” Josué 24.14-15

É este o tipo de fidelidade, no sentido de exclusividade, que Deus espera de nós. É esta a disposição que Deus espera de nós, a de servir somente a Ele, principalmente porque Ele é bom e a sua benignidade dura para sempre. Foi daí que o marketing moderno tirou uma de suas palavras mais usuais em se tratando de comercio de produtos ou de serviços: fidelização. As empresas, as grifes, as indústrias esperam que nós, consumidores, sejamos fiéis às suas marcas, aos seus serviços. Quando mais uma marca conseguir reter a nossa fidelidade, o nosso gosto, o nosso consumo, mais ela valerá. É por isto que a marca acaba até sendo mais importante que a empresa.

A marca universal da Coca Cola, por exemplo, vale mais que o próprio produto. O grande segredo dessa marca, na realidade, não é a fórmula do seu xarope, mas o sucesso em se manter, ao longo de quase um século, como a marca mais conhecida no mundo. No Brasil, a marca Bradesco vale mais que todo o dinheiro depositado nesse banco por seus milhões de correntistas e investidores.

Fidelizar, portanto, é um jargão moderno que significa manter fiel o cliente, fiel no sentido de ser o primeiro na cabeça do consumidor, fiel no sentido de ser considerado o único a satisfazer a necessidade ou o desejo do consumidor. Em termos espirituais, ser fiel, portanto, é ter, na teoria e na prática, no discurso e na ação, Deus e Seu reino como nossa primeira e única escolha.

Agora vamos ver algo muito interessante nessa questão de sermos ou não fiéis a Deus. Elias, no passado, fez a mesma pergunta direta ao povo de Israel. Numa situação de grave crise política e espiritual, ele propôs a Acabe, o ímpio rei daquela época, uma reunião no Monte Carmelo. Diz a Bíblia que Acabe reuniu todo o Israel e mais 850 falsos profetas que cultuavam a Baal e seus ídolos e postes de madeira e pedra.

Então Elias, chamado por Baal de o “perturbador de Israel”, propôs a todo o povo, incluindo o rei e os falsos profetas, uma questão de vital importância, uma questão definitiva. Disse ele: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o.” Está lá em I Reis 18:21.

Até quando vocês vão vacilar? Até quando vocês vão ter dúvidas a respeito de Deus e da salvação que Ele oferece? Até quando vocês vão ter dúvidas sobre o que é certo ou errado no relacionamento com Deus? Até quando vão titubear em abandonar atitudes e hábitos que vocês já entenderam que não são adequados? Até quando vão adiar decisões que vocês têm consciência de que são necessárias e urgentes? Essas são as questões vitais que nos são propostas diariamente.

Nosso Deus é um Deus extraordinário. Ele admite e respeita nosso direito de amá-Lo ou não, de sermos fiéis a Ele ou não. Ele não nos força, apenas chama, oferece, espera.

Mas, voltando ao fato bíblico, a coisa mais impressionante, mais significativa daquele incidente lá no Monte Carmelo, é destacada pela pequena frase que está no final do verso que citei. Diz assim: “Porém o povo nada lhe respondeu.”.

Imobilidade, indecisão, falta de atitude, falta de vontade, falta de disposição pra se posicionar diante de uma questão tão vital, proposta pelo próprio Deus. Talvez ali Israel tenha pensado em fazer uma composição, uma negociata, um conchavo com o próprio Deus. Podem ter pensado: “Quem sabe, se não dissermos nada, Ele poderá achar que concordamos, sem que de fato tenhamos que tomar uma posição definida, sem que tenhamos que assumir um compromisso com Ele agora.”

Mas, é impossível servir a dois Senhores. É impossível ser fiéis a duas soberanias opostas uma à outra. Quem destacou isso foi Jesus, tempos depois. Vamos sempre agradar a um e desagradar ao outro, ou vice-versa. Esse tipo de atitude, essa “jogada esperta” não funciona com Deus, é de alto risco. Isso para Ele é infidelidade.

A Bíblia está cheia de recomendações e apelos para que sejamos fiéis. Toda a fidelidade humana aos reclamos divinos, se apresentada como fruto do Espírito de Deus e não como obra de justificação própria, não como moeda de troca com Deus na questão da salvação, será aprovada e recompensada por Ele. Fidelidade é uma virtude ética, que brota e cresce em nós pelo relacionamento diário com Deus.

Nos dias em que vivemos, quando as pessoas recebem punhaladas pelas costas por parte de pessoas em quem elas pensavam poder confiar, são enganadas nos negócios e transações comerciais, são roubadas e corrompidas pelas práticas normais do dia a dia, esta qualidade se faz realmente necessária. Podemos tornar nossa a constatação do Salmista:
“Salva-nos, ó SENHOR Deus, pois já não há mais pessoas de confiança, e os que são fiéis a ti desapareceram da terra. Todos dizem mentiras uns aos outros; um engana o outro com bajulações.” Salmo 12:1-2 – BLH.
Mas, nosso Deus é fiel, é nosso exemplo único e maior. Deus é fiel e cumpre Suas promessas. Deus é fiel mesmo que nós não sejamos. Quando estudamos as histórias dos diversos Concertos ou Alianças feitas entre Deus e Seu povo ao longo da história, vemos o quanto isso é verdade.

Os Concertos, ao contrário do que pensamos, não foram apenas dois, creio ser essa uma questão retórica e didática para compreendermos a estratégia divina. A partir de Adão antes do pecado, eles foram pelo menos sete, embora, em essência, sejam apenas um, sendo todos os demais confirmações, repetições, adequações feitas por Deus às diversas situações criadas pelos desvios do homem.

Mas o que eu quero destacar aqui, já finalizando nossa conversa de hoje, é que todas as diversas propostas feitas por Deus:

a) Sempre foram iniciativa dEle, nunca foram propostas feitas pelo ser humano. Deus foi Quem sempre ofereceu Sua graça e salvação, antes que homem pudesse sequer tentar apresentar algo dele mesmo, sem esperar pelo nosso DE ACORDO.

b) Sempre foram cumpridas pelo Senhor, que sempre foi fiel aos seus propósitos, sempre cumpriu e tem cumprido Suas promessas. Além de cumprir a Sua parte nesses tratos, Deus é Quem nos ajuda a cumprir nossa parte, que é simplesmente aceitar a proposta e viver com a consciência de alguém que foi salvo pela graça.

Fidelidade, integridade, lealdade, honestidade, compromisso. Fruto do Espírito de Deus. Pensemos agora no seguinte: muitas vezes agimos erradamente com nossos filhos, por exigir deles atitudes e comportamentos que nós, da nossa parte, não apresentamos. Ou seja, falhamos em nosso exemplo, somos incoerentes com aquilo que ensinamos a eles. Exigimos que eles produzam frutos que nós não produzimos. Como diz uma de minhas filhinhas, de apenas 9 anos: “Coisa feia”.

Peçamos a Deus que nos faça mais fiéis e coerentes, nos faça viver sabendo que estamos na presença de um Deus santo e perfeito, que quer desenvolver em nós atitudes, hábitos, caráter e personalidade como frutos do relacionamento com Ele. Aliás, é bom que se frise aqui: atitudes, hábitos, caráter que não nos fazem melhores que nossos semelhantes nem compram nossa salvação, mas com certeza vão nos fazer viver melhor e mais felizes.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

7(10) - O Fruto do Espírito: Bondade

Vamos agora para o sexto gomo do nosso fruto do Espírito de Deus, a bondade. Da vez passada falamos de um fruto parecido que é a benignidade, e isso já nos levou a fazer comentários que também são pertinentes à bondade. Aliás, eu quase discuti os dois gomos naquela mesma reflexão, pois, de fato eles são bem semelhantes. Mas, destacamos na benignidade qualidades mais próximas de gentileza, cortesia, amabilidade, carinho.

Uma maneira de também entender as diferenças entre benignidade e bondade seria considerarmos o contrário deles. O contrário da benignidade é a malignidade. O contrário da bondade é a maldade. Parece-nos que benignidade e malignidade têm mais a ver com o nosso caráter, com o nosso interior, com a emoção que nos move. Já a bondade e a maldade têm mais a ver com as nossas ações, com aquilo que nós praticamos.

Assim, benignidade é a nossa disposição interior para sermos bons, é a nossa vontade e atitude para sermos bondosos para com o nosso próximo, não julgando as pessoas e sempre procurando pensar o bem a respeito delas, enxergando o que cada uma tem de positivo. Enquanto a bondade é a ação gentil praticada, é a benignidade colocada em execução. A bondade, pois, é a benignidade posta em prática.

Dessa forma, podemos entender que toda pessoa benigna é por consequência e necessariamente também bondosa. Mas, eu acredito que uma pessoa possa ser bondosa sem, no entanto, manifestar as qualidades de tratamento e empatia da benignidade.

A bondade sobre a qual estou discorrendo hoje é aquela que é resultado natural do Espírito de Deus agindo em nós. Isso significa que podemos praticar atos de bondade, mas, pelos interesses mais diversos e até por interesses pouco nobres, escusos mesmo. E essa é uma grande diferença da benignidade. Uma atitude boa não significa sempre um sentimento benigno. Eu posso fazer uma boa ação apenas para satisfazer um interesse pessoal.

Então, já que a bondade praticada pode ter outras motivações, para sermos considerados benignos de fato, necessariamente temos que estar motivados pela vontade de ajudar o próximo. Embora, para a pessoa que recebe o ato, como eu já disse, isso às vezes não faça a menor diferença.

Jesus em Sua vida aqui na terra praticava todo o tempo atos de bondade, vivi a fazendo o bem. A bondade se revelava em boas obras, atos práticos de ajuda ao próximo. E Ele era benigno.

Aliás, em relação à essa postura de quem é benigno, de sempre pensar o bem a respeito das pessoas, que eu citei há pouco, e ver o que os outros têm de positivo, há uma pequena historieta, certamente inventada à guisa de ilustração, sobre a benignidade de Cristo Jesus. Eu deveria ter comentado isso no gomo da vez passada, mas só lembrei agora. Dizem que os discípulos caminhavam com Ele, e conversavam entre si sobre essa disposição de Jesus de ver sempre o melhor nas pessoas e nas coisas e situações. A não ser quando Ele estava em confronto direto com o mal ou com seus representantes, quando então era extremamente firme e incisivo. E queriam, então, testá-lo quanto a isso.

Viram eles uma carcaça de cachorro morto, uma visão desagradável, e então se entreolharam e disseram a Jesus: “Mestre, veja que coisa horrível, desprezível, nojenta, esses restos mortais de um cachorro morto.” Jesus então olhando compassivamente para aquele animal, disse: “É verdade, é uma visão até repugnante, mas, vejam, esse cãozinho possuía uma bela arcada dentária, seus dentes eram perfeitos.”

Deus é bom. Vejam algumas passagens bíblicas, nos Salmos, falando sobre a bondade do nosso Deus:

“Provai e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia.” Salmos 34.8.

“Porque o SENHOR é bom, a sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a sua fidelidade.” Salmos 100:5.

"Rendam graças ao Senhor por sua bondade, e por suas mara¬vilhas para com os filhos dos homens." Salmos 107.21.

“O SENHOR é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras.” Salmos 145:9.

Davi era, por certo, fascinado por Deus e por Sua bondade. Deus é essencialmente bondoso. Quando Moisés pediu a Deus para ver a Sua glória, Deus lhe respondeu: "Farei passar toda a minha bondade diante de ti." Êxodo 33.19. E esse Deus bondoso quer gerar filhos também bondosos! Que extraordinário seria se as pessoas pudessem nos olhar, e, pensando espiritualmente, dizer: "tal Pai, tal filho". As qualidades vistas no caráter do Pai são as qualidades nas quais nós filhos devemos crescer.

A bondade, assim, é ou pelo menos deveria ser, uma qualidade distintiva dos filhos de Deus, ou seja, é o distintivo da família de Deus, pela simples razão de que o Pai é um ser bondoso e nos¬so irmão maior, Jesus, expressou a mais autêntica bondade quando deu Sua vida por nós.

A igreja cristã primitiva, logo após a ascensão de Cristo aos céus, conforme está lá em Atos dos Apóstolos, chegou a reproduzir fielmente, em seu viver, muito da bondade de Deus e de Jesus. Vejamos este texto:

"Todos os que creram esta¬vam juntos, e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade." At 2.44,45.

Era um modo extraordinário aquele, de viver imersos em bondade. Aquela vida era totalmente diferente da vida do mundo desconhecedor da bon¬dade. E podemos dizer, infelizmente, que a igreja cristã de hoje, em grande parte, desconhece a bondade. A bondade que estava em cada coração ali, era o elemento chave que caracterizava a vida daqueles primeiros cristãos. O que um possuía pertencia a todos; ninguém se apegava ao que era seu como uma propriedade privada. Não haviam estabelecido normas ou regulamentos que os forçasse a viver assim; simplesmente eram as¬sim. Entre eles ninguém pretendia ser superior, nem ninguém se ressentia por ser interior.

Eram assim, porque estavam deixando crescer o fruto do Espírito, claro. Isso só aconteceu depois do Pentecostes. Ou seja, aqui está retratada a bondade como fruto direto da ação do Espírito de Deus. Só assim ela tem valor para Deus.

E, finalizando nossa reflexão, não devemos esquecer que nem sempre a nossa bondade terá reciprocidade. Nada do que Jesus fez por Judas, o Iscariotes, fez com que ele desistisse de traí-lo. Todos os atos de bondade de Deus para com Israel não foram suficientes para realizar Seus ¬propósitos através deles. Mesmo hoje a bondade de Deus não é correspondida por nós. Nem sempre somos reconhecidos e agradecidos a Ele, mas Ele continua a ser bondoso para conosco, continua a nos dar sol e chuva, continua a nos amar.

Peçamos a Deus que coloque em nosso coração o desejo de ser bondosos. Isso não é natural em nós, jamais será, até que tenhamos sido transformados e glorificados. O intento do coração do homem é continuamente mau, segundo a Bíblia. A prática da bondade não ganha um milímetro sequer da nossa caminhada para o céu, mas certamente mostra que estamos andando na direção certa. Como diz uma intrigante propaganda que um dia ví, “Keep Walking”. Sigamos caminhando. Estamos quase lá.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 18 de novembro de 2011

6(10) - O Fruto do Espírito: Benignidade

Temos agora um gomo do fruto do Espírito, o de número 5, que chama-se benignidade. Esse gomo às vezes pode ser confundido com o próximo gomo, que é a bondade, e de fato é muito parecido com ele. Mas, para melhor compreensão, podemos chamar esse gomo também de gentileza, delicadeza, cortesia.

Esses sinônimos já devem nos dar um entendimento melhor da benignidade. Eu diria que, em termos bem genéricos, seria a capacidade que algumas pessoas têm de fazer com que nos sintamos bem em sua companhia. As pessoas benignas são agradáveis, de extrema simpatia, educadas, que nos deixam bem à vontade quando estamos com elas.

A benignidade poderia também ser entendida como uma qualidade interior, uma emoção que a pessoa desenvolve e que a leva a ter atitudes amistosas e a ter real interesse pelos problemas alheios. A pessoa que possui benignidade, possui empatia, normalmente se entristece pelos problemas que as outras pessoas têm, bem como se alegra quando o outro está feliz ou realizado. Ou seja, ele se interessa pelos sentimentos das outras pessoas.

Assim, a pessoa benigna é também educada, polida, tem maneiras agradáveis, não é grosseira, tem um sorriso cativante, é ajudadora. Não machuca, não provoca, não faz críticas ácidas ou destrutivas. É alguém de quem nós costumamos dizer: “fulano é do bem”. É exatamente isso: “fulano é benigno”. Tenho certeza de que todos nós conhecemos alguém assim.

Um dos provérbios de Salomão diz assim: “Não se afastem de ti a benignidade e a fidelidade; ata-as ao teu pescoço, escreve-as na tábua do teu coração; assim acharás favor e bom entendimento à vista de Deus e dos homens.” Provérbios 3: 3-4.

A pessoa benigna é, acima de tudo, uma pessoa agradecida, generosa. Reconhece o que os outros têm de bom, destaca suas boas qualidades, e não os seus defeitos. Ela é sorridente, bem-humorada. E mesmo quando tem que ser firme, ela sabe ser terna. Coloca ternura nas ações mais espinhosas e desconfortáveis.

Posso afirmar, sem medo de errar, que ser benigno é tratar os outros como Deus os trataria. É olhar para os outros como Deus os olharia. Portanto, não é algo simples de apresentar. Precisamos da ajuda do Espírito Santo para isso.

Essa é uma qualidade do próprio Deus. Deus é benigno, devemos nós ser imitadores dEle. Segundo a Bíblia, Ele é benigno porque Sua misericórdia para conosco não depende de nossa fidelidade ou de nossa gratidão. Davi canta a benignidade de Deus em um dos seus mais belos Salmos, assim:

“O SENHOR é misericordioso e compassivo; longânimo e muito benigno. Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades. Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó.” Salmos 103:8-14.

Ser benigno é ser perdoador. É saber perdoar aos outros, a quem lhe feriu ou causou qualquer tipo de sofrimento. É também perdoar-se a si mesmo.

Agora fica aqui uma questão interessante. Eu acabei de dar uma série de características de quem possui benignidade, como fruto do Espírito. Mas nós sabemos que uma pessoa que não conhece a Deus também pode manifestar posturas e atitudes semelhantes. Onde, então, está a diferença entre a benignidade como fruto do Espírito e a benignidade geral deste mundo?

Essa diferença, nas outras pessoas, só interessa a Deus verificar e julgar, portanto, não deve ser preocupação nossa. Mas, em nós mesmos, penso que deva ser objeto de profunda análise e exame pessoal sincero. Ela tem a ver com a motivação. O que nos leva a ter essas atitudes amáveis, corteses e tão desejáveis?

Na benignidade segundo o mundo – vamos dizer assim – nós somos benignos com aqueles que também são benignos conosco. Se não são, pagamos na mesma moeda. Somos benignos de acordo com os nossos interesses e conveniências. Procuramos ser politicamente corretos – termo muito usado hoje em dia – agimos civilizadamente, praticamos a chamada cidadania, fazemos a nossa parte, o que nos compete.

Sendo assim, somos benignos por que isso nos é favorável, muitas vezes acalma nossa consciência e agimos assim para nos sentirmos melhores pessoas. Portanto a base dessa benignidade podemos dizer que é um certo tipo de egoísmo.

Já a benignidade segundo Deus, ou seja, como fruto do Espírito Santo agindo em nós, tem como foco o outro, a pessoa a quem dirigimos nossa ação, e somos movidos por um desejo real de manifestar essa amabilidade ao nosso próximo e também porque sabemos que Deus espera isso de nós. E tem mais, procuramos ser assim não apenas com nossos parentes e amigos, mas também com aqueles que não gostam de nós e até procuram o nosso mal, ou seja: nossos inimigos, se acaso os tivermos.

Vejam, não é fácil, mas para isso temos o Espírito Santo a nos ajudar. Qualquer um pode ser benigno com um amigo. Mas, somente uma pessoa cheia e controlada pelo Espírito pode ser benigna com um inimigo, em situações adversas e desagradáveis.

Pra quem recebe a nossa ação de benignidade, talvez até nem faça tanta diferença se somos movidos por Deus ou não. Mas, para nós, isso faz toda a diferença. Quando você praticar qualquer ato de benignidade, analise seus motivos, e peça a Deus que os santifique. A Bíblia mesmo ensina que se fizermos algo certo, mas, pelo motivo errado, não há recompensa – Mateus 6:16,18. Mas se fizermos o bem sem procurar reconhecimento público, Deus nos dará a recompensa no dia certo – Lucas 6:35. Portanto, devemos ser benignos para a glória de Deus, não para nossa própria glória – I Coríntios 10:31.

Fechando essa nossa reflexão de hoje eu queria lembrar que na lista de gomos do fruto do Espírito a benignidade vem imediatamente antes da bondade. Isso talvez signifique que para que você seja bondoso, antes tem que ser benigno. Sendo assim, a bondade expressaria em atos específicos o que um caráter benigno, anteriormente desenvolvido, comanda. Ser benigno leva você a agir a favor de outro, independente de quem ele seja ou do que ele lhe faça. Alguém pode ser bom até que o magoem, o benigno mesmo sendo magoado continua fazendo o bem.

Expandindo um pensamento que li essa semana, de um autor desconhecido acerca da bondade e da benignidade, quem sabem poderíamos exemplificar assim:

“Se eu tiver fome e você me der pão para comer isto é bondade. Mas, se você passar geléia nele, sorrir para mim, me der algum tempo de atenção, acariciar o meu rosto e orar comigo, isto é benignidade em sua mais pura manifestação, vinda do próprio Deus.”.

Achei isso muito lindo. A bondade faz o que é certo muitas vezes, mas a benignidade transforma coisas simples em coisas especiais. Assim, ela vai além de interesses próprios, ou daquilo que é certo, pois enxerga com os olhos do coração.
Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 28 de outubro de 2011

5(10) - O Fruto do Espírito: Paciência

Chegamos a um gomo do fruto do Espírito muito importante e necessário nos dias de hoje. Na maioria das traduções da Bíblia esse gomo é chamado de longanimidade. Aqui nós vamos chamá-lo de paciência, como está em algumas versões, ou em alguns casos, de tolerância.

Vivemos em tempos irados, tempos de muita inquietação e ansiedade, muita pressa, onde tudo é urgente e pra ontem, tempos onde tudo que falta é justamente o tempo. Nossa impaciência diante das diversas situações da vida pelas quais passamos, nossa intranquilidade e irritação, mostram muito do nosso interior, como vai a nossa alma e, eu diria, a quantas anda a nossa relação com Deus.

Vejam que esse gomo vem logo depois do gomo da paz, pois eles têm total relação entre si. É muito difícil que alguém exageradamente impaciente desfrute de paz interior, ou que alguém que não tenha paz possa ser paciente. Há pessoas que parecem viver sempre no limite de sua tolerância. É aquele pessoal da tolerância zero, do pavio curto, que não leva desaforo pra casa, com estresse permanente. As razões básicas para que isso aconteça nós poderíamos classificar da seguinte forma:

. Nossas características pessoais (alguns são impacientes por natureza);

. Um certo cansaço em relação à vida agitada e muitas vezes frustrante que levamos;

. Ou ainda uma dificuldade grande para nos relacionarmos com os outros e para aceitá-los como eles são.

Eu anotei aqui algumas situações muito corriqueiras, que fazem parte do nosso dia a dia, e que nos levam a ser impacientes, intolerantes e ansiosos:

. Ingratidão por parte de pessoas a quem muitas vezes ajudamos e de quem gostamos.

. Insistência das pessoas em nos fazer coisas que elas sabem que nos desagradam.

. Conexões na Internet que nos irritam por sua lentidão e quedas, além da enorme carga de Spam e-mails e Viruses que atulham nossas correspondências eletrônicas.

. A falha de computadores, impressoras, celulares, máquinas de todo tipo, nas horas em que mais precisamos desses equipamentos.

. A perda de horário para levantar ou para sair para um compromisso importante ou uma viagem.

. O trânsito louco das grandes cidades, os engarrafamentos quilométricos e o barulho intermitente das motos que nos cortam a toda velocidade.

. A estupidez de enfrentar filas no banco, no mercado, no ponto do ônibus, nos consultórios, em todo lugar.

. A impontualidade de nosso cônjuge ou nossos filhos, sempre vivendo nos limites dos horários.

. A falta de humildade, a ingratidão e a grosseria de amigos, irmãos, parentes, vizinhos e colegas de trabalho.

. O ronco do nosso companheiro (a).

. Termos que andar atrás de uma pessoa que anda bem devagar, enquanto estamos com toda a pressa do mundo.

. Comprarmos qualquer mercadoria e sentirmos que fomos enganados, que não funciona e não resolveu o nosso problema.

. Pagarmos por um serviço e ele não ser executado de forma satisfatória.

. Pedirmos ajuda a um atendente que nunca sabe nada, a não ser dizer naquela famosa forma de gerúndio no presente: "um momento, que eu vou estar transferindo a sua ligação".

. Gritaria de criança fora de hora, assim como latido de cachorro. Justamente você que ama tanto crianças birrentas e ama cachorros raivosos. Principalmente quando não são as suas crianças e não é o seu cachorro.

. Isso sem contar aquelas situações em que você se acha insatisfeito com você mesmo, com suas atitudes ou falta de atitude, com sua mediocridade, com a sua falta de ousadia e coragem, com sua falta de grana pra conseguir as coisas que você precisa ou que acha que merece ter, com seu casamento, com seu emprego, com seu desempenho pessoal.

São muitas as situações que nos causam verdadeiro estresse e, então, somos tentados a sair “detonando” tudo e todos à nossa volta. Vou confessar uma coisa a vocês. Eu sempre achei que Deus me fez pequeno e fraco porque se eu fosse grande e forte acho que iria causar muito estrago à minha volta. Eu sempre busquei ser mais consistente e forte nas minhas argumentações e reflexões, pra compensar a minha fraqueza física. Deus é muito sábio. Há um ditado popular que diz: “Deus não dá asas à cobra”. Vocês já imaginaram uma cobra que voasse como um pássaro, que estragos causaria, que predador insuperável seria, um animal peçonhento assim e ainda por cima alado!

A Bíblia diz que Deus é longânimo, paciente, misericordioso, e tardio em irar-se. Vejam alguns versículos lindos a respeito dessa característica do nosso Deus:

“SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade.” Êxodo 34:6.

“O SENHOR é longânimo e grande em misericórdia, que perdoa a iniqüidade e a transgressão...” Números 14:18.

“Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade.” Salmos 103:8.

“Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.” II Pedro 3:9.

Com certeza nosso Deus deseja imprimir e desenvolver em nós essa característica tão necessária em nossos dias tumultuados e tensos. Nós aprendemos nos Provérbios bíblicos que “o longânimo é grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura.” Provérbios 14.29. Aprendemos também que a glória de uma pessoa é ser longânimo e perdoar as injúrias. Provérbios 19.11. O sábio também diz que “Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade.” Provérbios 16.32. Portanto, naquelas horas em que o sangue ameaçar ferver, lembremo-nos também que “a pessoa raivosa suscita contendas, mas o longânimo apazigua a luta.” Provérbios 15.18.

Na verdade, é muito fácil falar e teorizar, sentadinho aqui, num ambiente amistoso, cercado de pessoas cristãs que estão fazendo um trabalho que amam fazer, já desfrutando as delícias de um final de semana. Mas na roda vida da nossa vida diária, nas situações como aquelas que eu citei acima, não é fácil ser paciente, tolerante, benigno, amável e solícito. Mas, também não é algo inalcançável. Deus não esperaria de nós algo impossível de ser atingido. Quem busca imitar a Deus busca, entre outras coisas, ser longânimo, ser paciente. Não por suas próprias forças e virtude, evidentemente, mas pelo poder do Espírito de Deus.

Sendo assim, queremos que sejam pacientes e tolerantes conosco? Sejamos com nosso próximo também. Um belo texto de Paulo diz assim: “Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos.” I Tessalonicenses 5:14.

Você sabia que nós só fomos salvos porque Deus é longânimo? A pergunta do apóstolo Paulo nos recorda precisamente a razão por que fomos alcançados por Deus, veja: “Ou desprezas a riqueza da sua bondade, tolerância e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” Romanos 2.4. E como ensina Pedro, foi a “longanimidade do nosso Senhor” que nos salvou. II Pedro 3.15.

Agora fica aqui uma pergunta final e instigante pra vocês pensarem: será que ser pacífico (ter o fruto da paz) e ser longânimo (ter o fruto da paciência) significa que o cristão tem que ser apático, indiferente, mortinho? Será que temos que perder a nossa capacidade de nos indignarmos, de nos posicionarmos contra a injustiça, contra o erro, contra a hipocrisia, contra o atraso?

“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento...” grita o apóstolo Paulo em Romanos 12:2. Atitude altamente revolucionária. As expressões fortes aqui são: não se conformar, transformar-se, renovar a mente.

O cristão é um inconformado por natureza. O cristão deveria andar em revolta contra o sistema pecaminoso que impera no mundo. O cristão tem que ser indignado. Por isso, de algum modo, ele sempre estará em conflito com a sociedade. Quando um grupo cristão se conforma com os valores sociais do seu tempo, algo talvez esteja errado. Uma dose de conflito sempre é necessária. Não conflito físico, mas conflito moral e espiritual. As igrejas que estão muito afinadas com a sociedade e suas misérias e injustiças talvez estejam mal diante de Deus, porque o Senhor não aprova os padrões deste mundo. Não se conformar é não tomar a forma, o modelo do mudo. Deus nos criou à Sua imagem e semelhança, por que iríamos nós, agora, adotar uma forma diferente?

A segunda expressão forte é “transformai-vos”. Comece a mudar o mundo mudando você mesmo, mas pelo poder que há na Palavra de Deus, o poder do Espírito Santo. Transformar a si mesmo já é uma tarefa grandiosa e revolucionária!

A terceira expressão é “renovação da mente”. Pelo que a própria psicologia prega, você é o que você pensa. Se pensamos nas coisas espirituais, nas coisas de Deus, estamos caminhando para voltar a ter a imagem dEle refletida em nós.

Dizem que temos que “chamar o pecado pelo nome” e não tolerar os erros, as transgressões à vontade de Deus. Então comecemos a chamar pelo nome o nosso próprio pecado. Comecemos a combater as nossas próprias transgressões, a nossa própria hipocrisia. Se cada um fizer isso, seremos todos mais pacientes, longânimos, compreensivos com os outros e viveremos em paz.

Ser longânimo, ser paciente, ser compreensivo, ser tolerante, é uma maneira de nos parecermos com o nosso Deus. Brenan Manning, pensador católico e um dos grandes escritores cristãos do nosso tempo, construiu esse admirável e profundo parágrafo que eu deixo aqui para finalizar nossa conversa de hoje:

“O modo como somos uns com os outros é o teste mais verdadeiro de nossa fé. Como trato um irmão ou irmã no dia-a-dia, como reajo ao bêbado importuno marcado pelo pecado na rua, como respondo a interrupções de pessoas de quem não gosto, como lido com gente normal em sua confusão normal num dia normal, pode ser melhor indicação da minha reverência pela vida do que um adesivo contra o aborto preso ao pára-choque do meu carro.”

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, paciência...

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 21 de outubro de 2011

4(10) - O Fruto do Espírito: Paz

Na sequência da nossa presente série, vem o terceiro gomo do maravilhoso fruto do Espírito de Deus em nós, que é a paz. Esse é um doce e precioso gomo, um anseio natural que existe no coração de todo ser humano: viver em paz. Em um mundo envolto em guerras, conflitos de todo tipo, violência, crime, ferocidade, ditadores e ditaduras, injustiça e corrupção em todos os níveis, o mínimo que se pode desejar é ter paz na vida.

Por outro lado, também as condições financeiras, econômicas e sociais do mundo, as doenças de todo tipo, em especial as emocionais, as assim chamadas, doenças psicossomáticas, que trazem comportamentos de difícil tratamento e convivência, como a depressão, a síndrome do pânico, a esquizofrenia, a baixa auto-estima, a frustração, o complexo de culpa, os bloqueios, as fobias de todo tipo, a angústia, e tantas outras, nos tiram a paz, a tranquilidade, a serenidade e até mesmo a vontade de viver.

Quando o nascimento do Salvador foi anunciado ao mundo, um dos desejos mais ternos expressos por Deus para o ser humano, e que se personificava naquele divino bebê, dizia assim, nas vozes do coro de anjos: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.” Lucas 2:14.

Desde os tempos bíblicos do Velho Testamento os homens de bem se cumprimentava dessa forma: “Paz seja convosco.” Gênesis 43:23. Os anjos de Deus usavam essa mesma expressão: “Paz seja contigo.” Juízes 6.23. A bênção sacerdotal, chamada de bênção aarônica, terminava assim “O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.” Números 6.26. Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, também saudava seus discípulos e amigos dessa mesma maneira: “Paz seja convosco.” Lucas 24.36. Chegou mesmo a recomendar que quando entrassem na residência de alguém, dissessem: “Paz seja nesta casa.” Lucas 10:5. Os apóstolos pediam que o “Deus da paz” estivesse com todos, Romanos 15.33. E uma das saudações na igreja do Novo Testamento era “graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.” I Coríntios 1.3.

Por esses poucos exemplos vemos que a paz sempre foi uma condição de vida desejada, procurada, prometida ao longo de toda a Bíblia. Pesquisando, poderemos encontrar essa palavra mencionada em pelo menos três centenas de versículos.

Às vezes pensamos na paz apenas como a situação oposta à da guerra, ou seja, a paz é a ausência de guerra. No entanto, a paz para o cristão tem também outra conotação, que lhe permite inclusive desfrutar paz mesmo em meio a conflitos e confrontos de qualquer natureza.

A paz para o cristão é estar reconciliado com Deus. É ter sido justificado e perdoado de todos os seus pecados passados e ser nova criatura em Cristo Jesus. É viver dentro de uma nova ética, relacionando-se intensamente com Deus através da oração, do estudo da Bíblia e do serviço de amor ao próximo.

Por Seu lado, Deus deseja dar-nos paz, completamente diferente da paz que o mundo dá. Esta é a Sua promessa: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais.” Jeremias 29.11. “O Senhor dá força ao seu povo, o Senhor abençoa com paz ao seu povo.” Salmos 29.11.

E lá no início da Eternidade, o Reino de Deus, onde todos, pela graça, esperamos estar um dia, segundo diz o apóstolo Paulo, “... não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” Romanos 14:17. Vejam que a paz é um valor eterno, começa a nos envolver desde nossos primeiros passos na vida cristã, quando nos convertemos e somos justificados, e nos acompanha por toda a eternidade.

A paz que nos vem como fruto do Espírito não depende de uma situação favorável em redor, não depende de ausência de conflitos, não depende da vontade daqueles que nos cercam, não depende das circunstâncias. A paz que vem de Deus, como diz a Bíblia, “excede todo o entendimento.” Filipenses 4:7. Ela é muito mais do que SHALOM - que significa bem-estar - ela é um estado de alma. Ela vem da certeza de que tudo vai bem no relacionamento entre o crente e seu Deus.

O mundo vive em guerra. No mundo há falta de paz. Os países do mundo vivem se confrontando , a probabilidade do início de uma guerra está sempre na próxima decisão de governo. As empresas, as famílias, todos os segmentos da vida humana e da sociedade estão envoltos em conflitos ou possibilidades iminentes de conflitos. As igrejas vivem em guerra, cada uma querendo mostrar-se ao mundo como verdadeira ou ostentar o maior número de adeptos ou o crescimento mais acelerado.

E por que isso acontece? Qual a razão de tanta inquietação, de tantos desencontros, de tanta agressividade e ferocidade, tanta competição irrazoável? Por que não há paz na terra e boa vontade entre os homens? A Bíblia mostra a razão: é porque não damos ouvidos aos comandos de Deus e não nos envolvemos no seu projeto para o mundo. Isaías descreve esse anseio de Deus: “Ah! Se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos! Então, seria a tua paz como um rio, e a tua justiça, como as ondas do mar.” Isaías 48.18.

A paz, como já disse ainda há pouco, é uma benção de Deus, que coroa o processo de justificação. Quando o homem se encontra afastado de Deus, desligado das coisas do Espírito, vive em meio aos seus próprios interesses, uma vida cheia de conflitos, numa guerra íntima contra Deus, contra o mundo, contra si mesmo. O Evangelho então chega à vida desse homem, trazendo-lhe as boas novas da salvação inteiramente pela graça de Cristo Jesus. Esse homem, abrindo o coração a Deus, crê nessa palavra divina, estendendo para ela o braço da fé. O apóstolo Paulo descreve resumidamente esse processo assim: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” Romanos 5.1.

Em outras palavras, quando o homem aceita o evangelho e crê nAquele que o justifica, reaproxima-se de Deus, refaz a amizade e o relacionamento, não tem mais nenhum litígio com o Criador e passa então a desfrutar de verdadeira paz interior. É essa paz que é inexplicável, é essa paz que é diferente da que o mundo dá, é essa paz que ultrapassa tudo que possamos compreender.

Na vida religiosa, na vida espiritual, há alguns fatores que também contribuem para a nossas falta de paz. Eu citaria aqui alguns que julgo estar entre os principais: a falta de entendimento das coisas de Deus, o espírito de crítica ácida e ferina, indisposição para perdoar e sentir-se perdoado, o legalismo e a incerteza da salvação. Há muitos outros fatores que prejudicam a nossa vida espiritual, mas eu penso que esses citados estão entre os mais comuns em nossas comunidades religiosas, de qualquer coloração, de qualquer denominação.

Já quase ao final dessa nossa conversa de hoje sobre a paz, eu queria ainda fazer um comentário. Sentir paz não é apatia, paz não é ser indiferente a tudo e a todos. Pelo contrário, quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo jamais é indiferente. Quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo não pode ficar na maior calma vendo o sofrimento de alguém sem se importar. Isso é religião prática, que, quero deixar bem claro, não nos salva de modo nenhum, mas mostra para Quem nós vivemos, em Quem nos movemos e em Quem existimos. Aquele que se deixa conduzir pelo Espírito Santo vai arrumar uma maneira de arregaçar as mangas e fazer alguma coisa, vai trabalhar, semear a paz no trabalho, no seu dia-a-dia. A paz é uma experiência que nos leva a uma grande transformação. E essa transformação, vem nos mostrar um jeito diferente e atuante de enxergar a vida.

Francisco de Assis nasceu no século XII na cidade de Assis , na Itália. Ele é considerado pelos nossos irmãos católicos como o mais querido de seus santos, e goza de uma boa consideração também por parte de protestantes e de adeptos outras filosofias. Ele teve uma infância cheia de travessuras normais em uma criança, até os 20 anos ajudava e era o orgulho do seu pai nos negócios. Decidiu ir à guerra em nome de sua cidade. Foi preso e depois de um ano foi resgatado por seu pai por motivo de doença, juntamente com alguns outros que participaram na guerra. Foi nesta época que teve seus primeiros contatos com o evangelho.

Francisco descobriu sua vocação aos 24 anos de idade. A partir de então, abandonou tudo e todos, e saiu em busca de sua paz, ajudando doentes, confortando miseráveis e leprosos, amando todos como irmãos. Foi chamado de louco, pois deu tudo o que tinha aos pobres, porém renunciou a todos os bens terrenos, e, sendo assim, ele tratou de desprezar a própria vida mundana para encontrar com a pobreza a felicidade que tanto almejava. Tornou-se uma pessoa muito humilde, que também passou por muitas provações.

A relação de Francisco com o seu tempo, foi bastante ligada com a estrutura social e com os problemas que seus contemporâneos enfrentavam, e revelam um Francisco pensando as questões postas por seu tempo; a verdadeira inovação de Francisco foi se unir aos pobres, se tornando ele próprio um pobre.

Sua bela oração, conhecida em todo o mundo, expressava seu desejo maior: “Senhor, fazei de mim um instrumento de Vossa paz.” Que essa seja também a nossa oração, que a paz que desenvolvemos como fruto do Espírito de Deus, nos tranquilize e acalme na provação, mas também transborde na nossa vida, não nos deixe estáticos, sem atitude, sem ação, anestesiados, mas nos faça participantes do sofrimento daqueles que nos cercam.

Temos recebido muitos pedidos diários de oração, são parentes, vizinhos, amigos, irmãos de fé, que nos procuram buscando força em suas aflições, e sabemos o quanto as pessoas sofrem em volta. Aquilo que passamos, se olharmos bem e com olhar de sincera autocrítica, é pequeno perto do que muitas outras pessoas sofrem. Usemos nossa vocação evangélica e cristã, como varas ligadas à Videira verdadeira, para deixar crescer o verdadeiro fruto do Espírito, produzido pelo Príncipe da Paz.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 7 de outubro de 2011

3(10) - O Fruto do Espírito: Alegria

Eis aqui um gomo que no meu fruto do Espírito tem uma certa dificuldade para se desenvolver. Não que eu seja uma pessoa triste, não sou, posso até parecer um pouco fechado, mas, aqueles que convivem comigo sabem que sou uma pessoa bem humorada e feliz. No entanto, dentro daqueles quatro conhecidos perfis psicológicos com que a moderna psicologia trabalha, eu reconheço que sou melancólico. Minhas músicas, letras, poemas mostram isso claramente. Por isso, admiro profundamente aquelas pessoas alegres, risonhas, pessoas que parecem iluminar o ambiente em que chegam.

Quando eu li que a alegria faz parte do fruto do Espírito, ou seja, por estar com Jesus, por crer nEle e amá-Lo, tenho que apresentar também a alegria como resultado desse relacionamento, confesso que fiquei um pouco preocupado.

No mundo de hoje, hostil, violento, injusto, é muito difícil ser naturalmente alegre. Nesse mundo onde a tristeza, a melancolia, a depressão, a angústia profunda, o pranto e a dor fazem parte da realidade da vida de uma grande parcela da humanidade, manifestar alegria genuína, ser naturalmente descontraído e demonstrar real felicidade parece ser cada dia mais difícil. Essa é uma das razões porque as drogas, a bebida e outros artifícios de fuga são tão procurados por quem vive triste e infeliz. Mas a alegria, fruto do Espírito é de outra natureza.

Esse é o segundo gomo do fruto do Espírito, vindo logo depois do amor. Sim, essa alegria deve ser um elemento sempre presente na vida de todo aquele que foi salvo pela graça de Cristo Jesus. A alegria, nesse nosso contexto, não é uma virtude que consigamos produzir de forma espontânea, ela é uma manifestação do Espírito Santo em nossa vida.

Vamos ler algumas citações bíblicas a respeito da alegria, inicialmente o que disse Davi no livro dos Salmos 16:11:

“Na presença de Deus existe abundância de alegria, em sua destra existem delícias perpetuamente.”.

Que linda essa constatação de Davi. A alegria, no contexto espiritual, é algo bem diferente de euforia, algazarra, gritaria, como se a vida fosse uma festa constante. A alegria cristã tem outras motivações e outras maneiras de se manifestar, o que não impede, de forma alguma, o riso, a brincadeira, o lazer, o divertimento saudável. Mas, permitam-me dizer-lhes que a vida não é uma festa, no sentido de viver despreocupada e irresponsavelmente.

Paulo disse assim, em Romanos 14:17:

“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.”.

A alegria é algo que tem sua origem em Deus, sem a menor sombra de dúvida. Ao considerar, no final de cada dia da criação, que tudo que Ele estava fazendo era bom ou muito bom, podemos entender que o ato de criar é algo que Deus fez e faz com imensa alegria, com grande satisfação. A Bíblia diz a respeito de Deus:

“Majestade e esplendor há diante dele, força e alegria, no seu lugar.” I Crônicas 16:27, ARC.

Deus sentiu alegria por ocasião do batismo de Cristo Jesus, dizendo audivelmente ser Ele Seu Filho único da espécie, em quem Ele se comprazia, ou se alegrava. É dito também na Bíblia que há muita alegria no céu a cada vez que um pecador se arrepende (Lucas 15:7).

Portanto, como seres criados à imagem e semelhança de Deus, devemos ser alegres, pois não há qualquer contradição entre alegria e santidade, comunhão ou relacionamento com Deus. Nossos cultos deviam ser mais alegres, descontraídos. Não precisamos partir para a algazarra e o ruído incômodo para demonstrar nossa alegria ao cultuar a Deus, mas não precisamos, mesmo em cerimônias solenes como a Ceia do Senhor, manter um ar de tristeza ou melancolia.

Davi no Salmo 43:3-5 disse assim:

“Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem e me levem ao teu santo monte e aos teus tabernáculos. Então, irei ao altar de Deus, do Deus que é a minha grande alegria, e com harpa te louvarei, ó Deus meu. Por que estás abatida, ó minha alma? E por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei. Ele é a salvação da minha face e Deus meu.”.

A alegria segundo o Espírito Santo é a alegria da graça, é a alegria que permite inclusive que a pessoa possa sentir-se bem, sentir-se tranquila em meio a uma dura provação, ou seja, é um contentamento que não depende das circunstâncias. Isso pode parecer estranho, mas é possível. Vejam o que nos diz II Coríntios 8:2:

“Irmãos, queremos que vocês saibam o que a graça de Deus tem feito nas igrejas da província da Macedônia. Porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria...”.

Outro detalhe muito interessante que encontramos nos escritos de Paulo: quando fala dos dons do Espírito, lá em Romanos 12, ele associa o exercício do dom do amor [misericórdia] com a alegria. Lemos no versículo 8:

“... o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria.”.

Ainda nesse contexto de amor, de misericórdia, quando doamos qualquer coisa para Deus ou para os pequeninos de Deus, devemos fazê-lo com intensa alegria. II Coríntios 9:7 nos diz:

“Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.”.

Vejam, portanto, que a alegria deve permear a vida do cristão, em vários sentidos, em vários aspectos, em todas as situações.

Agora uma questão interessante: e Cristo Jesus? Será que Ele era uma pessoa alegre, risonha? Ou era sisudo, semblante sempre triste e fechado? A rigor, não temos quase nenhuma informação bíblica sobre isso e muito já se especulou a respeito.

Por um lado a Bíblia pinta a respeito dEle um quadro terrível, e O apresenta como sendo o Servo sofredor de Isaias 53. Nesse e em outros textos encontramos um Cristo tido como raiz de uma terra seca, sem qualquer beleza ou atrativos, desprezado, rejeitado, homem de dores, traspassado pelas nossas transgressões, moído pelas nossas iniquidades, enfermo, aflito, ferido de Deus e oprimido. Foi levado ao matadouro como uma ovelha muda, e foi feito pecado em nosso lugar, foi ferido e cortado da terra dos viventes, suou sangue e morreu morte de cruz.
Ufa! Não há descrições mais arrasadoras e devastadoras do que essas. Por tudo isso, quem, em sã consciência, poderia viver sorrindo, com tal carga de sofrimento sobre Si? Por tudo isso, muitos o viram chorar algumas vezes.

Mas, por outro lado, sabemos que Jesus frequentava festas, almoçava nas casas de Seus amigos, comia e bebia com os que vinham a Ele, não se furtava a ter uma vida social, e vivia cercado de crianças e sendo assediado e tietado por elas. As mães dessas crianças também as traziam para serem abençoadas por Ele, exatamente porque deviam sentir nEle um espírito excelente. Chamava a Si os cansados e oprimidos, prometendo-lhes alivio por ser manso e humilde de coração. Passava assim a ideia de uma religião alegre, comunicativa, inclusiva, amorosa e feliz.

Um dos textos mais tocantes e belos da Bíblia é o que dá início à epístola de Hebreus. O autor dessa epístola, no capítulo 1, falando a respeito de Cristo Jesus, no verso 9 que destacamos, nos dá uma boa pista sobre como era o Salvador no dia a dia:

“Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros.”.

Pronto, aqui está uma prova inspirada de que Cristo Jesus tinha, sim, uma grande alegria a envolver as Suas ações e inerente ao Seu ser. Por esse texto já podemos crer, sem nenhuma dúvida que Cristo era uma pessoa alegre e jovial, aliás, de acordo com o texto, como nenhum outro dos que O cercavam.

De toda forma, mesmo fazendo essas inferências acima, parece não haver uma indicação clara na Bíblia, de momentos de alegria explícita de Cristo Jesus ou de que Ele estivesse sorrindo ou deliciando-se com alguma situação vivida com Seus discípulos. Mesmo se considerarmos que em algumas parábolas - como a do filho pródigo ou a da ovelha perdida - há uma alegria implícita no Pai que reencontra o Seu filho que estava perdido e foi achado e comanda uma festa em comemoração, ou do Bom Pastor que recupera e restaura a Sua ovelha machucada e aflita, ainda assim falta um episódio explícito de alegria de Cristo Jesus.

Mas, quero dizer a vocês, para nossa alegria pessoal, que depois de muito procurar eu encontrei. Um único e precioso momento de alegria clara e límpida do Salvador, descrito nos Evangelhos. O que mostra que Jesus tinha, sim, esse gomo do fruto do Espírito em Sua vida.

Ele tinha enviado os 70 naquela missão primeira de anunciar o Evangelho do Reino. O trabalho deles era preparatório, iriam às cidades que Cristo em seguida haveria de visitar. Foi uma dura missão. Foram enviados como ovelhas para o meio de lobos, sem levar nenhuma provisão, com tempo apertado. Levariam apenas a Palavra da Verdade, deveriam curar enfermos, expulsar demônios, receberam poder para pisar serpentes, escorpiões, vencer toda a força do diabo.

Agora eles estavam voltando, exultantes, explodindo de santo contentamento, pois viveram na prática o poder de Deus vencendo as hostes de Satanás através do serviço que prestaram. Vou ler apenas os textos que relatam a reação de Cristo quando eles retornaram contando todas as maravilhas que vivenciaram e como cumpriram a missão que Jesus lhes dera. Está em Lucas 10:17-21:

“Voltaram depois os setenta com alegria, dizendo: Senhor, em teu nome, até os demônios se nos submetem. Respondeu-lhes ele: Eu via Satanás, como raio, cair do céu. Eis que vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; e nada vos fará dano algum. ... Naquela mesma hora alegrou-se Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra...”

Vejam que maravilha esse relato. A ação dos discípulos pregando o Evangelho do Reino da Graça foi tão poderosa que Jesus viu, como resultado disso, Satanás como que caindo dos lugares celestiais. Muitos pensam que isso tem a ver com a guerra que houve no céu em tempos imemoriais, quando Lúcifer foi expulso, mas não tem nada a ver com aquilo. Essa visão que Cristo teve foi tão somente resultado da expansão do seu Reino pelo trabalho missionário dos 70 discípulos.

E em seguida, Ele exultou, e diz a Bíblia, “alegrou-se no Espirito Santo” e rendeu muitas graças a Deus o Pai pelo resultado daquele trabalho.

Minha mensagem final: o único relato bíblico que existe a respeito de uma ocasião em que Jesus efetiva e explicitamente se alegrou muito, tem a ver com a pregação do Evangelho, tem a ver com a instalação de Seu Reino.

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria... Que Deus faça com que, apesar do estranho e degenerado mundo em que vivemos, e circundados pelo mal em todas as suas formas, possamos desenvolver esse gomo tão desejado do fruto do Espírito, a alegria, pura, santa, focada na pregação do Evangelho e na expansão do Reino de Deus.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 30 de setembro de 2011

2(10) - O Fruto do Espírito: Amor

Continuando nossa nova série sobre o Fruto do Espírito, vamos nos deter no primeiro deles, o Amor. Esse é um assunto vastíssimo, com milhares de diferentes nuances, e que é discutido em prosa e verso há milênios, sem que seja nunca esgotado. E no caso do amor de Deus, teremos toda uma eternidade para tentar apenas arranhar a superfície desse elemento que define o próprio caráter e a natureza de Deus.

Portanto, tudo que vou tentar fazer aqui será tecer alguns comentários a respeito de três aspectos que julgo relevantes sobre o amor, e que eu fui aprendendo ao longo da minha vida, meus encontros e desencontros.

Vamos ao primeiro. Revendo nosso texto-base de Gálatas 5:22-23, quero dizer que não acredito que essa lista de gomos ou sabores do fruto do Espírito, publicada pelo apóstolo Paulo, tenha sido aleatória. O posicionamento do amor como sendo o primeiro gomo desse fruto maravilhoso mostra que ele é o fundamento, o elemento determinante de todos os demais.

Não por acaso, também, o amor tem a particularidade interessante de, além de fruto do Espírito, ser também um dom do Espírito, aliás, segundo o mesmo apóstolo, o maior dos dons, o mais excelente. Ou seja, além de ser um presente de Deus – dom - é também consequência, resultado, de ficarmos ligados a Ele – fruto -, que é a videira verdadeira. E, mais ainda, o amor é equiparado ao próprio Deus, quando João diz, na melhor definição bíblica desse tema: “Aquele que não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor.”. I João 4:8.

No entanto, apesar da sua nobreza e divindade, nada tem sido tão desvirtuado, distorcido e pervertido por satanás, quanto o amor. Rebaixado à categoria de sentimento, de emoção, de desejo e sensualidade, embora seja também um pouco de tudo isso, o amor é muito mais que esses elementos citados. Confundido com paixão e disfarçado como amizade ou outros interesses menos nobres, o amor tem deixado de acontecer, de fato, em grande parte das vidas humanas, pela total incompreensão do que ele realmente é.

Vocês querem saber, de forma insofismável, o que o amor é, e isso numa única palavra? Vou dizer de maneira direta, curta e objetiva: o amor é um mandamento. Isso. Um mandamento de Deus. Jesus disse: “Amai-vos!”.

Por ser um mandamento, não é algo que brote espontaneamente, que seja natural no ser humano. Nós nascemos com a capacidade de amar, assim como nascemos também com a capacidade de crer. Mas, deixar o amor acontecer é uma decisão da vontade, uma atitude, uma determinação. Temos que nos determinar a amar, temos que estar predispostos a amar. Como disse, é o que acontece também com a fé e eu diria, também, com o perdão.

Ou seja, muito mais que um sentimento volátil, inconstante e vulnerável, o verdadeiro amor é, primeiramente, uma postura racional, inteligente, consciente, daquele que ama e que quer amar. Eu, pessoalmente, não creio em amor à primeira vista. Eu acredito em interesse, em atração à primeira vista. O amor conceito racional, sereno, forte e duradouro, que ama até à morte, é muito diferente, vem depois, com o tempo, com o relacionamento. O sentimento, a emoção, o desejo sensual – no caso do amor conjugal – são maravilhosos, vêm enobrecer, amaciar, humanizar e dar um toque de lirismo, romance, poesia e fraternidade a essa postura inteligente que é: amar e se deixar amar, gostar e se deixar gostar. E isso que tem que existir também, claro, não somos máquinas, somos humanos.

Quem está falando isso a vocês - digo isso com muita humildade - é um poeta, sou eu, que também busco ser um cristão que quer prestar um culto racional. Então, não se deixe levar pelo devaneio de achar que quando você ama alguém, se enamora de alguém ou então constrói uma amizade ou companheirismo pra vida toda, está sendo apenas romântico, lírico, virtuoso. Não, acima de tudo, você quis amar aquela pessoa, aquele amigo, aquele parente. Embora, em grande parte das vezes, você não se dê conta disso.

Com o amor de Deus é a mesma coisa. Primeiro é despertado o interesse nas coisas espirituais, só depois vem o amor maior, vem a confiança plena, com o prolongamento da comunhão, do relacionamento. E você tem que persistir, tem que manifestar determinação de seguir nesse caminho. É o culto racional de que falei.

Eu diria também que o impulso inicial de amar alguém, nem sempre é dos mais nobres. Aliás, nossos impulsos, nossas emoções, como seres humanos imperfeitos que somos, via de regra, nunca são os mais nobres, os mais adequados. É Deus quem santifica os nossos motivos, é Deus quem apanha nossas emoções, sentimentos, desejos e interesses e modifica, santifica, otimiza e nos torna melhores pais, filhos, maridos e mulheres, amantes, amigos.

Segunda reflexão. Outra característica do amor verdadeiro, que guarda similaridade com o amor de Deus, é que ele é incondicional. Quem ama não impõe condições para amar. Ama porque ama, ama porque quer amar. É assim que amamos nossos filhos, e talvez essa seja a forma de amor humano mais parecida com o amor de Deus. Não importa a vida que nossos filhos levem, não importam suas escolhas profissionais, suas opções sexuais, seu modo de vida, seu comportamento, se obedecem e seguem nossas orientações, o nosso amor por eles não depende disso. Independente de nos sentirmos felizes ou não a respeito de suas escolhas, nós os amamos, primeiramente, porque são nossos filhos.

Foi assim que Deus nos amou. A Bíblia, em Romanos 5:8 diz que “... Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, quando ainda éramos pecadores”, ou em outra tradução “sendo nós ainda pecadores”. Cristo morreu por nós não apesar dos nossos erros, mas com os nossos erros, nos nossos erros, na nossa condição de total afastamento dEle. Portanto, amor verdadeiro é amor incondicional. E essa é a única maneira de virmos a ser transformados pelo amor: se ele for incondicional. Primeiro você dá amor incondicional, só depois vem a transformação natural. Aliás, transformação que pode vir ou não, vai depender de como o ser amado vai reagir ao amor recebido. Deixar que seja assim, também é amar.

E a terceira e última consideração que quero fazer hoje sobre esse primeiro e fundamental gomo do fruto do Espírito, chamado amor, e que eu penso já ter comentado aqui em algum momento, tem a ver com algo chamado discipulado.

Definindo discipulado de forma simples e descomplicada, eu diria que é o processo de convivência com Cristo Jesus, de aprendizado constante das Suas verdades, de fixação e confirmação da fé, de transformação pela contemplação das belezas espirituais do Filho de Deus.

Discipulado é também uma estratégia deixada por Jesus para o desenvolvimento de Sua igreja. Foi num processo de discipulado que Jesus recrutou, escolheu e formou os Seus discípulos, transformando-os em apóstolos. O verdadeiro discípulo torna-se seguidor e reflete o caráter de seu Mestre.

E vocês sabem qual é a maior prova de discipulado para o cristão, ou seja, o que mostra ao mundo que alguém verdadeiramente é um discípulo de Cristo Jesus? Você que está me ouvindo ou lendo, amigo cristão católico, protestante de qualquer denominação, evangélico de qualquer linha doutrinária, adventista, não importa: não é a frequência aos cultos e missas, não é a obediência a preceitos nos quais acreditamos, não são provas de fé, não é a prática de curas milagrosas, não é a manifestação de dons do Espírito, não é uma vida piedosa enclausurada e longe dos perigos e ameaças desse mundo hostil, que mostram que somos discípulos de Cristo Jesus. A maior prova de discipulado eu encontrei em João 13:35, e eu leio aqui, palavras do Salvador:

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.”.

E Ele complementa em João 15:8:

“Nisto é glorificado meu Pai: em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos.”.

Ou seja, além de sermos instados a amar, temos que amar muito, esse fruto tem que ser abundante.

Finalizo dizendo e reconhecendo que nós, em nosso estado de seres com natureza caída, não temos a menor possibilidade de amar, sequer a nós mesmos. Precisamos de um forte suporte dos céus, precisamos de um toque especial do Espírito de Deus, precisamos, como eu disse no início, manifestar atitude, disposição, determinação, precisamos abrir o coração.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 23 de setembro de 2011

1(10) - O Fruto do Espírito

Estamos iniciando hoje uma nova série. Serão ao todo 10 Palestras, já contando com esta, versando sobre o tão desejado e buscado Fruto do Espírito. Esta nossa primeira palestra é uma introdução aos temas que virão.

Lendo minha Bíblia, especialmente o Novo Testamento, chego à conclusão de que nenhum outro texto, como o de Paulo aos Gálatas 5:16-23, apresenta um contraste tão grande e tão definido entre o modo de vida daquele que não conhece as coisas de Deus, portanto, vive controlado pela sua natureza caída, e o daquele que busca viver de acordo com os princípios do cristianismo, assim, deixando-se controlar pelo poder do Espírito de Deus. Vamos extrair daí o texto base dessa nossa primeira conversa da série, e que são os versículos 19-23:

“Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia [sensualidade], idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias [brigas], emulações [ressentimento, inveja], iras, pelejas, dissensões [divisões], heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade [paciência], benignidade [delicadeza], bondade, fé [fidelidade], mansidão [humildade], temperança [equilíbrio, domínio próprio]. Contra essas coisas não há lei.”

Não vamos nos deter aqui em destacar as chamadas obras da carne, ou seja, a parte negativa, odiosa e indesejável dessa questão, mas vamos nos concentrar em discorrer sobre a parte desejável, abençoada e edificante.

Na parte positiva do texto, o que primeiramente nos chama a atenção é que, ao contrário do que costumamos pensar, não são vários os frutos do Espírito, na realidade, é apenas um único fruto, mas que, poderíamos assim dizer, tem 9 gomos.

Antes de continuar falando do fruto, quero falar de algo que frequentemente confundimos com ele. O fruto do Espírito, com seus 9 gomos, difere, de certa forma, dos dons do Espírito, esses em número bem maior. Se somarmos os dons mencionados em Efésios 4, I Coríntios 12 e Romanos 12, chegaremos a um total de 20 dons do Espírito de Deus. Se somarmos outros textos do Novo Testamento encontraremos pelos menos mais outros 6 dons, portanto um total de 26 dons do Espírito.

Cada pessoa tem pelo menos um desses dons, e alguns tem mais de um. Ninguém tem todos. São presentes dados por Deus, uma capacitação sobrenatural concedida por Ele, a Seu exclusivo critério e propósito, para o desenvolvimento de Seu povo, de Sua obra em prol da salvação.

Preste atenção no que eu vou dizer: o dom espiritual é algo que o Espírito Santo dá, e não tem ligação com mérito, talento ou aptidão pré-existentes. Ninguém merece o dom que tem, afinal, é uma dádiva, um presente de Deus, isso independe de nós, não é algo que podemos adquirir estudando, lendo, obtendo conhecimento, com esforço próprio. Deus tão somente escolhe uma pessoa e derrama sobre ela aquele dom especial. Ainda vamos fazer aqui uma série sobre dons do Espírito.

Então, resumindo: os dons do Espírito, com seus mais de 20 tipos básicos de manifestação, são recebidos gratuitamente da mão de Deus, por eleição, por escolha, por graça, por Seu propósito. Todo cristão tem, no mínimo, um desses dons. Já os 9 gomos do fruto do Espírito são conquistados na caminhada com Jesus, no relacionamento, no processo de santificação pelo qual passa todo cristão convertido. E precisamos ter todos, precisamos desenvolver todos, ou, melhor dito, precisamos deixar crescer todos os 9 gomos, ou o fruto estará incompleto, anormal, sem sabor. Nas próximas 9 semanas vamos conversar aqui sobre cada um desses gomos espirituais.

Numa outra definição, para compreendermos melhor a questão entre dons e fruto do Espírito, eu diria que o dom define o que o cristão fará no trabalho de desenvolvimento do povo de Deus, uma aptidão especial dada por Deus, dada por eleição e por escolha de Deus para ser usada em favor dos outros. O fruto do Espirito define o que o cristão é, são atitudes e posturas pessoais desenvolvidas no relacionamento com Deus.

Uma das figuras mais interessantes usadas pela Bíblia na questão do relacionamento, é a da árvore. Elas foram criadas por Deus, no Éden, e Ele as fez "agradáveis à vista". A árvore dá a você sombra, proteção. Dá a madeira e dá o fruto. Suas raízes, quando profundas, resistem a qualquer tempestade. E mesmo depois de cortada e abatida a árvore pode renascer. Vejam que alegoria espiritual linda essa, quase desconhecida, se encontra no livro de Jó 14:7-9:

"Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco, ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova.".

Essa é uma promessa inspiradora que Deus colocou nos lábios de Jó, em meio ao seu intenso e inexplicável sofrimento. Você sabe o que representa essa água mencionada no texto? No meu entendimento, significa o Espírito Santo de Deus. Se você, mesmo em meio ao infortúnio, em meio aos desencontros e transgressões, procurar ficar perto de Deus, e permitir que Ele atue em você, com certeza, vai renascer, e melhor ainda, brotará e dará ramos e frutos como se fosse uma planta nova.

Você está ou pelo menos, se sente longe de Deus? Tem uma existência apagada e sem vida? Acha que suas chances de vida eterna passaram e a fé está como que escorrendo por entre seus dedos? Não se afaste das águas. Leia novamente o texto de Jó. Você vai reviver.

Fruto, necessariamente exige um processo anterior que é o plantio e a germinação de uma semente. O próprio Cristo ensinou que a semente, caindo na terra, passa por um processo semelhante à morte. Ele disse assim em Mateus 12:24:

"Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.".

Portanto, todo aquele que quer desenvolver o fruto do Espírito de Deus em sua vida precisa morrer para a presente vida e renascer para viver vida nova e abundante em Cristo Jesus. E a partir dai, somente a partir dai, poderá ele dar muito fruto. Estará necessariamente ligado à videira verdadeira que é Cristo Jesus, e a seiva do Evangelho puro produzirá nele um belo resultado.

E Paulo disse ainda de forma contundente: "Contra essas coisas não há lei." Sabe o que isso significa? Significa que quando sua vida é dirigida pelo Espírito de Deus, e você naturalmente produz aqueles gomos citados, ninguém pode julgar você, e melhor ainda, ninguém pode condenar você. É a própria Bíblia que diz lá em Romanos 8:1: "Agora, pois, nenhuma condenação há para quem está em Cristo Jesus.".

Medite sobre isso, busque pelo relacionamento, pela leitura da Bíblia, pela oração, pelo serviço de amor incondicional, desenvolver esse fruto maravilhoso em sua vida. Temos todos tido muitas provações. Temos todos enfrentado situações angustiantes e penosas, na nossa família, no trabalho, na escola, nos nossos relacionamentos, nas ruas, em todo lugar. Esse é o ambiente propício para o fruto do Espírito de Deus se desenvolver. É nessa situação de crise que o poder de Deus se aperfeiçoa em nós. O que eu desejo é que você se torne uma bela e frondosa árvore espiritual, forte, rija, com raízes profundas em Cristo Jesus, e cheinha de frutos.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 16 de setembro de 2011

1(1) - Ela Entregou Tudo que Possuía

No domingo passado estive participando de um programa de evangelismo na igreja adventista do Capão Redondo, aqui em São Paulo. Num dos intervalos da programação uma senhora da igreja, chamada Laura, me procurou e perguntou se eu era o Mário Jorge da Rádio Moema. Quando confirmei, ela, com muita alegria me contou o seguinte: sua mãezinha, Sra. Ilka, já idosa e com dificuldade de se locomover, não conseguia mais ir à igreja em função desse problema, e ouvia toda a programação da Radio Moema, incluindo a programação ao vivo das sextas-feiras à noite. E ela havia colocado no coração o desejo de ajudar o ministério da Radio Moema, reservando uma pequena parte dos seus ganhos para dedicar ao nosso trabalho. Pediu-me então os dados de conta bancária para fazer os depósitos.

Aquilo me comoveu muito, e eu lhe disse que posteriormente entraríamos em contato com ela para conversar com sua mãe e conhecê-las melhor. Já passei essa informação aqui para o pessoal da equipe, vários dos oficiais da igreja se emocionaram e se motivaram com o gesto daquelas irmãs lá do Capão Redondo. E esse fato imediatamente me deu o mote que eu precisava para definir sobre o que conversaríamos aqui.

Veio-me à mente, naquele momento, de forma instantânea, o que se encontra relatado no Evangelho de João 21:1-4: "Estando Jesus a observar, viu os ricos lançarem suas ofertas no gazofilácio. Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Verdadeiramente, vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza, deu tudo o que possuía, todo o seu sustento."

Aquelas moedas da viúva eram as menores moedas em uso naquele tempo, feitas de cobre, e valiam muito pouco. No entanto, pelo desprendimento e liberalidade demonstrados de forma humilde e sem alarde, na apreciação e avaliação do Mestre, sem dúvida, para Deus, aquela oferta carregava o maior valor.

Eu não sei a situação daquela irmã que me procurou na igreja, não sei o quanto ela pretende doar e também não sei o quanto representa para ela o valor que ela decidiu dedicar a Deus através do nosso trabalho. Mas essa cena bíblica, que não foi uma parábola, foi um fato real presenciado por Jesus e os discípulos, foi a primeira coisa em que pensei. E duas coisas me emocionaram e chamaram minha atenção no ato daquela senhora no domingo passado.

A primeira, é claro, foi a sua disposição de ajudar por se sentir abençoada ao ouvir a nossa programação radiofônica. Por isso, então, ela quis contribuir, ainda que com pouco, para um trabalho que, possivelmente, também beneficia a outras pessoas. Percebam um detalhe pequeno, mas muito significativo: o ato daquela nossa irmã foi uma resposta, uma reação ao nosso ato de produzir e oferecer uma programação radiofônica espiritual. Ou seja, ela não doou para comprar ou para gerar uma programação que a beneficiasse. Ao contrário, porque primeiro se sentiu beneficiada, ardeu nela o desejo de participar, de colaborar. Portanto, ela reagiu à nossa ação. Nós agimos, e ela reagiu.

E é assim que funciona o Evangelho puro de Cristo Jesus quando atinge nossa vida, essa é a mecânica correta. Assim devem ser as boas obras que praticamos, a obediência que demonstramos, e também a adoração que prestamos a Deus. Nossa religião deve ser uma religião de reação. Deus age, e o homem reage, não o contrário. Em outros cultos, notadamente os cultos do paganismo, a crença é que a divindade fica aguardando ser bajulada, beatificada, recebe sacrifícios, para só então se mover e atender aos seus súditos. Ou seja, o homem age para que sua divindade reaja em seu favor.

Mas, como disse, no culto cristão é Deus quem sai na frente. Deus nunca nos pede nada sem antes fazer algo por nós. I João 4:19 diz isso claramente: "Nos amamos porque Ele nos amou primeiro." Primeiro Deus faz, e faz tudo que é necessário, depois, então, Ele aguarda nossa reação ao que Ele já fez por nós, uma reação que seja natural, consequente, racional. Reação, diga-se de passagem, que pode acontecer ou não. Se não acontecer, nem por isso Deus deixará de fazer. Não, Ele continuará fazendo.

Se não me engano, o pastor Morris Venden, em um de seus livros, comenta o seguinte, que eu também já li de outros teólogos cristãos. Existe algo que vamos chamar de Indicativos de Deus (o que Ele já fez por nós), e algo que vamos chamar de Imperativos de Deus (o comando dEle, o que Ele quer e espera de nós). Deus jamais nos apresenta um Imperativo sem primeiro mostrar o Indicativo. Ou seja, Deus sempre faz antecipadamente e só depois pede. Vou dar um exemplo clássico do Velho Testamento.

A Lei dada por Deus a Moisés, ou seja, a Lei dos Dez Mandamentos, começa assim: "Eu sou o Senhor Teu Deus que te tirei da terra do Egito e da casa da servidão [Indicativo]. Não terás outros deuses diante de Mim [Imperativo]." E há inúmeros outros exemplos dessa forma de aproximação de Deus. O apóstolo Paulo mostra isso em diversos de seus textos.

O Indicativo de Deus para aquela senhora do Capão Redondo foi o bem que ela recebeu ao ouvir e ser confortada por uma programação radiofônica de conteúdo espiritual. O Imperativo para ela se tornou o desejo de contribuir com esse trabalho. Essa foi sua reação, natural, consciente.

E a segunda coisa que me impressionou quando sua filha veio falar comigo, foi a alegria dela. Aquela irmã sorria e demonstrava uma alegria imensa por ter-me descoberto e poder assim atender ao desejo de sua mãe. A Bíblia diz em II Coríntios 9:7 que "... Deus ama a quem dá com alegria.". Essa é uma característica que deve revestir qualquer coisa que façamos para Deus: a alegria. É o mínimo que podemos sentir ao tributar, ao dedicar qualquer coisa ao serviço de Deus.

Lembremos sempre que a alegria é um dos gomos do Fruto do Espirito. Ela vem logo depois do amor e antes da paz. Pode significar que ela é gerada pelo amor de Deus. Não é uma euforia, não necessariamente ela precisa ser ruidosa e extravagante. E conduz a momentos de paz, paz interior, paz que o mundo não dá, paz que excede todo o nosso entendimento.

De alguma maneira já falei sobre isso aqui, e vou rotineiramente repetir conceitos e ideias já mencionados em outras palestras. Na última conversa que tivemos aqui, um ouvinte mencionou que eu já havia falado alguma coisa que estava falando novamente naquele momento, e provavelmente já tinha mesmo. Que bom que ele lembrou, essa é a forma bíblica de gravar e firmar o pensamento, a repetição, é a maneira consciente e metódica de ensinar os nossos filhos, é a forma de aprendermos de Deus, firmando e retendo tudo aquilo que é bom.

Que Deus abençoe a nossa irmã Laura, a sua mãezinha, irmã Ilka, sua neta, toda sua família, por sua liberalidade e desprendimento, trazendo-lhes não apenas bênçãos espirituais, mas também bênçãos materiais, cura física e emocional, cura das dores da alma, graça e paz.

E desejo a vocês que me ouvem, e também a mim mesmo e minha família, que sempre reajamos, no sentido de responder as ações de Deus. A maior ação de Deus em favor do ser humano foi Ele mesmo Se dar em nosso lugar e pagar a nossa dívida, a dívida que a raça humana contraíra com o bem, com aquilo que é correto e verdadeiro. Em função dessa ação maior e primeira de Deus, tudo que viermos a fazer, que não seja troca, que não seja tentativa de comprar o favor de Deus, que não seja para que nos tornemos melhores que nosso semelhante, pois assim nos frustraremos e nada conseguiremos, sem a menor sombra de dúvida. Mas que seja resposta natural e verdadeira às ações de Deus em nosso favor, portanto, fruto do Evangelho.

Autor: Mário Jorge Lima

Postado em: sexta-feira, 26 de agosto de 2011

1(1) - Nosso Deus e o Dom da Vida

Nós que somos cristãos, por definição - digo isso porque eu não consigo entender um cristão que não creia nisso que vou dizer, embora os haja - acreditamos num processo criacionista em relação à origem da vida e do ser humano. Temos um Deus Criador por excelência e Mantenedor de todo o Universo infinito. Isso é algo que transcende em muito tudo aquilo que podemos pensar ou imaginar sobre esse Ser maravilhoso, que é ao mesmo tempo uma pessoa, não carnal como nós somos, mas um Espírito.

Entre os principais atributos de Deus estão a Sua eternidade (sempre existiu), a Sua santidade (não pode conviver com o pecado), infalibilidade (Deus nunca falha, nunca erra), onipotência (tudo pode), onipresença (está em todos os lugares ao mesmo tempo) e onisciência (tudo sabe, tudo ouve, tudo vê). Deus é atemporal, para Ele o tempo não existe (um dia é como mil anos e vice-versa). É um Deus que governa a história do nosso mundo e a está conduzindo sábia e corretamente para um final feliz, glorioso e eterno.

Esse é o Deus dos cristãos, é o Deus em Quem cremos e em Quem colocamos toda a nossa confiança, toda a nossa esperança. Admitir que esse Deus possa falhar, ainda que essa seja uma chance ínfima em um vigesilhão de vezes - e o vocabulário humano limitado não sabe expressar grandezas maiores - já destruiria todo e qualquer resquício de esperança, de segurança e de fé.

Esse é o Deus, por cuja palavra os mundos foram e têm sido criados. Sim, eu disse têm sido, porque acredito piamente que Deus continua criando mundos habitados por seres inteligentes e perfeitos. Aliás, a principal atividade de Deus é exatamente essa: criar, criar, criar coisas incríveis, santas e perfeitas, e no caso do nosso mundo humano, também recriar, restaurar.

Ou eu creio num Deus assim, com todo esse poder indescritível, ou, como cristão professo, estou perdendo meu tempo e não faz absolutamente nenhum sentido pensar em coisas espirituais. Pra que buscar o bem, procurar virtudes, pensar no próximo, criar uma família dentro de princípios, ter esperança de qualquer coisa? Melhor, então, viver apenas pelo aqui e pelo agora, pensando só em mim mesmo, procurando tirar vantagens de absolutamente tudo, a qualquer preço. Não mais qualquer perspectiva de futuro, nenhuma possibilidade de eternidade, a vida se resumiria apenas a esses minguados 70, 80, 90 anos que podemos viver nesse planeta. Depois viria o nada. Seríamos lembrados como pais que se foram, avós, bisavós, tataravós, e logo, apenas antepassados sem referência alguma. Mas esse é um cenário terrível que para nós cristãos não faz sentido.

Desde menino eu muitas vezes – ainda faço isso - sozinho, deitado na minha cama, na escola ou até mesmo brincando, tentava imaginar um mundo sem Deus, seja em seu início seja em seu final. Como seria um universo inteiro ao sabor do acaso, sem uma mente, inteligência e força superiores a governá-lo. Seria isso possível? Será que uma explosão cósmica absolutamente sem controle, em épocas imemoriais, teria sido capaz de originar a vida que temos hoje? Que propósito haveria nisso? E o que seria de um planeta com vida inteligente, errante por um espaço sem fim?

Querem ver outra coisa deprimente se não tivermos a noção de um Deus que tudo controla? A expectativa de vida do ser humano hoje é absolutamente acanhada. Nascer, crescer e viver essas poucas sete ou oito décadas que um ser humano vive em média - isso quando tem saúde relativamente boa - em um mundo tão sofrido e penoso para a maioria de seus habitantes, reproduzir-se e depois morrer, não parece ser um projeto muito inteligente. Isso é deprimente e altamente desestimulante.

Por melhor que seja a vida do indivíduo nessa terra - e não vamos esquecer que a grande maioria dos habitantes desse planeta passa pela vida de forma penosa e sofrida - e por mais que vivamos - mesmo que fossem as centenas de anos dos personagens bíblicos - isso não seria nada. Viver os quase mil anos que Matusalém, Jarede e Adão viveram, com todo o luxo e riqueza de Salomão e o poderio de Davi, continuaria não sendo nada. Pelo simples fato de que isso um dia acabaria.

Portanto, para o ser humano, que é inteligente, isto é, pensante, tem que ter havido um inicio inteligente, tem que haver um propósito inteligente que leve necessariamente a um destino inteligente. E isso, também necessariamente, tem a ver com um Ser único, que é inexplicavelmente tudo, e que no nosso entendimento judaico-cristão atende pelo nome de Yahweh, Eu Sou, Deus único e verdadeiro. Ou para ser mais coloquial e pessoal, Abba, Paizinho, o doador da vida.

Johann Sebastian Bach, talvez o maior gênio musical que já habitou esse planeta, momentos antes de sua morte, doente e cego, quase adormecendo no leito de dor, pediu: "Fazei-me um pouco de música, cantai-me alguma coisa de belo sobre a morte, porque a minha hora chegou." Imediatamente, sua adorada esposa puxou o coral "Todos os homens devem morrer" sobre o qual Bach havia composto um belíssimo prelúdio. E enquanto cantavam, uma grande paz surgiu no rosto dele. Bach, profundamente religioso, começava a vislumbrar a eternidade.

Também Davi, o maravilhoso compositor e Rei de Israel, em seu leito de morte disse a Salomão seu filho: "Eu vou pelo caminho de todos os mortais. Esforça-te, pois, e sê homem." I Reis 2:2.

Davi foi um homem que conheceu toda a dureza e as conseqüências terríveis do pecado, mas também experimentou o perdão divino em altas dosagens. Ali no seu leito de dor tinha em quem se segurar, em quem colocar a sua confiança de que teria a vida eterna, garantida pela graça de Deus.

Há, portanto, esse fato inevitável em nossa existência - já falei isso aqui - algo diante do qual todos esbarramos e nos deixamos ficar perplexos e impotentes. Não importa se somos ricos ou pobres, crédulos ou incrédulos, poderosos ou miseráveis, cultos ou iletrados, cientistas ou leigos, filósofos ou ignorantes: somos mortais. Repito: enquanto nada novo, sobrenatural e novamente inteligente, acontecer na vida desse planeta, essa continuará a ser a penosa rotina da vida.

Mas, o ser humano, embora tenha que morrer, não nasceu para morrer, nasceu para viver. É por isso que jamais nos acostumaremos com a morte, é por isso que ela é algo estranho na nossa existência, é por isso que choramos e não nos alegramos ou soltamos fogos quando ela ocorre, é por isso que, em condições normais, não queremos morrer. E ela será o último inimigo a ser vencido por Deus, segundo Paulo nos diz em I Cor. 15:26.

Nascemos para viver, nascemos para obter a imortalidade, como Adão. Nascemos para entrar novamente no processo do qual ele, Adão, se alijou voluntariamente, que era desenvolver-se, provar sua capacidade de viver na dependência de Deus e então paulatinamente alcançar a imortalidade plena, coisa que ele não chegou a obter porque decidiu, conscientemente abrir mão dela. Pelas Escrituras entendemos que Deus criou o homem para conferir-lhe imortalidade, ou, em outras palavras, para que ele vivesse eternamente. Mas este bem ser-lhe-ia dado após um tempo de prova e crescimento na graça. Como ser moral livre, isto é, dotado de poder de escolha, Adão fez uma escolha infeliz. E por ele, a morte passou a todos os homens.

Ao longo dos anos nos acostumamos a ver e ler de pessoas em busca do famoso elixir da juventude, ou de algo que conferisse ao ser humano a possibilidade de nunca morrer, de viver pra sempre. Mas há um detalhe muito interessante em relação à imortalidade nesse mundo de pecado. Imortalidade, eternidade, no nosso mundo espiritual, só deveria rimar com santidade. Pra que alguém quereria viver pra sempre em um mundo onde as outras pessoas morrem, em um mundo em um veloz processo de deterioração e degenerescência, um mundo cada vez mais em frangalhos?

Já imaginou, por exemplo, se você alcançasse a imortalidade, nesse mundo, e visse outras pessoas, parentes, amigos, vizinhos, morrendo, enquanto você continuaria vivo? A literatura e o cinema diversas vezes versaram sobre esse tema. Você não conheceria mais ninguém, ninguém lhe daria atenção ou importância, você seria um incômodo, por não conseguir morrer. Que situação desesperadora, aterrorizante, inimaginável! Viver pra sempre, ou até mesmo, viver centenas de anos, nesse mundo, eu não quero. Quero coisa muito melhor.

A imortalidade só fará sentido em um mundo perfeito, recuperado de todos os males e do pecado, um mundo com a presença de Deus morando entre os homens, um mundo onde não apenas um ou outro teriam esse dom, mas todos que ali estiverem viverão pra sempre. Vida eterna só faz sentido num mundo sem a presença do pecado.

Pra você que se debate no seu dia a dia com o medo da morte, com a perplexidade do fim da vida, com a preocupação com todas as mazelas que o homem inflige a esse planeta cansado, quero deixar esse conhecido e belíssimo texto de Paulo em I Tess. 4:16-18:

"Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras."

Jesus disse ter vindo para que tivéssemos vida, e Ele enfatiza, vida em abundância. Essa vida a qual Ele se referia não é vida temporal, pois essa vida que aqui vivemos jamais será em abundância. Essa vida a que Cristo se referia tem dois sentidos: vida espiritual, porque essa pode de fato ser abundante e plena, mesmo nessa terra. E principalmente vida eterna. Embora Deus tenha feito muitas promessas de bênçãos para essa vida, o foco principal de Deus é a vida eterna.

Há uns 13 anos eu tive um problema cardíaco, passei por um procedimento médico conhecido como angioplastia. Estava numa UTI aqui em São Paulo, quando recebi a visita do pastor da minha igreja. Ele conversou comigo, e ao sair leu um texto bíblico, também lindo, e que quero deixar com vocês, pois ele é extremamente confortador. Está em Rom. 14:7-8:

"Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Portanto, quer vivamos ou morramos, somos do Senhor."

Eu na época até pensei: "Será que ele acha que eu vou morrer?". Mas logo esse texto se tornou um versículo de ouro pra mim. Saber que não importa o que aconteça comigo, não importa que rumos a minha vida leve, não importa que doenças, mazelas, dificuldades, angústias ou provações eu enfrente, eu sou do Senhor, não tem preço. Que possamos todos viver com essa certeza, principalmente nos dias difíceis que esse mundo vive.

Autor: Mário Jorge Lima